

[Antecedentes] - [Generalidades] - [Comandantes] - [Actividade Operacional] - [Extinção]
A primeira presença de unidades Pára-quedistas em Moçambique verificarou-se
em 1961. Desde 26 de Fevereiro, encontrava-se em Lourenço Marques o Major Pára-quedista
Alcino da Fonseca Ribeiro, integrando a Comissão da Força Aérea em Moçambique,
e exercendo as funções de Comandante do Destacamento Avançado de Comando de
Pára-quedistas (DAC). Este Destacamento era constituído por dois pelotões
no total de 60 Pára-quedistas (2 Oficiais, 6 Sargentos e 52 Praças).
Os pelotões deixaram Lisboa a 26 de Janeiro de 1961, em consequência
do assalto ao paquete Santa Maria, tendo permanecido em S. Tomé até 22
de Fevereiro. Nessa data seguiram para Lourenço Marques. Nesta cidade permaneceriam
até 27 de Maio ficando instalados numa arrecadação adaptada a camarata
no aquartelamento do Depósito de Material de Guerra de Moçambique.
A Portaria nº 18464, de 8 de Maio de 1961 (a mesma Portaria que cria o BCP 21),
determina a criação do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas nº 31, instalado
na Beira e na dependência da 3ª Região Aérea.

Em 26 de Maio de 1961 chegaram dois novos pelotões, comandados pelo Tenente
Pára-quedista Raul François Martins e pelo Aspirante Paulo Bettencourt, para
substituir os dois iniciais que seguiam para Luanda. Dias depois seguia também
o Major Alcino Ribeiro, ficando a comandar o DAC o Ten François Martins.
A 10 de Julho chega a Moçambique o Capitão Pára-quedista João de Campos Sardinha que assume o comando do DAC.
Ainda em 1961, com Pára-quedas T10 entretanto recebidos, o DAC realiza as primeiras sessões de saltos em Moçambique:
12 de Outubro, um salto de demonstração no Aeroporto de Mavaleche, e a 14 de Outubro um salto em Maqueze, integrado
num exercício com unidades do Exército.
Em Junho de 1962 o DAC recebe um 3ºPelotão e em Outubro, apesar da melhoria
das condições de alojamento no DGMG de Moçambique, o DAC transferiu-se para
novas instalações nos terrenos no extremo do Aeroporto de Lourenço Marques.
As novas instalações, embora rudimentares e em grande parte construídas
pelos próprios Pára-quedistas, traziam finalmente a necessária indepêndência
de aquartelamento.
No final de 1962, a Portaria 19520, de 24 de Novembro, revoga a anterior Portaria 18464 e determina de novo a constituição do BCP 31 mas localizado em Nacala.
No ano de 1963 deram-se mais alguns passos na constituição do BCP 31, no entanto
a falta de efectivos, nomeadamente quadros, constituia a principal dificuldade.
Em Abril de 1963 o Cap PQ Heitor Almendra apresenta-se em Lourenço Marques assumindo
o comando do DAC na qualidade de comandante interino do BCP 31.
Com a chegada de um 4ºPelotão ainda em 1963 é formada a Companhia de Caçadores Pára-quedistas.
É de salientar a participação, desde Agosto de 1962, na 3ªRA, de algumas Enfermeiras
Pára-quedistas, participação essa que se manteria até 1963, e também a presença
no DAC, desde Maio de 1963, do Alferes Capelão Pára-quedista Pinho.
A 5 de Março de 1964 apresentou-se em Lourenço Marques e assumiu o comando do BCP 31 o Tenente-coronel Pára-quedista Rafael Durão e no dia seguinte a Ordem de Serviço é pela primeira vez publicada com a designação de BCP 31.
Em Março de 1964 a situação do Batalhão em efectivos era bastante precária, dos 744 Pára-quedistas, 196 não Pára-quedistas e 55 civis previstos nos quadros orgânicos, existiam apenas 181 Pára-quedistas, 8 não Pára-quedistas e 4 civis. Com estes efectivos foram organizados os serviços minimos para assegurar o Comando, a vida normal da unidade, e a 1ªCCP. A falta de efectivos iria manter-se ainda durante bastante tempo dada as dificuldades do RCP em garantir pessoal necessário para as rendições das Tropas Pára-quedistas já estacionadas em Angola, Moçambique e Guiné.
A Portaria 19520, que revogou a anterior Portaria 18464, estabelecia a localização
do BCP 31 em Nacala, na realidade o BCP 31 nunca chegaria a estabelecer-se em
Nacala, embora desde 1964 tenha mantido lá um destacamento substituido periodicamente.
Em Outubro de 1965 o BCP 31 é reforçado com uma CCP vinda do BCP 21 de Luanda (3ªCCP do BCP 21) as companhias tomam então as designações
de CCP 32 e CCP 33. A partir de Novembro de 1965 passa a ser mantida uma Companhia em Nacala sustituindo o anterior destacamento.
Em Março de 1966 o Batalhão, apesar de continuar com deficiências de pessoal, tinha já três CCP (32, 33 e 34).
A 13 de Abril de 1966 as duas CCP estacionadas em Lourenço Marques são deslocadas
para a Beira em reforço urgente da guarnição da cidade face ao bloqueio dos
portos de Moçambique pela esquadra britânica, na sequência da imposição de sanções
económicas à Rodésia do Sul. De Maio a Agosto seriam ainda deslocadas para a
Beira duas CCP vindas do BCP 21.
Este novo empenhamento deixava apenas uma CCP, estacionada em Nacala, disponivel
para intervenção no Norte da provincia, e assim em 26 de Agosto de 1966 o Batalhão
recebe mais uma Companhia, a 4ªCCP - as restantes companhias retomam a designação
de 1ª, 2ª e 3ªCCP.
A 30 de Novembro de 1966, por despacho do Comandante da 3ªRA, o Batalhão passa
a ter a sua sede na Beira, junto à Base Aérea nº10 (BA 10).
Com a instalação do BCP 32 em Nacala, em Janeiro de 1967, as quatro CCPs do
BCP 31 passam a estar aquarteladas na Beira.
A continuação das dificuldades de efectivos levaria à extinção da 3ªCCP em Outubro
de 1967 e em Janeiro de 1968 a 2ªCCP é cedida ao BCP 32. O BCP 31 ficaria com
duas CCPs (renomeadas 1ª e 2ªCCP) e uma companhia de Material e Infra-estruturas
(CMI) praticamente até ao fiml da sua missão em Moçambique.
A 17 de Março de 1972 o Estandarte Nacional do BCP 31 é condecorado com a Cruz de Guerra de 1ªClasse, em sinal de reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pela unidade.
O BCP 31 tinha como divisa "HONRA-SE A PÁTRIA DE TAL GENTE" e para Dia da Unidade foi escolhido 8 de Julho, relembrando a data da morte, em Angola, do Tenente Pára-quedista Luís Ramos Labescat que foi comandante do primeiro pelotão de pára-quedistas em Moçambique.

- TenCor PQ Rafael Ferreira Durão (06Mar64 a 18Mai66)
- TenCor PQ Argentino Urbano Seixas (18Mai66 a 04Jul68)
- TenCor PQ Carlos Manuel Correia Marques da Costa (04Jul68 a 02Set70)
- TenCor PQ Sigfredo Ventura da Costa Campos (02Set70 a 10Jun71)
- TenCor PQ Carlos Alberto Bragança Moutinho (29Jun71 a 18Jul73)
- TenCor PQ José Ramalho Rua (18Jul73 a 23Out74)
- TenCor PQ Horácio Cerveira Alves de Oliveira (12Dez74 a 25Jul75)
Nos primeiros anos, a exiguidade dos efectivos impedia o Batalhão de actuar com mais de três pelotões. De Junho e Agosto de 1965 desenvolve-se na região da Mueda o primeiro empenhamento, sob a forma de nomadizações, emboscadas e protecção de colunas do Exército. A 6 de Agosto de 1965, em Nanhangaia (Mueda) o Batalhão sofre as suas primeiras baixas em combate: 1ºCab PQ Lourenço Pires André e Sold PQ José Ribeiro Ferreira.
A mudança para a Beira, como reforço da guarnição militar da cidade alterou significativamente
a vida do BCP 31. O governo português decidiu-se pelo apoio à Rodèsia do Sul de
Ian Smith face ao decretado bloquio britânico. As infra-estruturas portuárias da
Beira, o aeroporto e a linha de caminhos de ferro que ligavam esta cidade à Rodésia
do Sul, eram vitais para para esse apoio pelo que era necessário a sua defesa -
operações "Sacripanta" e "Safardana".
O bloqueio manteve-se ao longo dos anos, e até depois de 1970, constituindo um dos
motivos de peso para a manutenção do BCP 31 na Beira e a constituição do BCP 32
que viria a ser instalado em Nacala no inicio de 1967.
Apesar da sua missão no Comando Operacional da Beira o Batalhão continuou a
manter uma intensa actividade operacional na Zona de Intervenção Norte (ZIN),
nos distritos de Cabo Delgado e Niassa, com o empenhamento quase permanente
das CCPs que alternavam duas a duas durante 1967 (quando o Batalhão tinha quatro
CCPs) e posteriormento uma a uma.
É de referir pelos seus resultados a operação ZETA executada em conjunto com
forças do BCP 32. Em 7 de Junho de 1969, efectuou-se o lançamento em
Pára-quedas de duas CCP, numa zona (pântano de Malambuage - sul do rio
Rovuma) onde outras forças tinham tentado penetrar por terra, em vão.
O envolvimento vertical permitiu surpreender o inimigo e capturar grandes quantidades
de material de guerra.
Face à necessidade de garantir as necessárias condições de segurança à construção
da barragem de Cabora Bassa, em Tete, é desencadeada uma grande ofensiva em Cabo
Delgado para desarticular as estruturas da FRELIMO no norte, em especial o seu nucleo
central na região da Mueda, enfraquecendo-a e impossibilitando-a de levar as suas
acções ao distrito de Tete.
Esta ofensiva, centrada na operação NÓ GÓRDIO desencadeada de 1 de Julho a 5 de
Agosto de 1970 com forças dos BCP 31 e 32 e do Exército, permitiu entre outros objectivos
destruir algumas das bases mais significativas do inimigo (base "Moçambique"
e Gungunhana).
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A partir de 25 de Abril de 1974 a actividade operacional do Batalhão manteve-se durante algum tempo sensivelmente nos mesmos termos em que vinha sendo praticada do antecedente. No início de Setembro a actividade contra os guerrilheiros da FRELIMO cessou efectivamente, na sequência de contactos políticos estabelecidos pelas autoridades portuguesas com os diregentes da FRELIMO. A partir dessa data as CCPs passaram a ser empenhadas sobretudo em missões de protecção de pessoas e bens, e de manutenção da ordem pública.
No inicio de Setembro de 1974 graves incidentes ocorreram em Lourenço Marques.
O Movimento Moçambique Livre, envolvendo elementos dos mais díspares sectores
da população Moçambicana - brancos e negros - numa revolta espontânea ocupam
alguns pontos da capital e tentam alargar os sentimentos anti-FRELIMO ao resto
do território. As forças do Exército demonstram uma apatia generalizada e a
policia parece simpatizar com a revolta. Com a cidade de Lourenço Marques à
beira de se tornar num campo de batalha, duas CCPs (uma do BCP 31 e outra do
BCP 32) recebem ordens para seguir para a capital.
As companhias deslocam-se em aviões Noratlas, prontas para executar um salto
táctico face à ameaça de destruição das pistas do AB8. As ameaças não se concretizam
e a aterragem decorre sem problemas. No dia 10 de Setembro, com os revoltosos
confinados ao edificio do Rádio-Clube, com alguma desorganização e sem o apoio
que provavelmente esperavam do exterior, os pára-quedistas apoiados por
duas VBTP do Exército ocupam o posto de comando do Movimento. A revolta
durou três dias 7 a 10Set74.
Em Outubro de 1974, na sequência dos acordos de Lusaka que puseram fim à guerra
em Moçambique e estabeleceram o programa da transferência da soberania portuguesa
em Moçambique para a FRELIMO, o Comando da 3ªRA ordenou a extinção do BCP 32,
e a transferência do seu pessoal para o BCP 31. No inicio de Novembro o pessoal
da 2ª CCP do BCP 32 apresentou-se no BCP 31, na Beira, passando a constituir
a 3ªCCP do BCP 31. A 13 de Novembro a 1ªCCP do BCP 32 passa para o BCP
31 ficando no entanto aquartelada em Nacala como 4ªCCP do BCP 31. De novo
com quatro CCPs, o Batalhão vai rodando as companhias entre a Beira,
Nacala e também Lourenço Marques.
No inicio de 1975 foi desactivada a 4ªCCP e em Maio a CMI e parte do Comando
regressam a Lisboa, sendo instalados no Depósito Geral de Adidos da Força
Aérea (DGAFA). A 24 de Junho é feita a entrega do aquartelamento
do BCP 31 à FRELIMO, e o comandante de Batalhão e as três
CCPs regressam a Portugal, partindo uma da Beira e duas de Lourenço Marques.
A última Ordem de Serviço do BCP 31/DGAFA é datada de 23 de Junho de 1975. A
extinção oficial do BCP 31, já no DGAFA, verificou-se a 25 de Junho com a chegada
a Lisboa das últimas CCPs. O Decreto-Lei 140/76 que determina a extinção
da 3ªRA e das unidades e orgãos da FAP em Moçambique, só
foi publicado em 19 de Fevereiro de 1974, indicando como data de extinção
21 de Junho de 1974.
A competência e eficiência com que os Pára-quedistas do BCP 31 cumpriram as missões atribuídas em Moçambique , foi paga com a morte em combate de 39 pára-quedistas (31 praças, 6 sargentos e 2 oficiais).
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Página Não Oficial sobre o Batalhão de
Caçadores Pára-quedistas nº31.
Os textos desta página foram elaborados com base no trabalho
Tropas Pára-quedistas Portuguesas de Miguel Machado e Sucena Carmo,
publicado na revista Boina Verde nº158 de Jul/Set91, e no.
Volume III da História da Tropas Pára-quedistas Portuguesas
orientado pelo Brig PQ Raul François Martins.
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