Fundador do Espírito Azul

 

1) Quando surgiram os Ultras Espírito Azul?

Este grupo começou a formar-se a propósito do jogo entre o S.L. Benfica e o Amora F.C. Todo o ambiente que envolveu este jogo, inspirou-me a criar um grupo que desse o apoio que o Amora merecia. Falei com um amigo meu, José Pintassilgo, que prontamente se disponibilizou a ajudar-me neste projecto. Falamos com alguns amigos e tentamos reunir o maior número de pessoas possível, fizemos umas faixas em cartolina e lá fomos nós… Apesar deste jogo ter sido em Janeiro, só fomos reconhecidos como “claque oficial” a 25 de Março do ano 2000.

2) Como foram os primeiros jogos de apoio ao clube?

Os primeiros jogos, como todos os jogos desde aquela data até ao final da época, foram passados como qualquer outro adepto, não cantávamos… Assistíamos simplesmente aos jogos.

3) O EA celebrou 4 anos de existência no passado dia 25 de Março. Qual o sentimento que se vive actualmente no grupo?

Acima de tudo, nesta claque impera a amizade entre todos os elementos. Somos um grupo coeso, unido e com muita paixão por aquilo que fazemos. Tenho a certeza que se um dia, por algum motivo, este grupo tenha de se separar, irá perdurar o “Espírito Azul” que cada um de nós carrega, e faremos tudo para que esta claque saia sempre dignificada.

4) Qual a definição, no Espírito Azul, de um verdadeiro Ultra?

Um verdadeiro Ultra é aquele que sabe estar nos recintos desportivos, civicamente e pacatamente. É preciso saber qual a nossa função, qual o nosso dever, qual o nosso papel dentro da claque. Nós estamos ali pela claque, a representa-la, a cantar por um clube que tem de sair sempre prestigiado.

5) Qual o vosso espírito, e o que os mantém sempre presentes?

O Amor ao Amora e a paixão pela claque!

6) Quais são as amizades/inimizades do Espírito Azul?

Basicamente não temos! Não nos damos mal com ninguém, não é para isso que lá estamos.

7) Como é a vossa relação com o clube local?

É uma relação estreita, em que dialogamos com a direcção e trocamos ideias. Há uma interacção entre ambos.

8) Qual o grupo que achas que contribui mais para o movimento Ultra em Portugal?

Sem dúvida, a claque afecta à Associação Académica de Coimbra, Mancha Negra.

9) Podem revelar alguns projectos futuros?

Os nossos projectos passam por divulgar-nos. Apostamos no “merchandising” com camisolas e porta-chaves, e brevemente, sairão os cachecóis do Espírito Azul.

10) Qual é a dimensão do apoio aos Ultras Espírito Azul (deslocações, etc)?

Tentamos servir ao máximo a equipa nos jogos fora, embora estejamos dependentes da existência de autocarro, costumamos ocupar lugares os vagos deixados pela equipa. Nisso sempre fomos apoiados pela direcção que tem sido exemplar nesse aspecto. Em relação à dimensão dentro do clube, tenho noção que é ampla. Não há nenhum sócio que não saiba da nossa existência ou que não nos dê importância.

11) O que pensam do actual panorama do futebol nacional?

O Futebol deixou à muito de ser um desporto para se tornar num negócio. É pena que assim seja. Hoje em dia, os clubes distinguem-se pelo dinheiro que têm as SAD’s e pelas contas bancárias dos seus dirigentes. Vemos muitas vezes nos órgãos de comunicação social, notícias que “certo clube” vendeu jogador por “x”… O que é que isso me interessa? Eu quando vou assistir a um jogo, não vou ver o ordenado dos jogadores, mas sim o que eles valem tecnicamente. Vou ver a camisola que veste! O que me fascina é ver os jogadores que estão a custo zero nos clubes, jogam por gosto, por amor. A esses sim, eu dou muita importância.

12) Estará bem visto o movimento Ultra em Portugal? Qual será a sua dimensão no estrangeiro?

Cada vez mais, as claques são sinónimo de violência. O que nem sempre corresponde à realidade! Associa-se muitas vezes, elementos de claques a vândalos e marginais, o que tem de acabar rapidamente. Se formos a ver, os principais “Hooligans” são os ingleses, e em Inglaterra não existem claques organizadas. Por aí se vê! Lá fora, somos respeitados e admirados. Sabemos demonstrar o que é ser Ultra. Sabemos comportar-nos e damos boa imagem quando alguma claque portuguesa sai do país para apoiar a equipa “lá fora”.

13) Poderão revelar algo de positivo e de negativo no Espírito Azul?

Aspecto Positivo, a união. Aspecto Negativo, o muro onde colocamos as faixas!

14) Financeiramente como sobrevivem os Ultras Espírito Azul? Têm o apoio da direcção do Amora?

Cada sócio paga uma cota anual que depois é gerida pela direcção da claque, não somos apoiados pela direcção do Amora Futebol Clube porque não precisamos.

15) Qual é o actual número de sócios?

O Espírito Azul conta com cerca de 40 sócios pagantes.

16) Qual o lema do grupo Ultra?

“Um dia, uma vitória. Uma vida, uma Glória!”

17) Existe algum tipo de política definido na claque?

Somos apolíticos! Política, Etnia, Nacionalidade e Religião, nunca foram nem nunca serão motivos de aceitação ou não aceitação por parte de qualquer elemento da claque. Seja preto, branco, amarelo, roxo, cor-de-rosa… Somos todos Ultras.

18) Qual a média de Ultras presentes por cada jogo (em casa)?

Temos uma média de 35 Ultras por jogo.

19) Como líder da claque de apoio ao Amora Futebol Clube, sente que há o apoio da massa associativa?

Infelizmente existem pessoas sócias do Amora Futebol Clube, que gostam tanto do Amora, como eu gosto do Seixal. E com esta afirmação, respondo por inteiro à pergunta.