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Museu Virtual
A condição Histórica-Cultural de
Macau nos séculos XVI e XVII é uma iniciação ao sentido essencial e
originário desta cidade de fronteiras múltiplas.Cidade de mil e uma
mestiçagens, encontros e parelelismos que envolvem Portugal e a
China, a Europa e a Ásia Oriental, os mundos do Pacífico Asiático e
Americano, do Índico e do Atlântico. A partir da segunda metade de
Quinhentos, Macau torna-se fronteira por excelência das Civilizações
Europeia e Chinesa.Fronteira Informal de interesses e de razões
económicas e práticas mas também, fronteira intercultural de
tecnologias, ideias e ideais.O visitante é convidado a uma viagem no
tempo e no espaço.Uma viagem de iniciação às regras de um micro
espaço de múltiplos equilíbrios e constantes partilhas de riscos e
de lucros.Imagens, objectos, modelos, novas tecnologias e textos de
apoio são o instrumento de viagem a este espaço e tempo outro.
Aventuras de um lugar e duma época diferentes que transmitem o
essencial da atmosfera constante em Macau.
Macau é um ponto de partida mas é também uma resultante de meio
século de relações luso-chinesas. A primeira secção Portugal e
China, os Inícios do Encontro traça as condições de necessidade e de
possibilidade que originaram a cidade portuária de Macau.Através de
livros, mapas, esculturas, modelos de navios portugueses e chineses,
somos iniciados ao ambiente marítimo e mercantil dos mares da China.
Entramos na atmosfera que vai de Malaca e Patanae a Tamão e Cantão e
que envolve também as províncias litorais da China do Fujian e do
Zheziang.Ao mesmo tempo, acompanhamos o crescente relacionamento dos
portugueses com a China Ming e a circulação desses interesses e
informações do Mar da China para o Índico e Atlântico.Á medida que
crescem os laços comerciais entre grupos de portugueses e de
chineses, cresce também, em Lisboa e na restante Europa, um
conhecimento mais precioso e actualizado, não só sobre a China
marítima e económica, mas também sobre o alto valor da Civilização
Chinesa.
O segundo andamento desta iniciação a Cidade Portuária mostra como a
rede de interesses e de relações entre grupos de portugueses e de
chineses criou a necessidade e a possibilidade de uma cidade de
serviços entre a China e a Europa, entre a Àsia Oriental, o Índico e
o Atlântico.Macau com o seu porto e navios, os seus dinamismos e
instituições partilhadas e aotonómicas, mas sempre, também, Leal
Cidade século XVII e Leal Senado século XIX, vai emergindo como
ponto de encontro e de escala de múltiplos e opostos interesses,
ideias e ideais.A cidade de Macau nasce, consolida-se e ganha
existência e valor próprios, graças à capacidade de gerar e de
renovar equilíbrios e alianças que á partida parecem opostos
inconciliáveis.Através de sugestivas imagens e objectos, portugueses
e chineses, somos convidados a entrar na alquimia duma cidade que
transforma oposições em encontros e coexistências. Cidade escola
graças à dominante espiritualidade chinesa e capacidade de
asiatização e de cosmopolitismo de portugueses e de luso-orientais,
testemunhada desde as origens pela comunidade macaense.
Desde sempre que Macau é também um relevante centro intercultural.Na
terceira secção A Ordem das Transferências, visitamos algumas das
trocas ecológicas e tecnológicas que fazem de Macau um pólo de
dinamização da Ásia Oriental e da Europa.Novos alimentos e bebidas,
instrumentos e medidas entram na china e na europa a partir de
Macau.Macau é desde as origens um dos pontos centrais na regular
abertura e comunicação entre a Ásia Oriental e a Europa. Entre ambas
e o resto do mundo, em especial, as Neo-europas da América.O último
andamento desta viagem temporal que é visita à cidade fronteira dos
mundos ocidental e oriental acentua de novo o Macau
intercultural.Cristianismo e Cultura é um convite à espiritualidade
cristã no universo do Confucionismo. Exercícios de acomodação que
nascem do mútuo conhecimento e reconhecimento as Civilizações
Europeia e Cristã.
Macau é berço da sinologia europeia mas é também, ao mesmo tempo, as
notícias da Europa e do mundo para civilizações Chinesa e Japonesa.A
cidade fronteira, assenta na sabedoria da partilha de interesses
diferentes e opostos, funciona como eco amplificador de menssagens.A
cidade de Macau é um tradutor e explicador, uma permanente e viva
exposição da China para os europeus e da Europa para a China.Em
Macau nascem e florescem dicionários e gramáticas, cartas e
relatórios, livros impressos e manuscritos que traduzem a Europa e a
China em Civilização Universal.A partir de 1995, data da
constituição do Centro Científico e Cultural de Macau, foi criado
acervo que permite hoje afirmar que, no primeiro piso, o público
visitante encontra a mais vasta e preciosa colecção de arte chinesa
existente em Portugal.
O essencial da aquisição foi efectuado ao coleccionador macaense
António Sapage, possuidor de uma das mais completas colecções e
porcelana chinesa. Muito desse acervo constitui agora o fundamento
desta nossa colecção de arte chinesa.António Sapage inicio a
organização sistemática destas colecções na década de 1960,
adquerindo exemplares na República Popular da China, em Macau e em
Hong Kong. Ao mesmo tempo, foi participando e adquirindo outros
exemplares em leilões da especialidade em centros como Londres, Nova
Iorque, Amesterdão e Mónaco.
António Sapage tornou-se, deste modo, um reputado especialista de
arte chinesa tanto na Europa como na Ásia. Por isso, as suas peças
figuraram em diversas exposições como, por exemplo, as organizadas
em Macau e em Lisboa, no ano de 1989, no Palácio Nacional de
Queluz.O essencial destas colecções de arte chinesa é hoje
património do Centro Científico e Cultura de Macau. Património que o
visisitante pode conhecer através de uma ordem didáctica, ao mesmo
tempo temática e temporal, conjugada de modo a melhor transmetir
constantes e variáveis da expressão artística.
O destaque vai, antes de mais, para as colecções de terracotas, grês
e porcelas. Colecções de alta diversidade agrupadas do neolítico aos
nossos dias de modo a iniciar o visitante nas formas e forças da
continuidade e da mudança da civilização chinesa. As porcelanas,
pela sua qualidade e vastidão, são o núcleo desta colecção do Museu
do Centro Científico e Cultural de Macau.A variedade de exemplares e
as preocupações de ordem didáctica levaram à formação de diversas
tipologias:azul e branco, de padrão Fitzhugh, porcelana com
decoração policromada que se encontra dividida nas famílias verde e
rosa, porcelana de simbologia religiosa, erotismo na porcelana e a
denominada cerâmica de Shek Wan.
Em seguida, o visitante descobre uma outra unidade digna de nota.
Trata-se do conjunto formado pelos objectos utilizados pelos
fumadores de ópio. Um conjunto bastante completo e de alta beleza
formal.Saliente é também a secção de China Trade, designação que
contempla a produção chinesa destinada ao gosto e aos mercados da
Europa e da América, em especial no século XIX.Encomendas de arte
chinesa com sinais de gosto ocidental que vemos surgir em lacas e
leques, na pintura e em pratas e marfins.
Por fim, o visitante descobre objectos mais ligados ao quotidiano
mas com uma alta expressão estética. Na vitrine dedicada aos têxteis
o destaque vai para dois trajes, designados de semiformais ou
mandarim, aqui expostos pela sua manifeta qualidade e beleza.A moeda
é o equivalente de todas as trocas do dia-a-dia mas é também, ao
mesmo tempo, expressão de padrões de estética e de poder. O Centro
Científico e Cultural de Macau possui uma colecção de numismática
chinesa que reúne exemplares que vão desde a pré-história à
actualidade, num total de 1200 peças. Destas estão agora expostas
cerca de 400 moedas, desde conchas ou cauris pré-históricos até
moedas de bronze da Dinastia Song ( 960-1279 ).
A selecção incidiu sobre os exemplares mais antigos e que serão
provavelmente os menos conhecidos do público ocidental.A unidade
museológica de Centro Científico e Cultural de Macau pretende ser
viva e dinâmica. Por isso, as colecções expostas de Numismática,
Texteis, e Pintura renovar-se-ão ao longo dos anos, ando a descobrir
novas formas e tempos.A substituição periódica dos exemplares e a
organização de exposições de aprofundamento de certos aspectos da
arte chinesa é uma das regras-chave do Museu do Centro Científico e
Cultural de Macau.
Museu didático e aberto que através da arte chinesa acentua o papel
de Macau e dos Macaenses como mensageiros do encontro
Europa-China.As próprias colecções do Museu expressam também este
contributo macaense através de ofertas regulares – em especial de
têxteis, porcelanas e objectos de artes decorativas – de famílias
macaenses, a quem muito agradecemos.
António Almeida
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