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Do Lugar de Nelas
à Formação do Concelho
Prof. Doutor Joaquim
Veríssimo Serrão
Presidente da Academia Portuguesa da História
Não haverá
decerto em Portugal uma terra com destino histórico comparável
ao de Nelas, quando da sua elevação a concelho, por
decreto de 9 de Dezembro de 1852. Sendo notório que a povoação,
ainda que diminuta em habitantes, já existia nos alvores do
Estado, longa foi a evolução até alcançar
o estatuto municipal. Desde o século XII integrada no território
de Senhorim, formou durante muitos anos apenas uma freguesia da invocação
de Nossa Senhora da Conceição de Arco de Nelas. Quase
sempre na órbita do concelho de Canas outras vezes nomeada
nos documentos em ligação com o senhorio da Aguieira,
foi percorrendo Nelas o seu percurso histórico que continua
a ser, no nosso tempo, em grande parte ainda, ignorado. E, foi graças,
sobretudo, à sua posição geográfica que
viu com o advento de liberalismo a sua importância reconhecida
(1).
Situada entre os vales do Mondego e do Dão, na estrada que
conduz de Viseu a Seia, a terra viu-se ao longo dos séculos
ofuscada pela situação de Canas como a povoação
cimeira da mesma região. Tenha-se, aliás, na devida
conta, que a estrada com início em Coimbra e que veio a chamar-se
da Beira, seguia o itinerário da Ponte da Mucela e daqui tomava
a direcção de Celorico, por Venda Nova, Galices, S.
Paio de Gramaços e Carrapichana.
Esse trajecto levava 22 horas a percorrer e era, sem dúvida,
o que mais cedo conduzia à fronteira de Ribacoa. Enquanto o
percurso da Ponte da Mucela na faixa do interior era de 6 horas a
Santa Comba Dão e mais 10 horas por tondela e Sabugosa até
atingir a capital dos Hermínios(2).
Por
estranho que pareça, foi a 3ª invasão Francesa
que trouxe ao de cima as vantagens deste trajecto que conduzia os
viajantes a Nelas e os aproximava em distância da cidade de
Viseu. A história da passagem de Massena e das suas tropas
pela Beira Alta mostrou que a linha do Dão tinha menos obstáculos
a vencer que a zona mais vizinha às alturas da Serra da Estrela,
Forçoso se torna, pois, reconhecer a posição
do lugar de Nelas como um dos principais eixos de circulação
do interior de Portugal, o que não acontecia com Canas de Senhorim,
Santar e outras freguesias daquele concelho. Estas razões decerto
pesaram no espírito dos governantes ao decretarem a desanexação
das terras ditas de Senhorim e com elas formando um novo e promissor
concelho, como mais adiante será referido(3).
O Topónimo "Nelas": a Sua Controversa Origem
A
origem do topónimo, que continua a suscitar a divergência
dos estudiosos, já mereceu o exame filológico do considerado
toponimista Dr. Joaquim da Silveira (4). Na sua esteira vêm
seguindo os estudiosos das origens de Nelas, com especial realce para
o Dr. José Pinto Loureiro.
Tendo em consideração a antiga grafia do étimo,
considera-se ser a mesma "asnellas", ou seja o diminutivo
de "asinus" (asno). Desta forma o nome da povoação
equivaleria ao de "burrinha" ou "jumenta", num
processo filológico idêntico ao que ocorreu com o nome
de outras povoações do nosso país. A evolução
da palavra justificava-se assim, segundo o Dr. Joaquim da Silveira,
pela vontade inconsciente da população local em afastar
o topónimo do radical "asno", que estava na base
de alusões desprimorosas para a terra e os seus habitantes(5),
Resta, todavia, explicar o topónimo na sua integração
regional, o que permite supor que as origens de Nelas se ligaram a
uma "venda" ou "hospedaria", local de paragem
dos viajantes em direcção ao norte e ao sul da Beira
Alta. Muita gente, para o seu transporte e de mercadorias, nobres
e religiosos, mercadores e almocreves, certamente encontrariam em
Nelas o meio animal de que careciam para prosseguir a viagem(6). A
conjectura pode encontrar um argumento válido na existência,
a menos de uma légua de distância, de um afluente do
Dão, que, na primeira metade do século XII, era conhecido
por rio ou "ribeiro dos Asnos". Este topónimo poderia
facilmente aplicar-se à povoação vizinha, que
era ainda um local de passagem que assegurava o transporte animal
a quem dele carecia para atravessar o Dão.
Como diminutivo de "ribeira de asnos", na forma de "asnellas",
a palavra tomou a forma de uma corruptela cujo emprego não
seria do agrado dos habitantes do lugar.
O étimo orográfico passou a ter aplicação
focal na transposição de que se encontram muitos exemplos
de nomes de rios depois adaptados para as terras da vizinhança.
A supressão da primeira sílaba tinha plena justificação,
pela maior facilidade da pronúncia e, em seguida, porque afastava
o sentido da palavra que não podia ser do agrado da população
da terra. Aliás, três diplomas do tempo em que nasceu
o Estado português, favorecem a nossa interpretação
sobre a origem do topónimo Nelas na depreciativa versão
inicial.
Numa carta a favor do mosteiro de Lorvão, de 20 de Março
de 1133, o principe D. Afonso Henriques manda coutar o mosteiro de
Sperandei (7), as "villae" de Sabugosa, Freixedo e Midões,
dando a Lorvão toda a propriedade reguenga situada no couto
do Rio dos Asnos(8).
Já elevado à coroa de Portugal, o monarca concede a
Gonçalo Pires da Silva e sua mulher Ermenda Martins, em Maio
de 1150, várias propriedades no termo de Viseu e junto ao mencionado
rio (9). Dois anos mais tarde, em 30 de Setembro de 1152, D. Afonso
Henriques faz doação à Sé de Viseu do
coutamento de S. Pedro de Mouraz, no actual concelho de Tondela, que
fora doado aos monges de Claraval e que estes, por razões pouco
conhecidas, vieram a abandonar (10). Mais uma vez se menciona aquele
rio: "et venit usare ad focem rivuli Asinorum", o que comprova
a importância regional deste afluente do Dão.
A Formação da "Terra de Senhorim"
Quando
da formação do Condado Portucalense, nos fins do século
XII, já surgira o território de Senhorim aplicado a
uma região mais ou menos extensa entre as áreas dos
rios Dão e Mondego. Uma dessas vilas chamava-se Vilar Seco
("Vilar Siccu") e dela existe notícia pela ano de
1100, quando Pedro Dias e sua mulher Gontena Pelaio doaram duas casas,
em testamento, ao mosteiro de Pedroso (11). Outro desses lugares tinha
o nome de Santar, referido em diploma de 16 de Julho de 1110, quando
o prebístero Mendo legou à Sé de Coimbra vários
bens que obtivera de presúria, entre os quais a igreja de S.
Pedro de Santar (12). Em 17 de Agosto do mesmo ano, ocorreu a doação
das igrejas de Senhorim e Moreira ao bispado conimbricense(13),
A terra de Canas foi também incorporada no território
de Senhorim, vindo a receber uma carta de foral de D. Sancho I, em
Abril de 1196, em favor da Sé de Viseu (14). Este documento
revela importância histórica, por certificar a existência
de um grupo de povoadores em Canas de Senhorim, que se davam ao labor
da agro-pecuária. Que se tornava urgente arrotear a terra,
fica patente no texto ao especificarem-se as rendas a cumprir pelos
lavradores "destas herdades que hora são rotas como das
que se depois se romperem"(15). Seria, pois, este o primeiro
foral de Canas de Senhorim, que o Rei D. Manuel haveria de reformar
em 30 de Março de 1514, como será adiante referido.
Não se aceita hoje que fosse dirigido aos povoadores de "Ville
asine" o foral de D. Afonso III, dado em Lamas de Orelhão,
em 2 de Maio de 1253 (16). Durante muito tempo atribuído a
Nelas e vendo o seu texto em latim traduzido pelo historiador Fortunato
de Almeida (17), torna-se mais do que evidente, pelos danos do seu
conteúdo, que o diploma respeita à povoação
homónima do Alto Douro. Tal certeza levou o Dr. Pinto Loureiro
a chamar-lhe um pseudo-foral na sua atribuição ao povoado
do território de Senhorim. Mas outras terras envolventes, ainda
na idade média, receberam essa incorporação,
como foi o caso de Folhadal a quem o rei D. Dinis concedeu uma carta
de foro para os seus 26 moradores (18). Também a Aguieira,
conhecida igualmente por Vila Nova das Moreiras, já existia
no ano de 1503 englobando as duas povoações (19).
Alguns documentos soltos do tempo de D. Dinis permitem alargar a história
dessas povoações oriundas de antigas "villae"
e cujo conhecimento se estende ao território de Senhorim. Desta
forma conclui-se que aquele monarca recuperou o direito de padroado
de algumas igrejas da diocese de Viseu, como foi o caso de S. Pedro
de Santar: "que se mostra ser d'El Rei era 1349", ou seja
no ano de 1311 (20). Não é tão pouco isenta de
interesse a sentença de Lourenço Peres, juiz de Oliveira
do Conde, que recebera instruções para proceder às
demarcações do couto de Canas de Senhorim (21). Do reinado
anterior data ainda a carta de foral da terra regalenga de Algiraz,
com o nome dos moradoresb do território de Senhorim, que eram
beneficiados com a mercê de D. Afonso III (22).
Da realeza de D. Fernando impõe-se destacar a carta de doação
da terra de Senhorim, dada em Coimbra a 21 de Fevereiro de 1372. Querendo
o monarca agradecer os serviços de Afonso Gomes da Silva, vassalo
do Infante D. João, ordena-lhe que tome posse do referido lugar
e exerça nele a própria autoridade, excepto no âmbito
da justiça, "pois que rressaluamos pera nos as appelações
do crime e a correicam" (23). Tratava-se de uma mercê de
tipo senhorial, com o direito implícito de Gomes da Silva poder
transmitir aos seus herdeiros e sucessores a terra de Senhorim "e
com o seu termo e com as suas entradas e saídas e com todas
suas jusisdições altas e baixas". Sem que o topónimo
de "Asnellas" venha mencionado na carta régia, assim
como os dos restantes lugares do território de Senhorim, a
verdade é que houve uma doação da coroa que se
aplicava às vilas e terras envolventes.
De maior interesse regional, parece ser a medida de D. Fernando, dada
em Santarém, a 5 de Janeiro de 1370, com uma nova regulamentação
das jurisdições locais, mormente no que respeita aos
encargos militares com a defesa do reino. Tratando-se dos moradores
de Viseu, o monarca faz-lhes doação, não apenas
da jurisdição do castelo e alcácer da cidade,
como de vários lugares circunvizinhos. Entre eles Zurara e
Senhorim e os coutos de "Rio de Asnes", Sabugosa, juntamente
com a aldeia de Ferreirões, e Cota (24). Torna-se importante
a menção feita à futura vila de Nelas, na medida
em que esses julgados não pudessem ter juízes, vereadores,
procuradores do concelho, meirinhos, tabeliões ou outros oficiais
"salvo os que lá forem postos". O que equivale a
dizer que "Asnellas" não usufruiam o direito de eleger
funcionários da administração local, tendo de
aceitar os que a coroa, para o efeito, para lá viesse a nomear.
A
Terra de Senhorim com a Dinastia de Aviz
Com
a ascensão ao trono de D. João I, mestre de Avis, aumenta
a documentação referente ao território de Senhorim,
com especial destaque para o funcionalismo régio ou municipal
ligado à povoação de Canas. O cabido da Sé
de Viseu abriria um processo judicial contra Diogo Soares de Albergaria,
por este se haver apossado, de forma violenta, da aldeia de Carvalhal
Redondo que ficava no termo do concelho e era património da
referida Sé. Tendo o monarca aceite as razões da diocese,
ordenou aos juízes de Canas de Senhorim e "e outras justiças
do Reino" para fazerem cumprir a sentença. Filho de Fernão
Gonçalves de Leiria, fiel servidor de D. João I e a
quem o monarca dera a coutada do monte e rio a par das terras de Santar
(25), o acusante decerto obteve o perdão da coroa. Para o efeito
apresentou cartas régias que o davam como senhor das terras
de Santar e de Barreiro, além de outras na comarca da Beira,
sem esquecer que herdou também a coutada de monte e rio que
seu pai detivera.
O filho e homónimo viu esta mercê confirmada por D. Duarte
(26), não havendo dúvida de que gozou de valimento na
corte, como Cavaleiro da Casa Real. Ainda no tempo de D. João
I, na defesa dos seus direitos senhoriais, obteve que "non constrangesen
nem mandasem constranger os moradores da terra de Asentar e de Barreiro".
Como prova o Professor Vaquero Moreno, Diogo Soares de Albergaria
participou em 1437 na frustrada expedição a Tânger
(27). A circunstância de haver tomado o partido da rainha D.
Leonor de Aragão contra o infante D. Pedro, nas cortes de Lisboa
de 1439, não o impediu de manter a alcaidaria do castelo da
Guarda. Seguiu depois a causa de D. Afonso V quando da batalha de
Alfarrobeira, pelo que foi confirmado na coutada do monte e rio a
par das terras de Santar. Tudo explica que o monarca lhe houvesse
também doado o lugar de Canas de Senhorim com todas as rendas,
direitos e jurisdição (28).
Um dado referido por Braancamp Freire, com a autoridade que punha
nas suas investigações, surpreende o estudioso da matéria.
O cavaleiro Egas Coelho que servira a causa de D. João na guerra
de 1383-1385 contra Castela, veio depois a participar "traições
e maldades", invadindo com nobres do reino vizinho alguns pontos
da fronteira. Por tal motivo, viu os seus bens confiscados em favor
de Diogo Lopes de Sousa, filho maior de Frei Lopo dias, mestre da
Ordem de Cristo. Entre os bens que passaram de mãos, contava-se
o "lugar de Nelas", que havia pertencido a João Afonso
Telo, 6º Conde de Barcelos (29). A menos que se trate da terra
de igual nome em Trás-os-Montes, o que o documento não
comprova, impõe-se concluir que o senhorio de Nelas recaiu
em vários fidalgos antes de ser concedido por D. Afonso V,
no ano de 1449, a Diogo Soares de Albergaria, filho e neto de antigos
senhores da terra de Senhorim.
Já com D. João II no trono, o lugar de "Asnellas",
manteve-se integrado com as terras de Noa e Barreiro, a D, Luis da
Cunha, fidalgo da Casa Real (30). Os textos da chancelaria régia
nomeiam Gonçalo de Cáceres como coudel dos concelhos
de Azurara e de Senhorim (31), passando o cargo, no ano seguinte,
para Diogo Gonçalves (32). Antes disso, o monarca concedera
a Rodrigo Afonso o ofício de escrivão das sisas de Canas
de Senhorim (33). E não deixa de ser interessante referir que
Diogo Fernandes, morador em Casal Sancho do concelho de Senhorim,
por se haver negado a ajudar o juiz Pedro Álvares a prender
João Gonçalves, por quem fora ofendido, viu-se condenado
a degredo em Marrocos, pena que D. João II depois comutou no
pagamento de 600 reais para a Arca da Piedade(34).
A chancelaria de D. Manuel ainda é mais abundante em fontes
sobre o território de Senhorim com a nomeação
de muitos ofícios públicos. Brás Rodrigues ali
morador, foi nomeado tabelião da terra em substituição
de Rodrigo Afonso (35); Lourenço Pires, morador em Canas, recebeu
carta de inquiridor das inquirições judiciais de lugar
e do concelho (36); como escrivão das sisas, surge, em 1504,
Afonso Gonçalves para todo o concelho de Canas de Senhorim
(37); os juizes, concelho e homens bons de Canas de Senhorim foram
notificados pela coroa, no mesmo ano, da eleição de
Fernão Talesso, escudeiro de Nuno Martins da Silveira, para
o ofício de tabelião do público e judicial (38);
assim com igual notificação sobre a mercê concedida
a Domingos Pereira, morador em Nelas, do concelho de Canas de Senhorim,
do ofício de tabelião do público e judicial e
de escrivão dos órfãos (39).
Os Forais de 1514 e a População em 1527
O
Dr. José Pinto Loureiro demonstrou que, desde os meados do
século XIII, a cabeça do território de Senhorim
se encontrava, não em Canas, mas no lugar de Vilar Seco.
A terra era um curato do abade de Santar e a sede administrativa do
concelho, com casa de audiências, cadeia e pelourinho (40).
Tal proeminência vinha, sem dúvida, do maior número
de habitantes que residia naquele lugar em comparação
com os restantes da terra de Senhorim. Mas a tradição
medieval havia fortalecido os nomes de Senhorim e de Canas no conjunto
do mesmo território, o que explica a inclusão das duas
povoações na reforma dos forais ordenada pelo rei D.
Manuel. Assim se justifica a outorga do foral novo de Canas de Senhorim,
com data de 30 de Fevereiro de 1514 (41), assim como o concedido a
Senhorim, em 30 de Março do mesmo ano (42)
Nenhum dos forais se refere concretamente a Nelas, como é óbvio
ainda que muitas das disposições neles contidas tivessem
aplicação legal na mencionada terra, que continuou por
muitos a ser chamada de "asnellas"" A vida comunitária
regulava-se por uma série de disposições ligadas
à vida agrícola e ao comércio, às artes
e ofícios, ao vestuário e aos géneres de alimentação
habituais. O papel dos tabeliães, as taxas prescritas para
a entrada e a saída das terras, quem eram os privilegiados
das portagens, todos esses aspectos são mencionados nos dois
forais. O seu exame torna-se de molde a estabelecer uma radiografia
económica e social da vida corrente no território de
Senhorim.
Também a coroa não deixava de conceder a devida atenção
ao respeito que se dava às normas judiciais, o que explica
o número de nomeações feitas nessa área
na parte final do reinado de o Venturoso. Assim, João Correia,
escudeiro e morador em Lobelhe do Mato, viu-se confirmado no ofício
de escrivão dos órfãos do concelho de Senhorim
(43), Diogo Dias, morador em Santar, teve idêntica confirmação
como tabelião do mesmo concelho, "por os outros dois tabeliões
não serem ali moradores" (44); Afonso Gonçalves,
morador em Canas de Senhorim, recebeu os cargos de tabelião
do público e judicial e de escrivão dos órfãos,
"porquanto Domingos Pereira, que os servia, fizera neles tais
erros por que os perdera" (45); e outro Domingos Pereira, morador
em "As Nelas" teve o cargo de tabelião do público
e judicial do concelho de Canas de Senhorim, "além de
outro que aí tem por nos ser dito que não há
mais que um e que este concelho é de 200 vizinhos" (46).
O
cadastro da população de Portugal no ano de 1527, oferece
ao estudioso números de interesse no que respeita à
comarca da Beira. A delimitação do concelho de Senhorim
era feita nos seguintes termos: "Este concelho tem de termo huma
legoa e mea em comprydo e huma legoa em llarguo, parte e confronta
com ho concelho de canas de senhorym e com ho concelho de Zurara e
com hos concelhos do sexo e casall pelo ryo demóndeguo"(47)
. No lugar e concelho de Senhorim viviam 51 moradores que pelos coeficientes
de 4 e 4,5 correspondiam a uma população entre 204 e
228 de habitantes. O total desdobrava-se nos seguintes números:
o lugar de Senhorim, 32 moradores (entre 128 e 142 habitantes) e o
lugar de Moreira, 19 moradores (entre 76 e 86 habitantes).
O concelho de Senhorim, englobando as terras envolventes, chegava
a 306 moradores, ou seja, uma população ao redor de
1224 e 1327 habitantes. Formavam o concelho os seguintes lugares:
Vilar Seque, cabeça do mesmo, com 56 moradores (entre 226 e
249 habitantes) Casal Sanche, 22 moradores (entre 88 e 99 habitantes);
Santar (Sumtar), com 57 moradores entre 228 e 256 habitantes); o lugar
de Moreira e Vale, com 25 moradores entre 100 e 112 habitantes); Algirás,
com 17 moradores (entre 68 e 77 habitantes); Vila Nova de S. João,
com 11 moradores (entre 44 e 50 habitantes); Vila Ruiva, com 16 moradores
(entre 64 e 72 habitantes); Vila Nova, com 8 moradores (entre 32 e
36 habitantes) Gondufe e Fontelo, 23 moradores (entre 92 e 104 habitantes);
e por fim, As Nelas e Roçadas, com 31 moradores (entre 124
e 140 habitantes) (48) .
Com tudo o que haja de precário na avaliação
feita, pode concluir-se que o então lugar de Nelas tinha uma
população ao redor de 130 habitantes, o que podia corresponder
a uma trintena de famílias. Tudo o mais se ignora para o tempo,
acerca da vida e das actividades económicas da povoação.
Um dado regional com interesse diz respeito à passagem de D.
Edmé de Saulieu, visitador da Ordem de Cister, que no mês
de Dezembro de 1532, vindo de Santa Comba Dão, passou cerca
de Nelas a caminho do convento da Maceira.
O secretário anotou no relato: "Desde Santa Comba, ele
seguiu uma boa estrada até à vila de Canas, perto da
qual se está a construir uma casa de monges da nossa ordem,
colocada sob a invocação de São Bernardo e submetida
à jurisdição do abade de Clairvaux" (49).
Tratava-se do mosteiro de Vale de Madeiro, fundado havia pouco por
D. Filipa de Eça, que foi primeira abadessa antes de se transferir
para Lorvão (50). Por não possuir rendimentos bastantes
nem acomodações para um grande número de freiras
e para assegurar os ofícios divinos, o convento veio a ser
extinto em 1560 pelo cardeal D. Henrique e dele não resta hoje
qualquer vestígio.
Notas Soltas Sobre Nelas
(Séculos XVI a XVIII)
Por mais extensa que fosse a pesquisa, não se tornou possível
encontrar o nome de pessoas naturais de Nelas que tivessem caído
sob a alçada do Santo Ofício, como réus ou simples
denunciantes. No livro de sumários da Inquisição
de Coimbra, não se acha referência a nenhum habitante
ou oriundo daquele lugar da terra de Senhorim (51). Apenas se deparou
com um exemplo no inventário coligido pelo historiador António
Baião e que merece ser mencionado. Assim, no dia 29 de Novembro
de 1588, compareceu no tribunal de Lisboa o licenciado Pedro Dias,
clérigo prebístero, natural de Nelas, que denunciou
uma Inês Lourenço por haver casado duas vezes, sem antes
se certificar se o primeiro marido estava ou não vivo (52).
Devemos estar em presença de um caso de alguém que se
ausentou para as possessões do além-mar e nunca mais
deu notícias do seu paradeiro.
Outra notícia solta acerca de um "nelense", encontra-se
na época da Restauração com o alvará concedido
a Francisco Pais Alpalhão, morador em Nelas, concelho de Canas
de Senhorim, na comarca de Viseu. Era filho de António Lopes
Alpalhão e recebeu os foros de escudeiro-fidalgo e, mais tarde,
de cavaleiro-fidalgo, com 700 reis de moradia por mês e 1 alqueire
de cevada por dia, pelos serviços que prestara no referido
concelho (53). Ignora-se a qualidade dos préstimos que Francisco
Alpalhão teria feito à coroa, não sendo de excluir
que tivessem relação com o advento da dinastia Nova.
O que parece não oferecer dúvida é que, nos meados
do século XVII, o topónimo Asnellas (As Nelas) já
cedera, na grafia e no uso corrente, à forma modernizada de
Nelas que se regista no documento.
Ainda que os textos oficiais pouco refiram acerca de Nelas no período
anterior ao século XVIII, não deixa de ser verdade que
na então freguesia havia muitos traços de vida social,
económica e religiosa. Basta mencionar os livros paroquiais
de Canas de Senhorim, para conhecer os registos de baptismos desde
1682 a 1700, os de casamentos de 1619 a 1801 e os de óbitos
entre 1619 1 1911. A consulta dessas fontes coevas, verdadeiras radiografias
de viver comunitário, trará decerto ao de cima muitos
aspectos da vida local. Nomes e laços de família, profissões
e ofícios, poderão extrair-se com proveito para aprofundar
a história de Nelas, desde o tempo dos Filipes à proclamação
da República. Vamos mesmo ao ponto de considerar os arquivos
paroquiais como uma preciosa mina de informações a explorar
(54).
A Freguesia de Nelas em 1758
No
dia 10 de Maio de 1758, era cura da igreja da Nossa Senhora da Conceição
de Nelas o padre José Teodoro do Amaral. Recebeu este a incumbência
de responder ao questionário acerca do estado da povoação,
que lhe fora dirigido por circular pelo prelado de Viseu, D. Júlio
Francisco de Oliveira.
O inquérito não variava em relação aos
que a coroa havia enviado às autoridades religiosas do reino
e que constituem hoje uma fonte histórica de consulta obrigatória
para conhecer a situação das várias freguesias
na época posterior ao terramoto de 1755 (55). A resposta do
pároco de Nelas afigura-se, pois, da maior importância
quanto a esta freguesia do concelho de Senhorim e anexa à sua
igreja de Santa Maria, integrada desde sempre na diocese e comarca
de Viseu.
A freguesia de Nelas pertencia ao padroado da coroa e não tinha
donatários, contando ao tempo 247 fogos num total correspondente
a 385 habitantes. Sendo o lugar cabeça de freguesia, dele faziam
parte o lugar de Algirás, com 47 fogos e 160 pessoas; o lugar
de Folhadal, com 75 fogos e 248 pessoas; a póvoa da Roçada,
com 3 fogos e 16 pessoas; e, por fim, a póvoa da Venda do Gato,
com igual número de fogos e 15 pessoas. A igreja estava situada
fora do lugar de Nelas, constituindo o centro da vida religiosa na
região envolvente. A justiça era regida por um juiz,
um procurador e um escrivão eleitos anualmente, ainda que dependentes
do corregedor da comarca de Viseu. Quanto à casa da audiência,
cadeia e pelourinho, dependentes do concelho de Senhorim, estavam
situados na freguesia de Vilar Seco.
O cura Teodoro do Amaral traça depois a descrição
geográfica do lugar: "Nelas é cabeça de
freguesia e está situada em campina e dele se descobre a vila
de Gouveia, a vila de Seia, a vila de S. Romão, o lugar de
Touraes e o de Paranhos e o de Santa Marinha, casas, povoações
ficam nas abas da serra da Estrela e no bispado de Coimbra. As ditas
vilas ficam em distância de quatro léguas e na de duas
o lugar de Touraes e o de Paranhos uma, e estas ficam mais distantes
da serra: O lugar de Santa Marinha fica em distância de quatro
léguas e vizinho à mesma serra. O lugar de Algirás,
que é também da mesma freguesia de Nelas, fica situado
em campina descoberta e o do Folhadal fica em um monte e a Póvoa
da Roçada fica em vale e a Póvoa da venda do Gato fica
em campina e junto da estrada real que vai de Almeida para a Corte".
A povoação não dispunha, ao tempo, de casa da
Misericórdia ou de hospital, nem existia nas redondezas qualquer
convento de frades ou monjas. A igreja tinha por orago Nossa Senhora
da Conceição, dispondo de três altares com o altar-mor
ao meio, mas desprovido de nave.
No lado da Epístola encontrava-se a imagem do apóstolo
Santiago metida na parede, sendo dela administradores João
Ferreira de Abreu, morador no lugar da Lousã, e António
José Morais, que vivia em Nelas. Nos dois altares colaterais
viam-se: no lado da Epístola, a imagem de Nossa Senhora do
Rosário, ladeada pelas de S. Miguel e Santo António,
e no lado Evangelho, a imagem do mártir S. Sebastião.
Acrescenta o pároco; "e a todas estas imagens se fazem
anualmente festas na dita igreja e não há nela mais
que a irmandade do anjo S. Miguel. E o sacrário está
colocado no altar mayor".
O padre José Teodoro do Amaral apresentado pelo vigário
da matriz de Santa Maria de Senhorim, que era do padroado da coroa.
A côngrua da cura de Nelas, era de 6.800 reis, dois alqueires
de trigo para hóstias, e dois almudes de vinho para as missas,
e mais o rendimento do pé do altar. Dentro do lugar erguera-se,
em data não referida, uma ermida a Santo Cristo com celebração
anual em 3 de Maio, "dia da Invenção da Santa Cruz".
À festa acorriam somente os moradores da freguesia e nem sempre
havia sermão por serem parcos os rendimentos da ermida. Outras
ermidas existiam nos lugares ao redor: em Algirás, um altar
cujos oragos eram S. Domingos e S. Jorge com sermão e procissão
anuais; e, com maior fervor religioso, a capela consagrada a Nossa
Senhor da Tosse, no lugar de Folhadal, com celebração
na segunda oitava da Páscoa (56).
Quanto às produções da terra, acrescenta-se que
eram, em maior quantidade, o milho grosso e o vinho, que chegava para
consumo dos moradores e uma parte ainda enviada para fora do país.
A colheita de azeite costumava ser abundante, mas ficava toda na freguesia.
Quanto à produção do trigo e do centeio era fraca
e ainda menor a da cevada, o que ocorria igualmente com a fruta. No
distrito da freguesia passava o rio conhecido por castelo, sem dúvida
o antigo Rio dos Asnos que era afluente do Mondego. Neste havia abundância
de peixes, sobretudo de barbos, bogas e enguias, cuja pesca se efectuava
nos meses de Junho a Agosto. Refere-se em seguida: "Suas pescarias
são comuns para todos e só algumas pessoas principais
que nele têm algumas levadas lhes guardam respeito os pescadores
e não lhe vão a elas pescar".
Numa alusão às caldas hoje chamadas da Felgueira, o
pároco esclarece: "Não há nele fonte nem
lagoa célebre mais do que a fonte ou ribeiras das Caldas, que
divide esta freguesia da de Canas de Senhorim, cuja água tem
virtude para banhos quentes". Também as águas do
Mondego gozavam, ao tempo, de alguma fama: "são especiais
e virtuosas para aquellas queixas que tem o seu remédio nos
banhos frescos". Aliás, o curso do grande rio, nas vizinhanças
de Nelas, não era "arrebatado" antes sim corre pelas
suas áreas com sossego e sem susurro grande das suas águas".
Na freguesia de Nelas, laboravam em água do Mondego três
moinhos de moer pão e no rio Castelo estavam quatro azenhas
em funcionamento. Não refere o pároco a existência
de qualquer ponte, a não ser Ponte Nova, de pedra e cantaria
com três arcos, que era o local obrigatório de comunicação
para o bispado de Coimbra e a Serra da Estrela.
A parte final da resposta ao inquérito do estado de Nelas no
ano de 1758, não deixa de comprovar o diminuto valor em tradições
e valores que a terra possuía: "Não há memória
que desta terra e freguesia florescessem alguns homens insignes em
virtudes, letras ou armas e não tem feira franca nem cativa,
mas somente naquele dia da festividade de Nossa Senhora da Tosse se
armam algumas tendas e se vendem coisas comestíveis no lugar
de Folhadal. Não tem correios e se servem as pessoas para a
comunicação com o da cidade de Viseu, que dista três
léguas". O pároco Teodoro do Amaral continua a
enunciar a falta de valores históricos: "Não tem
privilégios, antiguidades e outras coisas dignas de memória
(...) Não há porto de mar. Não há na terra
praça de armas nem castelo (...) Não há nesta
freguesia coisa alguma que mereça fazer-se dela memória".
E para concluir a resposta ao questionário, o pároco
afirma não haver notícias de jamais se extrair da terra
envolvente ouro ou outro metal. Uma curiosa referência, aliás
notória, em outros povoados do reino, declara que os moradores
desta freguesia usavam livremente de suas águas para fertilidade
de suas terras. A conclusão de depoimento não deixa
de ser clara e objectiva: Não há coisa alguma notável
mais nesta freguesia, nem as pude indagar por notícias que
as tenho referidas neste papel, para que fiz todas as diligências,
como súdito obediente".
Um século depois, graças à onda de progresso
que se fez sentir no lugar de Nelas e seus arredores, era o mesmo
elevado a vila e sede do concelho que antes fora de Canas de Senhorim.
Vale a pena reunir alguns dados históricos que permitem compreender
essa ascenção municipal.
Dos Finais do Antigo Regime ao 3º Liberalismo
A
expulsão da Companhia de Jesus criou em várias cidades,
como Viseu, um grave problema para o ensino das primeiras letras e
das matérias que integravam a preparação para
a Universidade de Coimbra. A reforma do Marquês de Pombal levou
a que antigos sacerdotes e pessoas laicas tivessem concorrido aos
lugares de mestres de ler e escrever que foram criados em vários
pontos do reino. Um dos candidatos foi António de Melo Serrano,
secular, natural do lugar de Ancada, arciprestado de Aro e morador
em Nelas.
Contava 28 anos e boa conduta, tendo sido aprovado por seis meses
"para acabar de se aperfeiçoar na sílaba",
ou seja, na dicção (57).
Mas tudo permite crer que não foi escolhido para ensinar em
Nelas, pelo que a terra não foi distinguida em 1772 com qualquer
mestre de ler, escrever e contar; nomeado para a comarca de Viseu
(58).
O atraso no campo da instrução primária, que
ao tempo se verificava em Nelas, não impediu contudo um aumento
da população, como se extrai do numeramento de 1798,
por ordem de Pina Manique. O Intendente Geral da Polícia de
Lisboa mandou proceder à contagem dos fogos por freguesias,
a fim de apurar recrutas para o exército. Por cada 100 fogos
escolhiam-se, na proporção 1/25,4 novos soldados para
apetrechar os regimentos de infantaria (59) . No que respeita à
freguesia de Senhorim, a população total deu o cômputo
de 1271 fogos e 51 recrutas, assim discriminados: Nossa Senhora de
Assumpção de Senhorim, 315 fogos; s: Pedro de Santar,
352 fogos; Nossa Senhora da Conceição do Aro de Nelas
227 fogos; S. João Evangelista do Carval, 141 fogos; Nossa
Senhora da Expectação de Vilar Seco, 177 fogos; e S.
Pedro de Espinho, 59 fogos. O que equivale a dizer que, nos finais
do século XVIII a freguesia de Nelas, com os seus 900 habitantes,
era já a terceira, em ordem numérica, da terra de Senhorim
(60).
O período da 3ª. Invasão Francesa, causou grandes
prejuízos na Beira Alta, não apenas quando os invasores
de Massena desceram, em Outubro-Novembro de 1810, até às
linhas de Torres Vedras, como no seu regresso a França quatro
meses depois. Muitas casas de Nelas foram arrombadas à coronhada
e, pelo menos 6 habitantes foram mortos. O Real Corpo de Engenheiros
instalou-se na aldeia em Novembro de 1810, para acudir às necessidades
de exército (61). O brigadeiro Francisco de Paula e Azeredo,
no fim desse ano, instalou o seu quartel-general em Nelas para guarnecer;
com os voluntários do Batalhão Académico, a linha
defensiva da ponte de Alcafache às margens do Mondego. Não
se põe em dúvida que a posição estratégica
do lugar foi então reconhecida pelas autoridades militares,
como um dos eixos da defesa do centro do país.
Por provisão régia de 7 de Fevereiro de 1820, criou-se
em Nelas uma feira franca e isenta de sisas, a realizar todos os meses
no sítio do Cruzeiro. Mas pela circunstância de a feira
coincidir com a de Santar, e de Mangualde satisfazer as necessidades
comerciais de toda a região, os moradores obtiveram a sua transferência
para o quarto domingo de cada mês (62).
A Revolução de 1820, ocorrida no Porto, em 24 de Agosto,
foi acolhida com aplauso pela população local, numa
altura em que o número de fogos subira na povoação
para 363, o que correspondia a uns 1 400 habitantes. Era, ao tempo,
advogado em Nelas e em Celorico da Beira o Dr. António Bernardo
da Costa Cabral, que haveria de distinguir-se na política oitocentista
como lider do partido cabralista (63). A adesão da câmara
de Canas de Senhorim à realeza de D. Miguel, no ano de 1828,
não foi aceite pela população, o que levou ao
exílio de Costa Cabral, após o movimento da Belfastada
e ao seu regresso na expedição de D. Pedro que desembarcou
em 8 de Julho de 1832, na praia do Mindelo.
No dia 4 de Maio, em Vilar Seco, o concelho de Canas de Senhorim jurou
a realeza de D. Maria II, sendo juiz presidente o Dr. José
de Melo Pais do Amaral (64). A região de Senhorim passou a
depender, na área militar; do Governo da Província da
Beira, com sede em Viseu, tendo por capitão José Maria
Leite de Portugal. Dois anos depois, o concelho aderia à Revolução
de Setembro e jurava nova Constituição de 1838. No ano
seguinte, uma estimativa da população apresentava os
seguintes números: Nelas, concelho de Senhorim e comarca de
Tondela, com 1.578 habitantes; Carvalhal Redondo (Aguieira), com 1.000
habitantes; A vila e freguesia de Canas de Senhorim; com 1.200 habitantes;
Senhorim; vila e freguesia, respectivamente com 1.506 habitantes;
e Vilar Seco, com 670 habitantes (65). Mas as convulsões ocasionadas
pela queda do Setembrismo levou a que o número de fogos, em
Nelas, houvesse descido em 1842 para 294, num cômputo aproximado
a 1.200 habitantes (66).
A Criação do Concelho de Nelas
Razões
de vária ordem, desde a posição geográfica
aos valimentos políticos que se fizeram sentir com o advento
da Regeneração, justificam que o lugar de Nelas, por
decreto de 9 de Dezembro de 1852, se tornasse cabeça de concelho
com as freguesias que antes formavam o concelho de Canas de Senhorim.
O texto legal não podia oferecer dúvidas: "Havendo
eu por decreto de hoje mandado reunir os concelhos de Senhorim e Canas
de Senhorim em um só concelho com o nome de concelho de Nelas:
Hei por bem ordenar que sejam dissolvidas as Câmaras Municipais
de Senhorim e Canas de Senhorim, procedendo-se logo na conformidade
da lei à eleição da Câmara Municipal do
Conselho de Nelas" (67). Torna-se por demais evidente que o ministro
do reino, Rodrigo da Fonseca, teve um papel determinante na decisão
régia que iria provocar um forte diferendo entre as populações
vizinhas.
Não foi imediata a execução do decreto de D.
Maria II, uma vez que as primeiras actas da câmara de Nelas,
segundo o Dr. Pinto Loureiro, apenas datam de 7 de Janeiro de 1845.
Constituiam a edilidade Miguel António Ponces de Carvalho,
futuro conde de Vilar Seco, como presidente, tendo como vereadores
Antero Dias Ferreira, João de Sacadura Botte Corte-Real, Bernardo
Homem Freire de Luné e João Carlos Lobo de Abrantes
Mascarenhas. Quinze anos depois, a nova divisão administrativa
suprimiu o concelho de Nelas e restabeleceu o de Senhorim, quando
estavam em projecto as construções dos Paços
do Concelho, do Tribunal Judicial e das casas para magistrados. A
passagem do caminho de ferro da Beira Alta próximo da vila
concedeu a Nelas uma situação de privilégio na
região de Senhorim pelo que o concelho foi restabelecido. No
ano de 1876 já se encontrava ao serviço a estação,
embora a inauguração oficial datasse apenas de 1884
(68).
O surto demográfico da vila fora-se acentuando desde os meados
do século XIX. Assim, o senso de 1864 apresenta dados de interesse
quanto às 6 freguesias do concelho de Nelas (69):
|
|
Fogos
|
Varões
|
Fêmeas
|
Total
|
|
Canas
de Senhorim
|
612
|
1.335
|
1,414
|
2.749
|
|
Carvalhal
Redondo
|
369
|
747
|
798
|
1545
|
|
Nelas
|
506
|
1.104
|
1.089
|
2.202
|
|
Santar
|
513
|
1.100
|
1.173
|
2.283
|
|
Senhorim
|
500
|
1.080
|
1.074
|
2.164
|
|
Vilar
Seco
|
256
|
484
|
547
|
1.031
|
|
|
|
|
|
|
|
Total
|
2.762
|
5.870
|
6.104
|
11.974
|
|
|
|
|
|
|
No decénio seguinte verifica-se uma certa estabilização
no quadro demográfico do concelho, de acordo com um dicionário
corográfico então publicado. Assim, Nelas surge como
vila, cabeça de concelho e julgado e dependente da comarca
de Mangualde, com uma população global de 2.198 habitantes.
Dispunha já de uma direcção de correios e da
escola feminina do Conde de Ferreira, erguendo-se vozes contra a falada
extinção do seu julgado: Quanto à freguesia de
Canas de Senhorim, que dependia do mesmo julgado, mantinha-se ao redor
dos 2.785 habitantes. Também não se verificaram alterações
sensíveis quanto à população de Carvalhal
Redondo, com os seus 1.540 habitantes, e à de Santar, que se
mantinha nos 2.267 habitantes (70). Já ao tempo fora posta
em arrematação a construção da estrada
desde Santar a Canas de Senhorim (71).
Para se ajuizar a projecção que a passagem do caminho
de ferro trouxe ao desenvolvimento de Nelas, basta mencionar as úteis
reflexões do seu melhor cronista: "Foi o mais importante
factor do desenvolvimento do concelho e especialmente da sua sede.
Por Nelas passou a fazer-se todo o tráfego de além-Mondego,
grande parte do da capital do distrito, ligada à estação
com Viseu e com Seia por carreiras diárias de diligência.
O movimento de Viseu enfraqueceu e quase se eclipsou com a construção
do caminho de ferro de Santa Comba Dão a Viseu; mas o de além-Mondego
só muito mais tarde, com o desenvolvimento da camionagem, passou
a escoar-se em certa medida, pela estrada da Beira na direcção
de Coimbra" (72).
Como era corrente no regime liberal, havia pessoas de notoridade local
que conseguiam obter da coroa um título de nobreza que revertia
em prestígio da terra. Assim sucedeu com José Bernardo
dos Anjos e Brito, proprietário em Nelas, que por decreto de
D. Luís de 22 de Agosto de 1870, recebeu o título de
1º. Barão da localidade (73). Quase tudo se ignora a seu
respeito, incluindo os anos do nascimento e da morte, sabendo-se apenas
que casou com D. Maria Cândida de Santana Pais (1829-1868),
de quem teve geração com apelido de Pais de Brito. Nada
se tornou possível apurar acerca do 1º. Barão de
Nelas, nem da influência que gozou junto da corte portuguesa.
Mas, segundo o Dr. Pinto Loureiro, o titular fez parte, durante muitos
anos, do Conselho municipal de Nelas, onde gozava da maior consideração
(74).
Nascidas no concelho de Nelas houve, na segunda metade do século
XIX, algumas figuras de destaque na vida política e cultural
portuguesa. Tal o caso do Dr. José Marques Rito e Cunha (1876-1936),
natural da freguesia do Folhadal, que foi cónego da Sé
de Viseu, e algumas vezes governador do bispado, que esteve proposto
para as dioceses de Angra e de Beja. O engenheiro agrónomo
Francisco Coelho de Amaral Reis, visconde de Pedralva, nasceu em Santar,
foi deputado no tempo da monarquia e na vigência da República,
ministro da Agricultura e governador geral de Angola (75). Mas, no
campo das letras, a figura mais notável do concelho foi o Dr.
Fortunato de Almeida Pereira de Andrade (1862-1933), nascido em Vilar
Seco, que se impôs pela obra de historiador a que se ligou o
nome (76).
No ano de 1893 deu-se início à exploração
das nascentes das águas da Felgueira, na freguesia de Canas
de >Senhorim, concelho de Nelas (77), cuja fama terapêutica
não tem cessado de aumentar com os anos. A câmara concedera
o alvará a José Maria Marques Caldeira, que fundou a
Companhia das Águas Medicinais da Felgueira em 24 de Dezembro
de 1880. Assim desapareceu a antiga designação vizinha,
e surgiu o nome que perdura de Felgueira, para tratamento de moléstias
das vias respiratórias e da pele (78). Entretanto, a região
de Nelas foi-se tornando, de igual modo, conhecida pela qualidade
dos seus vinhos, pela valia da sua pecuária e pelo incremento
das explorações agrícolas que, nos fins do século
XIX, haviam tomado um peso importante na economia da região.
O progresso da vila acentuou-se no tempo da Primeira República,
com a instalação no ano de 1912 de uma casa para quartel
do Regimento de Cavalaria nº. 7. Por se encontrar numa zona privilegiada
pelas suas belezas naturais e riqueza histórica, viria depois
a portaria nº 16.314, de 22 de Dezembro de 1928, que considerou
o concelho de Nelas como uma estância de turismo. Sete anos
depois, a portaria nº 8.059, de 25 de Março de 1935, aprovaria
a constituição heráldica da bandeira, armas e
selo do município local. Uma faixa ao centro da primeira, de
cor negra, representava três espigas de milho, como símbolo
da riqueza agrícola do concelho. Três cachos de uvas
completavam o conjunto heráldico, dois no chefe da bandeira,
de púrpura e folhados de verde, e no contra-chefe um cacho
igual. Assim se prestava justiça à abundância
vinícola da região, identificando-se os seus vinhos
com o lema municipal (79).
Não comporta este trabalho a descrição do progresso
que na vila se fez sentir nos últimos cem anos, fazendo de
Nelas um dos centros vitais da Beira Alta. Hoje dotada com todos os
serviços públicos, nos campos da administração
central, da justiça e da instrução, a povoação
representa um eixo fundamental para quem de Coimbra segue para Santa
Comba Dão e desta vila prossegue numa tripla direcção:
para Viseu, a sede do distrito, para Mangualde, na estrada que conduz
a Espanha, e para Seia caminhando para a serra da Estrela. O desenvolvimento
industrial faz-se igualmente sentir no concelho de Nelas, com as vantagens
decorrentes da sua localização na área territorial
dos rios Dão e Mondego.
(1)
A única obra documentada sobre o tema, pelo menos do nosso
conhecimento, é do Dr. José Pinto Loureiro, Concelho
de Nelas (subsídios para a História da Beira), 1ª
edição, Coimbra,1940, 2ª. Edição,
pela Cãmara Municipal de Nelas, 1956, e 3ª. Edição,
idem, 1988. A obra será mencionada, com frequência, ao
longo do nosso estudo.
(2) Veja-se António Pedro Vicente, Manuscritos de Arquivo Histórico
de Vincennes referentes a Portugal, volume III (1807-1811), Paris,
1983, p.p. 86-87-88.
(3) Veja-se o texto do decreto de 9 de Dezembro de 1852 e as razões
por que o diploma não teve aplicação imediata,
em José Pinto Loureiro, Concelho de Nelas (Subsídios
para a sua História), obra citada, pp, 208-208.
(4) Veja-se do mesmo autor "Toponymia Portuguesa (esboços",
em revista Lusitana, volume XVI, Lisboa, 19/3, pp 154/155, e mais
recentemente, "Notas sobre a toponímia do concelho de
Nelas", O Instituto, volume 97, Coimbra, pp296,e e segs.
(5) Veja-se idem, ibidem, p. 154: "... ou internacionalmente
para afastar o topónimo do seu radical asno, que daria ocasião
a gracejos e alusões chocantes".
(6) Na falta de mapas regionais para os séculos XIII a XV.
Veja-se o valioso contributo do professor Humberto Vaquero Moreno,
"Alguns documentos para o estudo das estradas medievais portuguesas"
em revista das Ciências do Homem, volume V, série A,
Lourenço Marques, 1972. Não havendo menção
concreta a Nelas, regista-se num dos itinerários a estrada
mais utilizada entre Coimbra e Viseu, no reinado de D. Fernando (1377).
(7) Trata-se do antigo mosteiro de Sperantam Dei, no concelho de Viseu,
que não se tornou possível identificar.
(8) Veja-se Documentos Medievais Portugueses. Documentos Régios,
volume I, tomo I (1095-1185), por Rui de Azevedo, Lisboa, 1958. Pp
154-155. "ET DEPRONT PER ILLUM RIVULUM DE Sabugosa de Asines
usque in illa ponte et pergit in festum per illum stratam de Sancte
Maria de Canas...".
(9) Idem, ibidem, p. 286, doc. 234: "scilicet habuerunt de ipso
termini de Barrosa de Routar usque ad riuulum de Asinos".
(10) Idem, ibidem, p. 294, doc, 201.
(11) Portugaliae Monumenta Histórica. Diplomata et Chartae,
volume I, p. 552, Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, p. 313.
(12) Veja-se Livro Preto. Cartulário da Sé de Coimbra.
Direcção de Manuel Augusto Rodrigues e Avelino de Jesus
da Costa, Coimbra, 1999.
(13) Ibidem, idem, idem, fol. 125,p.
(14) Museu Grão Vasco, 2º. Livro dos Privilégios
do Cabido de Viseu, doc, nº. 50, publicado por José Pinto
Loureiro, ibidem, pp 315-316, nº. III
(15) Este passo comprova a política agréria do rei D.
Sancho I no que concerne ao povoamento e cultivo das terras da Beira.
(16) A..N.T.T., Livro 2º. Das Doações de D. Afonso
III, traduzido em português pelo Dr. Fortunato de Almeida, publicado
por José Pinto Loureiro, ibidem, pp, 316-317, nº. IV.
(17) Do conteúdo do documento claramente se extrai que o foral
não respeita a Nelas da Beira, mas a idêntico lugar no
Alto Douro.
(18) A..N.T.T. Chancelaria de D. Dinis, Doações, Livro
1, fol. 159.
(19) A..N.T.T., Chancelaria de D. Manuel I, Livro 35, fol. 33. 33vº.
Carta régia de Lisboa, 31 de Maio de 1503.
(20) Veja-se Livro das Igrejas e Capelas do Padroado dos reis de Portugal
(1574), com introdução de Joaquim Veríssimo Serrão,
Paris, 1971, p. 41.
(21) Veja-se Documentos do Cabido de Viseu, sentença de 4 de
Março de 1303, em Anais das Bibliotecas e Arquivos, 3ª.
Série, lº. volume, p. 320, nº. 52,
(22) A.N.T.T., Livro 1º. Do Rei D. Afonso III, fol. 132 vº.,
col, 1, publicado por José Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas,
pp. 317-318,nº. V.
(23) Veja-se José Pinto Loureiro, ibidem, pp. 318-319, nº.
VI.
(24) A.N.T.T., Chancelaria de D. Fernando, livro 1, fol. 49vº.
(25) Carta régia de 23 de Junho de 1395. ªN.T.T., Chancelaria
de D. João I, livro 2, fol. 103vº., publicada em História
Florestal, Aquícola e Cinegética, volume I (1208-1438).
Lisboa, 1980, p. 186, doc. 245.
(26) Carta régia de Almeirim, 17 de Abril de 1434, publicada,
ibidem, livro 1, fols. 97, vº.-98. Veja-se a sua biografia em
Anselmo Braancamp Freire, Livro Segundo dos Barões da Sala
de Sintra, 2ª. Edição, Coimbra, 1927, pp. 77-78.
(27) Veja-se a Batalha de Alfarrobeira, Antecedentes e Significado
Histórico, 2ª edição, Coimbra, 1979, pp.
687.
(28) Veja-se a descrição da terra envolvente na carta
de confirmação de 15 de Julho de 1449, confirmando a
Albergaria, a coutada de monte e rio na terra de Santar, pela qual
é proibido matar porcos e pescar sob certas penas. Publicado
na História Florestal, Aquícola e Cinegética,
volume II (1439-1481), Lisboa, 1982, pp. 59-61, nº. k 152.
(29) Veja-se Brasões da Sala de Sintra, Livro 1º., 2ª.
Edição, Coimbra, 1921,pp. 284-285.
(30) Carta régia, dada em Montemor-o-Novo,, em 19 de Dezembro,
de 1484, A..N.T.T., Beira, Livro 1, fols. 41-41vº.
(31) Carta régia dada em Santarém, a 12 de Fevereiro
de 1487, A..N.T.T., Chancelaria de D. João II, livro 19, fol.
148vº.
(32) A..N.T.T., ibidem, livro 14, fol. 9vº.
(33) Carta régia, dada em Almeirim, a 28 de Novembro de 1482,
A..N.T.T., ibidem, livro 3, fol. 102
(34) Carta régia, dada em Lisboa, a 4 de Maio de 1492, A..N.T.T.,
ibidem, livro 26,fol. 39, publicado em Documentos inéditos
de Marrocos. Chancelaria de D. João II, por Laranjo Coelho,
vol. I, 1943, pp. 383, nº. CCCLXX.
(35) Carta régia, dada em Lisboa, a 21 de Maio de 1498, A..N.T.T.,
ibidem, livro 44, fol. 2vº.
(36) Carta régia, dada em Lisboa, a 19 de Fevereiro de 1500,
A..N.T.T., ibidem, livro 12, fol. 1vº.
(37) Carta régia, dada em Lisboa, a 12 de Janeiro de 1504,
A..N.T.T., ibidem, livro 35, fol. 69.
(38) Carta régia, dada em Lisboa, a 28 de Abril de 1504, A..N.T.T.,
ibidem, livro 23,fol. 12.
(39) Carta régia, dada em Lisboa, a 21 de Novembro de 1503,
A..N.T.T., ibidem, livro 15, fol. 53vº.
(40) Além do numeramento de 1527, que adiante se refere, a
notícia da importância concelhia de Vilar Seco consta
também das Memórias Paroquiais de Nelas, do ano de 1758,
mencionadas infra, capítulo VII.
(41) A..N.T.T., Livro dos Forais Novos da Beira, fol. 110, publicado
por José Pinto Loureiro. O Concelho de Nelas, pp. 329-355,
do. IX
(42) Publicado por idem, ibidem, pp. 320-329, doc. VIII
(43) Carta régia dada em Lisboa, a 16 de Julho de 1521 A..N.T.T.,
Chancelaria de D. Manuel, livro 18, fols. 95-95vº.
(44) Carta régia, dada em Lisboa, a 25 de Junho de 1515, Idem,
ibidem, livro 24, fol. 70.
(45) Carta régia, dada em Évora, a 23 de Maio de 1520,
Idem, ibidem, livro 38, fol. 26vº.
(46) Carta régia, dada em Lisboa, a 27 de Março de 1521,
Idem, ibidem, livro 39, fol. 28vº.
(47) Veja-se o "Cadastro da População do Reino
(1527). Actas das Comarcas de entre Tejo e Odiana e da Beira",
por J.M. de Magalhães Collaço. Revista da Faculdade
de Direito da Universidade de Lisboa, ano II, Lisboa, 1934, p. 189.
(48) Veja-se idem, ibidem, p. 190.
(49) Veja-se Frère Claude de Bronseval, Peregrinatio Hispanica
(1521-1533), tomo II, Paris, 1970,p. 507, nota 271.
(50) Veja-se Dom Maur Cocheril, Routier des Abbayes Cisterciennes
du Porugal, Fundação Calouste Gulbenkian, Centro Cultural
Português, Paris, 1986, pp. 140-141.
(51) Veja-se Luis de Bivar Guerra, Inventário dos Processos
da Inquisição de Coimbra (1541-1820), Fundação
Calouste Gulbenkian, Centro Cultural Português, Paris, 1972.
(52) Veja-se António Baião. "A Inquisição
em Portugal e no Brasil", Archivo Historico Portuguez, volume
VIII, Lisboa, 1910, p. 472.
(53) Veja-se Inventário dos Livros de matrícula dos
Moradores da Casa Real, volume II (1640-1744), Lisboa, 1914, p. 136.
(54) Veja-se Inventário Colectivo dos registos Paroquiais,
volume I, Centro e Sul, Lisboa, 1993. P, 426.
(55) Veja-se A..N.T.T., Dicionário Geográfico, volume
25, rolo 463, Memórias, 14, Nelas.
(56) Pouco se conhece acerca do culto a Nossa Senhora da Tosse, no
lugar de Folhadal, onde acorriam, na Páscoa, muitas populações
dos arredores de Canas de Senhorim. Tudo leva a supor que os romeiros
eram enfermos, antigos ou recentes, de foro tisiológico que
pediam alívio para os seus males.
(57) Veja-se António Alberto Banha de Andrade, A Reforma Pombalina
dos Estudos Secundários (1759-1771), 2º. Volume e documentação,
Coimbra, 1981, p. 318.
(58) Veja-se Joaquim Veríssimo Serrão, História
de Portugal, volume VI (1750-1807), Lisboa 1983, p. 259, e José
Timóteo Montalvão Machado, No II Centenário da
Instrução Primária, 1772-1972, Lisboa, 1972,
mapa entre as páginas 116/117.
(59) Veja-se Joaquim Veríssimo Serrão, A População
de Portugal em 1798. O Censo de Pina Manique, Fundação
Calouste Gulbenkian, Centro Cultural Português, Paris, 1970.
(60) Alguns dados soltos na obra de Ângelo Pereira, D. João
VI, Principe e Rei, volume III, Lisboa, 1956, p. 17-95 e sgs.
(61) Veja-se José Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, obra
citada, 1.105
(62) Veja-se idem, ibidem, p. 109
(63) Veja-se Joaquim Veríssimo Serrão, História
de Portugal, volume VIII (1832-1851), p. 98.
(64) Documento publicado por José Pinto Loureiro, O Concelho
de Nelas, p. 110.
(65) Veja-se Taboa Geográfico-Estatística Luzitana ou
Dicionário abreviado de todas as cidades, villas e freguezias
de Portugal ... por um Flaviense, 1839. Pp. 19-44-96 - 120-123-144.
(66) Veja-se Baptista de Lima. Terras Portuguesas. Arquivo Histórico-Corográfico
ou Corografia Histórica Portuguesa, Póvoa de Varzim,
1935,p. 353.
(67) Publicado por José Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas,
obra citada, p. 207.
(68) Veja-se, idem, ibidem, p. 208, nota 286.
(69) Veja-se Censo de 1864. Relação das freguesias do
Continente e Ilhas, População, sexos, fogos, Divisão
civil, militar, judicial e eclesiástica por J. da Costa Brandão
e Albuquerque, Lisboa 1866, p. 159.
(70) Veja-se Agostinho Rodrigues de Andrade. Diccionario Chorographico
do Reino de Portugal ..., Coimbra, 1878, p. 44-47-124-163.
(71) Veja-se José Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, p. 216,
(72) José Pinto Loureiro, ibidem, p. 216.
(73) Veja-se Nobreza de Portugal, vol II, Lisboa, 1962. P. 47.
(74) O último titular era, no ano de 1962, Fernando Manuel
da Veiga Brito, verificador da alfândega de Lisboa.
(75) Veja-se a enumeração de figuras ilustres em José
Pinto Loureiro, O Concelho de Nelas, pp. 243-260.
(76) Veja-se Justino Mendes de Almeida "Fortunato de Almeida":
O Homem e o Historiador", Anais da Academia Portuguesa da História,
II Série, volume 31, Lisboa, 1986, pp. 465-482
(77) Veja-se Manuel Bento de Sousa. O Estabelecimento Termal das Caldas
da Felgueira, Relatório do Dr. João Felício,
Lisboa, 1895
(78) Veja-se a bibliografia reunida por José Pinto Loureiro,
O Concelho de Nelas, pp. 227, nota 304.
(79) Veja-se o Diário do Governo, I Série, nº.
68, 25 de Março de 1935, p. 427.
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