Estrutura e modelação | retrato |

POR ANTONIO COXO

 

No seu Livro " VISUAL THINKING ", Rudolf Arnheim escreveu:  "A educação visual deve basear-se na premissa de que qualquer representação pictórica não apresenta o objecto mesmo, mas sim um conjunto de proposições sobre o objecto; ou, se assim o preferem , apresenta o objecto como um conjunto de proposições.
Se a representação pictórica não consegue formular as proposições pertinentes perceptualmente, resulta inútil, incompreensível, confusa, pior que se não se tivesse contado com imagem alguma. Para desempenhar a sua tarefa , a vista deve conformar-se às regras da percepção visual, que indicam como a forma e a cor determinam o que se vê " .

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Ao olhar-mos para o modelo  a maior dificuldade que nos surge  prende-se com a complexidade de apontarmos no suporte bidimensional todas as peças mais ou menos complexas que compõem o rosto:

_Nariz
_Olhos
_Boca...

Assim como a complexidade de pequenos recortes que formam esses mesmos volumes parciais.

A tendência será envolver-mos tudo em contornos gerais simplificados. Mas essa maneira  simplificante torna-se redutora ao ponto de o objecto ficar de todo incompreensível e inútil em relação ao modelo.

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Vamos tentar compreender como esse todo se pode dividir em planos que se articulam entre si, formando  uma espécie de rede estrutural que nos pode ajudar .

Começamos pelos mais evidentes que subdividiremos se para tal for necessário.

Poderemos fazê-lo directamente sobre o suporte depois de termos traçados os eixos de proporção essenciais. Ou melhor com uma mica ou acetato directamente sobre o modelo o que facilita e muito este estudo.

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Repara  no que começou a acontecer,  encontras estruturas simplificadas das formas  que de uma maneira  simples te indicam uma relação espacial entre elas e te sugerem volume.

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 Esses planos ao serem trabalhados de acordo com o "valor" e "cor" e a "textura", devemos ainda considerar a orientação no espaço que esses planos sugerem.

   

Experimenta e certamente irás obter modelação.

 

 

 

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a partir desta estrutura simples mas que desde já transmite uma sensação tridimensional, poderemos começar a modelar. seguindo o que foi dito em
4.
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Como foi dito em "4" nesta modelação foram tidos em conta o "valor " a textura, nesse caso dos lábios e a utilização correcta da técnica  expressiva do material.

 | material grafite    HB; 3B |

 

Existe uma irresistível tendência para trabalhar todos os planos de forma exaustiva resultando normalmente um objecto pesado e pouco vivo, deixa que o papel trabalhe para ti e te restitua a luz, assim poderás trabalhar apenas o essencial.

 

exemplo das etapas usadas na representação/modelação de um olho, técnica grafite.

1_estrutura HB/B

2_inicio da modelação B

3_zonas intermédias 3B

4_contraste e pormenores 3B/6B

 

importante que repares como os elementos se vão sobrepondo e complementando e a ordem pela qual são usados.

Há também que considerar a técnica expressiva dos materiais que influencia a maneira de trabalhar e o resultado expressivo final.

lápis de cor carvão de cor pastel de óleo
   

É tudo por agora