O Círculo do Geógrafo

 

CLIMA E FORMAÇÕES VEGETAIS

(AMBIENTES BIOGEOGRÁFICOS)

Índice:                  

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Climas quentes Climas temperados Climas frios   questões
clima equatorial clima tropical clima desértico clima temperado mediterrâneo clima temperado marítimo clima temperado continental clima subpolar clima polar clima de altitude   calinadas
floresta equatorial savana deserto floresta mediterrânea, maquis e garrigue floresta caducifólia  prados pradaria                  floresta mista  / taiga taiga   /  tundra     conteúdos 9º ano

 

 

Uma das melhores maneiras de conhecer as características climáticas duma determinada região, é através dos gráficos termopluviométricos ou climogramas. Nestes gráficos podem-se analisar as precipitações e as temperaturas dum determinado local, ao longo dum ano. Dum modo geral, apresentam os valores da precipitação em forma de barras (e são lidos no lado esquerdo), enquanto que a temperatura, que normalmente é lida no lado direito, é representada por meio duma linha. na parte de baixo do gráfico, estão representados os doze meses do ano, assinalados pelas respectivas iniciais dos meses. Há no entanto outras formas de apresentar os climogramas, mas a que foi referida, parece ser a mais correcta. Também é normal, que a escala onde estão os valores da precipitação, apresentem valores que correspondam ao dobro da escala das temperaturas.

A vegetação é um grande e precioso indicador do clima de uma determinada área. Sendo a temperatura e a precipitação os elementos mais determinantes da cobertura vegetal, é lógico que quando imaginamos um determinado tipo de clima, associamos mentalmente uma determinada paisagem vegetal, e como é também óbvio, a um determinado clima e cobertura vegetal, estão associados determinados seres vivos.

A biosfera, é formada pelo nosso planeta, a Terra e por todos os seres vivos que nele existem. Na biosfera existem diversos biomas, que são um conjunto biológico associado a uma zona climática. São essas zonas climáticas, ou melhor, são esses climas e os biomas a eles associados, que em seguida iremos ver.

 


 

 
Climas quentes

Os climas quentes, num modo muito simples, podem-se subdividir em três: clima equatorial, clima tropical, e clima desértico (quente).

 

 
CLIMA EQUATORIAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Clima equatorial (Akassa - Nigéria - 4ºLat.N) todos os meses com precipitação, temperaturas médias mensais elevadas e praticamente constantes durante todo o ano.

Da análise do gráfico termopluviométrico que está a servir de exemplo, verifica-se com efeito que se trata dum local perto do Equador (neste exemplo, 40 Lat. N, embora, como é lógico, também pudesse ser de latitude Sul). Verifica-se igualmente o seguinte:

- As temperaturas médias mensais são elevadas ao longo de todo o ano, superiores a 200C (neste exemplo, superiores a 250C).

- As amplitudes térmicas anuais são muito reduzidas, ou seja, a diferença entre a temperatura média máxima anual e a temperatura média mínima anual, é muito reduzida.

- Chove abundantemente durante todo o ano, não há nenhum mês sem precipitação.

- Não existem estações (nem Verão, nem Inverno...), pois todos os meses são pluviosos e quentes.

 

 

Ambiente biogeográfico - Floresta equatorial.

As elevadas temperaturas, a forte humidade do ar e a abundância de precipitações, explicam o extraordinário desenvolvimento da vegetação nas regiões equatoriais. Trata-se duma floresta muito densa, algumas vezes chamada pelos habitantes locais (principalmente na Amazónia) por «inferno verde». A vegetação é tão densa, ou seja, as plantas crescem umas por cima das outras e existe entre elas uma grande competição pela luz, pois é-lhes indispensável para a fotossíntese, que podem-se considerar na floresta equatorial vários estratos (ou andares), havendo em cada um deles determinadas espécies de plantas. Na imagem ao lado, dificilmente se imagina a altura das árvores, nem sequer dá para imaginar o modo como as plantas estão tão junto umas das outras. Contudo, o chão ainda está muito longe. As árvores da imagem têm normalmente cerca de 40 metros de altura, mas podem chegar até aos 60 metros.

Neste esquema, podem-se observar com facilidade os estratos da floresta equatorial. O estrato junto ao solo, é o estrato herbáceo, pouco desenvolvido e onde quase não existe luz, pois as plantas dos estratos superiores dificultam a passagem da luz. Repare-se bem na figura dum homem, neste estrato, que serve para dar uma ideia da altura e da densidade da floresta. Não entrando em pormenores de todos os estratos, refira-se apenas que o estrato superior, é constituído por árvores bastante altas, cujas copas apresentam uma forma arredondada (tipo guarda-chuva), e os seus troncos, de casca fina,  são lisos, apenas ramificados na parte superior.

É muito vulgar nestas florestas, alguns tipos de plantas trepadoras e parasitas, que se servem das árvores para irem subindo e alcançar a luz; muitas vezes estas trepadeiras desenvolvem-se tanto que acabam por estrangular as árvores onde se enrolam. Estas trepadeiras, normalmente lianas, atingem um desenvolvimento tão grande, que quem as vê, diria que se tratava de uma autentica árvore. Há lianas com cerca de 200 metros de comprimento.

Com estas condições ambientais, a vida animal também é muito abundante e diversa, mas é raro haver nestas florestas animais muito grandes, pois a vegetação é tão densa, que os animais grandes não se conseguiriam movimentar ali dentro. Pela imagem, pode-se fazer uma ideia dos animais que existem na floresta equatorial: nas árvores, alguns mamíferos (macacos, lémures, jaguares, esquilos, preguiças...), imensos répteis (cobras, lagartos, serpentes, jibóias), um grande número de aves (quase sempre muito coloridas e de grande beleza - tucanos, araras, catatuas, papagaios, quetzal...), e uma imensidão de insectos; ao nível do solo (ou perto dele), também mamíferos (leopardos, gorilas, mandarins, antílopes, ratos....) répteis, batráquios (sapos e rãs - muitas delas venenosas), vermes, etc.. Nos rios, quase sempre de águas muito lamacentas e turvas, abundam crocodilos, jacarés, búfalos, rinocerontes, pequenos anfíbios, roedores, e como é lógico, muitos peixes, entre os quais, as famosas piranhas, enguias-eléctricas, etc...

A floresta equatorial, bem como o clima equatorial, está mais ou menos distribuída nas seguintes áreas a verde. Na imagem, vê-se perfeitamente três grandes áreas mundiais de florestas equatoriais: na América do Sul, a Amazónia, a maior floresta equatorial e a mais conhecida; no Centro de África, a chamada floresta equatorial da bacia do Congo; e na Ásia, quase toda a região da Indonésia, bem como a Malásia, Filipinas e países vizinhos.

 

 

mais informações sobre as florestas equatoriais (em inglês):


 

 
CLIMA TROPICAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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 O clima tropical, pode ser subdividido em dois sub-climas: o tropical húmido e o tropical seco.

Os gráficos termopluviométricos dos climas tropicais mostram claramente que:

- As temperaturas médias mensais são elevadas ao longo do ano, superiores a 240C. Embora possa ocorrer um ou dois períodos relativamente frescos, a maior parte dos meses apresenta temperaturas médias superiores aos do clima equatorial.

- As amplitudes térmicas anuais, embora maiores do que as do clima equatorial, são pouco acentuadas, tendo um valor aproximado entre 100C e 120C.

- A precipitação distribui-se muito irregularmente ao longo do ano, concentrando-se, na sua quase totalidade, numa só estação.

- Verifica-se com facilidade a existência de apenas duas estações: a estação seca e a estação húmida. Se as existirem muitos meses com precipitações (embora alguns destes meses com fracas precipitações) diz-se que é um clima tropical húmido; se pelo contrário, existirem em maior quantidade, meses sem precipitações, diz-se que é um clima tropical seco. Observando os climogramas da figura (que servem de exemplo), verifica-se que no clima tropical húmido, há cerca de seis meses secos (mais ou menos de Novembro a Abril), enquanto no clima tropical seco, os meses secos são em maior quantidade, mais ou menos dez meses (de Setembro a Junho).

Existe um caso "especial" de climas tropicais, que é o clima de monção, que se caracteriza por elevados valores de precipitação na estação húmida, sendo estes valores, muito superiores aos do clima equatorial.

 

Ambientes biogeográficos: savana; floresta tropical e estepe tropical.

Nas regiões de clima tropical, existem estes três géneros de formações vegetais, porque este tipo de clima é uma transição entre outros tipos de climas, ao contrário do clima equatorial, que não faz transição com mais nenhum outro tipo de clima. O clima tropical, consoante a latitude (e a continentalidade), apresenta valores diferentes de precipitações e de temperaturas, pelo que pode fazer transição entre o equatorial, o desértico e até entre o mediterrâneo. Por estas razões (e não só), as formações vegetais variam de acordo com a maior ou menor abundância de precipitações. Contudo, poder-se-á dizer que a formação vegetal que predomina neste clima é a savana.

Pode-se dizer que a savana é uma formação vegetal herbácea (ervas) alta, atingindo nalgumas regiões os 2 metros de altura, e "salpicada" de algumas árvores e arbustos. Os arbustos são quase sempre espinhosos e as árvores, são, na sua grande maioria, de folha caduca, com troncos muito duros e revestidos de casca espessa. As raízes das plantas da savana são muito profundas e ramificadas, para poderem captar o máximo de água (que lhe permite sobreviver na estação seca). As árvores mais típicas da savana são a acácia  (que na imagem abaixo, onde se vê uma paisagem de savana, a árvore ao centro e a mais alta, é uma acácia) e o embondeiro (árvore de grande porte, também conhecido por baoba).

paisagem de savana. Observa-se o estrato herbáceo e os tufos arbustivos, nos quais se destacam as acácias

Embondeiro (ou baoba). Árvore de savana, de grande porte e que consegue "armazenar" água no seu interior.

No que respeita à fauna (animais) do bioma savana, ela é constituída principalmente por grandes herbívoros, tais como búfalos, elefantes, zebras, impalas, antílopes, girafas, cangurus (nas savanas australianas). Como os herbívoros são o alimento preferido dos carnívoros, a existência de muitos herbívoros, faz com que existam nas savanas também muitos carnívoros, tais como leões, leopardos, panteras, tigres, chitas, etc... Nas savanas também existem répteis (lagartos, cobras, serpentes), aves (águias, abutres, falcões...) e muitos insectos, principalmente gafanhotos e mosquitos.

Os locais do bioma de savana, encontram-se distribuídos nas seguintes áreas do mundo:

 

mais informações sobre savanas e os seus animais, clique aqui (em inglês)

 

 

 

 


 

CLIMA DESÉRTICO (QUENTE)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Nas grandes faixas de altas pressões subtropicais, predomina um clima quente e muito seco: é o clima desértico quente. A enorme aridez, é a característica principal deste género de climas.

Da observação do gráfico termopluviométrico, nota-se perfeitamente as fracas precipitações. No caso que serviu de exemplo, verifica-se que os meses mais pluviosos (Março, Agosto e Setembro), registaram, cada um deles, pouco mais que 10 mm de precipitação. Mas há locais onde a precipitação é praticamente igual a 0 mm. Podem-se passar anos sem cair uma única gota de água, mas, repentinamente, podem-se também desencadear chuvadas torrenciais, de curta duração (de alguns minutos a algumas horas), que originam enxurradas que arrastam tudo à sua frente. Há relatos históricos, da II Guerra Mundial, em que durante algumas destas chuvadas, tanques de combate foram arrastados pelas enxurradas como se fossem rolhas de cortiça. Os povos nómadas do deserto do Sara (os tuaregues) costumam dizer que "há duas maneiras de morrer no deserto: de calor e sede, ou afogados!"

- As temperaturas médias mensais são elevadas. Embora não seja facilmente observável nos gráficos, que dão a impressão de no clima desértico quente as temperaturas médias mensais, não serem muito diferentes das dos climas tropicais, a verdade é que são muito mais elevadas. O que se passa, é que neste tipo de clima, além de apresentar uma amplitude térmica anual relativamente acentuada (perto dos 200C), possui amplitudes térmicas diurnas (durante o dia, ou as 24 horas), elevadíssimas, Que são uma característica importante deste clima; durante o dia, as temperaturas chegam a atingir os 500C, mas durante a noite a temperatura tem valores próximos dos 00C e até mesmo temperaturas negativas, originando assim, amplitudes térmicas diurnas de mais de 500C.

 

Ambientes biogeográficos: a estepe e o deserto absoluto

Com tanta secura ambiental, é óbvio que a vegetação é muito rudimentar, escassa ou mesmo nula. Nos locais onde ainda consegue cair algumas chuvas, predomina a vegetação herbácea baixa e pequenos arbustos, bem como alguns cactos. Em locais onde águas subterrâneas estão próximas da superfície, ou nas margens dos raros cursos de água, surgem pequenas zonas verdes que são chamadas de oásis, podendo até, nalguns deles, praticar-se a agricultura. por exemplo, as margens do rio Nilo, não são mais do que um extenso oásis no meio do grande deserto do Sara.

paisagem de deserto absoluto, com as famosas dunas.

paisagem de transição entre a estepe e o deserto absoluto

paisagem de estepe

 

um exemplo de oásisoutro exemplo de oásis

 

A fauna dos desertos é representada por animais pouco exigentes em água e alimentos: algumas aves (como por exemplo a avestruz e o falcão), répteis (cascavel e monstro-gila), roedores e insectos (como o escorpião). Em relação aos mamíferos, os mais típicos dos desertos, são o camelo e o dromedário, mas também existem outros, como a raposa. nas zonas de transição, ou mais nas estepes, surgem uma variedade maior de animais. Devido às elevadas temperaturas registadas durante o dia, a grande parte dos animais dos desertos, são mais activos durante a noite.

 

 

observação: os restantes desertos assinalados na figura, mas sem legenda, apesar de serem desertos, não são considerados desertos quentes.

 

 

         mais informações sobre desertos e os seus animais, clique aqui (em inglês)


 

 
Climas Temperados Embora se considere como zonas temperadas, as superfícies limitadas pelos trópicos e pelos círculos polares, a verdade é que nem todas as regiões situadas entre aqueles paralelos apresentam clima temperado. Ao estudar os climas, e principalmente os climas temperados, convém não esquecer dos diferentes factores climáticos: a influência da latitude, a continentalidade, as correntes marítimas (que afectam bastante o litoral Atlântico da Europa), e o relevo. Convém também ter presente, que na zona temperada, há regiões que são afectadas por uma "luta" entre massas de ar polar e massas de ar tropical, ou seja, o ar frio (polar) está numa área de contacto com o ar quente (tropical), originando aquilo a que se chama de superfície frontal. Muitos climas temperados, são afectados por esta constante "guerra" entre o ar quente e o ar frio.

A nível de estudo de Geografia em Portugal, em relação aos diferentes géneros de climas, são os climas temperados aqueles que mais importa reter as suas características, uma vez que é nestes tipos de clima que está incluído o nosso território, bem como a maior parte dos países da U.E. e do resto da Europa. Por isso, alerta-se os alunos para uma maior dedicação a estes climas e biomas.

Os climas temperados podem-se subdividir em três sub-grupos: clima Temperado Mediteterrâneo (ou sub-tropical seco); clima Temperado Marítimo (ou Oceânico); e clima Temperado Continental.

 

 
TEMPERADO MEDITERRÂNEO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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  Nos seus aspectos gerais, o clima temperado mediterrâneo (ou subtropical seco), representado pelo seguinte climograma, caracterizam-se por:
  • Verões quentes, longos, secos e luminosos e Invernos suaves;
  • Amplitudes térmicas anuais moderadas. A ATA (Amplitude Térmica Anual) não é significativa e fica próxima dos 15ºC. A média do mês mais quente é superior a 20ºC, por sua vez, a média do mês mais frio nunca é inferior a 0ºC. A TMA (Temperatura Média Anual), também é próxima dos 15ºC (sendo inferior a 20ºC);
  • Chuvas relativamente escassas e irregulares, concentradas sobretudo no Outono e no Inverno sendo a precipitação de origem frontal (associada à passagem das frentes);
  • Quatro estações bem marcadas e distintas (Primavera, Verão, Outono e Inverno);
  • Fraca nebulosidade. Mesmo no Inverno, registam-se longos períodos de céu limpo e brilhante (normalmente associados à presença de anticiclones);
  • Tem período seco no Verão.
  • Para o distinguir com alguma facilidade dos restantes climas temperados, é o único dos climas temperados que apresenta período seco

A secura do clima mediterrâneo, particularmente no Verão, explica-se pelo facto de as regiões onde ocorre este tipo de clima (entre os paralelos de 300 e de 400, de ambos os hemisférios) serem invadidas, durante grande parte do ano, pelos anticiclones subtropicais, que, como já se referiu, dificultam a formação de nuvens e, consequentemente, de precipitações.

No Outono e no Inverno, os mesmos anticiclones deslocam-se para latitudes inferiores (acompanhando o movimento anual aparente do Sol), deixando então, o caminho livre às perturbações frontais vindas de oeste, as quais originam chuvas mais ou menos abundantes e, muitas vezes, acompanhadas de trovoadas.

 

Ambientes biogeográficos: floresta mediterrânea, o maquis e o garrigue.floresta mediterrânea

Floresta Mediterrânea - A floresta mediterrânea é uma formação vegetal predominantemente de folha persistente e, por isso, sempre verde. É constituída por árvores mais ou menos espaçadas entre si, que permite entre esses espaços, o desenvolvimento de um estrato arbustivo mais ou menos denso e também de folha persistente. Quanto ao estrato herbáceo, é pouco desenvolvido, devido a grandes períodos de seca (no período seco). As espécies arbóreas mais características da floresta mediterrânea são: o sobreiro, a azinheira, a oliveira-brava, pinheiros (pinheiro-manso e pinheiro-de-alepo), o cedro e o cipreste. A actuação humana sobre a floresta (principalmente fogos, pastoreio, agricultura, procura de madeiras...), foi destruindo a floresta mediterrânea original dando progressivamente origem  a formações vegetais secundárias: maquis e garrigue.

A Laurissilva - vestígios da antiga floresta mediterrânea da Era Terciária

 

A floresta mediterrânea original, praticamente não existe. Essa floresta "primitiva" da Era Terciária, está actualmente presente em áreas muito restritas e relativamente afastadas da intervenção humana. Contudo ainda se podem observar em alguns locais, tais como na ilha da Madeira, Açores, Canárias, Cabo Verde. Mas outrora, cobriam vastas áreas da Europa Mediterrânea. Também se chama a essa floresta primitiva Laurissilva (as espécies dominantes são algumas variedades de loureiro - pelo menos quatro).

paisagem de maquis

 

 

 

Maquis - Esta formação vegetal, também designada por chaparral, é constituída principalmente por arbustos, muito densa e fechada, formando um matagal de difícil penetração. O maquis desenvolve-se, geralmente, em solos graniticos (siliciosos), onde outrora dominou o sobreiro. Entre as várias espécies de plantas que compõem o maquis, destacam-se o medronheiro, o loureiro, a urze, a giesta espinhosa, a piteira e alguns cactos.

paisagem de garrigue

 

Garrigue - É uma formação vegetal mais aberta do que o maquis, constituída por pequenos arbustos, mais ou menos dispersos. O garrigue desenvolve-se, geralmente, em solos calcários, onde outrora predominou a azinheira. Forma áreas muito aromáticas e onde predominam o buxo, o carrasco, o alecrim, o rosmaninho, a alfazema e o timo.

 

 

Com a destruição da floresta mediterrânea, foram também destruídas, ou levaram a procurar outros locais de refúgio, muitas das espécies faunisticas. Entre os mamíferos, destacam-se os veados, os coelhos, as lebres, os lobos, as raposas, os javalis e pequenos roedores. Os insectos são muito abundantes durante o período de crescimento da vegetação, diminuindo no final do Verão. Há também muitos corvos, tentilhões, águias, corujas e falcões, e entre os répteis destacam-se os lagartos, as cobras e as víboras. Mas pode-se verificar as espécies correspondentes a este bioma (a nível mundial, mas em inglês), clicando aqui.

A distribuição do clima mediterrâneo e do seu bioma, como foi referido, não se confina exclusivamente à área mediterrânea, sendo as principais áreas abrangidas, não só toda a bacia do Mediterrâneo, como também a Califórnia, o centro do Chile, o Sul da África do Sul e o sul da Austrália.

 


 
TEMPERADO MARÍTIMO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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    Este género de clima está essencialmente localizado nas fachadas ocidentais dos continentes, entre os paralelos 400 e 600 de cada hemisfério (norte e sul). O clima temperado marítimo (ou oceânico) caracteriza-se, no essencial, por:

 - Verões frescos e Invernos moderados. A temperatura média do mês mais quente raramente ultrapassa os 200C, e a do mês mais frio poucas vezes atinge valores negativos;

- As amplitudes térmicas anuais são pouco acentuadas;

- Tem precipitações mais ou menos abundantes, e mais ou menos regulares distribuidas ao longo do ano, embora com máximos no Outono e Inverno  e mínimos no Verão, contudo, há precipitações durante todo o ano;

- Grande nebulosidade, podendo o céu manter-se encoberto durante vários dias ou semanas.

Este tipo de clima, apresenta também as quatro estações bem distintas entre si. É, dos climas temperados, o único em que chove durante todo o ano e não tem temperaturas negativas.

este tipo de clima domina na parte litoral da Europa ocidental, desde o extremo norte de Portugal, até ao sul da Escandinávia (embora, devido à influência da deriva da corrente quente do golfo, possa atingir, na costa norueguesa, o círculo polar árctico). Existe também em pequenas áreas do Noroeste dos EUA, no Sudoeste do Canadá, no litoral sul do Chile, no sudeste da Austrália e na Nova Zelândia.

 

Ambientes biogeográficos - floresta caducifólia e prados.

A floresta caducifólia, significa que é uma floresta composta por árvores de folha caduca (daí o nome caducifólia). A floresta caducifólia, constitui um bioma, mas este, não está apenas restrito ao clima temperado marítimo, sendo mais extenso, e ocupando áreas maiores do que as regiões de clima temperado marítimo. As espécies mais comuns deste bioma, são: o freixo, o carvalho, a faia, o castanheiro, a tília, o choupo, o olmo, a bétula,  a giesta, a urze e as silvas. Contudo, também podem coexistir algumas espécies de folha persistente, como o pinheiro-bravo, principalmente nas encostas montanhosas. a variedade das espécies arbóreas, faz com que a variedade de cores seja uma das características deste bioma.

floresta caducifólia

floresta caducifólia

floresta caducifólia

 

prados - os prado são formações herbáceas, geralmente rasteiras e sempre verdes, devido à abundância de humidade que este tipo de clima proporciona. Os prados são frequentemente resultado da destruição da floresta caducifólia.

prados

prados prados

Quanto à fauna típica da floresta caducifólia, podem ver-se alguns exemplos clicando aqui.

distribuição do bioma de floresta caducifólia

 

Já foi referido que o bioma da floresta caducifólia, não corresponde totalmente às regiões de clima temperado marítimo. Assim, o mapa que se segue, diz respeito apenas às regiões do bioma de floresta caducifólia, embora nessas regiões estejam também áreas de clima temperado marítimo.

 

 

 


 

 
 TEMPERADO CONTINENTAL

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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       temperado continentalLocalizado sensivelmente à mesma latitude do clima temperado marítimo, mas com mais continentalidade, ou seja, mais para o interior dos continentes, o clima temperado continental apresenta as seguintes características gerais:

- Os Invernos são muito frios (com temperaturas negativas), longos e secos, e os Verões são quentes, curtos e relativamente pluviosos;

- As amplitudes térmicas, quer anuais quer diurnas, são muito elevadas, sendo a anual frequentemente igual ou superior a 200C;

- As precipitações são mais ou menos escassas (veja-se os valores na figura que serve de exemplo), com mínimos no Inverno (frequentemente sob a forma de neve) e máximos no Verão. Neste tipo de clima, vemos que as precipitações são muitas vezes de origem convectiva (ver aqui para lembrar);

Trata-se portanto dum clima rigoroso e agreste, que quanto maior for a continentalidade, maior será o rigor dos Invernos. Em termos práticos, só tem duas estações: O Verão e o Inverno, pois as estações intermédias (Primavera e Outono) são de curta duração e passam despercebidas.

Dentro dos climas temperados, o continental é muito facilmente identificado através de gráficos termopluviométricos, pois é o único com temperaturas negativas e em que a precipitação é mais abundante no Verão.

 

Ambientes biogeográficos - pradaria e floresta mista.

A floresta mista, não é propriamente um bioma, mas sim uma mistura, pois faz a transição entre o bioma de floresta caducifólia e a taiga (que veremos adiante). Chama-se floresta mista porque é composta por vegetação de folha caduca, bem como de árvores de folha persistente, principalmente coníferas. A floresta mista surge em regiões onde a precipitação é relativamente mais abundante, no que respeita a clima temperado continental.

A pradaria, já é considerado bioma, e é constituída por vegetação herbácea, relativamente alta, contínua, muito densa, formando grandes extensões. Por vezes também é designada por estepe temperada. Este imenso manto herbáceo chega ocasionalmente a ultrapassar os 2 metros de altura. Como o clima é rigoroso, praticamente não existem árvores, embora estas surjam com frequência nas encostas montanhosas e ao longo dos cursos de água.

pradaria

pradaria

pradaria pradaria

 

Quanto à fauna destas formações vegetais, ela é constituída por grandes herbívoros (pois o imenso manto herbáceo fornece abundância de alimentos), tais como bisontes, cavalos selvagens, veados, gazelas, etc... Como em locais onde há muitos herbívoros, também costuma haver bastantes carnívoros (predadores), destacam-se os lobos, raposas, cães-da-pradaria, coiotes, chacais, linces, etc... Também existem em grande quantidade, pequenos mamíferos (ratos, doninhas, marmotas), aves, répteis, muitos gafanhotos e mosquitos. Podem-se visualizar alguns dos animais típicos das pradarias (de vários continentes), clicando aqui. Em termos de distribuição geográfica do bioma de pradaria, está localizado nas áreas assinaladas na figura.

 

 


 

 
Climas frios   Nestes géneros de climas, há que ter em atenção duas situações distintas, ambas relacionadas com factores climáticos, mas a cada uma delas, corresponde um factor climático diferente e mais determinante. Num dos casos de climas frios, para além da continentalidade, temos de ter igualmente em atenção o efeito da latitude (caso dos climas frios temperados e dos climas polares - ou desérticos frios), em que a obliquidade dos raios solares é, naquelas latitudes (a partir dos paralelos de 600), sempre muito grande, pelo que, a quantidade de energia solar recebida é muito pequena. Como consequência, o aquecimento é pequeníssimo e as temperaturas são, obviamente, baixas. No segundo caso, temos os climas de altitude, que podem ocorrer em qualquer zona climática, ou seja, em qualquer valor de latitude, e independentemente de estarem a maior ou menor continentalidade, pois neste caso, o factor determinante é a altitude do relevo, que, de acordo com o gradiente térmico da atmosfera (inferior), diminui em média (e em determinadas circunstâncias atmosféricas), cerca de 60C por cada 1000 metros de altitude. Deste modo, podem-se dividir os climas frios em: clima subpolar (ou continental frio); clima polar (ou desértico frio); e climas de altitude (ou de montanha).

 

 
SUBPOLAR Este tipo de clima também é conhecido por clima frio continental, contudo, esta designação causa por vezes alguma confusão com o clima temperado continental (pois têm ambos o nome "continental"), pelo que será talvez preferível, chamá-lo apenas de clima subpolar. Observando o gráfico termopluviométrico que serve de exemplo, pode-se afirmar que caracteriza-se, no essencial, por:

- Invernos muito frios e longos, com temperaturas médias mensais negativas, podendo atingir, nos meses mais frios, valores inferiores a -200C (no exemplo, existem 7 meses com temperaturas médias abaixo de 00C , e a temperatura média anual é de aproximadamente -50C);

- Verões muito curtos e pouco quentes, com temperaturas médias mensais que raramente atingem os 180C;

- Amplitudes térmicas anuais muito elevadas (no exemplo, a amplitude térmica ultrapassa os 300C);

- Poucas precipitações e concentradas, em grande parte, no curto período de Verão.

 

Ambientes biogeográficos - taiga.

Embora existam áreas muito perto de zonas polares, o bioma que mais caracteriza o clima subpolar será, possivelmente, a taiga. A taiga não é mais do que uma designação para a floresta de coníferas (por os frutos das suas árvores se agruparem em pinhas de forma cónica). A taiga é a mais extensa floresta do mundo, estendendo-se nas regiões setentrionais da América, da Ásia e da Europa.

taiga - no curto Verão

taiga

taiga no Inverno

aspecto dum caminho através da taiga

Trata-se duma floresta muito densa, que não possui grande variedade de espécies, sendo as mais vulgares o abeto, o pinheiro, o larício e a bétula. O reduzido número de espécies e a predominância de árvores de folha persistente (as coníferas, de que o pinheiro é um exemplo, nunca perdem as folhas), fazem da taiga uma floresta monótona e sempre verde, quer no curto Verão, quer no Inverno. Porém, devido ao Inverno ser muito longo e frio, durante a maior parte do ano, a taiga está quase sempre coberta de neve. As coníferas aguentam muito bem o frio (até certos limites) porque, entre outras razões, as folhas pequenas e em forma de agulhas, possuem uma superfície pequena e portanto, a área exposta ao frio também é pequena, e perdem pouca água por transpiração; a sua resina protege os tecidos do frio e também ajuda a diminuir a transpiração; os ramos são muito flexíveis o que lhes permite resistir aos ventos e "bobram-se2 quando estão cobertos com muita neve, fazendo-a deslizar até ao chão.

Entre as espécies de fauna mais importantes da taiga, contam-se a rena, a lebre, o lobo, a raposa, a marta, o arminho, a lontra, o alce, o lince e o urso. Há também muitas aves, principalmente espécies migratórias, que para ali se deslocam no curto Verão. Porém, pode-se observar em mais pormenor as espécies de taiga,  clincando aqui.

 

Mais uma vez se lembra que este bioma não corresponde apenas ao clima subpolar. A taiga, engloba partes do clima subpolar, do temperado continental e algumas espécies do clima polar. A localização das regiões de taiga pode ser observada na figura ao lado.

 

 

 


 

                              POLAR       (OU DESÉRTICO FRIO)

O clima polar, representado pelos seguintes gráficos termopluviométricos, ocorre nas regiões de altas latitudes (para lá dos 700) e caracteriza-se, nos seus aspectos essenciais, por:   

- Invernos extremamente frios e bastante longos, com temperaturas negativas e que chegam a atingir os -600C, ou mesmo, em alguns casos raros, a ultrapassar os -800C (o recorde da temperatura mais baixa registada - na Antárctida - é de quase -900C);

- Inexistência de Verão, embora durante um curto período de tempo (cerca de 2 meses) a temperatura possa atingir valores positivos, mas estes nunca vão além dos 100C (é quase as temperaturas do "nosso" Inverno);

- Amplitudes térmicas anuais elevadíssimas;

- só existe, na prática, uma estação: a fria                                              

- Precipitações muito reduzidas e concentradas, em grande parte, no período menos frio.

paisagem árctica/polar

tundra durante a maior parte do ano

tundra durante a maior parte do ano

Ambientes biogeográficos - tundra

Nas regiões de clima polar, a taiga dá lugar à tundra, que é uma formação vegetal muito rasteira, constituída por ervas, musgos e líquenes. Contudo, podem surgir na tundra, alguns raros e dispersos tufos de arbustos e árvores anãs. Formando uma paisagem bastante monótona (durante todo o ano é sempre tudo branco e muito plano, para onde quer que se olhe, é sempre a mesma paisagem - veja-se as imagens acima). No curto "Verão", se assim se pode chamar, a tundra não forma um tapete herbáceo contínuo, mas antes alterna com superfícies pantanosas e/ou grandes extensões de rocha nua. Uma característica muito interessante e peculiar da tundra, é o seu tipo de solo - o permafrost (à letra significa sempre gelado) - que dificulta

aspecto da tundra na época menos fria tundra no "verão" e com o permafrost indivíduo, observando o permafrost na tundra tundra com permafrost grande camada de permafrost sob a tundra

o crescimento de raízes e a absorção de nutrientes minerais. Por isso (aliado aos ventos intensos e temperaturas baixas), quase não existe vegetação arbustiva e arbórea. E, latitudes muito altas, para lá dos 800, a tundra vai-se tornando mais escassa, acabando por desaparecer, já que o solo também desaparece sob um espesso manto de gelo.

 

No que respeita à fauna, as condições extremamente rigorosas e rudes localização da tundrado clima e a falta de alimentos, constituem um grande obstáculo à vida animal. Mesmo assim, ela é relativamente abundante. Os mamíferos estão representados por renas, caribus, lebres, lobos e raposas árcticas, ursos, martas, morsas, lontras, etc... São raras as aves sedentárias, mas na curta estação mais quente, existem grande número de aves migratórias. No curto "Verão", durante o degelo e nos inúmeros charcos das áreas pantanosas que entretanto se formaram, prosperam autênticas nuvens de mosquitos. Podem-se verificar mais espécies deste bioma clicando aqui. Na figura ao lado, observa-se a distribuição geográfica do bioma de tundra.

 

 

 


 

CLIMA DE ALTITUDE

   O clima de altitude está presente nas regiões de altas montanhas e de planaltos elevados e, normalmente, vão duma situação de frescura até ao muito frio. Nestas regiões, as condições atmosféricas podem mudar com grande rapidez e, devido à altitude que afecta bastante as precipitações, este tipo de clima pode ser encarado como um reservatório de água, uma vez que se encontra praticamente distribuído por todo o planeta.

Dum modo geral, poder-se-á dizer que este clima, caracteriza-se por:

 - Precipitação abundante, ocorrendo em todos os meses do ano, normalmente, sob a forma de neve;

- Invernos muito frios. A temperatura, durante o Inverno, regista valores negativos;

- Verão: curto e fresco. A temperatura raramente vai além dos 12ºC;

- Amplitude térmica anual pode ir de fraca a moderada.

 

Ambientes biogeográficos

Em termos de biomas/habitats, o clima de altitude é muito peculiar. Dum modo geral, quer plantas, quer animais, necessitam de se adaptarem a este tipo de clima. Ao contrário dos outros climas frios, em que as temperaturas baixas favorecem o aparecimento (e o desaparecimento) de determinadas espécies, no clima de altitude, para além das baixas temperaturas existem outros factores que não existiam em nenhum dos outros tipos de climas. Já foi referido que a pressão atmosférica varia com a altitude, e a composição do ar atmosférico também. Então, no clima de altitude, vamos encontrar espécies adaptadas a temperaturas baixa, espécies adaptadas a pouca pressão atmosférica, espécies adaptadas a pouca quantidade de oxigénio e de CO2 (que é indispensável à fotossíntese) e espécies adaptadas a pouca protecção de raios UV.

Dum modo geral, a vegetação dos climas de altitude, independentemente da região do Mlocalização dos locais de clima de altitudeundo, vai rareando conforma a altitude vai aumentando, de modo que em locais de "neves perpétuas", não se encontram praticamente nenhum ser vivo (tal como nas latitudes muito elevadas - perto dos 900).

Em termos animais, consoante a região do planeta, podem-se encontrar em locais de clima de altitude, o lama, a alpaca, a vicunha, a chinchila (pequeno roedor), o iaque (bovino), o condor, cabras de montanha, leopardo das neves, etc..


 

 
     
         

 

 

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