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MISTÉRIOS DA SERRA DA ARRÁBIDA (Por Rui Palmela)
Recordo-me
de ter ouvido em tempos uma história verídica sobre um grupo de escuteiros da
região de Setúbal que tiveram uma experiência insólita no interior da Serra
da Arrábida onde penetraram através duma gruta que supostamente seria a
conhecida 'Gruta do Abade' e caminharam por um túnel de vários kilómetros
que, segundo se diz, atravessa a Serra-Mãe (assim a chamava Sebastião da
Gama), dum lado ao outro. Só que, a meio do caminho, teriam encontrado algo
muito estranho e fabuloso que os levou a manter segredo durante muito tempo
daquilo que viram. Com base no que conheço de vários outros episódios estranhos passados na Serra da Arrábida, e pretendendo escrever algo sobre o assunto, resolvi tentar saber junto do Corpo de Escutismo de Setúbal algo documentado sobre a história, ao que me disseram que nada possuiam em virtude de terem perdido imensos documentos aquando duma cheia na cidade há vários anos atrás, tendo ficado apenas esses relatos na memória dos mais antigos que teriam falado pouco do caso que no entanto foi passando e sendo conhecido vagamente. Assim, indicaram-me então o escuteiro 'Nix' da
zona de Azeitão onde me dirigi e estive falando com ele sobre o assunto, pois
que segundo me disseram era o único mais antigo que poderia saber alguma coisa
sobre o caso. Na verdade ele o confirmou por ter sabido também de outros escuteiros
mais velhos que contaram essa história passada no interior da Serra da Arrábida
no túnel onde o grupo de aventureiros pretendia atravessar. Conta-se, pois, que
a dada altura eles teriam visto uma claridade ao fundo do túnel por onde
caminharam muito tempo e pensando que era já o outro lado da serra, não era senão um espaço enorme
subterrâneo com várias construções que pareciam ser duma cidade antiga
abandonada e a luz ambiente vinha das próprias rochas que formavam as paredes
da enorme gruta. A história só teria sido conhecida após muitos anos dessa experiência, pois os escuteiros mantiveram o segredo por motivos óbvios para salvaguardar talvez o local de invasores ou ‘profanadores’que o tomariam decerto com fins menos próprios, e quiçá muita coisa destruiriam como de resto se passou com algumas grutas ou mesmo ‘respiradouros’ de passagens subterrâneas que foram descobertos nas pedreiras de Sesimbra, e foram desfeitos com cargas de dinamite antes que alguém da Arqueologia soubesse e a pedreira fosse encerrada ou proibida de avançar na extracção do granito ou calcário. Mas isto é a minha suposição pessoal, claro!
Doutro modo conheço o que se passa por exemplo quando fazem
rebentamentos na Pedreira e se repercute debaixo de solo até à Qtª de El
Carmen a vários kilómetros de distância, no lado Poente da Serra da Arrábida,
onde não se consegue abrir um poço por causa disso e as paredes exteriores da
capela (pertencente ao edifício residencial antigo ali existente) racham por acção das ondas que se propagam
debaixo do chão e estremecem as construções na zona devido à
existência de vários túneis a certa profundidade. Enfim, na conversa havida com o tal escuteiro 'Nix', vários casos de fenómenos estranhos ele me contou também, sendo um deles quando estava na Serra com um grupo de escuteiros numa noite a ver a chuva de meteoritos anunciada há uns anos atrás nos órgãos de comunicação social, e ele viu uma bola luminosa ou pequena esfera (tipo "foo-figthers" que eram relatadas pelos pilotos durante a 2ª Guerra Mundial) vir na sua direcção tendo batido nas rochas junto a si e saltitado várias vezes como se fosse uma bola de ping-pong durante cerca de 15 segundos e desapareceu de sua vista. Ele atribuiu isso ao facto da Serra ser uma zona fortemente magnética e teria atraido algo que não seria um meteorito mas outra coisa qualquer que não soube explicar. A verdade é que também já foi observado sobre o mar, frente
à Serra, 3 circulos luminosos testemunhados pelo próprio guarda do Convento da
Arrábida (sr. Quirino) e por um grupo de 10 pessoas na praia do Creiro (entre
Galapos e Portinho da Arrábida), onde se encontrava a conhecida
escritora Gilda Moura, autora do livro
"Extase - O Rio
Subterrâneo".
Todos
viram os "circulos" surgidos do mar, como se viessem do fundo do oceano, e
desapareceram no céu entre as nuvens. O facto é que precisamente naquela zona as bússolas
deixam de funcionar como se houvesse um campo
magnético a interferir que também interfere nas transmissões de rádio. O meu
pai que foi contra-mestre da Marinha Mercante durante muitos anos me confirmou isso,
pois ali só se poderiam orientar pelos faróis da barra durante a noite e pelas
bóias de sinalização durante o dia. É
curioso também haver no alto da Serra da Arrábida 3 cruzes em pedra no sítio onde as
nuvens de trovoadas se afastam umas das outras como se uma força
interna as forçasse a isso... É sabido também que o Convento está localizado
sobre um triângulo magnético na serra com o vértice voltado para baixo
conferindo ao local uma poderosa energia que transmite paz e sensação de
bem-estar a qualquer pessoa que ali
esteja! Mas não saindo do assunto inicial, que tem a ver com a história da 'gruta do Abade', eu perguntaria quem teria escavado aquele túnel de vários kilómetros de comprimento (sete pelo que se sabe) e outros mais que bifurcam uns nos outros, com respiradouros para a superfície? E que construções estranhas eram aquelas desconhecidas que teriam sido habitadas em tempos e por quem? Mais estranho ainda é o facto de se dizer que a Serra de Sintra e Arrábida estão ligadas uma à outra fisicamente a vários kilómetros de profundidade, passando muito abaixo do Rio Tejo, sendo ambas 'ôcas' por dentro como se sabe. Já agora, que dizer do misterioso
desaparecimento do jovem João Tiago (escuteiro caminheiro) que foi visto
pela última vez na zona do Portinho da Arrábida e até hoje não apareceu, nem
o cadáver, nem a bicicleta que levava com ele? Lembro que participaram na busca
centenas de pessoas (Bombeiros,
GNR, Escuteiros e populares) que procuraram por toda
a serra o jovem que nunca chegou a aparecer. Outros mistérios ocultam a Serra que o próprio Frei Agostinho da Cruz escolheu para terminar seus dias como o poeta da Arrábida que um dia escreveu:
Alta
Serra deserta, donde vejo
As águas do Oceano de uma banda,
E de outra, já salgadas, as do Tejo. Aquela
saudade, que me manda
Lágrimas derramar em toda a parte, Que
fará nesta, saudosa e branda?
Daqui
mais saudoso o Sol se parte;
Daqui muito mais claro, mais dourado,
Pelos montes, nascendo, se reparte...
Notas herméticas: (de Rui Palmela e Dr. Vitor Adrião) A gruta em questão, cuja localização fica no seio da serra na mesma latitude do Convento e cujo acesso é através de um poço sem água localizado dentro duma Cripta, pelo qual se desce a um espaço subterrâneo com vários túneis que se estendem em várias direcções, e que só poucos aventureiros corajosos podem explorar.
Com
efeito, já se escrevia numa Revista muito antiga, sobre as entranhas da
Serra da Arrábida, o seguinte: "há na serra muitos e profundíssimos algares, o mais falado e medonho está
no caminho que vai para a Nossa Senhora do Carmo, onde chamam Vale Bom, e segue
7 kilómetros por baixo de chão até sair no sítio da Água Branca. Algar quer
dizer cova, sorvedouro ou brejo profundo". (Revista O Domingo Ilustrado, nº
199 - vol. 4, 1900.)
Quanto às
construções estranhas que o grupo de escuteiros teriam visto e lhes parecia
uma cidade antiga, desabitada, cuja luz ambiente vinha das paredes da própria
gruta, isso dá fé à narrativa de um verdadeiro encontro JINA, pois poderia
muito bem em tempos idos sido habitada por um povo que se interiorizou mais
ainda, um povo de BADAGAS. Isto leva à fábula etnogénica recolhida e
divulgada por Santo Isidro de Sevilha, acolhida na Crónica do Mouro Razis,
transmitida à tradição monástica portuguesa quinhentista e meados de
seicentos, exposta por eruditos de nome como Manuel de Faria e Sousa no livro
Europa Portuguesa - vol. I, IX, perpetuada por Frei Bernardo de Brito in A
Monarquia Lusitana, Cap. I, XXII, quanto a Setúbal ser fundação bílbica do
neto de Noé, TUBAL, que escolheu as imediações do Cabo Espichel para fundar
essa cidade, iniciando assim após o Dilúvio o povoamento
de toda a Hispânia.
Por outro lado, TUBAL
tem relação com TUBALCAIM e a tradição ctónica da forja subterrânea do
"Ferreiro" ou SERAPIS que forja os metais com os fogos do Seio da
Terra. Há nisto algo de Saturno (Ctónico) e Marte (Metalúrgico), e não será
por acaso que a herança arquetípica disso chegou à actualidade, onde os
melhores metalúrgicos do País sediavam-se em Setúbal que, tal como os antigos
Fenícios deste lugar, consertavam e construiam os navios que se faziam ao largo
em rotas transcontinentais, indo mesmo até às Américas!... Por outro lado, sabe-se que os primeiros habitantes da Serra
da Arrábida foram os SÁRRIOS, de que subsistem vestígios de fortificados em vários
cabeços da serra. Estes Sárrios proto-históricos terão depois sido
aglutinados pela cultura Romana e da sua época subsiste a memória descritiva
de André de Resende (um seiscentista) em suas "Antiguidades da Lusitância",
em Setúbal, a antiga Cetóbriga, a Igreja de Stª Maria de Tróia foi levantada
sobre o primitivo templo de Júpiter Amon, de que sobrou só o alpendre. Também
na ponta do Outão foram descobertas em 1644 as ruinas dum outro templo
consagrado a Neptuno (Deus dos Mares), enquanto no chamado monte Tormoinho
existem ruinas dum outro templo que se diz consagrado a Apolo (SOL). De ambos os
templos há provas arqueológicas documentadas. Quanto ao "Triângulo Magnético" da Serra sobre o qual se situa o Convento da Arrábida, com o vértice voltado para baixo, aponta 3 direcções: S. Lourenço de Azeitão, Setúbal e Tróia, estando a Lapa de Stª Margarida no sopé subterrâneo da Serra como se fosse um 8º Templo a que se chega após passar pelas 7 Ermidas que descem a encosta numa ‘via sacra’ como se fossem os 7 dias da semana para esta mesma, os “7 Degraus da Escada de Jacob” referidos na Bíblia, ou os 7 Dhyan-Choans (Seres Ascencionados) ou os 7 Arcanjos Planetários, ou as 7 Cidades Aghartinas, cuja 8ª é Shamballah, no seio da Terra, o que confere simbolicamente com a localização subterrânea da Lapa de Stª Margarida, vértice principal do triângulo invertido, este considerado por Saint-Yves de Alveydre como o Triângulo de Maria, e algo mais que tem a ver com o 3º Logos ou Espirito Santo no seio da Matéria. É por esta razão que está uma Cruz de Avis sobre a entrada da Gruta da Lapa de Stª Margarida, cujas fotos pode ver em baixo:
Ver : : "Qtª El Carmen e o Convento da Arrábida" e A "Gruta da Lapa de Stª Margarida"
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