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A sua história começou há mais de dois mil e quinhentos anos na antiga Assíria, num albergue que lhe deu o nome. Os mastins Assírios viajaram para a Grécia e depois Itália. Quando chegaram a Roma deram-lhes o nome de molossos. Estes mastins espalharam-se a pouco e pouco por toda a Suíça, sobretudo nos cantões de Valis e Vaud, assim como no Oberland Bernense. Os arquivos mais antigos do antigo albergue e do Convento do grande São Bernardo foram destruídos num incêndio. Podemos contudo apreciar um quadro de 1695 onde aparece um São Bernardo. A primeira missão do grande São Bernardo foi a guarda do albergue, por volta de 1660. A protecção que ofereciam era bastante apreciada, várias foram as vezes em que afugentavam bandidos qua tentavam assaltar o albergue. Em meados do século XVIII os São Bernardos começaram a ser utilizados como cães de busca e salvamento na neve. Tinham um faro muito apurado que podiam movimentar-se no meio da neve ou de uma tormenta e encontrar os desaparecidos. Os cães começaram a efectuar salvamentos por sua própria iniciativa sempre que se apercebiam de que havia gente em perigo. Um célebre geólogo suiço Horace Benedict de Saussure, escreveu em 1789 O hospitaleiro segue acompanhado por um ou dois cães treinados para encontrar o caminho, tanto no meio da névoa, como das tempestades e dos nevões, para localizar os viajantes perdidos. Quando as vítimas não estão demasiado enterradas na neve, os cães encontram-nas com facilidade. O pastor Bridel, do cantão de Vaud elogia estes cães, famosos em toda a Europa, de uma raça tão admirável e valiosa e, de um carácter dulcíssimo, nunca mordem e é raro ladrarem à chegada de forasteiros. Frequentemente partem ao seu encontro junto à montanha, festejam-nos, servem-lhes de guia e conduzem-nos ao convento. A ideia de que um São Bernardo em missão de salvamento carrega um barrilzinho de aguardente, não corresponde à realidade, mas é uma lenda romântica, e muito bem aceite, particularmente por aqueles que, numa noite invernosa e fria, após o jantar, apreciam tal digestivo. Famoso em todo o mundo, o cão São Bernardo de nome Barry foi um salvador excepcional que deu a conhecer a sua raça. Nasceu em Maio de 1800 coincidindo com a travessia do desfiladeiro do Grande São Bernardo por Napoleão Bonaparte. A sua façanha mais conhecida foi a do salvamento de um garoto, a quem despertou lambendo-o que conduziu à albergaria carregando com ele sobre o dorso. Salvou mais de quarenta pessoas ao longo da sua vida. Em meados do século XIX esta raça atravessou um período muito difícil, houve numerosas baixas, por causa dos Invernos duros, epidemias e de problemas de esterilidade ( devido a uma consaguinidade muito estreita ). Em 1855 no Albergue havia apenas 2 cães e como não resultavam as tentativas de fazer criação, a alternativa que se colocava era: ou surgia sangue novo ou perdia-se a raça. Como esta última solução era inaceitável, decidiu-se utilizar um casal de Terranovas da variedade avermelhada e branca ( que existia na época ). A mãe São Bernardo e o pai Terranova ( ou vice-versa ) tiveram duas ninhadas de dez cachorros, dois deles de pêlo comprido ( devido à contribuição do Terranova ). Os monges conservaram os de pelo curto, uma vez que o pêlo comprido incomodava o cão na montanha pela neve que nele acumula. Pelo contrário os de pêlo comprido, tinham muita aceitação nos vales, onde os seus proprietários os voltavam a cruzar com os cães do Albergue para conservarem o tipo de raça. Também se recorreu à importação de um macho de mastim espanhol para ser utilizado como cobridor. Naquela época, os São Bernardo ainda não tinham nome, eram chamados cães sagrados, cães de montanha, mastiffs alpinos, cães do Albergue ou cães de carniceiro ( pelo impressionante apetite ). Quando todo o mundo se inteirou das façanhas de Barry, passaram a ser designados por cães Barry. Foi na exposição canina de Birmingham de 1862, que se lhes deu o nome de São Bernardo, designação que assumiu carácter oficial em 1880. Em 1887, o criador a quem se deve a recuperação da raça, Henri Schumacher, conseguiu o seu reconhecimto oficial, e fez admitir a sua nacionalidade suiça no Congresso Internacional dos Clubes de Raça realizado em Zurique. Os monges do Grande São Bernardo ainda hoje mantêm a tradição, e continuam a criá-los. Vivem cerca de vinte São Bernardos no Albergue. As vendas constituem uma importante fonte de rendimento para a congregação. |