Do Lugar de Nelas à Formação do Concelho

 

Prof. Doutor Joaquim Veríssimo Serrão
Presidente da Academia Portuguesa da História


Não haverá decerto em Portugal uma terra com destino histórico comparável ao de Nelas, quando da sua elevação a concelho, por decreto de 9 de Dezembro de 1852. Sendo notório que a povoação, ainda que diminuta em habitantes, já existia nos alvores do Estado, longa foi a evolução até alcançar o estatuto municipal. Desde o século XII integrada no território de Senhorim, formou durante muitos anos apenas uma freguesia da invocação de Nossa Senhora da Conceição de Arco de Nelas. Quase sempre na órbita do concelho de Canas outras vezes nomeada nos documentos em ligação com o senhorio da Aguieira, foi percorrendo Nelas o seu percurso histórico que continua a ser, no nosso tempo, em grande parte ainda, ignorado. E, foi graças, sobretudo, à sua posição geográfica que viu com o advento de liberalismo a sua importância reconhecida (1).
Situada entre os vales do Mondego e do Dão, na estrada que conduz de Viseu a Seia, a terra viu-se ao longo dos séculos ofuscada pela situação de Canas como a povoação cimeira da mesma região. Tenha-se, aliás, na devida conta, que a estrada com início em Coimbra e que veio a chamar-se da Beira, seguia o itinerário da Ponte da Mucela e daqui tomava a direcção de Celorico, por Venda Nova, Galices, S. Paio de Gramaços e Carrapichana.
Esse trajecto levava 22 horas a percorrer e era, sem dúvida, o que mais cedo conduzia à fronteira de Ribacoa. Enquanto o percurso da Ponte da Mucela na faixa do interior era de 6 horas a Santa Comba Dão e mais 10 horas por tondela e Sabugosa até atingir a capital dos Hermínios(2).

Por estranho que pareça, foi a 3ª invasão Francesa que trouxe ao de cima as vantagens deste trajecto que conduzia os viajantes a Nelas e os aproximava em distância da cidade de Viseu. A história da passagem de Massena e das suas tropas pela Beira Alta mostrou que a linha do Dão tinha menos obstáculos a vencer que a zona mais vizinha às alturas da Serra da Estrela, Forçoso se torna, pois, reconhecer a posição do lugar de Nelas como um dos principais eixos de circulação do interior de Portugal, o que não acontecia com Canas de Senhorim, Santar e outras freguesias daquele concelho. Estas razões decerto pesaram no espírito dos governantes ao decretarem a desanexação das terras ditas de Senhorim e com elas formando um novo e promissor concelho, como mais adiante será referido(3).


O Topónimo "Nelas": a Sua Controversa Origem

A origem do topónimo, que continua a suscitar a divergência dos estudiosos, já mereceu o exame filológico do considerado toponimista Dr. Joaquim da Silveira (4). Na sua esteira vêm seguindo os estudiosos das origens de Nelas, com especial realce para o Dr. José Pinto Loureiro.
Tendo em consideração a antiga grafia do étimo, considera-se ser a mesma "asnellas", ou seja o diminutivo de "asinus" (asno). Desta forma o nome da povoação equivaleria ao de "burrinha" ou "jumenta", num processo filológico idêntico ao que ocorreu com o nome de outras povoações do nosso país. A evolução da palavra justificava-se assim, segundo o Dr. Joaquim da Silveira, pela vontade inconsciente da população local em afastar o topónimo do radical "asno", que estava na base de alusões desprimorosas para a terra e os seus habitantes(5),
Resta, todavia, explicar o topónimo na sua integração regional, o que permite supor que as origens de Nelas se ligaram a uma "venda" ou "hospedaria", local de paragem dos viajantes em direcção ao norte e ao sul da Beira Alta. Muita gente, para o seu transporte e de mercadorias, nobres e religiosos, mercadores e almocreves, certamente encontrariam em Nelas o meio animal de que careciam para prosseguir a viagem(6). A conjectura pode encontrar um argumento válido na existência, a menos de uma légua de distância, de um afluente do Dão, que, na primeira metade do século XII, era conhecido por rio ou "ribeiro dos Asnos". Este topónimo poderia facilmente aplicar-se à povoação vizinha, que era ainda um local de passagem que assegurava o transporte animal a quem dele carecia para atravessar o Dão.
Como diminutivo de "ribeira de asnos", na forma de "asnellas", a palavra tomou a forma de uma corruptela cujo emprego não seria do agrado dos habitantes do lugar.
O étimo orográfico passou a ter aplicação focal na transposição de que se encontram muitos exemplos de nomes de rios depois adaptados para as terras da vizinhança. A supressão da primeira sílaba tinha plena justificação, pela maior facilidade da pronúncia e, em seguida, porque afastava o sentido da palavra que não podia ser do agrado da população da terra. Aliás, três diplomas do tempo em que nasceu o Estado português, favorecem a nossa interpretação sobre a origem do topónimo Nelas na depreciativa versão inicial.
Numa carta a favor do mosteiro de Lorvão, de 20 de Março de 1133, o principe D. Afonso Henriques manda coutar o mosteiro de Sperandei (7), as "villae" de Sabugosa, Freixedo e Midões, dando a Lorvão toda a propriedade reguenga situada no couto do Rio dos Asnos(8).


Já elevado à coroa de Portugal, o monarca concede a Gonçalo Pires da Silva e sua mulher Ermenda Martins, em Maio de 1150, várias propriedades no termo de Viseu e junto ao mencionado rio (9). Dois anos mais tarde, em 30 de Setembro de 1152, D. Afonso Henriques faz doação à Sé de Viseu do coutamento de S. Pedro de Mouraz, no actual concelho de Tondela, que fora doado aos monges de Claraval e que estes, por razões pouco conhecidas, vieram a abandonar (10). Mais uma vez se menciona aquele rio: "et venit usare ad focem rivuli Asinorum", o que comprova a importância regional deste afluente do Dão.


A Formação da "Terra de Senhorim"

Quando da formação do Condado Portucalense, nos fins do século XII, já surgira o território de Senhorim aplicado a uma região mais ou menos extensa entre as áreas dos rios Dão e Mondego. Uma dessas vilas chamava-se Vilar Seco ("Vilar Siccu") e dela existe notícia pela ano de 1100, quando Pedro Dias e sua mulher Gontena Pelaio doaram duas casas, em testamento, ao mosteiro de Pedroso (11). Outro desses lugares tinha o nome de Santar, referido em diploma de 16 de Julho de 1110, quando o prebístero Mendo legou à Sé de Coimbra vários bens que obtivera de presúria, entre os quais a igreja de S. Pedro de Santar (12). Em 17 de Agosto do mesmo ano, ocorreu a doação das igrejas de Senhorim e Moreira ao bispado conimbricense(13),
A terra de Canas foi também incorporada no território de Senhorim, vindo a receber uma carta de foral de D. Sancho I, em Abril de 1196, em favor da Sé de Viseu (14). Este documento revela importância histórica, por certificar a existência de um grupo de povoadores em Canas de Senhorim, que se davam ao labor da agro-pecuária. Que se tornava urgente arrotear a terra, fica patente no texto ao especificarem-se as rendas a cumprir pelos lavradores "destas herdades que hora são rotas como das que se depois se romperem"(15). Seria, pois, este o primeiro foral de Canas de Senhorim, que o Rei D. Manuel haveria de reformar em 30 de Março de 1514, como será adiante referido.
Não se aceita hoje que fosse dirigido aos povoadores de "Ville asine" o foral de D. Afonso III, dado em Lamas de Orelhão, em 2 de Maio de 1253 (16). Durante muito tempo atribuído a Nelas e vendo o seu texto em latim traduzido pelo historiador Fortunato de Almeida (17), torna-se mais do que evidente, pelos danos do seu conteúdo, que o diploma respeita à povoação homónima do Alto Douro. Tal certeza levou o Dr. Pinto Loureiro a chamar-lhe um pseudo-foral na sua atribuição ao povoado do território de Senhorim. Mas outras terras envolventes, ainda na idade média, receberam essa incorporação, como foi o caso de Folhadal a quem o rei D. Dinis concedeu uma carta de foro para os seus 26 moradores (18). Também a Aguieira, conhecida igualmente por Vila Nova das Moreiras, já existia no ano de 1503 englobando as duas povoações (19).
Alguns documentos soltos do tempo de D. Dinis permitem alargar a história dessas povoações oriundas de antigas "villae" e cujo conhecimento se estende ao território de Senhorim. Desta forma conclui-se que aquele monarca recuperou o direito de padroado de algumas igrejas da diocese de Viseu, como foi o caso de S. Pedro de Santar: "que se mostra ser d'El Rei era 1349", ou seja no ano de 1311 (20). Não é tão pouco isenta de interesse a sentença de Lourenço Peres, juiz de Oliveira do Conde, que recebera instruções para proceder às demarcações do couto de Canas de Senhorim (21). Do reinado anterior data ainda a carta de foral da terra regalenga de Algiraz, com o nome dos moradoresb do território de Senhorim, que eram beneficiados com a mercê de D. Afonso III (22).
Da realeza de D. Fernando impõe-se destacar a carta de doação da terra de Senhorim, dada em Coimbra a 21 de Fevereiro de 1372. Querendo o monarca agradecer os serviços de Afonso Gomes da Silva, vassalo do Infante D. João, ordena-lhe que tome posse do referido lugar e exerça nele a própria autoridade, excepto no âmbito da justiça, "pois que rressaluamos pera nos as appelações do crime e a correicam" (23). Tratava-se de uma mercê de tipo senhorial, com o direito implícito de Gomes da Silva poder transmitir aos seus herdeiros e sucessores a terra de Senhorim "e com o seu termo e com as suas entradas e saídas e com todas suas jusisdições altas e baixas". Sem que o topónimo de "Asnellas" venha mencionado na carta régia, assim como os dos restantes lugares do território de Senhorim, a verdade é que houve uma doação da coroa que se aplicava às vilas e terras envolventes.
De maior interesse regional, parece ser a medida de D. Fernando, dada em Santarém, a 5 de Janeiro de 1370, com uma nova regulamentação das jurisdições locais, mormente no que respeita aos encargos militares com a defesa do reino. Tratando-se dos moradores de Viseu, o monarca faz-lhes doação, não apenas da jurisdição do castelo e alcácer da cidade, como de vários lugares circunvizinhos. Entre eles Zurara e Senhorim e os coutos de "Rio de Asnes", Sabugosa, juntamente com a aldeia de Ferreirões, e Cota (24). Torna-se importante a menção feita à futura vila de Nelas, na medida em que esses julgados não pudessem ter juízes, vereadores, procuradores do concelho, meirinhos, tabeliões ou outros oficiais "salvo os que lá forem postos". O que equivale a dizer que "Asnellas" não usufruiam o direito de eleger funcionários da administração local, tendo de aceitar os que a coroa, para o efeito, para lá viesse a nomear.

A Terra de Senhorim com a Dinastia de Aviz

Com a ascensão ao trono de D. João I, mestre de Avis, aumenta a documentação referente ao território de Senhorim, com especial destaque para o funcionalismo régio ou municipal ligado à povoação de Canas. O cabido da Sé de Viseu abriria um processo judicial contra Diogo Soares de Albergaria, por este se haver apossado, de forma violenta, da aldeia de Carvalhal Redondo que ficava no termo do concelho e era património da referida Sé. Tendo o monarca aceite as razões da diocese, ordenou aos juízes de Canas de Senhorim e "e outras justiças do Reino" para fazerem cumprir a sentença. Filho de Fernão Gonçalves de Leiria, fiel servidor de D. João I e a quem o monarca dera a coutada do monte e rio a par das terras de Santar (25), o acusante decerto obteve o perdão da coroa. Para o efeito apresentou cartas régias que o davam como senhor das terras de Santar e de Barreiro, além de outras na comarca da Beira, sem esquecer que herdou também a coutada de monte e rio que seu pai detivera.
O filho e homónimo viu esta mercê confirmada por D. Duarte (26), não havendo dúvida de que gozou de valimento na corte, como Cavaleiro da Casa Real. Ainda no tempo de D. João I, na defesa dos seus direitos senhoriais, obteve que "non constrangesen nem mandasem constranger os moradores da terra de Asentar e de Barreiro". Como prova o Professor Vaquero Moreno, Diogo Soares de Albergaria participou em 1437 na frustrada expedição a Tânger (27). A circunstância de haver tomado o partido da rainha D. Leonor de Aragão contra o infante D. Pedro, nas cortes de Lisboa de 1439, não o impediu de manter a alcaidaria do castelo da Guarda. Seguiu depois a causa de D. Afonso V quando da batalha de Alfarrobeira, pelo que foi confirmado na coutada do monte e rio a par das terras de Santar. Tudo explica que o monarca lhe houvesse também doado o lugar de Canas de Senhorim com todas as rendas, direitos e jurisdição (28).
Um dado referido por Braancamp Freire, com a autoridade que punha nas suas investigações, surpreende o estudioso da matéria.
O cavaleiro Egas Coelho que servira a causa de D. João na guerra de 1383-1385 contra Castela, veio depois a participar "traições e maldades", invadindo com nobres do reino vizinho alguns pontos da fronteira. Por tal motivo, viu os seus bens confiscados em favor de Diogo Lopes de Sousa, filho maior de Frei Lopo dias, mestre da Ordem de Cristo. Entre os bens que passaram de mãos, contava-se o "lugar de Nelas", que havia pertencido a João Afonso Telo, 6º Conde de Barcelos (29). A menos que se trate da terra de igual nome em Trás-os-Montes, o que o documento não comprova, impõe-se concluir que o senhorio de Nelas recaiu em vários fidalgos antes de ser concedido por D. Afonso V, no ano de 1449, a Diogo Soares de Albergaria, filho e neto de antigos senhores da terra de Senhorim.
Já com D. João II no trono, o lugar de "Asnellas", manteve-se integrado com as terras de Noa e Barreiro, a D, Luis da Cunha, fidalgo da Casa Real (30). Os textos da chancelaria régia nomeiam Gonçalo de Cáceres como coudel dos concelhos de Azurara e de Senhorim (31), passando o cargo, no ano seguinte, para Diogo Gonçalves (32). Antes disso, o monarca concedera a Rodrigo Afonso o ofício de escrivão das sisas de Canas de Senhorim (33). E não deixa de ser interessante referir que Diogo Fernandes, morador em Casal Sancho do concelho de Senhorim, por se haver negado a ajudar o juiz Pedro Álvares a prender João Gonçalves, por quem fora ofendido, viu-se condenado a degredo em Marrocos, pena que D. João II depois comutou no pagamento de 600 reais para a Arca da Piedade(34).
A chancelaria de D. Manuel ainda é mais abundante em fontes sobre o território de Senhorim com a nomeação de muitos ofícios públicos. Brás Rodrigues ali morador, foi nomeado tabelião da terra em substituição de Rodrigo Afonso (35); Lourenço Pires, morador em Canas, recebeu carta de inquiridor das inquirições judiciais de lugar e do concelho (36); como escrivão das sisas, surge, em 1504, Afonso Gonçalves para todo o concelho de Canas de Senhorim (37); os juizes, concelho e homens bons de Canas de Senhorim foram notificados pela coroa, no mesmo ano, da eleição de Fernão Talesso, escudeiro de Nuno Martins da Silveira, para o ofício de tabelião do público e judicial (38); assim com igual notificação sobre a mercê concedida a Domingos Pereira, morador em Nelas, do concelho de Canas de Senhorim, do ofício de tabelião do público e judicial e de escrivão dos órfãos (39).


Os Forais de 1514 e a População em 1527

O Dr. José Pinto Loureiro demonstrou que, desde os meados do século XIII, a cabeça do território de Senhorim se encontrava, não em Canas, mas no lugar de Vilar Seco.
A terra era um curato do abade de Santar e a sede administrativa do concelho, com casa de audiências, cadeia e pelourinho (40). Tal proeminência vinha, sem dúvida, do maior número de habitantes que residia naquele lugar em comparação com os restantes da terra de Senhorim. Mas a tradição medieval havia fortalecido os nomes de Senhorim e de Canas no conjunto do mesmo território, o que explica a inclusão das duas povoações na reforma dos forais ordenada pelo rei D. Manuel. Assim se justifica a outorga do foral novo de Canas de Senhorim, com data de 30 de Fevereiro de 1514 (41), assim como o concedido a Senhorim, em 30 de Março do mesmo ano (42)
Nenhum dos forais se refere concretamente a Nelas, como é óbvio ainda que muitas das disposições neles contidas tivessem aplicação legal na mencionada terra, que continuou por muitos a ser chamada de "asnellas"" A vida comunitária regulava-se por uma série de disposições ligadas à vida agrícola e ao comércio, às artes e ofícios, ao vestuário e aos géneres de alimentação habituais. O papel dos tabeliães, as taxas prescritas para a entrada e a saída das terras, quem eram os privilegiados das portagens, todos esses aspectos são mencionados nos dois forais. O seu exame torna-se de molde a estabelecer uma radiografia económica e social da vida corrente no território de Senhorim.
Também a coroa não deixava de conceder a devida atenção ao respeito que se dava às normas judiciais, o que explica o número de nomeações feitas nessa área na parte final do reinado de o Venturoso. Assim, João Correia, escudeiro e morador em Lobelhe do Mato, viu-se confirmado no ofício de escrivão dos órfãos do concelho de Senhorim (43), Diogo Dias, morador em Santar, teve idêntica confirmação como tabelião do mesmo concelho, "por os outros dois tabeliões não serem ali moradores" (44); Afonso Gonçalves, morador em Canas de Senhorim, recebeu os cargos de tabelião do público e judicial e de escrivão dos órfãos, "porquanto Domingos Pereira, que os servia, fizera neles tais erros por que os perdera" (45); e outro Domingos Pereira, morador em "As Nelas" teve o cargo de tabelião do público e judicial do concelho de Canas de Senhorim, "além de outro que aí tem por nos ser dito que não há mais que um e que este concelho é de 200 vizinhos" (46).

O cadastro da população de Portugal no ano de 1527, oferece ao estudioso números de interesse no que respeita à comarca da Beira. A delimitação do concelho de Senhorim era feita nos seguintes termos: "Este concelho tem de termo huma legoa e mea em comprydo e huma legoa em llarguo, parte e confronta com ho concelho de canas de senhorym e com ho concelho de Zurara e com hos concelhos do sexo e casall pelo ryo demóndeguo"(47) . No lugar e concelho de Senhorim viviam 51 moradores que pelos coeficientes de 4 e 4,5 correspondiam a uma população entre 204 e 228 de habitantes. O total desdobrava-se nos seguintes números: o lugar de Senhorim, 32 moradores (entre 128 e 142 habitantes) e o lugar de Moreira, 19 moradores (entre 76 e 86 habitantes).
O concelho de Senhorim, englobando as terras envolventes, chegava a 306 moradores, ou seja, uma população ao redor de 1224 e 1327 habitantes. Formavam o concelho os seguintes lugares: Vilar Seque, cabeça do mesmo, com 56 moradores (entre 226 e 249 habitantes) Casal Sanche, 22 moradores (entre 88 e 99 habitantes); Santar (Sumtar), com 57 moradores entre 228 e 256 habitantes); o lugar de Moreira e Vale, com 25 moradores entre 100 e 112 habitantes); Algirás, com 17 moradores (entre 68 e 77 habitantes); Vila Nova de S. João, com 11 moradores (entre 44 e 50 habitantes); Vila Ruiva, com 16 moradores (entre 64 e 72 habitantes); Vila Nova, com 8 moradores (entre 32 e 36 habitantes) Gondufe e Fontelo, 23 moradores (entre 92 e 104 habitantes); e por fim, As Nelas e Roçadas, com 31 moradores (entre 124 e 140 habitantes) (48) .
Com tudo o que haja de precário na avaliação feita, pode concluir-se que o então lugar de Nelas tinha uma população ao redor de 130 habitantes, o que podia corresponder a uma trintena de famílias. Tudo o mais se ignora para o tempo, acerca da vida e das actividades económicas da povoação. Um dado regional com interesse diz respeito à passagem de D. Edmé de Saulieu, visitador da Ordem de Cister, que no mês de Dezembro de 1532, vindo de Santa Comba Dão, passou cerca de Nelas a caminho do convento da Maceira.
O secretário anotou no relato: "Desde Santa Comba, ele seguiu uma boa estrada até à vila de Canas, perto da qual se está a construir uma casa de monges da nossa ordem, colocada sob a invocação de São Bernardo e submetida à jurisdição do abade de Clairvaux" (49). Tratava-se do mosteiro de Vale de Madeiro, fundado havia pouco por D. Filipa de Eça, que foi primeira abadessa antes de se transferir para Lorvão (50). Por não possuir rendimentos bastantes nem acomodações para um grande número de freiras e para assegurar os ofícios divinos, o convento veio a ser extinto em 1560 pelo cardeal D. Henrique e dele não resta hoje qualquer vestígio.


Notas Soltas Sobre Nelas
(Séculos XVI a XVIII)


Por mais extensa que fosse a pesquisa, não se tornou possível encontrar o nome de pessoas naturais de Nelas que tivessem caído sob a alçada do Santo Ofício, como réus ou simples denunciantes. No livro de sumários da Inquisição de Coimbra, não se acha referência a nenhum habitante ou oriundo daquele lugar da terra de Senhorim (51). Apenas se deparou com um exemplo no inventário coligido pelo historiador António Baião e que merece ser mencionado. Assim, no dia 29 de Novembro de 1588, compareceu no tribunal de Lisboa o licenciado Pedro Dias, clérigo prebístero, natural de Nelas, que denunciou uma Inês Lourenço por haver casado duas vezes, sem antes se certificar se o primeiro marido estava ou não vivo (52). Devemos estar em presença de um caso de alguém que se ausentou para as possessões do além-mar e nunca mais deu notícias do seu paradeiro.
Outra notícia solta acerca de um "nelense", encontra-se na época da Restauração com o alvará concedido a Francisco Pais Alpalhão, morador em Nelas, concelho de Canas de Senhorim, na comarca de Viseu. Era filho de António Lopes Alpalhão e recebeu os foros de escudeiro-fidalgo e, mais tarde, de cavaleiro-fidalgo, com 700 reis de moradia por mês e 1 alqueire de cevada por dia, pelos serviços que prestara no referido concelho (53). Ignora-se a qualidade dos préstimos que Francisco Alpalhão teria feito à coroa, não sendo de excluir que tivessem relação com o advento da dinastia Nova. O que parece não oferecer dúvida é que, nos meados do século XVII, o topónimo Asnellas (As Nelas) já cedera, na grafia e no uso corrente, à forma modernizada de Nelas que se regista no documento.
Ainda que os textos oficiais pouco refiram acerca de Nelas no período anterior ao século XVIII, não deixa de ser verdade que na então freguesia havia muitos traços de vida social, económica e religiosa. Basta mencionar os livros paroquiais de Canas de Senhorim, para conhecer os registos de baptismos desde 1682 a 1700, os de casamentos de 1619 a 1801 e os de óbitos entre 1619 1 1911. A consulta dessas fontes coevas, verdadeiras radiografias de viver comunitário, trará decerto ao de cima muitos aspectos da vida local. Nomes e laços de família, profissões e ofícios, poderão extrair-se com proveito para aprofundar a história de Nelas, desde o tempo dos Filipes à proclamação da República. Vamos mesmo ao ponto de considerar os arquivos paroquiais como uma preciosa mina de informações a explorar (54).


A Freguesia de Nelas em 1758

No dia 10 de Maio de 1758, era cura da igreja da Nossa Senhora da Conceição de Nelas o padre José Teodoro do Amaral. Recebeu este a incumbência de responder ao questionário acerca do estado da povoação, que lhe fora dirigido por circular pelo prelado de Viseu, D. Júlio Francisco de Oliveira.
O inquérito não variava em relação aos que a coroa havia enviado às autoridades religiosas do reino e que constituem hoje uma fonte histórica de consulta obrigatória para conhecer a situação das várias freguesias na época posterior ao terramoto de 1755 (55). A resposta do pároco de Nelas afigura-se, pois, da maior importância quanto a esta freguesia do concelho de Senhorim e anexa à sua igreja de Santa Maria, integrada desde sempre na diocese e comarca de Viseu.
A freguesia de Nelas pertencia ao padroado da coroa e não tinha donatários, contando ao tempo 247 fogos num total correspondente a 385 habitantes. Sendo o lugar cabeça de freguesia, dele faziam parte o lugar de Algirás, com 47 fogos e 160 pessoas; o lugar de Folhadal, com 75 fogos e 248 pessoas; a póvoa da Roçada, com 3 fogos e 16 pessoas; e, por fim, a póvoa da Venda do Gato, com igual número de fogos e 15 pessoas. A igreja estava situada fora do lugar de Nelas, constituindo o centro da vida religiosa na região envolvente. A justiça era regida por um juiz, um procurador e um escrivão eleitos anualmente, ainda que dependentes do corregedor da comarca de Viseu. Quanto à casa da audiência, cadeia e pelourinho, dependentes do concelho de Senhorim, estavam situados na freguesia de Vilar Seco.
O cura Teodoro do Amaral traça depois a descrição geográfica do lugar: "Nelas é cabeça de freguesia e está situada em campina e dele se descobre a vila de Gouveia, a vila de Seia, a vila de S. Romão, o lugar de Touraes e o de Paranhos e o de Santa Marinha, casas, povoações ficam nas abas da serra da Estrela e no bispado de Coimbra. As ditas vilas ficam em distância de quatro léguas e na de duas o lugar de Touraes e o de Paranhos uma, e estas ficam mais distantes da serra: O lugar de Santa Marinha fica em distância de quatro léguas e vizinho à mesma serra. O lugar de Algirás, que é também da mesma freguesia de Nelas, fica situado em campina descoberta e o do Folhadal fica em um monte e a Póvoa da Roçada fica em vale e a Póvoa da venda do Gato fica em campina e junto da estrada real que vai de Almeida para a Corte".
A povoação não dispunha, ao tempo, de casa da Misericórdia ou de hospital, nem existia nas redondezas qualquer convento de frades ou monjas. A igreja tinha por orago Nossa Senhora da Conceição, dispondo de três altares com o altar-mor ao meio, mas desprovido de nave.
No lado da Epístola encontrava-se a imagem do apóstolo Santiago metida na parede, sendo dela administradores João Ferreira de Abreu, morador no lugar da Lousã, e António José Morais, que vivia em Nelas. Nos dois altares colaterais viam-se: no lado da Epístola, a imagem de Nossa Senhora do Rosário, ladeada pelas de S. Miguel e Santo António, e no lado Evangelho, a imagem do mártir S. Sebastião. Acrescenta o pároco; "e a todas estas imagens se fazem anualmente festas na dita igreja e não há nela mais que a irmandade do anjo S. Miguel. E o sacrário está colocado no altar mayor".
O padre José Teodoro do Amaral apresentado pelo vigário da matriz de Santa Maria de Senhorim, que era do padroado da coroa. A côngrua da cura de Nelas, era de 6.800 reis, dois alqueires de trigo para hóstias, e dois almudes de vinho para as missas, e mais o rendimento do pé do altar. Dentro do lugar erguera-se, em data não referida, uma ermida a Santo Cristo com celebração anual em 3 de Maio, "dia da Invenção da Santa Cruz". À festa acorriam somente os moradores da freguesia e nem sempre havia sermão por serem parcos os rendimentos da ermida. Outras ermidas existiam nos lugares ao redor: em Algirás, um altar cujos oragos eram S. Domingos e S. Jorge com sermão e procissão anuais; e, com maior fervor religioso, a capela consagrada a Nossa Senhor da Tosse, no lugar de Folhadal, com celebração na segunda oitava da Páscoa (56).
Quanto às produções da terra, acrescenta-se que eram, em maior quantidade, o milho grosso e o vinho, que chegava para consumo dos moradores e uma parte ainda enviada para fora do país. A colheita de azeite costumava ser abundante, mas ficava toda na freguesia. Quanto à produção do trigo e do centeio era fraca e ainda menor a da cevada, o que ocorria igualmente com a fruta. No distrito da freguesia passava o rio conhecido por castelo, sem dúvida o antigo Rio dos Asnos que era afluente do Mondego. Neste havia abundância de peixes, sobretudo de barbos, bogas e enguias, cuja pesca se efectuava nos meses de Junho a Agosto. Refere-se em seguida: "Suas pescarias são comuns para todos e só algumas pessoas principais que nele têm algumas levadas lhes guardam respeito os pescadores e não lhe vão a elas pescar".
Numa alusão às caldas hoje chamadas da Felgueira, o pároco esclarece: "Não há nele fonte nem lagoa célebre mais do que a fonte ou ribeiras das Caldas, que divide esta freguesia da de Canas de Senhorim, cuja água tem virtude para banhos quentes". Também as águas do Mondego gozavam, ao tempo, de alguma fama: "são especiais e virtuosas para aquellas queixas que tem o seu remédio nos banhos frescos". Aliás, o curso do grande rio, nas vizinhanças de Nelas, não era "arrebatado" antes sim corre pelas suas áreas com sossego e sem susurro grande das suas águas".
Na freguesia de Nelas, laboravam em água do Mondego três moinhos de moer pão e no rio Castelo estavam quatro azenhas em funcionamento. Não refere o pároco a existência de qualquer ponte, a não ser Ponte Nova, de pedra e cantaria com três arcos, que era o local obrigatório de comunicação para o bispado de Coimbra e a Serra da Estrela.
A parte final da resposta ao inquérito do estado de Nelas no ano de 1758, não deixa de comprovar o diminuto valor em tradições e valores que a terra possuía: "Não há memória que desta terra e freguesia florescessem alguns homens insignes em virtudes, letras ou armas e não tem feira franca nem cativa, mas somente naquele dia da festividade de Nossa Senhora da Tosse se armam algumas tendas e se vendem coisas comestíveis no lugar de Folhadal. Não tem correios e se servem as pessoas para a comunicação com o da cidade de Viseu, que dista três léguas". O pároco Teodoro do Amaral continua a enunciar a falta de valores históricos: "Não tem privilégios, antiguidades e outras coisas dignas de memória (...) Não há porto de mar. Não há na terra praça de armas nem castelo (...) Não há nesta freguesia coisa alguma que mereça fazer-se dela memória".
E para concluir a resposta ao questionário, o pároco afirma não haver notícias de jamais se extrair da terra envolvente ouro ou outro metal. Uma curiosa referência, aliás notória, em outros povoados do reino, declara que os moradores desta freguesia usavam livremente de suas águas para fertilidade de suas terras. A conclusão de depoimento não deixa de ser clara e objectiva: Não há coisa alguma notável mais nesta freguesia, nem as pude indagar por notícias que as tenho referidas neste papel, para que fiz todas as diligências, como súdito obediente".
Um século depois, graças à onda de progresso que se fez sentir no lugar de Nelas e seus arredores, era o mesmo elevado a vila e sede do concelho que antes fora de Canas de Senhorim. Vale a pena reunir alguns dados históricos que permitem compreender essa ascenção municipal.


Dos Finais do Antigo Regime ao 3º Liberalismo

A expulsão da Companhia de Jesus criou em várias cidades, como Viseu, um grave problema para o ensino das primeiras letras e das matérias que integravam a preparação para a Universidade de Coimbra. A reforma do Marquês de Pombal levou a que antigos sacerdotes e pessoas laicas tivessem concorrido aos lugares de mestres de ler e escrever que foram criados em vários pontos do reino. Um dos candidatos foi António de Melo Serrano, secular, natural do lugar de Ancada, arciprestado de Aro e morador em Nelas.
Contava 28 anos e boa conduta, tendo sido aprovado por seis meses "para acabar de se aperfeiçoar na sílaba", ou seja, na dicção (57).
Mas tudo permite crer que não foi escolhido para ensinar em Nelas, pelo que a terra não foi distinguida em 1772 com qualquer mestre de ler, escrever e contar; nomeado para a comarca de Viseu (58).
O atraso no campo da instrução primária, que ao tempo se verificava em Nelas, não impediu contudo um aumento da população, como se extrai do numeramento de 1798, por ordem de Pina Manique. O Intendente Geral da Polícia de Lisboa mandou proceder à contagem dos fogos por freguesias, a fim de apurar recrutas para o exército. Por cada 100 fogos escolhiam-se, na proporção 1/25,4 novos soldados para apetrechar os regimentos de infantaria (59) . No que respeita à freguesia de Senhorim, a população total deu o cômputo de 1271 fogos e 51 recrutas, assim discriminados: Nossa Senhora de Assumpção de Senhorim, 315 fogos; s: Pedro de Santar, 352 fogos; Nossa Senhora da Conceição do Aro de Nelas 227 fogos; S. João Evangelista do Carval, 141 fogos; Nossa Senhora da Expectação de Vilar Seco, 177 fogos; e S. Pedro de Espinho, 59 fogos. O que equivale a dizer que, nos finais do século XVIII a freguesia de Nelas, com os seus 900 habitantes, era já a terceira, em ordem numérica, da terra de Senhorim (60).
O período da 3ª. Invasão Francesa, causou grandes prejuízos na Beira Alta, não apenas quando os invasores de Massena desceram, em Outubro-Novembro de 1810, até às linhas de Torres Vedras, como no seu regresso a França quatro meses depois. Muitas casas de Nelas foram arrombadas à coronhada e, pelo menos 6 habitantes foram mortos. O Real Corpo de Engenheiros instalou-se na aldeia em Novembro de 1810, para acudir às necessidades de exército (61). O brigadeiro Francisco de Paula e Azeredo, no fim desse ano, instalou o seu quartel-general em Nelas para guarnecer; com os voluntários do Batalhão Académico, a linha defensiva da ponte de Alcafache às margens do Mondego. Não se põe em dúvida que a posição estratégica do lugar foi então reconhecida pelas autoridades militares, como um dos eixos da defesa do centro do país.
Por provisão régia de 7 de Fevereiro de 1820, criou-se em Nelas uma feira franca e isenta de sisas, a realizar todos os meses no sítio do Cruzeiro. Mas pela circunstância de a feira coincidir com a de Santar, e de Mangualde satisfazer as necessidades comerciais de toda a região, os moradores obtiveram a sua transferência para o quarto domingo de cada mês (62).
A Revolução de 1820, ocorrida no Porto, em 24 de Agosto, foi acolhida com aplauso pela população local, numa altura em que o número de fogos subira na povoação para 363, o que correspondia a uns 1 400 habitantes. Era, ao tempo, advogado em Nelas e em Celorico da Beira o Dr. António Bernardo da Costa Cabral, que haveria de distinguir-se na política oitocentista como lider do partido cabralista (63). A adesão da câmara de Canas de Senhorim à realeza de D. Miguel, no ano de 1828, não foi aceite pela população, o que levou ao exílio de Costa Cabral, após o movimento da Belfastada e ao seu regresso na expedição de D. Pedro que desembarcou em 8 de Julho de 1832, na praia do Mindelo.
No dia 4 de Maio, em Vilar Seco, o concelho de Canas de Senhorim jurou a realeza de D. Maria II, sendo juiz presidente o Dr. José de Melo Pais do Amaral (64). A região de Senhorim passou a depender, na área militar; do Governo da Província da Beira, com sede em Viseu, tendo por capitão José Maria Leite de Portugal. Dois anos depois, o concelho aderia à Revolução de Setembro e jurava nova Constituição de 1838. No ano seguinte, uma estimativa da população apresentava os seguintes números: Nelas, concelho de Senhorim e comarca de Tondela, com 1.578 habitantes; Carvalhal Redondo (Aguieira), com 1.000 habitantes; A vila e freguesia de Canas de Senhorim; com 1.200 habitantes; Senhorim; vila e freguesia, respectivamente com 1.506 habitantes; e Vilar Seco, com 670 habitantes (65). Mas as convulsões ocasionadas pela queda do Setembrismo levou a que o número de fogos, em Nelas, houvesse descido em 1842 para 294, num cômputo aproximado a 1.200 habitantes (66).


A Criação do Concelho de Nelas

Razões de vária ordem, desde a posição geográfica aos valimentos políticos que se fizeram sentir com o advento da Regeneração, justificam que o lugar de Nelas, por decreto de 9 de Dezembro de 1852, se tornasse cabeça de concelho com as freguesias que antes formavam o concelho de Canas de Senhorim. O texto legal não podia oferecer dúvidas: "Havendo eu por decreto de hoje mandado reunir os concelhos de Senhorim e Canas de Senhorim em um só concelho com o nome de concelho de Nelas: Hei por bem ordenar que sejam dissolvidas as Câmaras Municipais de Senhorim e Canas de Senhorim, procedendo-se logo na conformidade da lei à eleição da Câmara Municipal do Conselho de Nelas" (67). Torna-se por demais evidente que o ministro do reino, Rodrigo da Fonseca, teve um papel determinante na decisão régia que iria provocar um forte diferendo entre as populações vizinhas.
Não foi imediata a execução do decreto de D. Maria II, uma vez que as primeiras actas da câmara de Nelas, segundo o Dr. Pinto Loureiro, apenas datam de 7 de Janeiro de 1845. Constituiam a edilidade Miguel António Ponces de Carvalho, futuro conde de Vilar Seco, como presidente, tendo como vereadores Antero Dias Ferreira, João de Sacadura Botte Corte-Real, Bernardo Homem Freire de Luné e João Carlos Lobo de Abrantes Mascarenhas. Quinze anos depois, a nova divisão administrativa suprimiu o concelho de Nelas e restabeleceu o de Senhorim, quando estavam em projecto as construções dos Paços do Concelho, do Tribunal Judicial e das casas para magistrados. A passagem do caminho de ferro da Beira Alta próximo da vila concedeu a Nelas uma situação de privilégio na região de Senhorim pelo que o concelho foi restabelecido. No ano de 1876 já se encontrava ao serviço a estação, embora a inauguração oficial datasse apenas de 1884 (68).
O surto demográfico da vila fora-se acentuando desde os meados do século XIX. Assim, o senso de 1864 apresenta dados de interesse quanto às 6 freguesias do concelho de Nelas (69):

Fogos
Varões
Fêmeas
Total
Canas de Senhorim
612
1.335
1,414
2.749
Carvalhal Redondo
369
747
798
1545
Nelas
506
1.104
1.089
2.202
Santar
513
1.100
1.173
2.283
Senhorim
500
1.080
1.074
2.164
Vilar Seco
256
484
547
1.031
Total
2.762
5.870
6.104
11.974


No decénio seguinte verifica-se uma certa estabilização no quadro demográfico do concelho, de acordo com um dicionário corográfico então publicado. Assim, Nelas surge como vila, cabeça de concelho e julgado e dependente da comarca de Mangualde, com uma população global de 2.198 habitantes. Dispunha já de uma direcção de correios e da escola feminina do Conde de Ferreira, erguendo-se vozes contra a falada extinção do seu julgado: Quanto à freguesia de Canas de Senhorim, que dependia do mesmo julgado, mantinha-se ao redor dos 2.785 habitantes. Também não se verificaram alterações sensíveis quanto à população de Carvalhal Redondo, com os seus 1.540 habitantes, e à de Santar, que se mantinha nos 2.267 habitantes (70). Já ao tempo fora posta em arrematação a construção da estrada desde Santar a Canas de Senhorim (71).
Para se ajuizar a projecção que a passagem do caminho de ferro trouxe ao desenvolvimento de Nelas, basta mencionar as úteis reflexões do seu melhor cronista: "Foi o mais importante factor do desenvolvimento do concelho e especialmente da sua sede. Por Nelas passou a fazer-se todo o tráfego de além-Mondego, grande parte do da capital do distrito, ligada à estação com Viseu e com Seia por carreiras diárias de diligência. O movimento de Viseu enfraqueceu e quase se eclipsou com a construção do caminho de ferro de Santa Comba Dão a Viseu; mas o de além-Mondego só muito mais tarde, com o desenvolvimento da camionagem, passou a escoar-se em certa medida, pela estrada da Beira na direcção de Coimbra" (72).
Como era corrente no regime liberal, havia pessoas de notoridade local que conseguiam obter da coroa um título de nobreza que revertia em prestígio da terra. Assim sucedeu com José Bernardo dos Anjos e Brito, proprietário em Nelas, que por decreto de D. Luís de 22 de Agosto de 1870, recebeu o título de 1º. Barão da localidade (73). Quase tudo se ignora a seu respeito, incluindo os anos do nascimento e da morte, sabendo-se apenas que casou com D. Maria Cândida de Santana Pais (1829-1868), de quem teve geração com apelido de Pais de Brito. Nada se tornou possível apurar acerca do 1º. Barão de Nelas, nem da influência que gozou junto da corte portuguesa. Mas, segundo o Dr. Pinto Loureiro, o titular fez parte, durante muitos anos, do Conselho municipal de Nelas, onde gozava da maior consideração (74).
Nascidas no concelho de Nelas houve, na segunda metade do século XIX, algumas figuras de destaque na vida política e cultural portuguesa. Tal o caso do Dr. José Marques Rito e Cunha (1876-1936), natural da freguesia do Folhadal, que foi cónego da Sé de Viseu, e algumas vezes governador do bispado, que esteve proposto para as dioceses de Angra e de Beja. O engenheiro agrónomo Francisco Coelho de Amaral Reis, visconde de Pedralva, nasceu em Santar, foi deputado no tempo da monarquia e na vigência da República, ministro da Agricultura e governador geral de Angola (75). Mas, no campo das letras, a figura mais notável do concelho foi o Dr. Fortunato de Almeida Pereira de Andrade (1862-1933), nascido em Vilar Seco, que se impôs pela obra de historiador a que se ligou o nome (76).
No ano de 1893 deu-se início à exploração das nascentes das águas da Felgueira, na freguesia de Canas de >Senhorim, concelho de Nelas (77), cuja fama terapêutica não tem cessado de aumentar com os anos. A câmara concedera o alvará a José Maria Marques Caldeira, que fundou a Companhia das Águas Medicinais da Felgueira em 24 de Dezembro de 1880. Assim desapareceu a antiga designação vizinha, e surgiu o nome que perdura de Felgueira, para tratamento de moléstias das vias respiratórias e da pele (78). Entretanto, a região de Nelas foi-se tornando, de igual modo, conhecida pela qualidade dos seus vinhos, pela valia da sua pecuária e pelo incremento das explorações agrícolas que, nos fins do século XIX, haviam tomado um peso importante na economia da região.
O progresso da vila acentuou-se no tempo da Primeira República, com a instalação no ano de 1912 de uma casa para quartel do Regimento de Cavalaria nº. 7. Por se encontrar numa zona privilegiada pelas suas belezas naturais e riqueza histórica, viria depois a portaria nº 16.314, de 22 de Dezembro de 1928, que considerou o concelho de Nelas como uma estância de turismo. Sete anos depois, a portaria nº 8.059, de 25 de Março de 1935, aprovaria a constituição heráldica da bandeira, armas e selo do município local. Uma faixa ao centro da primeira, de cor negra, representava três espigas de milho, como símbolo da riqueza agrícola do concelho. Três cachos de uvas completavam o conjunto heráldico, dois no chefe da bandeira, de púrpura e folhados de verde, e no contra-chefe um cacho igual. Assim se prestava justiça à abundância vinícola da região, identificando-se os seus vinhos com o lema municipal (79).
Não comporta este trabalho a descrição do progresso que na vila se fez sentir nos últimos cem anos, fazendo de Nelas um dos centros vitais da Beira Alta. Hoje dotada com todos os serviços públicos, nos campos da administração central, da justiça e da instrução, a povoação representa um eixo fundamental para quem de Coimbra segue para Santa Comba Dão e desta vila prossegue numa tripla direcção: para Viseu, a sede do distrito, para Mangualde, na estrada que conduz a Espanha, e para Seia caminhando para a serra da Estrela. O desenvolvimento industrial faz-se igualmente sentir no concelho de Nelas, com as vantagens decorrentes da sua localização na área territorial dos rios Dão e Mondego.


(1) A única obra documentada sobre o tema, pelo menos do nosso conhecimento, é do Dr. José Pinto Loureiro, Concelho de Nelas (subsídios para a História da Beira), 1ª edição, Coimbra,1940, 2ª. Edição, pela Cãmara Municipal de Nelas, 1956, e 3ª. Edição, idem, 1988. A obra será mencionada, com frequência, ao longo do nosso estudo.
(2) Veja-se António Pedro Vicente, Manuscritos de Arquivo Histórico de Vincennes referentes a Portugal, volume III (1807-1811), Paris, 1983, p.p. 86-87-88.
(3) Veja-se o texto do decreto de 9 de Dezembro de 1852 e as razões por que o diploma não teve aplicação imediata, em José Pinto Loureiro, Concelho de Nelas (Subsídios para a sua História), obra citada, pp, 208-208.
(4) Veja-se do mesmo autor "Toponymia Portuguesa (esboços", em revista Lusitana, volume XVI, Lisboa, 19/3, pp 154/155, e mais recentemente, "Notas sobre a toponímia do concelho de Nelas", O Instituto, volume 97, Coimbra, pp296,e e segs.
(5) Veja-se idem, ibidem, p. 154: "... ou internacionalmente para afastar o topónimo do seu radical asno, que daria ocasião a gracejos e alusões chocantes".
(6) Na falta de mapas regionais para os séculos XIII a XV. Veja-se o valioso contributo do professor Humberto Vaquero Moreno, "Alguns documentos para o estudo das estradas medievais portuguesas" em revista das Ciências do Homem, volume V, série A, Lourenço Marques, 1972. Não havendo menção concreta a Nelas, regista-se num dos itinerários a estrada mais utilizada entre Coimbra e Viseu, no reinado de D. Fernando (1377).
(7) Trata-se do antigo mosteiro de Sperantam Dei, no concelho de Viseu, que não se tornou possível identificar.
(8) Veja-se Documentos Medievais Portugueses. Documentos Régios, volume I, tomo I (1095-1185), por Rui de Azevedo, Lisboa, 1958. Pp 154-155. "ET DEPRONT PER ILLUM RIVULUM DE Sabugosa de Asines usque in illa ponte et pergit in festum per illum stratam de Sancte Maria de Canas...".
(9) Idem, ibidem, p. 286, doc. 234: "scilicet habuerunt de ipso termini de Barrosa de Routar usque ad riuulum de Asinos".
(10) Idem, ibidem, p. 294, doc, 201.
(11) Portugaliae Monumenta Histórica. Diplomata et Chartae, volume I, p. 552, Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, p. 313.
(12) Veja-se Livro Preto. Cartulário da Sé de Coimbra. Direcção de Manuel Augusto Rodrigues e Avelino de Jesus da Costa, Coimbra, 1999.
(13) Ibidem, idem, idem, fol. 125,p.
(14) Museu Grão Vasco, 2º. Livro dos Privilégios do Cabido de Viseu, doc, nº. 50, publicado por José Pinto Loureiro, ibidem, pp 315-316, nº. III
(15) Este passo comprova a política agréria do rei D. Sancho I no que concerne ao povoamento e cultivo das terras da Beira.
(16) A..N.T.T., Livro 2º. Das Doações de D. Afonso III, traduzido em português pelo Dr. Fortunato de Almeida, publicado por José Pinto Loureiro, ibidem, pp, 316-317, nº. IV.
(17) Do conteúdo do documento claramente se extrai que o foral não respeita a Nelas da Beira, mas a idêntico lugar no Alto Douro.
(18) A..N.T.T. Chancelaria de D. Dinis, Doações, Livro 1, fol. 159.
(19) A..N.T.T., Chancelaria de D. Manuel I, Livro 35, fol. 33. 33vº. Carta régia de Lisboa, 31 de Maio de 1503.
(20) Veja-se Livro das Igrejas e Capelas do Padroado dos reis de Portugal (1574), com introdução de Joaquim Veríssimo Serrão, Paris, 1971, p. 41.
(21) Veja-se Documentos do Cabido de Viseu, sentença de 4 de Março de 1303, em Anais das Bibliotecas e Arquivos, 3ª. Série, lº. volume, p. 320, nº. 52,
(22) A.N.T.T., Livro 1º. Do Rei D. Afonso III, fol. 132 vº., col, 1, publicado por José Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, pp. 317-318,nº. V.
(23) Veja-se José Pinto Loureiro, ibidem, pp. 318-319, nº. VI.
(24) A.N.T.T., Chancelaria de D. Fernando, livro 1, fol. 49vº.
(25) Carta régia de 23 de Junho de 1395. ªN.T.T., Chancelaria de D. João I, livro 2, fol. 103vº., publicada em História Florestal, Aquícola e Cinegética, volume I (1208-1438). Lisboa, 1980, p. 186, doc. 245.
(26) Carta régia de Almeirim, 17 de Abril de 1434, publicada, ibidem, livro 1, fols. 97, vº.-98. Veja-se a sua biografia em Anselmo Braancamp Freire, Livro Segundo dos Barões da Sala de Sintra, 2ª. Edição, Coimbra, 1927, pp. 77-78.
(27) Veja-se a Batalha de Alfarrobeira, Antecedentes e Significado Histórico, 2ª edição, Coimbra, 1979, pp. 687.
(28) Veja-se a descrição da terra envolvente na carta de confirmação de 15 de Julho de 1449, confirmando a Albergaria, a coutada de monte e rio na terra de Santar, pela qual é proibido matar porcos e pescar sob certas penas. Publicado na História Florestal, Aquícola e Cinegética, volume II (1439-1481), Lisboa, 1982, pp. 59-61, nº. k 152.
(29) Veja-se Brasões da Sala de Sintra, Livro 1º., 2ª. Edição, Coimbra, 1921,pp. 284-285.
(30) Carta régia, dada em Montemor-o-Novo,, em 19 de Dezembro, de 1484, A..N.T.T., Beira, Livro 1, fols. 41-41vº.
(31) Carta régia dada em Santarém, a 12 de Fevereiro de 1487, A..N.T.T., Chancelaria de D. João II, livro 19, fol. 148vº.
(32) A..N.T.T., ibidem, livro 14, fol. 9vº.
(33) Carta régia, dada em Almeirim, a 28 de Novembro de 1482, A..N.T.T., ibidem, livro 3, fol. 102
(34) Carta régia, dada em Lisboa, a 4 de Maio de 1492, A..N.T.T., ibidem, livro 26,fol. 39, publicado em Documentos inéditos de Marrocos. Chancelaria de D. João II, por Laranjo Coelho, vol. I, 1943, pp. 383, nº. CCCLXX.
(35) Carta régia, dada em Lisboa, a 21 de Maio de 1498, A..N.T.T., ibidem, livro 44, fol. 2vº.
(36) Carta régia, dada em Lisboa, a 19 de Fevereiro de 1500, A..N.T.T., ibidem, livro 12, fol. 1vº.
(37) Carta régia, dada em Lisboa, a 12 de Janeiro de 1504, A..N.T.T., ibidem, livro 35, fol. 69.
(38) Carta régia, dada em Lisboa, a 28 de Abril de 1504, A..N.T.T., ibidem, livro 23,fol. 12.
(39) Carta régia, dada em Lisboa, a 21 de Novembro de 1503, A..N.T.T., ibidem, livro 15, fol. 53vº.
(40) Além do numeramento de 1527, que adiante se refere, a notícia da importância concelhia de Vilar Seco consta também das Memórias Paroquiais de Nelas, do ano de 1758, mencionadas infra, capítulo VII.
(41) A..N.T.T., Livro dos Forais Novos da Beira, fol. 110, publicado por José Pinto Loureiro. O Concelho de Nelas, pp. 329-355, do. IX
(42) Publicado por idem, ibidem, pp. 320-329, doc. VIII
(43) Carta régia dada em Lisboa, a 16 de Julho de 1521 A..N.T.T., Chancelaria de D. Manuel, livro 18, fols. 95-95vº.
(44) Carta régia, dada em Lisboa, a 25 de Junho de 1515, Idem, ibidem, livro 24, fol. 70.
(45) Carta régia, dada em Évora, a 23 de Maio de 1520, Idem, ibidem, livro 38, fol. 26vº.
(46) Carta régia, dada em Lisboa, a 27 de Março de 1521, Idem, ibidem, livro 39, fol. 28vº.
(47) Veja-se o "Cadastro da População do Reino (1527). Actas das Comarcas de entre Tejo e Odiana e da Beira", por J.M. de Magalhães Collaço. Revista da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, ano II, Lisboa, 1934, p. 189.
(48) Veja-se idem, ibidem, p. 190.
(49) Veja-se Frère Claude de Bronseval, Peregrinatio Hispanica (1521-1533), tomo II, Paris, 1970,p. 507, nota 271.
(50) Veja-se Dom Maur Cocheril, Routier des Abbayes Cisterciennes du Porugal, Fundação Calouste Gulbenkian, Centro Cultural Português, Paris, 1986, pp. 140-141.
(51) Veja-se Luis de Bivar Guerra, Inventário dos Processos da Inquisição de Coimbra (1541-1820), Fundação Calouste Gulbenkian, Centro Cultural Português, Paris, 1972.
(52) Veja-se António Baião. "A Inquisição em Portugal e no Brasil", Archivo Historico Portuguez, volume VIII, Lisboa, 1910, p. 472.
(53) Veja-se Inventário dos Livros de matrícula dos Moradores da Casa Real, volume II (1640-1744), Lisboa, 1914, p. 136.
(54) Veja-se Inventário Colectivo dos registos Paroquiais, volume I, Centro e Sul, Lisboa, 1993. P, 426.
(55) Veja-se A..N.T.T., Dicionário Geográfico, volume 25, rolo 463, Memórias, 14, Nelas.
(56) Pouco se conhece acerca do culto a Nossa Senhora da Tosse, no lugar de Folhadal, onde acorriam, na Páscoa, muitas populações dos arredores de Canas de Senhorim. Tudo leva a supor que os romeiros eram enfermos, antigos ou recentes, de foro tisiológico que pediam alívio para os seus males.
(57) Veja-se António Alberto Banha de Andrade, A Reforma Pombalina dos Estudos Secundários (1759-1771), 2º. Volume e documentação, Coimbra, 1981, p. 318.
(58) Veja-se Joaquim Veríssimo Serrão, História de Portugal, volume VI (1750-1807), Lisboa 1983, p. 259, e José Timóteo Montalvão Machado, No II Centenário da Instrução Primária, 1772-1972, Lisboa, 1972, mapa entre as páginas 116/117.
(59) Veja-se Joaquim Veríssimo Serrão, A População de Portugal em 1798. O Censo de Pina Manique, Fundação Calouste Gulbenkian, Centro Cultural Português, Paris, 1970.
(60) Alguns dados soltos na obra de Ângelo Pereira, D. João VI, Principe e Rei, volume III, Lisboa, 1956, p. 17-95 e sgs.
(61) Veja-se José Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, obra citada, 1.105
(62) Veja-se idem, ibidem, p. 109
(63) Veja-se Joaquim Veríssimo Serrão, História de Portugal, volume VIII (1832-1851), p. 98.
(64) Documento publicado por José Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, p. 110.
(65) Veja-se Taboa Geográfico-Estatística Luzitana ou Dicionário abreviado de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal ... por um Flaviense, 1839. Pp. 19-44-96 - 120-123-144.
(66) Veja-se Baptista de Lima. Terras Portuguesas. Arquivo Histórico-Corográfico ou Corografia Histórica Portuguesa, Póvoa de Varzim, 1935,p. 353.
(67) Publicado por José Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, obra citada, p. 207.
(68) Veja-se, idem, ibidem, p. 208, nota 286.
(69) Veja-se Censo de 1864. Relação das freguesias do Continente e Ilhas, População, sexos, fogos, Divisão civil, militar, judicial e eclesiástica por J. da Costa Brandão e Albuquerque, Lisboa 1866, p. 159.
(70) Veja-se Agostinho Rodrigues de Andrade. Diccionario Chorographico do Reino de Portugal ..., Coimbra, 1878, p. 44-47-124-163.
(71) Veja-se José Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, p. 216,
(72) José Pinto Loureiro, ibidem, p. 216.
(73) Veja-se Nobreza de Portugal, vol II, Lisboa, 1962. P. 47.
(74) O último titular era, no ano de 1962, Fernando Manuel da Veiga Brito, verificador da alfândega de Lisboa.
(75) Veja-se a enumeração de figuras ilustres em José Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, pp. 243-260.
(76) Veja-se Justino Mendes de Almeida "Fortunato de Almeida": O Homem e o Historiador", Anais da Academia Portuguesa da História, II Série, volume 31, Lisboa, 1986, pp. 465-482
(77) Veja-se Manuel Bento de Sousa. O Estabelecimento Termal das Caldas da Felgueira, Relatório do Dr. João Felício, Lisboa, 1895
(78) Veja-se a bibliografia reunida por José Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, pp. 227, nota 304.
(79) Veja-se o Diário do Governo, I Série, nº. 68, 25 de Março de 1935, p. 427.