AUTONOMIA
Este é um dos temas que mais interessa ao mergulhador - O
tempo que dispõe o mergulhador
para poder permanecer no fundo, esta dependence do ar que possui
na sua garrafa-
Mas será que o poderá utilizar todo?
Nao pode,pois as garrafas possuem a chamada RESERVA que nunca deverá
ser gasta no fundo, pois, destina-se ao regresso à superficie.
A reserva não é um compartimento estanque dentro da
garrafa, mas sim, um dispositivo que irá impedir a saida
do ar que esta no seu interior apartir de uma dada pressão.
Cada garrafa
tem a sua capacidade propria que nunca varia, pois, representa o
volume interno
da garrafa em litros.
O que varia é o volume de ar nela contido que está
dependente da pressão a que a mesma se encontra e, que normalmente
varia entre os 1 Kg/cm a 200 Kg/cm2.
Entao, como é que se pode saber o ar que nela se encontra?
Facilmente, pois se multiplicarmos a Capacidade (C) da garrafa,
pela Pressao (P) a que ela
se encontra, vamos achar o Volume (V) de ar nela existente, expresso
em litros.
V = C x V P= Kg/cm2
C= Litros
V= Litros
Depois de saber o ar que se encontra dentro da nossa garrafa, poderá
perguntar-se, se o podemos
utilizar todo?
A resposta sera negativa, pois, será necessario retirar a
essa quantidade o volume da nossa reserva.
Do que ficou dito vemos que:
O
volume de ar disponivel (Vd) sera o Volume total (Vt) menos o Volume
da reserva (Vr)
Vd = Vt - Vr
Então, como é que se calcula o Volume de ar da reserva
?
Para
isso só nos falta saber a pressão da reserva, ou seja
a pressao a que está calibrada a mola da reserva, da nossa
garrafa.
Geralmente varia de garrafa para garrafa, mas, o mais usual são
50 Kg/cm2. Entao o Volume da Reserva é igual à multiplicação
da Capacidade (C) da garrafa pela Pressao da Reserva (Pr).
Vr=
C x Pr Pr= Kg/cm2
C= Litros
Vr= Litros
EXEMPLO :
Queremos calcular o Volume de ar disponivel, sabendo que a garrafa
tem uma Capacidade de 12 Litros e, que está cheia a uma pressão
de 200 Kg/cm2, sendo a pressão da nossa reserva de 50 Kg/cm2.
Vt= C x V Vr= C x Pr
Vt= 12 x 200 Vr= 12 x 50
Vt= 2400 Lts. Vr= 600 Lts.
Vd= Vt - Vr
Vd= 2400 - 600
Vd= 1800 Lts.
Autonomia
(2)
Agora
que sabemos calcular o Volume de ar disponível para o nosso
consumo, já podemos calcular quanto tempo disponível
temos de ar.
Sabe-se que a pressão ao nível do mar é de
cerca de 1Kg/cm2, mas, logicamente, essa pressão aumenta
directamente com a profundidade, quer dizer que quanto maior a profundidade,
maior é a pressão
EXEMPLO :
Profundidade
Pressão
O Metros
l Kg/cm2
10 Metros
2 Kg/cm2
25 Metros
3,5 Kg/cm2
36 Metros
4,6 Kg/cm
Como
se pode ver pelo exemplo dado, a pressão aumenta uma unidade
a cada 10 metros de descida.
Contudo,
temos de ter em consideração a existência de
dois tipos de Pressão:
1
- PRESSÃO RELATIVA
2 - PRESSÃO ABSOLUTA
PRESSÃO RELATIVA - É a pressão do meio, ou
seja, a pressão da coluna de água.
PRESSÃO ABSOLUTA - É a pressão total - pressão
relativa mais pressão à superfície.
EXEMPLO:
Se
um mergulhador se encontrar a 22 metros de profundidade terá
sobre si uma pressão absoluta de 3,2 Kg/cm2 e, uma pressão
relativa de 2,2 Kg/cm2.
O
consumo de ar à superfície não é igual
para todos os mergulhadores, mas, em média é de 20
litros por minuto, o que quer dizer que à superfície
com uma pressão de 1 Kg/cm2, o consumo é de 20 litros
de ar por minuto, mas, a 10 metros com uma pressão de 2 Kg/cm,
o consumo será de 40 litros por minuto, o que quer dizer
que a cada aumento da pressão corresponde um aumento do consumo
na mesma proporção.
EXEMPLO:
Qual será o consumo de ar de um mergulhador que se encontra
a 25 metros de profundidade?
25 Metros -------- Pa= 3,5 Kg/Cm2
Consumo Real = Comsumo superfície x Pressão
Cr= 20 x 3,5
Cr= 70 Litros
CR
= Cs x P
Autonomia
(3)
EXEMPLO:
Um mergulhador pretende mergulhar numa zona que tem de profundidade
15 metros.
Dispõe de uma garrafa de 12 litros cheia, com uma pressão
de 200 Kg/cm2. A pressão da reserva
é de 50Kg/cm2.
Qual será a AUTONOMIA deste merguhador?
Profundidade
15 Mts. --------- Pa = 2,5 Kg/cm2
Capacidade (C) = 12 Lts.
Pressão total (Pt) = 200 Kg/cm2
Pressão reserva (Pr) = 50 Kg/cm2
AUT = C x (Pt - Pr)
Pa x 20
AUT= 12 x (200 - 50)
2,5 x 20
AUT= 12 x 150
50
AUT= 1800
50
AUT= 36 MINUTOS
Como
se pode verificar, torna-se muito facil calcular o nosso tempo de
mergulho e, por isso, mergulhar com muito maior segurança.
E se a garrafa for Bi (2 garrafas) ?
Se
posuirmos uma garrafa Bi de 20 Litros de capacidade, quer dizer
um conjunto de duas garrafas de 10 litros de capacidade, a nossa
reserva só irá actuar numa das garrafas de 10 litros,
e nao, no conjunto de 20 litros.
Por isso, ao aplicar a fórmula teremos de reduzir sempre
em metade a pressão da reserva!!!
EXEMPLO:
Pretendemos
mergulhar numa zona de 20 metros de profundidade, possuindo um sistema
de duas garrafas (bi) de 20 litros de capacidade (200kg/cm2) e,
com uma pressão de reserva de 50kg/cm2.
Qual é a autonomia de que dispomos?
AUT
= C x (Pt - Pr)
Pa x 20
AUT
= 20 x (200 - 25)
3 x 20
AUT
= 20 x 175
60
AUT
= 3500
60
AUT = 58,3 Minutos
Acidentes
mais frequentes nas praias
HIPOTERMIA
Esta
situação surge quando a temperatura do corpo baixa
para menos de 35ºC. A hipotermia ocorre quando a temperatura
ambiente é muito baixa ou, por imersão no mar, albufeira
ou rio.
SINTOMAS
-A
pele da vitima está fria, pálida e seca
-A temperatura da vitima está baixa, 35ºc ou menos
-A vitima está a ficar inconsciente
-O pulso e a frequência ventilatória estão abaixo
do normal.
-Em caso de inconsciência deve-se iniciar o RCP
TRATAMENTO
-Em
caso de consciência, coloque a vitima em PLS e cubra-a com
toalhas, cobertores e roupa seca.
-Aplicar massagens de modo a que a circulação sanguínea
normalize.
-Dar bebidas quente (chá, café e chocolate)
-Em caso de inconsciência, verifique se ventila se tem frequência
cardíaca, coloque a vitima em decúbito dorsal e caso
seja necessário inicie o RCR ou o RCP
Em
qualquer dos casos a vitima tem que ser observada por um médico.
Por isso deve lançar logo o sinal de SOS.
PARAGEM
DE DIGESTÃO
A
digestão é um conjunto de processos, que tem como
finalidade a assimilação dos alimentos ingeridos.
Qualquer alteração que ocorra na ingestão,
elaboração e absorção dos alimentos,
pode levar a uma interrupção do processo digestivo,
vulgarmente denominado por congestão.
SINTOMAS
Rigidez
abdominal, palidez das mucosas, pulso fraco, vómitos, desmaios
e cainbras. Se esta situação ocorrer na água,
existe a angustia e confusão, que o naufrago sofre nestas
alturas e que podem levar a uma série de transtornos emocionais.
TRATAMENTO
Colocar
a vitima em PLS; massajar-lhe o abdómen.
MORDEDURAS
OU PICADAS
Quando
entram no corpo, os venenos actuam de várias formas. Após
a entrada na circulação, alguns venenos actuam sobre
o sistema nervoso central, impedindo a ventilação,
a acção do coração e outras funções.
Contudo, as mais frequentes em Portugal são as picadas de
peixe aranha e, com menos frequência, a de um peixe similar
à arraia, mas, que possui um espeto venenoso no prolongamento
do rabo. Para os mergulhadores ainda existem outros tipos de perigos,
como alguns corais que parecem tão bonitos, mas, que em alguns
casos provocam reacções alérgicas.
SINTOMAS
-A
vítima pode delirar e ter convulsões, sinais de asfixia,
pode verificar-se inconsciência.
-Normalmente na nossa realidade (portuguesa) não se verificam
problemas tão graves.
TRATAMENTO
-Aplicar
cloreto de etilo sobre a lesão e em torno dela aplicar gelo.
-Colocar algodão embebido em éter sobre a lesão
espremer o veneno e colocar lixívia.
-Logo que possível encaminhar a vitima para um hospital,
ou na impossibilidade, ao Serviço de Assistência Permanente
mais próximo do local onde tenha ocorrido.
®
INSTITUTO DE SOCORRO A NÁUFRAGOS®
Todos
os que praticam desportos náuticos, sabem os perigos a que
estão sujeitos, pois, com o mar não se brinca. Por
vezes, poderá ser necessária a nossa intervenção
para o auxílio a um companheiro ou amigo que esteja em apuros.
Nesse caso, o mais indicado será ter uma noção
básica de como proceder numa situação de emergência.
Mas, não esqueça que a primeira acção
deve ser SEMPRE pedir ajuda, ligando para o 112.
Barotraumatismos
&
Manobras de Compensação
Os Barotraumatismos
Embora
todos os acidentes mecânicos provocados pela variação
da pressão possam designar-se por barotaumatismos, ou seja,
trauma provocado pela pressão (baros), é habitual
reservar-se esta
designação para os acidentes verificados a nível
das chamadas cavidades pneumáticas.
Existem no corpo humano cavidades cheias de ar e que se encontram
em comunicação com as vias respiratórias, sofrendo
por isso, os efeitos da variação da pressão.
Estas cavidades podem dar origem a uma série de acidentes,
alguns graves!!!
Acidentes
mais frequentes e como os prevenir
O
ouvido
A
membrana do tímpano separa o ouvido externo do ouvido médio,
estando equilibrada por pressões iguais em cada uma das suas
faces.
A pressão exterior "comunica" com a membrana do
tímpano, seja através do ar que normalmente fica
retido no canal auditivo, seja através da água que
pode eventualmente inundá-lo.
Sob o efeito da pressão, maior no exterior do que no interior,
o tímpano encurvar-se-á para dentro.
Para evitar este efeito, teremos que compensar a pressão
exterior. Durante a subida passa-se o
contrário, a pressão exterior, vai diminuindo e a
pressão interior, aumentada pela manobra de compensação
vai fazer o tímpano encurvar para fora. Teremos aqui também
que proceder a nova compensação, agora no sentido
inverso, ou seja, retirando ar do ouvido médio.
Na realidade poderemos, através da trompa de eustaquio (canal
que liga o ouvido médio às fossas nasais), fazer passar
ar das fossas nasais para o ouvido médio e vice-versa, e
assim, compensar as variações da pressão exterior.
Chama-se a este artifício a manobra de compensação.
Se esta manobra não for executada o tímpano distender-se-á,
provocando uma sensação dolorosa
que é um aviso para o mergulhador; insistindo poderemos levá-lo
à ruptura, o que irá provocar
um acidente grave. A dor causada pelo rebentamento do tímpano
pode dar origem a uma síncope.
A entrada de agua para o ouvido médio e, deste para o ouvido
interno provoca a vertigem de Meniere e a perda do sentido de orientação.
As
manobras de compensação.
Qualquer
manobra que faça abrir as trompas de Eustaquio designa-se
por manobra de compensação,
Há indivíduos que, gozando duma perfeita permeabilidade
tubária, conseguem compensar com o mínimo esforço;
a maior parte das pessoas tem no entanto maior ou menor dificuldade
em faze-lo e terão que recorrer a artifícios para
o conseguir. Dependendo de indivíduo para indivíduo,
mas, sem diferenças significativas, torna-se necessário
compensar para variações de pressão da ordem
dos 300g/cm2 , o que sucede de 3 em 3 metros. Apertando o nariz,
fechando a boca e expirando com forca, como se estivesse a assoar,
faz-se com que o ar passe pelas trompas - chama-se a este procedimento
a manobra de Valsalva, descrita pelo seu autor pela primeira vez
em 1704.
Uma outra manobra que se poderá aplicar é denominada
por manobra de Frenzel, descrita em 1938. Com a glote bloqueada,
as narinas tapadas e com a língua levantada aplicada contra
o céu da boca, deve-se tentar imitar o som QUA. Isto corresponde
ao mesmo movimento de tentar engolir em seco, sem que haja necessidade
de tapar as narinas. Um outro artifício para tentar compensar
é o de engolir em seco. Há mergulhadores que conseguem
compensar desta forma. Embora a manobra de Valsalva seja a mais
utilizada, por ser a mais simples e eficaz, as duas últimas
são no entanto, as menos "violentas", pois, especialmente
a ultima, provoca a abertura das trompas naturalmente, sem necessidade
de injectar ar.
Qualquer manobra deve ser realizada antes de se atingir o momento
em que a dor nos faz lembrar que temos que executa-la!!! Desta forma,
não forçaremos os tímpanos sem necessidade.
A
compensação na subida.
Durante
a subida, passa-se o inverso do que foi descrito para a descida.
A
pressão exterior diminui e o ar que se encontra no ouvido
médio expande-se, empurrando o tímpano para fora.
Normalmente este excesso de ar tem tendência para se escoar
pelas trompas que se abrem naturalmente dada a maior pressão
interior. Caso isso não aconteça, o mergulhador pode
efectuar o que se designa por por manobra de Toynbee, descrita em
1863. Esta, é uma manobra contrária à de Valsalva.
Em vez de se soprar, procura-se sugar o ar em excesso; não
é, porem, uma manobra tão eficaz como a de Valsalva.
Se pegarmos num tubo de borracha fina e soprar-mos por uma das extremidades,
as paredes afastam-se para deixar passar o ar, o que corresponde
a manobra de Valsalva. Mas se aspirarmos o ar em vez de soprarmos,
a tendência é para que as paredes do tubo se colem
e não deixem passar, senão muito dificilmente.
Cremos
que este exemplo dá uma ideia da ineficácia que por
vezes encontramos na manobra de Toynbee. Depois do que foi dito,
é fácil compreender que quando um mergulhador tem
as fossas nasais congestionadas a compensação se torna
difícil ou até impossível. Não é
pois de estranhar que seja tentado a usar produtos que provoquem
o descongestionamento e lhe permitam compensar.
Esses medicamentos, aplicados momentos antes da descida, podem na
realidade permitir-lhe essa compensação, mas, se o
seu efeito for de curta duração o mesmo já
não acontece na subida. O mergulhador não pode aplica-los
debaixo de água e encontra-se a braços com um problema
grave: não compensar durante a subida!!!
Duas
normas fundamentais que não devem ser esquecidas:
1
- Nunca mergulhar quando se verificar qualquer inflamação
ou congestão dos tecidos que impeçam uma compensação
normal.
2-Nunca
usar medicamentos que provoquem o descongestionamento momentâneo
para conseguir uma compensação. Se esta se realizar
na descida e não se realizar na subida, poderá ter
consequências trágicas!
Barotraumatismos
&
Manobras de Compensação
Os
seios perinasais
Nos
ossos que constituem a nossa face existem, pequenas cavidades que
comunicam com as fossas nasais.
Chamam-se SEIOS e, tomam os nomes de acordo com a sua localização.
Assim temos os seios maxilares, seios frontais e os seios etmoidais.
Sendo bolsas de ar que comunicam com as fossas nasais por estreitas
passagens podem reagir às variações de pressão.
Normalmente não exigem compensação e, no caso
de exigirem, a manobra que o mergulhador executa para os ouvidos
é suficiente para equilibrar também a pressão
nos seios.
Se
o mergulhador sofrer de sinusite pode não conseguir compensar
a nível de seios e terá que
desistir do mergulho.
A compensação dos seios num estado de infecção
das fossas nasais, atirando com as secreções purulentas
para dentro destes, provoca a sinusite.
Uma má compensação dos seios dá origem
ao aparecimento de dores maxilares ou frontais, conforme a localização
dos seios afectados. Dado que a superfície interna dos seios
é forrada por uma mucosa, poderá aparecer na mascara
uma certa quantidade de secreções ou mesmo algum sangue.
Acidente sem grande gravidade significa que o ar, expandindo-se
nos seios, provoca uma espécie
de limpeza das mucosas, o aparecimento do sangue deve-se ao rebentamento
dos capilares, mais
sensíveis as variações da pressão, no
entanto se tornar frequente convém consultar um médico
especialista.
Os
dentes
O
ar pode penetra nas cavidades existentes nos dentes tais como as
provocadas por cáries ainda no inicio, uma obturação
mal feita ou por qualquer outra razão.
Na subida, o ar ao expandir-se vai provocar uma pressão no
nervo dando origem a dores agudas que podem ser extremamente violentas.
No caso duma má obturação, pode até
dar origem a que salte fora o material usado na obturação.
A única forma de diminuir a dor é descer um pouco
e depois subir lentamente, de modo a que o ar se vá escapando
lentamente e, nunca forçar a situação de molde
a que a intensidade da dor provocada dê origem a uma sincope,
cujas consequências poderão vir a ser trágicas.
Os
olhos
Embora
os olhos não possuam cavidades pneumáticas podem sofrer
acidentes mecânicos provocados pela pressão. Esta,
exercendo-se sobre a mascara e o ar nela contido, vai provocar o
efeito da placagem.
O mergulhador deve, à medida que vai descendo, injectar ar
para dentro da mascara, expirando pelo
nariz, a fim de equilibrar o aumento da pressão exterior.
Caso contrário, um simples acidente que arranque a mascara
da face do mergulhador, provoca o efeito de ventosa. Este, vai produzir
hematomas no globo ocular dando origem a raias ou manchas vermelhas
de sangue, na conjuntiva, ou seja, a parte branca do globo ocular.
Neste caso, o mergulhador deve fazer uma pausa nos seus mergulhos
até desaparecerem os efeitos do acidente.
De qualquer modo deve consultar um oftalmologista, especialmente
se a área afectada for extensa.
O
mergulho requer conhecimentos e o cumprimento de todas as regras
de segurança!!!
A
Física do Mergulho
O FRIO E O MERGULHO
A
temperatura da água do mar é muito variável.
Esta variação, verifica-se não só de
acordo com a sua localização em relação
as diferentes regiões do globo e as estacões do ano
como no mesmo local e na mesma época em relação
a profundidade.
Em certos mares, especialmente nos golfos fechados tropicais, a
temperatura pode atingir os 40º C à superfície,
enquanto nas regiões polares e de apenas alguns graus. A
partir de determinada profundidade, da ordem dos 100m a temperatura
torna-se estável. Por vezes distribui-se em camadas tão
perfeitamente definidas como no caso de certos lagos que conferem
a essas camadas índices de refracção diferentes
e consegue-se visualizar essas camadas.
Num mergulho pode-se pois encontrar temperaturas muito diferentes
conforme as camadas onde o mergulhador se deslocar.
Em águas com temperaturas inferiores aos 20’C o uso
do fato isotérmico e imprescindível. A titulo de exemplo
poderemos citar que um mergulhador só com um fato de banho
começara a sentir frio desde que a temperatura da agua seja
inferior a sua, mesmo que seja a apenas 35’C (a temperatura
do corpo humano ronda os 37’C).
A
25º C começará a sentir tremuras ao fim de duas
horas
A 15º C Aparecem sensações dolorosas
A 5º C surge a morte ao fim de cerca de uma hora.
A
Física do Mergulho
A óptica
Os raios luminosos não se comportam da mesma maneira dentro
e fora de água.
As densidades ópticas dos dois meios são diferentes
e os fenómenos inerentes à visão e propagação
da luz sofrem profundas alterações.
Três fenómenos diferentes são responsáveis
por estas alterações: a refracção, a
absorção e a difusão.
A refracção:
Quando um raio luminoso progride num meio, propaga-se em linha recta.
Mas quando atinge a superfície de separação
de dois meios diferentes, como o ar e a água, sofre um desvio
que é tanto maior quanto maior for a diferença entre
esses dois meios.
A este fenómeno chama-se refracção.
A relação entre as diferenças dos índices
do ar e da água é de 3 para 4, valor que irá
ter bastante
interesse para alguns cálculos que irão surgir mais
tarde.
Se um raio luminoso incidir perpendiculamente à superfície
de separação dos dois meios entra no
segundo meio sem se desviar (figura da direita 1º exemplo).
Se incidir segundo uma determinada inclinação (figura
da direita 2º exemplo) já se refracta, isto é,
muda de direcção. Sendo o segundo meio mais denso
que o primeiro, o ângulo de incidência é sempre
maior que o ângulo refractado.
Como a superfície da água é uma superfície
normalmente instável (figura da direita) os raios luminosos
adoptam várias direcções segundo os movimentos
da superfície refractária.
Tabelas
de
Descompressão
As
Tabelas de Descompressão
Foi
Paul Bert quem, entre 1870 e 1878, demonstrou que os acidentes de
descompressão eram provocados pela dissolução
de gases nos tecidos e sobretudo pelo azoto.
Em
1907 John Scott Haldane, baseando-se nos trabalhos de Paul Bert,
criou a primeira tabela de
descompressão para a marinha inglesa. Só muito mais
tarde apareceu outra tabela de origem americana.
Em
1948 o comandante Alinat, do G.E.R.S., adaptou ao sistema métrico
à tabela americana e introduziu a tabela de mergulhos sucessivos.
A partir de então as marinhas de quase todo o mundo Calcularam
novas tabelas ou adaptaram as já existentes e começaram
a utilizá-las baseando-se em critérios e valores variáveis,
o que veio provocar diferenças significativas entre elas.
Alem disso a evolução do conhecimento cientifico tem
vindo a tornar essas tabelas cada vez mais perfeitas. Neste momento
e especialmente nos Estados Unidos, são as universidades
e os departamentos de investigação de certas industrias
que nos apresentam novas tabelas, quebrando assim a hegemonia das
marinhas de guerra dos países mais avançados neste
campo.
Dado
que ao longo dos anos temos vindo a encontrar tabelas diferentes,
cada vez mais aperfeiçoadas temos de estar preparados para
ver alteradas as tabelas que vamos adoptar.
A tabela que usamos é a utilizada pelo British Subaqua Club,
organismo que na Grã-Bretanha coordena o mergulho amador
e pela própria marinha (B.N.F.L) para uso desportivo.
Trata-se
de uma tabela simplificada cujos valores cobrem perfeitamente os
casos que surgem ao amador e tem a vantagem de estar calculadas
de 2 em 2 metros.
Tabelas
de Descompressão Büehlmann 86 para mergulho com ar Acima
do nível do mar:
Tabelas
0-700m
Tabelas
701-2500m
Parte
de Trás de uma Tabela
Os
Parâmetros do Mergulho
Todas
as tabelas fundamentam-se em dois valores - a profundidade do mergulho
e o tempo de mergulho.
Estes valores estão relacionados com a dissolução
dos gases no sangue e nos tecidos. Quanto mais
fundo mergulharmos maior e a pressão e portanto maior e a
dissolução.
Quanto mais tempo passarmos a essa pressão também
maior e a dissolução. Assim interessa pois
definir estes valores.
A
profundidade do mergulho
É a profundidade máxima atingida durante o mergulho.
Mesmo no caso de o mergulhador ter realizado a quase totalidade,
dum mergulho a 15 metros e só tenha dado uma "escapadela"
muito rápida aos 30 metros é esta a profundidade que
conta para as tabelas e não os 15 metros.
Nota: Há profundímetros que retêm o valor da
profundidade máxima atingida, mas como muitos
mergulhadores não possuem aparelhos com esse dispositivo
terá o praticante que memorizar este valor
consultando amiudadas vezes o profundímetro durante o mergulho,
sobretudo se se aperceber que está a
ir para mais fundo.
O tempo de mergulho
O tempo de mergulho é o intervalo de tempo que decorre entre
o momento em que o mergulhador abandona
a superfície ate ao momento em que, no fundo, decide acabar
o mergulho e inicia o regresso à superfície.
Nota: O último gesto do mergulhador ao abandonar a superfície
é o de marcar no aro móvel do seu relógio
ou botão do seu cronómetro o início da contagem
do tempo. (hoje em dia há computadores de mergulho
que automaticamente começam a contagem do tempo quando estão
abaixo de 3m)
Chama-se
a atenção para os seguintes pontos:
1º - Quando dizemos que não há necessidade de
fazer descompressão, isso não significa que os tecidos
do
nosso corpo estejam isentos de gases dissolvidos em excesso.
Por isso mesmo não podemos mergulhar de novo sem entrarmos
em linha de conta com o 1º mergulho,
nem voar sem consultar as tabelas.
2º - Os mergulhadores não reagem todos da mesma forma,
mesmo cumprindo escrupulosamente a tabela.
Assim, é sempre aconselhável gastar o resto do ar
da garrafa a fazer um patamar de segurança.
3º - Uma subida muito rápida, excedendo a velocidade
indicada na tabela, pode criar problemas de
descompressão.
4º - A vinda à superfície, momentânea e
repetidamente, durante o mergulho, como por exemplo para
verificar as marcas do local ou para trazer colegas, não
é de forma alguma aconselhável pois pode dar
origem a problemas de descompressão.
5º - Embora a tabela inglesa ultrapasse os 40 metros, não
nos podemos esquecer que a lei portuguesa só
permite mergulhar abaixo daquela cota em condições
muito especiais.
Os patamares de descompressão
Durante o mergulho os gases vão-se acumulando lentamente
no organismo do mergulhador.
O efeito contrário, ou seja a libertação desses
gases através da respiração, não se
poderá efectuar da
mesma forma, dado que o mergulhador não pode subir tão
lentamente como seria obrigatório.
Procurou-se uma solução para esta dificuldade e chegou-se
à conclusão de que se o mergulhador estiver
parado durante um certo tempo a determinadas profundidades se vai
descomprimindo como se subisse
lentamente.
A estas paragens chamam-se patamares de descompressão.
Na tabela inglesa os patamares estão escalonados de 5 em
5 metros, ou seja, nos 5, 10, 15, etc.
Outras tabelas (como as que temos de exemplo), apresentam patamares
de 3 em 3 metros mas, mais uma
vez, há quem prefira a tabela inglesa, pois com mar agitado
é mais fácil estabilizar a 5m do que a 3m.
Dados os tempos apresentados, e normalmente não são
excedidos pelos amadores, não aparece a
necessidade de utilizar patamares abaixo dos 5m para mergulhos até
aos 20m.
Para mergulhos abaixo de 20m, temos de fazer paragens nos 10m e
nos 5m, de acordo com os tempos
indicados.
Valores fora da tabela
Os valores do mergulho - tempo de mergulho e profundidade - podem
não coincidir com os valores da
tabela.
Neste caso, nunca devemos proceder à determinação
de valores médios nem fazer interpolações para
a
obtenção destes valores.
Se não encontrarmos na tabela os valores correspondentes
aos do mergulho programado ou efectuado
deveremos escolher os mais próximos e maiores, ou seja, os
que representem situações mais
desfavoráveis.
Assim, se a profundidade do mergulho for de 31 metros deveremos
escolher o valor 32, uma vez que na
tabela só constam os valores 30 e 32.
Do mesmo modo se o tempo de mergulho foi de 22 minutos para um mergulho
a 34 metros deveremos
entrar com o tempo de 25 minutos e nunca com 21 minutos embora os
22 estejam mais próximos dos 22 do
que dos 25.
As tabelas são obtidas através de cálculos
bastante complexos para serem apresentadas duma forma
simples e fáceis de utilizar na prática. Não
podem portanto conter todos os valores possíveis e isso obriga
a
que o mergulhador tenha que adaptar os valores reais do mergulho
aos valores da tabela sempre como se
o mergulho fosse mais fundo e mais longo do que na realidade.
Nota: Se utilizarmos um computador de mergulho em vez das tabelas,
devemos seguir as indicações por ele fornecidas. Não
misturar nunca os dois sistemas, tabelas e computador.
A
Física do Mergulho
Unidades de pressão
As unidades de pressão variam de país para país
e, dentro destes, de acordo com os diferentes ramos de actividade.
Em meteorologia por exemplo, é comum utilizar-se milímetros
de mercúrio (mm Hg) e o bar. Na industria, utilizam-se a
atmosfera técnica, o quilograma por centímetro quadrado
e o newton por metro quadrado (Pascal).
Os países anglo-saxónicos usam os psi, ou seja a libra-peso
por polegada quadrada (pound per square inch). Em Portugal as medidas
adoptadas são, o quilograma por centímetro quadrado
(Kg/cm2) ou a atmosfera (atm).
No
entanto, como o mergulho é uma actividade sem fronteiras,
é conveniente sabermos as equivalências de outras unidades,
pois, poderemos por exemplo, ter garrafas de origem Americana com
a pressão de serviço e a pressão de ensaio
gravadas em psi e ter-mos de fazer a conversão para as unidades
que utilizamos normalmente.
Como se referiu anteriormente, a Unidade de Pressão utilizada
em Portugal é a de Kg/cm2, estando por isso os exercícios
desta pagina nessa medida. No entanto, podem surgir circunstancias
em que nos apareçam outras unidades dada a origem do material
que utilizamos.
São apresentados 3 problemas típicos que ajudarão
a ilustrar melhor estas situações.
-Uma
garrafa Dacor, de origem americana, indica que só deve ser
carregada a 2800psi. O nosso compressor tem os seus manómetros
em Kg/cm2.
Qual o valor, nesta unidade, a que podemos encher a nossa garrafa?
1psi
= 0,07 Kg/cm2 logo 2800 x 0,07 = 196 kg/cm2
Nota:
Uma maneira de decorar a equivalência de psi para kg/cm2 é
recordar o agente secreto 007
-Uma garrafa de origem francesa indica que deve ser carregada a
178bar (ou a 178 Hpz que e uma unidade equivalente ao bar).
Qual o valor a que a devemos carregar expressa em Kg/cm2?
1bar
= 1.02Kg/cm2 logo 178 x 1.02 = 181,56 kg/cm2
-Pretendo
adquirir uma garrafa de origem Inglesa que quando carregada a pressão
de normal de serviço pode debitar 70 pés cúbicos.
A quantos litros corresponde esse volume?
1
Pé cúbico = 28,316litros logo 70 x 28,316 = 1982 litros
A
Física do Mergulho
Tabelas
de equivalência das unidades de pressão
A pressão atmosférica normal, equilibra uma coluna
de mercúrio com 760mm de altura ou uma coluna de água
doce (densidade = 1) com 10,33m de altura, ou uma coluna de água
salgada (densidade média = 1,026) com 10,07m.
A esses valores correspondem também 1,013bar e 1,033Kg/cm2.
A unidade atmosférica é igual a 1,033Kg/cm2. Para
facilitar os cálculos chama-se atmosfera técnica,
que corresponde a 1Kg/cm2 e será a que utilizaremos normalmente.
Por comodidade é habitual designá-la por atmosfera,
embora, como acabámos de ver, seja incorrecto; no entanto,
a diferença é tão pequena que não apresenta
diferença neste caso.
O Pascal é a unidade do SI (sistema internacional) e deveria
ser a mais utilizada no sentido de se
caminhar para uma uniformização. No entanto é
raríssima a sua aplicação.
101,3 Pascal equivalem a 1,033Kg/cm2.
O psi, unidade do sistema inglês, corresponde à pressão
exercida por uma libra-força por uma polegada quadrada (Pound
per Square Inch).
É
uma unidade muito usada entre nós para medir a pressão
dos pneus embora se designe habitual e erradamente apenas por libra.
1Kg/cm2 equivale a 14,22psi e 1psi equivale a 0,07Kg/cm2.
A Física do Mergulho A descompressão
Quando nos encontramos à superfície e, portanto, respirando
o ar a pressão normal, este encontra-se dissolvido no nosso
sangue e nos tecido a um nível de saturação
que corresponde a pressão atmosférica.
Ao mergulharmos ficamos submetidos a maior pressão e o nível
de saturação modifica-se . Ao fim dum determinado
tempo começaremos a ter dissolvidos no nosso organismo uma
quantidade de gases superior ao normal. Ao regressarmos a superfície,
com a correspondente diminuição da pressão,
esses gases vão se libertando. Se a subida pudesse ser suficientemente
lenta para esses gases em excesso se libertassem através
da respiração, da mesma forma que se acumularam, não
surgiriam problemas, mas como e difícil isso acontecer os
mergulhadores que não tomem certas precauções
verão as bolhas libertadas acumularem-se no sangue e nos
tecidos dando origem aos acidente de descompressão ou doença
descompressiva. Este é um dos problemas mais graves do mergulhador
ou de quem respira gases sob pressão.
A
Fisica do Mergulho
A
lei de Boyle - Mariotte
O
volume das massas dos gases variam de acordo com a pressão
a que estão sujeitos.
Imaginemos uma seringa de injecções. Tapemos o orifício
onde se coloca a agulha e carreguemos no embolo. O embolo desce
dada a pressão exercida e a massa de ar que se encontra na
seringa diminui. Se relaxarmos essa forca o ar volta a dilatar-se
e o embolo sobe. Vemos assim que o volume duma dada massa de gás
diminui quando a pressão aumenta e vice-versa. A lei de boyle-Mariotte
diz-nos precisamente isso.
O
volume ocupado por uma determinada massa de gás varia inversamente
com a pressão a que está submetida desde que a temperatura
se mantenha constante.
Matematicamente
esta lei exprime-se por:
P0
x V0 = P1 x V1 = P2 x V2 = Constante
Imaginemos
que enchemos um balão aos 30 metros com 1litro de ar
Aos
30 metros de profundidade 1 litro
Aos 20 metros de profundidade 4/3 litros
Aos 10 metros de profundidade 4/2 litros
Aos 0 metros de profundidade 4 litros
A
medida que o balão vai subindo, passa para cotas a que correspondem
menores pressões e portanto vai aumentando de volume. Este
aumento e dado pela lei de Boyle-Mariotte. Fazendo cálculos
e fácil concluir que a 20m aumentara para 1.333litros a 10m
já estara com 2 litros e quando chegar a superfície
atinge o volume de 4 litros.
Este fenómeno pode dar origem a um grave acidente.
Se a 20 metros o mergulhador encher o peito de ar e subir a com
a respiração bloqueada o ar aumentara de volume dentro
dos seus pulmões. Os tecidos que o formam não estão
preparados para um aumento desta ordem e dar-se-a o rebentamento
dos alvéolos pulmonares. Por esta razão NUNCA se deve
dar ar a um mergulhador que esteja a realizar APNEIA, pois sem saber
poderá estar a contribuir para um acidente gravíssimo.
Este acidente e conhecido pelo nome de sobrepressao pulmonar sendo
um dos mais graves que pode atingir um mergulhador.
Problemas:
1)
Se tivermos um balde vazio, com dez litros de capacidade e se o
pusermos de boca para baixo de forma a que o ar contido não
possa escapar, veremos que a agua vai subindo dentro dele a medida
que o formos afundando o que corresponde a uma diminuição
do volume de ar.
A 10 metros, qual será o volume de ar?
Aplicando
a lei de Boyle-Mariotte temos que:
Volume
a 0 metros - V0 = 10 litros
Pressão a 0 metros - P0 = 1Kg/cm2
Volume a 10 metros - V10 = ?
Pressão a 10 metros - P10 = 2kg/cm2
P0
x V0 = P10 x V10
1 x 10 = 2 x V10
V10 = 5
Ao
atingir os 10m terá um volume de 5 litros
2)
Se a 20m de profundidade encher um balão de borracha com
3 litros de ar e se o largar, ele subirá e irá aumentando
de volume durante a subida. Que volume terá quando chegar
à superfície?
Volume a 20m: V1 = 3 litros
Pressão a 20m: P1 = 3Kg/cm2
Volume a 0m: V0 = ?
Pressão a 0m: P0 = 1Kg/cm2
P1 x V1 = P0 c V0
3 x 3 = 1 x V0
V0 = 9 : 1 = 9 litros
3)
Para encher uma garrafa teremos que usar um compressor que meterá
o ar "à pressão" para dentro da garrafa
permitindo que esse ar vá sendo fornecido à medida
que necessitamos dele.
Imaginemos que a garrafa tem um volume interno de 15 litros e que
se encontra carregada a 200Kg/cm2
(200bar - é igual).
Se abrir a garrafa quanto ar sairá dela?
P1 x V1 = P0 x V0
200 x 15 = 1 x V0
V0 = 3000 litros
O volume de ar contido na garrafa expandir-se-á de 15 para
3000 litros, mas como a pergunta pede o ar
que sai da garrafa e esta nunca fica totalmente vazia ( os 15 litros
nunca saem), a resposta correcta será:
3000 - 15 = 2985 litros
A
Física do Mergulho
Peso
real e peso aparente
Como
sabemos os corpos pesam e o seu peso é a forca que os atrai
para o centro da Terra. Todo o corpo tem um peso a que se chama
peso real. A impulsão exerce-se na vertical, de baixo para
cima e portanto contrariamente ao peso real.
O
peso real menos a impulsão é o peso aparente
Pa = Pr - I
Esta
expressão é particularmente importante no mergulho
1-Suponhamos
um corpo de ferro mergulhado na agua. Dada a sua densidade é
muito pesado em relação ao seu volume e então
o peso prevalece em relação a impulsão e ele
afunda.
2-Mas
se o corpo não for de ferro mas de cortiça, muito
menos densa, o seu peso será menor em relação
ao volume e consequentemente em relação a impulsão.
Esta é superior ao peso real e o corpo flutua.
3-Numa
terceira hipótese consideramos um corpo cuja densidade seja
igual a da agua. Neste caso o seu peso real é igual a impulsão
e o corpo não sobe nem desce. Fica portanto em equilíbrio.
O
corpo humano tem uma densidade muito próxima da agua o que
não é de estranhar dada a grande quantidade de agua
que entra na composição do nosso organismo. Isto corresponde
praticamente ao segundo caso e todos sabemos que se um indivíduo
se deitar de costas na agua e se não se debater este flutua.
Se usarmos um fato isotérmico, que tem uma grande massa esponjosa
cheia de ar, a sua flutuabilidade aumentara ainda mais e para poder
mergulhar precisa de lastro, isto é colocar pesos para anular
o efeito de impulsão.
Resta saber qual a quantidade de peso que devera colocar no cinto.
A resposta não é simples pois a medida que afundamos
a pressão aumenta e exerce-se quer nas partes mais moles
do corpo, quer nas células do fato provocando uma diminuição
do volume com a consequente diminuição de impulsão.
Daí que a lastragem correcta só possa ser valida para
uma determinada profundidade. Por outro lado ao mergulhar com garrafas
o ar que inicialmente levou consigo vai diminuindo e como esse ar
tem um certo peso, o conjunto mergulhador-escafandro vai ficando
mais leve.
A Física do Mergulho
A
LASTRAGEM
Uma
das formas de saber se um mergulhador está bem lastrado para
certa profundidade, é verificar se este consegue controlar
os movimentos de subida e descida com a respiração
(inspira = sobe; expira = desce).
No entanto convém não esquecer que qualquer mudança
no equipamento poderá modificar esse equilíbrio.
Como se verifica um aumento de peso com a profundidade poderemos
equilibrar o conjunto mergulhador-escafandro aumentado o seu volume,
isto consegue-se enchendo o colete salva-vidas de mergulho, com
um pouco de ar.
Esta peça do equipamento apresenta assim, mais uma função
para além da principal e por isso os anglo-saxónicos
designam-no muitas vezes por "compensador de flutuabilidade".
Ao subirmos, teremos que ir esvaziando o colete para conseguir ir
mantendo esse equilíbrio.
Uma outra aplicação ao princípio de Arquimedes,
é a possibilidade de se trazer para a superfície objectos
pesados sem recorrer a grande esforço.
Um saco resistente ou um simples bidão cheio de água
é fácil de levar para o fundo e, uma vez amarrado
ao objecto a recuperar, basta enchê-lo de ar para anular o
seu peso e trazê-lo facilmente para a superfície.
Imaginemos que a 20m encontramos uma âncora de 10Kg. Pretendemos
trazê-la para a superfície
utilizando um balão. Qual a quantidade de ar que temos de
levar da superfície para encher o balão e anular o
peso da âncora?
Se a âncora pesa 10Kg, precisamos de 10l de ar para anular
o seu peso. Como a âncora se encontra a 20m, onde a pressão
absoluta é de 3Kg/cm2 teremos que levar da superfície
uma quantidade de ar, que a essa profundidade se reduza a 10l. Pela
lei de Boyle Mariotte facilmente chegaremos à conclusão
que teremos de levar 30l de ar, medidos à pressão
normal, ou seja de 1Kg/cm2.
No entanto, à medida que formos subindo a pressão
diminuirá e o ar aumentará de volume. A impulsão
aumentará também e fará com que o conjunto
suba com uma velocidade sempre crescente que poderá tornar-se
perigosa.
O balão deverá ter uma válvula que permita
ir libertando o ar em excesso, ou então deveremos escolher
um balão que à medida que o ar quando exceda os 10l,
se escoe pela abertura inferior mantendo o volume inicial constante.
A
Fisica do Mergulho A acústica
Como a água é mais densa que o ar, a propagação
das vibrações é muito mais intensa e rápida
no meio aquático. O som, como fenómeno vibratório
que é, propaga-se mais rapidamente dentro de água.
Sendo a sua velocidade no ar cerca de 340 m/s, dentro de água
passa para "o exagero" de 1500 m/s.
Quer o aumento de intensidade, quer o da velocidade de propagação,
fazem com que o mergulhador possa detectar o som mais facilmente
mas, como não há superfícies reflectoras como
em terra (paredes, muros,etc.) que nos permitam avaliar as nuances
do som escutado através de dois ouvidos, torna-se difícil
localizar a fonte sonora.
Um caso idêntico passa-se, por exemplo, num barco no meio
do nevoeiro, em que por vezes não
conseguimos determinar a direcção de onde nos chega
o som das sereias de nevoeiro.
Vibrações de outro tipo, por exemplo as ondas de choque
causadas por explosões, transmitem-se também com maior
intensidade e são extremamente nocivas para os seres vivos.
Há pois que ter o máximo de cuidado, neste caso, não
se deve mergulhar (nem mesmo nadar) nas
proximidades de trabalhos, quer submarinos, quer à superfície
onde se empreguem explosivos. As
Capitanias publicam sempre editais interditando as zonas afectadas
quando se realizam trabalhos deste tipo.
Convém então, informarmo-nos sempre que suspeitemos
que há obras perto do local de mergulho ou quando vamos mergulhar
em locais diferentes dos habituais.
A Física do Mergulho
Outros
aspectos a considerar
As
leis de Charles e Gay-Lussac
Estudámos
anteriormente as variações de pressão / volume,
considerando que a temperatura se mantém constante.
Vamos estudar agora as variações de pressão
/ temperatura e volume / temperatura mantendo as constantes, respectivamente
o volume e a pressão.
Estas variações são traduzidas matematicamente
pelas duas leis de Charles e Gay-Lussac.
1º-
P=P0 ( 1 + t - t0 / 273 ) V= Constante (A pressão aumenta
quando o volume aumenta)
2º-
V=V0 ( 1 + t - t0 / 273 ) P= Constante (O volume aumenta quando
a temperatura aumenta)
Da
sua análise verifica-se que a pressão aumenta se a
temperatura aumenta e que o mesmo se passa em relação
ao volume.
É a primeira lei que mais interessa ao mergulhador, embora
e apenas nos seus aspectos práticos. No entanto as fórmulas
dadas permitirão calcular os valores exactos se isso interessar.
Por curiosidade citaremos que a variação conjunta
das três variáveis - volume, temperatura e pressão
- podem ser estudadas através da lei dos gases perfeitos
que não tem interesse para o nosso caso.
Uma
garrafa deixada ao sol numa praia vai aumentar significativamente
a sua temperatura. As paredes indeformáveis da garrafa fazem
com que o volume se mantenha constante.
Estamos pois na primeira lei apresentada. Em função
do aumento da temperatura a pressão vai aumentar e se a medirmos
nessas condições antes de entrar na água estaremos
a partir de dados errados, pois uma vez debaixo de água a
garrafa arrefecerá e a sua pressão baixará
de imediato mal entre em contacto com a água fria.
Um
caso semelhante verifica-se durante a carga das garrafas. O ar,
ao passar por orifícios muito estreitos, aquece por fricção.
Para além deste aquecimento existe o inerente à própria
compressão. De facto o ar aquece quando é comprimido
e arrefece quando se expande.
Assim,
no fim da carga de uma garrafa, o ar encontra-se numa temperatura
superior à normal, e quando interrompermos a carga a uma
determinada pressão iremos ter uma quebra se a medirmos de
novo mais tarde. Esta é uma das razões que leva a
que se carreguem as garrafas dentro de água ou, pelo menos,
a arrefecê-las, regando-as com uma mangueira.
Se não houver o cuidado de medir a pressão a uma temperatura
muito próxima das condições de utilização,
todos os cálculos efectuados para calcular o ar disponível,
e consequentemente o tempo de mergulho, ficarão errados.
A
composição do ar
Para
as leis que se seguem interessa-nos conhece a composição
do ar que respiramos à superfície e com o qual carregamos
as garrafas. Os seus principais componentes são o azoto (N2)
e o oxigénio (O2), mas existem outros componentes.
Azoto
78,09%
Oxigénio
20,95%
Argon
0,93%
Dióxido de Carbono
0,03%
Neon
0,018%
Cripton
0,001%
Hélio
0,000053%
Hidrogénio
0,00005%
Xenon
0,000008%
Ozono
0,000001%
Quando
uma mistura gasosa, como o caso do ar, se encontra a um determinada
pressão, cada um dos gases que a compõe exerce a sua
quota-parte de pressão a que se chama a pressão parcial
desse gás.
O físico Dalton demonstrou que um gás componente duma
mistura possui uma pressão parcial equivalente à que
teria se só ele ocupasse o espaço onde a mistura está
encerrada.
A pressão parcial pode pois ser calculada multiplicando a
pressão total pela percentagem do gás na mistura.
Imaginemos
uma mistura constituída por 21% de oxigénio (O2),
78% de azoto (N2) e 0,03% de gás carbónico (CO2).
Se a pressão total for de 2Kg/cm2 as pressões parciais
serão:
PpO2
= 2 x 0,21 = 0,42 Kg/cm2
PpN2
= 2 x 0,78 = 1,56 Kg/cm2
PpCO2
= 2 x 0,03 = 0,06 Kg/cm2
Todos
estes gases, desde o oxigénio que é absolutamente
indispensável à vida até ao azoto que é
neutro, tornam-se nocivos a partir de determinadas pressões
parciais e, sob o ponto de vista bioquímico, dão origem
a intoxicações que abordaremos à frente, empregando
constantemente a noção de pressão parcial.
A
dissolução dum gás num líquido
Quando
temos um gás e um líquido em presença acontece
que o primeiro se dissolve no segundo dependendo essa dissolução
de vários factores: a natrureza do gás, a natureza
do líquido, a temperatura, a superfície de contacto,
a agitação existente, a pressão ambiente e
o tempo durante o qual estão em contacto.
Em relação à pressão e ao tempo, que
são os factores que mais nos interessam no estudo do mergulho,
poderemos aplicar a lei de Henry que nos diz que a dissolução
é directamente proporcional à pressão ambiente.
Porém, a dissolução não é instantânea,
e à medida que o tempo decorre a dissolução
aumenta até se atingir a saturação.
Como o seu próprio nome indica a saturação
é o estado para além do qual não é possível
dissolver mais gás num líquido.
Embora
o exemplo apresentado em seguida não trate da dissolução
dum gás num líquido pensamos que se trata dum exemplo
bastante significativo:
Quando pretendemos adoçar o café, juntamos açúcar
e mexemos para que este se dissolva. A partir de certa altura, e
por mais que se mexa, o açúcar não se dissolve
mais no café e começa a depositar-se no fundo da chávena.
Atingiu-se o ponto de saturação.
No
entanto a saturação é definida para uma determinada
pressão. Se esta variar, a saturação varia
também.
Assim, se a pressão aumentar o estado de saturação
altera-se passa a ser possível dissolver mais gás.
Inversamente, se a pressão diminuir o gás que estava
dissolvido passa a um estado de sobre-saturação, situação
bastante instável, e acaba por se libertar para que se atinja
um nível de saturação mais baixo, correspondente
ao novo valor da pressão.
Quando
pretendemos gaseificar uma bebida, dissolvemos nesta um gás,
normalmente anidrido carbónico, sob pressão.
A pressão é mantida pela carica da garrafa. E quando
examinada à transparência, sem agitar ou aquecer muito,
verificamos que não vemos qualquer gás dissolvido
sob a forma de bolhas.
Ao removermos a carica da garrafa, verificamos que começam
a surgir bolhas, nascendo do fundo da garrafa. Foi a diminuição
da pressão provocada pela saída da carica que deu
origem ao seu aparecimento.
Se a bebida estiver quente ou for anteriormente agitada, libertará
maior quantidade de gases, o que prova a influência da temperatura
e o coeficiente de agitação.
Por outro lado verificamos que as bolhas se formam ao longo de muito
tempo, o que prova que essa libertação não
é instantânea.
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