Presenca Militar

S. Jacinto, pequena povoação piscatória do distrito de Aveiro, actualmente conhecida não só pela existência de estaleiros navais como por um crescente desenvolvimento turístico, está intimamente ligada a uma presença militar. O espaço onde se encontra hoje o aquartelamento da Área Militar de S. Jacinto (AMSJ) é, por força do seu passado militar, um caso especial, senão único, das Forças Armadas Portuguesas. Ao longo de oito décadas, desde 1 de Abril de 1918 até aos nossos dias, aquartelaram sucessivamente em S. Jacinto tropas dos três Ramos das Forças Armadas Portuguesas (Armada, Força Aérea e Exército), tendo todas, em várias épocas, desempenhado papeis excepcionalmente relevantes, e muitas vezes decisivos, em matéria de defesa dos interesses da Nação e de Portugal.

Um rápido relance por este passado recente, que nos trará à evidência a já fértil história militar de S. Jacinto, é o objectivo que nos propomos. Os elementos apresentados foram sendo recolhidos de revistas e publicações, com destaque para as revistas: Mais Alto da Força Aérea Portuguesa e Boina Verde do Corpo de Tropas Pára-quedista. De destacar igualmente: a excelente monografia Subsídios para a História da Instalação das Tropas Pára-quedistas em Aveiro, os textos descritivos da exposição 80 Anos de Presença Militar em S. Jacinto (AMSJ Abr98) ambos da autoria do prestigiado militar e aveirense TCor PQ (Res) João Carlos Albuquerque Pinto, e o artigo História da Unidade, da autoria do Cap SGPQ Miguel Machado, publicado na revista Chapim - Boletim Informativo da BOTP2/GOAS em 1991.


[S.Jacinto] [Aviação Naval] [Força Aérea] [Exército]



S. JACINTO

A povoação de S. Jacinto, fica situada na extremidade da Península com o mesmo nome, que pelo Norte separa a Ria de Aveiro do Oceano Atlântico. Velha aldeia piscatória, conhecida já no recuado séc XV pela denominação de Areias, só toma o nome deste Santo dominicano, a partir de 1744, quando os pescadores ao puxarem as redes junto da ermida, trouxeram dentro delas uma imagem a que chamaram S. Jacinto.

Mapa

Até ao final do século passado era uma pequena póvoa de pescadores que viviam em palheiros, - habitações de madeira pintada a cores vivas e contrastantes, características das vilas de pescadores desta região do litoral português. Hoje é uma pequena freguesia do Concelho de Aveiro, situada junto ao mar e separada da sede do Concelho pelo grande obstáculo lacunar que é a Ria de Aveiro. A distância, em linha recta, que separa a aldeia da cidade não chega a uma dezena de quilómetros, enquanto o trajecto por estrada ronda os 45 Km, e atravessa os Concelhos da Murtosa e Estarreja. A ligação mais simples de S. Jacinto à sede do Concelho, é assim feita por transporte fluvial, a cargo da firma Transria, e operando entre S. Jacinto e o Forte da Barra, este já no Concelho de Ílhavo e a cerca de 8 Km da cidade de Aveiro.

Aveiro
Capela Senhor das Areias

A população de S. Jacinto, como as demais que se fixaram na faixa litoral a Sul de Ovar e na região das Gafanhas e de Mira, tradicionalmente descendentes de povos oriundos do Norte da Europa, de gregos e fenícios que estabeleceram colónias nestas paragens, dotadas de grande capacidade para o trabalho e de grande iniciativa, vivem essencialmente da agricultura e da pesca, da Ria e do mar. Nos campos, nos bacalhoeiros que demandavam a Terra Nova, nas traineiras, nos saleiros, nos moliceiros retirando da Ria o adubo natural que transformou os areais em campos férteis, nos estaleiros navais e na marinha mercante, o Homem da beira-mar, o Homem de S. Jacinto, constituiu-se há muito numa constante.

A região está inserida numa área de clima temperado marítimo. Dada a proximidade do Oceano Atlântico as condições meteorológicas caracterizam-se, em cada estação do ano, pelo pouco rigor, não se verificando por isso, ao longo do ano, grandes variações relativas dos factores meteorológicos. Genéricamente, as boas condições de tempo estão dependentes da presença de um Anticiclone que pode estar centrado sobre os Açores, provocando nesse caso, céu limpo ou pouco nublado na região de Aveiro. Nesta situação pode acontecer vento de Norte, designado na região por Nortada. Nas manhãs de Verão esta situação ocasiona neblina e nevoeiros matinais, os quais se dissipam próximo do meio dia, para dar lugar a dias plenos de sol e de temperaturas elevadas. No Inverno o Anticiclone pode apresentar-se sobre o centro da Península Ibérica, transportado sobre Aveiro uma massa de ar frio e seco.

Dunas S. Jacinto

A Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto (RNDSJ) situada a Norte da povoação de S. Jacinto entre o braço Norte da ria e o mar, é uma referência ambiental e paisagística da região de Aveiro. Criada em 1979 pelo Decreto-Lei 41/79 de 6 de Março, a reserva tem uma área aproximada de 666ha formada por um cordão dunar consolidado por vegetação espontânea, que confina com uma área florestada em finais do século passado com o objectivo de fixar a duna e constituída na sua maior parte por pinheiro bravo e acácia. No interior da área protegida foram abertos charcos destinados a constituir refúgio e local de fixação para a população de anatídeos da Ria de Aveiro. As dunas da área protegida da reserva são consideradas das mais bem conservadas da Europa, albergando um património faunístico considerável, de que se destaca a colónia de garças mais setentrional do país, e conservando em estado natural um património florístico próprio das dunas: estorno, cardo-marítimo, couve marítima, camarinha, etc.



A AVIAÇÃO NAVAL

1918

A presença de militares na península de S. Jacinto iniciou-se em 1 de Abril de 1918, com a instalação precária de um pequeno Posto Aeronaval Francês, com o objectivo de efectuar a vigilância dos submarinos alemães que cruzavam a costa atlântica do nosso território europeu.

A Aviação Naval Francesa decidiu-se pelo espelho de água da Ria de Aveiro para instalar a sua base de apoio operacional. Os oito hidroaviões franceses desembarcaram em Leixões e chegaram a S. Jacinto por terra, puxados por juntas de bois através dos areais do litoral.. Esta primeira infra-estrutura, bastante precária, era constituída por hangares e casas de madeira e lona.


Com o final da Primeira Grande Guerra Mundial, o Posto Aeronaval Francês foi entregue ao Serviço de Aviação da Armada Portuguesa, com todos os seus meios e precárias infra-estruturas, o que não evitou que poucos meses após a passagem de testemunho, em 1919, os hidroaviões, mesmo fracos e desgastados, tivessem levantado voo para se oporem às tropas que em Janeiro do ano seguinte, no Porto, haveriam de participar na aventura pró-monárquica de 25 dias, conhecida pela revolta da Traulitânia ou Monarquia do Norte. É a esta acção militar que se deve a implantação definitiva do Centro de Aviação Naval de S. Jacinto que, a partir desta data, conhece um período de franca expansão em termos de material e infra-estruturas.

Em 1925 é legalmente criada a Escola de Aviação Naval Almirante Gago Coutinho, passando a funcionar no Centro de Aviação Naval de S. Jacinto em 1933. É a partir deste ano que se inicia a grande fase do progresso da nóvel Unidade aeronaval que, até 1952 não pára de crescer e se define como a face positiva e progressiva da Aviação Naval que, ao longo deste período, marcado pelo sentir e labor duma geração, conhece um franco progresso através da conduta de inúmeros cursos de pilotagem, de mecânicos e de artífices.

1942 Hangar dos Hidros

Nesta época, o Centro dispunha já de algumas dependências junto ao Forte da Barra, bem assim como um hangar na Torreira, local onde os hidroaviões amaravam em missões de instrução. De salientar algumas curiosidades relativas à Escola de Aviação: o hangar quando foi construído pelos Estaleiros Navais de S. Jacinto era o maior da Península Ibérica; a pista foi a primeira em Portugal a dispor de iluminação eléctrica, mesmo antes do aeroporto da Portela de Sacavém !

Em 1952, ano em que é extinta, a Escola de Aviação Naval Almirante Gago Coutinho dispunha do mais sofisticado material aeronáutico, do qual se destaca o aviões Helldiver, de bombardeamento picado e luta anti-submarina que, pouco tempo depois haveriam de ser colocados ao serviço, da Força Aérea Portuguesa.



NA FORÇA AÉREA

Com a criação da Força Aérea Portuguesa, em 1952, a Escola de S. Jacinto passa para a dependência do novo ramo das Forças Armadas. Com a mudança de ramo também o nome sofre alterações passando a designar-se Base Aérea Nº 5, Unidade cuja missão visa, exclusivamente, a formação de pilotos e pilotos aviadores. Criada em 1953, a BA 5 é extinta em 28 de Dezembro de 1956 para dar lugar ao Aeródromo - Base nº 2, criado pelo Decreto-Lei 40950, publicado na mesma data. A esta nova Unidade é cometida a mesma missão da sua antecessora, podendo afirmar-se que as estruturas em si não sofreram grandes alterações, além daquelas que foram executadas, pouco depois da extinção da Escola de Aviação Naval de Gago Coutinho já na era da Força Aérea.

1942_Vista_Aerea

Por razões relacionadas com o crescimento da Força Aérea, e, ainda por razões de carácter político com base na antevisão do envolvimento militar das Forças Armadas Portuguesas em África, o Aeródromo-Base Nº2 é substituído pela Base Aérea nº 7, criada por força da Portaria nº 16993 de 20 de Dezembro de 1957. A criação desta Unidade teve como principal objectivo o enquadramento de uma esquadra de instrução elementar de pilotagem e duma escola de técnicos e especialistas de manutenção e abastecimento. Com a evolução da guerra em África, a missão da unidade assume particular importância, na medida em que as centenas de candidatos a piloto-aviador receberam a sua instrução elementar nesta Unidade.

A BA7 assumiu ainda importância e papel de relevo durante o período pós-revolucionário, nomeadamente em 1975 na fase de contenção do poderio comunista debelado em 25 de Novembro, através da execução de voos diários de dissuasão, utilizando esquadrilhas de Aviões T-6.

1954_Vista_Aerea

Em 1975, considerada que foi a necessidade de efectuar o reajustamento e organização das Tropas Pára-quedistas Portuguesas foi criado, pelo Decreto-Lei nº 350/75 de 5 de Julho, o Corpo de Tropas Pára-quedistas, na dependência directa do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea. O estabelecimento desta nova organização, congregando os quadros dos extintos Regimento de Caçadores Pára-quedistas e dos Batalhões de Caçadores Pára-quedistas nº 12 (Bissau), nº 21 (Luanda), nº 31 (Beira) e nº 32 (Nacala), herdeira das tradições e do património histórico-militar daquelas Unidades é, sem dúvida, um passo importante para a reestruturação das Tropas Pára-quedistas após o longo período de guerras em que tomaram parte.

Pouco tempo após a publicação do Decreto-Lei nº 350/75, ou talvez antes, foram levadas a cabo algumas diligências no sentido de aquartelar as novas Unidades Pára-quedistas, e, havendo já a ideia concreta que uma delas deveria ser sediada no Norte do País, alguns Oficiais do CTP visitaram alguns aquartelamentos da região, com a intenção de diligenciar a obtenção de instalações que se afigurassem próprias para aquartelar uma base operacional de pára-quedistas no Norte.

Coube ao então Major PQ Espírito Santo, em Julho de 1975, visitar as instalações da então Base Aérea nº 7 que, com o termo da guerra Ultramarina, via a sua importância reduzida e a sua missão reformulada. Pouco tempo depois, por força do Despacho nº 31/77 de 3 de Maio publicado na OS nº 115 de 20 de Maio de 1977 da BA7, sem que, contudo houvesse indicações seguras sobre o futuro do aquartelamento de S. Jacinto, é iniciado o levantamento da Base Operacional de Tropas Pára-quedistas nº 2, a qual, nesta primeira fase, iria compreender apenas o Comando e Gabinete, e, uma companhia de pára-quedistas. - Companhia de Pára-quedistas 211.

A 14 de Novembro de 1977, é nomeado o primeiro Comandante da BOTP2, o qual instala o seu Comando no CTP, pelo facto de ter sido reconhecido que não estavam criadas as condições para a sua instalação definitiva em S. Jacinto.

AM2

O despacho nº 18/78 de 27 de Abril, do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, considerando o termo da operação da Esquadra de Aviões T-6, e, a criação da Base Operacional de Tropas Pára-quedistas nº 2 pela Portaria nº 552-A/77 de 3 de Setembro, desactiva a BA7, cria o Aeródromo de Manobra nº2, e, estabelece o Estatuto de Funcionamento conjunto do AM2/BOTP2, o qual, além de definir as responsabilidades das duas Unidades em matéria de apoio mútuo, estabelece e delimita as áreas do AM2 e da BOTP2 em função das suas características e missões. O AM2 mantém uma esquadra operacional (operando aeronaves FTB-337) assim como as instalações aeroportuárias de S. Jacinto.

As duas Unidades da Força Aérea, de génese, teor e missões diferentes, criadas pela força do mesmo Diploma que as instituiu, são o exemplo materializado e único da harmonia das Tropas Pára-quedistas no seio da Força Aérea Portuguesa.


BOTP2

Em 01 Julho de 1978, vindo de Lisboa, chega oficialmente a S. Jacinto o Comandante da BOTP2, o Cor PQ Jerónimo Gonçalves, que ao fim da tarde desse dia manda publicar a primeira Ordem de Serviço à BOTP2. Estava assim criada e territorialmente instalada a BOTP2, e, portanto reunidas todas as condições para que a mais jovem das unidades Pára-quedistas pudesse assumir-se em conformidade com as tradições militares que, tal como as demais unidades do CTP, herda dos Batalhões de Caçadores Pára-quedistas que no Ultramar Português demonstraram ter integrado as melhores tropas que então se bateram pelos ideais da ordem política então estabelecida.

Pouco tempo após a sua instalação oficial em S. Jacinto, o Brigadeiro Comandante do Corpo de Tropas Pára-quedistas homologa a missão estabelecida para a Unidade, a qual não é mais que um conjunto de princípios relacionados com os factores que presidiam à formação duma Unidade Pára-quedista moderna votada ao empenhamento convencional nos teatros de operações da Europa.


Com a publicação da OS nº 147 de 30 de Junho de 1978 da BA7 e a OS nº 01 de 1 de Julho de 1978 da BOTP2, culmina o processo de transferência oficial do primeiro grande contingente de oficiais, sargentos e praças da BOTP2, " vindos da BA7" , onde se encontravam em diligência permanente desde alguns meses, enquadrados já por forma a desempenhar as funções orgânicas das sub-Unidades, Órgãos e Serviços da futura Unidade Pára-quedista. Os efectivos ora transferidos pela OS nº 001 de 01 de Julho de 1978 da BOTP2, adicionados aos em seguida recebidos até ao dia 11 de Julho, num total de 540 oficiais, sargentos e praças, são compostos por 4 oficiais superiores pára-quedistas e do serviço geral pára-quedista; 24 capitães e subalternos pára-quedistas e do serviço geral pára-quedistas; 49 sargentos e 325 praças, todas pára-quedistas; 3 oficiais médicos; 5 oficiais técnicos; 1 capelão militar; 27 sargentos especialistas e do serviço geral; 4 sargentos enfermeiros e 73 praças, especialistas e do serviço geral; além de 4 sargentos e 21 praças da Armada. Com estes efectivos é oficializada a activação de algumas sub-Unidades, Órgãos e Serviços essenciais da BOTP2, por forma a garantir o seu funcionamento como Unidade Operacional, apta a cumprir a principal componente da sua missão primária: manter operacional um Batalhão de Pára-quedistas (BP 21), e a Companhia de Morteiros Pesados, aptos a ser integrados num conjunto de forças que haveriam de constituir a Brigada Pára-quedista Ligeira (BRIPARAS).

1984

Imediatamente após a instalação da BOTP2 em S. Jacinto o Comando do CTP inicia um programa de recuperação e de adaptação do aquartelamento às missões das sub-Unidades nele instaladas, estabelecendo um plano de construção de novas infra-estruturas e de recuperação das já existentes. Dentre o primeiro destacamos, pela sua importância e valor, a construção das Oficinas Gerais e de cinco novas camaratas; o Clube de Praças; o Centro de Administração; o Pavilhão Gimnodesportivo (Maio 89) e as novas instalações do Destacamento do Forte da Barra; a construção do Alojamento de Sargentos; o lançamento de uma nova rede de água com a execução de um novo furo de abastecimento, e, finalmente, a pavimentação e asfaltagem de todos os arruamentos e Parada Norte. Em matéria de recuperação e/ ou ampliação de edifícios já existentes, relevam-se as obras executadas em três edifícios antigos (antiga Messe e Alojamentos de Sargentos e camarata dos alunos pilotos e especialistas) para o serviço do Centro de Administração, Clube de Sargentos e Edifício do Comando dos Batalhões Operacionais; a adaptação do antigo refeitório de Praças para o Serviço de Aquartelamento da Companhia de Morteiros Pesados. Ainda na área da recuperação dos edifícios antigos, destaca-se, pela sua importância, a ampliação e recuperação do velho edifício do Alojamento e Clube de Oficiais, bem como a total recuperação do edifício da antiga Enfermaria.

1984 Clube de Oficiais

Igualmente importante foi a construção do aquartelamento do Grupo Operacional de Apoio e Serviços da Brigada de Pára-quedistas Ligeira - BRIPARAS, o qual a partir de 1 de Setembro de 1974, foi transferida de Lisboa para S. Jacinto, ficando na dependência territorial da BOTP2 e operacional da BRIPARAS.

No âmbito de uma reestruturação do dispositivo do CTP, o Batalhão de Pára-quedistas Nº11 (BP 11), então aquartelado na BOTP1 - Monsanto, é transferido para S. Jacinto durante o ano de 1990. Posteriormente, com a extinção da BOTP1 em 1991, são igualmente transferidas para S. Jacinto a Companhia Anti-Carro (CACar) e a Companhia de Comunicações (CCom). Com estas movimentações passam a estar aquarteladas em S. Jacinto as seguintes sub-unidades da BRIPARAS: 1994 Vista Aerea


Combate em Areas Urbanizadas

Aproveitando as condições particulares e privilegiadas de S. Jacinto, para além do apoio e enquadramento das unidades operacionais da BRIPARAS, a BOTP2 tornou-se na unidade de instrução de operações em condições especiais para as tropas pára-quedistas, nomeadamente operações em áreas de montanha, operações em áreas urbanizadas, nautismo e transposição de cursos de água por meios expeditos, orientação e sobrevivência. A instrução era dada a dois níveis distintos: cursos de instrutores-monitores destinados a graduados e cursos básicos ou estágios destinados a sub-unidades da BRIPARAS de escalão companhia, devidamente enquadradas por graduados qualificados com os cursos de instrutores. No âmbito da instrução em áreas urbanizadas, aproveitando as infra-estruturas da antiga exploração agro-pecuária é construída uma área de instrução própria, a primeira deste tipo em Portugal.


A partir de 1992, após alguns oficiais terem frequentado no estrangeiro cursos de formação na área de operações de manutenção de paz (Observadores Militares e Estado-Maior), e aproveitando a experiência de oficiais pára-quedistas que ao serviço da Comunidade Europeia e das Nações Unidas estiveram na ex-Jugoslávia, iniciou-se na BOTP2, pela primeira vez em Portugal, a instrução sobre operações de apoio à paz.

Aerodromo Municipal de Aveiro

Com a redução de unidades base efectuada no inicio da década de 90, a Força Aérea desactiva totalmente o Aeródromo de Manobra Nº2 em 1992, passando todas as suas instalações militares para o controlo da BOTP2. No sentido de rentabilizar a utilização das pistas, a Câmara Municipal de Aveiro, por intermédio do Aeroclube de Aveiro, é autorizada a utilizar as infra-estruturas aeroportuárias de S. Jacinto, sem prejuízo para a actividade militar. A abertura ao tráfego civil efectuou-se formalmente a 04Set93. No âmbito do acordo com a Câmara, é montado um pequeno hangar de apoio junto às placas de estacionamento do aeródromo que nos meios civis, passa a ser conhecido como Aeródromo Municipal de Aveiro.

A BOTP passa a administrar a totalidade da área da Base em S.Jacinto incluindo o complexo aeronáutico e pistas, e o Destacamento do Forte da Barra, que durante a decada de 80, devido às obras do Porto de Aveiro mudou para instalações novas. Pertence igualmente à BOTP2 o campo de manobras no Muranzel - uma extensa faixa de terreno dunar a Norte da reserva e a Sul da povoação da Torreira.


Porta de Armas

NO EXÉRCITO

Em 1 de Janeiro de 1994 no âmbito do processo de reorganização das Forças Armadas Portuguesas, dá-se a extinção do Corpo de Tropas Pára-quedistas na Força Aérea Portuguesa e a criação do Comando de Tropas Aerotransportadas (CTAT) no Exército Português. Este novo comando de natureza territorial do Exército recebe todo o pessoal e infra-estruturas das unidades do CTP e é o legítimo herdeiro das tradições do extinto CTP e também do igualmente extinto Regimento de Comandos.

AMSJ

Com esta importante alteração é extinta a BOTP2 e criada, a 1 de Janeiro de 1994, na dependência do CTAT, a Área Militar de S. Jacinto (AMSJ). Esta unidade territorial recebe todas as infra-estruturas e pessoal da extinta BOTP2 e passa a apoiar administrativa e logisticamente as sub-Unidades operacionais da Brigada Aerotransportada Independente (BAI) aquarteladas na Área Militar: o 2ºBatalhão de Infantaria Aerotransportado; e a Companhia Anti-Carro.

O Batalhão de Apoio de Serviços da BAI, activado em S. Jacinto com base nos efectivos e meios do extinto GOAS é transferido para Tancos em 1994. Em 1996, segue-o a Companhia de Transmissões, igualmente activada em S. Jacinto com os meios e efectivos da extinta Companhia de Comunicações. A Companhia de Morteiros Pesados permanece activada até 1997, servindo simultaneamente como unidade de apoio de fogos da BAI e embrião para a formação da 1ªBataria de Bocas de Fogo da BAI. Em 1997, é extinta a CMP e a 1ªBBF é transferida de S. Jacinto para Leiria.

Na sequência da passagem para o Exército, e fruto da extinção do Batalhão de Infantaria de Aveiro (BIA) a AMSJ passa a administrar as Carreiras de Tiro de Esgueira (para Pistola) e da Gafanha de Aquém.


A partir de 1994, na previsão de futuras missões a atribuir às tropas aerotransportadas, intensifica-se a instrução de operações de apoio à paz e operações em áreas urbanizadas. Além de instrução às sub-unidades da BAI, em 1995 é ministrado um estágio a graduados da Brigada Mecanizada Independente que posteriormente vão colaborar na criação do Centro de Instrução e Treino de Operações de Apoio à Paz do Exército (CITOAP), situado no Campo Militar de Santa Margarida.

Em Março de 1994, procede-se à transferência para S. Jacinto, do Centro de Instrução de Condução Auto (CICA) existente no extinto Regimento de Comandos. O CICA, atribuído ao CTAT, passa a funcionar integrado na AMSJ com a missão de formar condutores para as sub-unidades do CTAT e BAI. O CICA da AMSJ funcionou até meados de 2000, altura em que é extinto passando a formação de condutores destinados ao CTAT a ser assegurada por outras unidades do Exército.

Salto em S.Jacinto

De Janeiro a Agosto de 1996 o 2º BIAT foi destacado para a Bósnia-Herzegovina integrando a Força de Implementação da Paz (IFOR) da NATO nesse país. Durante parte da estadia do 2ºBIAT na Bósnia, o 3ºBIAT é deslocado para S. Jacinto onde efectua a preparação e treino para em Agosto de 1996 render o 2ºBIAT. Da meritória actuação destas duas sub-unidades da BAI são testemunhos as rasgadas referências elogiosas que mereceram dos comandos da Força Multinacional onde se integraram.

Com oito décadas de presença militar, a Área Militar de S. Jacinto, é uma importante unidade territorial do Exército Português, e no inicio de 1999 recebe mais uma vez a missão de aprontar uma unidade para a Bósnia - o Agrupamento ALFA/BAI, a deslocar para a Bósnia no segundo semestre de 1999. O Agrupamento era constituído pelo Comando e Companhia de Comando e Serviços e uma Companhia de Atiradores do 2º BIAT e pelo Esquadrão de Reconhecimento da BAI (ERec/BAI), que para o efeito foi deslocado do Regimento de Cavalaria de Estremoz para S. Jacinto. O desenrolar da situação e a necessidade de aprontar outra unidade destinada a uma operação de apoio à paz no Kosovo, veio alterar a constituição do Agrupamento ALFA, que a partir de Abril fica constituído inteiramente à custa do 2ºBIAT de S. Jacinto (com duas companhias de atiradores) indo o ERec integrar a força para o Kosovo (KFOR) a organizar em Tancos. O 2ºBIAT cumpre a segunda missão de serviço na Bósnia de Julho de 1999 a Janeiro de 2000.

Em Agosto de 2000, pouco mais de seis meses do seu regresso da Bósnia, o 2ºBIPara (em Agosto de 1999 a designação BIAT foi alterada para BIPara) parte para Timor Lorosae onde vai substituir o 1ºBIPara no âmbito do Contingente Nacional para Timor integrado nas forças das Nações Unidas na UNTAET. O Batalhão permanece em Timor integrado nas forças das NU até Fevereiro de 2001. Durante este período um acidente de helicóptero vitimou fatalmente dois Pára-quedistas - 1ºSarg PQ Fernandes e Sold PQ Lopes.

De Junho de 2002 a Janeiro de 2003 o 2ºBIPara cumpre nova comissão em Timor-Leste, integrando a nova missão das Nações Unidas - UNMISET (United Nations Mission in Support of East Timor) na jovem República.

CACar

Em 2004, antecipando a nova reestruturação do Exército, a histórica Companhia Anti-Carro (CACar) é oficialmente extinta na AMSJ. A Companhia, que foi a primeira unidade das Forças Armadas Portuguesas equipada com misseis anti-carro MILAN, foi fundada em Junho de 1992 na Base Operacional de Tropas Pára-quedistas N°1, em Lisboa, e transferida para S. Jacinto em 1991.

De Janeiro a Junho de 2005 Elementos do 2ºBIPara da AMSJ cumprem mais uma comissão na Bósnia, desta vez integrando um Batalhão de Manobra Multinacional (MNBn) da nova Força da União Europeia na Bósnia-Herzegovina - EUFOR.

De Janeiro 1996 a Janeiro de 2006, o 2ºBIPara, encargo operacional da AMSJ, cumpriu cinco missões de serviço de Apoio à Paz (3 no TO da Bósnia e 2 no TO de Timor-Leste) sob as bandeiras da Tratado do Atlântico Norte, das Nações Unidas e da União Europeia.

A nova Lei Orgânica do Exército (Decreto-Lei nº61/2006, de 21 Março) extingue os comandos territoriais e de natureza territorial, incluindo o Comando de Tropas Aerotransportadas, do qual a AMSJ dependia, em sua substituição é criada a Brigada de Reacção Rápida (BRR), com comando em Tancos, da qual a unidade em S. Jacinto passa a depender hierarquicamente. A nova reestruturação do Exército altera também as designações de algumas unidades e a AMSJ passa a designar-se Regimento de Infantaria 10 (RI 10).

Ze_Masso


HINO DO PÁRA-QUEDISTA DE S.JACINTO

Dias
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