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Percorrer a montanha, localizar viajantes perdidos na tempestade, escavar um caminho na neve como se fosse uma máquina, requer força e rudeza, como também muito carácter. Se perguntar a um proprietário de um São Bernardo, porque tem um cão tão grande e volumoso, que ocupa tanto espaço - ele responde porque ele é muito meigo. É invulgar o apêgo que os donos do São Bernardo manifestam com estes cães. Talvez pela sua expressão bonacheirona ou talvez pela lenda de Barry que os impressiona e faz sonhar.
Embora não pertença às chamadas raças de guarda e defesa, tem um agudo sentido do território. Na maior parte do tempo permanece silencioso, tem um rosnar especialmente cavo e inquietante que basta para fazer fugir os indesejáveis. É um cão que se pode confiar em qualquer circunstância. Pode dizer-se que, o que o mais caracteriza é o apego sem limites que sente pelos donos. Muito sensível e afeituoso, aprecia imenso passar horas e horas com a cabeça pousada nos joelhos do dono para que este lhe coçe a cabeça. Faz longas horas de sesta, o que o levou a considerar a observadores menos atentos de preguiçoso. Tal conceito é falso, como comprovam os longos passeios que dá sem manifestar fadiga. Dá-se bem com os grandes passeios mas não são indespensáveis. A presença do dono é o primeiro requisito para o seu bem estar. Tem um sentido natural de protecção do dono. Poder-se-à dizer que o São Bernardo é amigo do Homem. Mas onde se distinguem melhor as suas qualidades é na relação com as crianças. Torna-se extremamente carinhoso quando encontra um menino assustado. Além disso, mesmo quando às vezes apresenta um aspecto grave com os adultos, com as crianças exterioriza a sua natureza alegre e até divertida. Pode-se ver então um São Bernardo perder o ar sério e sizudo e mostrar-se cheio de vida e de energia. Quem não se lembra do grande cão ama de Peter Pan, o filme de Walt Disney? Não era nem mais nem menos que um São Bernardo. Grande defensor dos donos, maravilhoso
companheiro das crianças, fácil de ensinar, pelo que se deve aproveitar esta qualidade
para se ensinar as normas de higiene quando entra em casa. A melhor solução é fazê-lo
sair logo após a refeição, depois de beber, brincar ou acordar. Dentro de casa deve ser
encaminhado para locais habituais e apropriados, sobre folhas de jornal. Quanto à trela e coleira deve ser feita suavemente e por fases. Como o São Bernardo é sensível, deverá ser ensinado com calma, regularidade e compreenção. É dócil e voluntarioso, só obedece para agradar aos donos e não deve ser importunado com ordens excessivas. É indispensável que os donos controlem completamente o cão, tendo em atenção o poder de um São Bernardo adulto. Por isso há que dominar o cachorro desde muito cedo, com suavidade mas com firmeza. |