Historiando

A “Celulose” – Cacia, ex-Companhia Portuguesa de Celulose e actual Centro Produção Fabril CACIA, da Portucel, SA, situa-se a cerca de 8 km de AVEIRO e 60 km do PORTO, junto ao Rio Vouga, caminho de ferro LISBOA-PORTO. Foi constituída por escritura de 4 de Novembro de 1941, mas o arranque das Instalações só veio a verificar-se em 23 de Julho de 1953, o primeiro com fabrico de pastas e, sucessivamente, com os fabricos de papeis e de embalagens de papel. O empreendimento foi projectado para utilizar o pinho bravo, mas posteriormente, passou a consumir também, e em maior quantidade, madeira de eucalipto. As Instalações foram ampliadas e benefeciadas com investimentos vultosos ao longo destes 50 anos;

Desde Julho de 1947 que o Engº Rogério Cansado, nessa altura Comandante do batalhão de Sapadores Bombeiros de Lisboa, passou a ficar integrado nos assuntos relacionados com a protecção contra incêndios e outros sinistros, na qualidade de Consultor Técnico de Protecção Contra Incêndios. As suas funções permitiram-lhe dedicar-se a todos os assuntos relacionados com a protecção de pessoas e bens, fosse qual fosse o local e o tipo de instalações ou da industria considerada;

Foi com grande espanto para o Engº Cansado que, no final do ano de 1951, foi contactado, oficialmente, pela Administração da “Celulose”, a qual o encarregou de elaborar um estudo das Instalações Fabris de Cacia,sob o ponto de vista da protecção contra incêndios;

O  Engº Cansado sempre considerou uma medida de longo alcance a deliberação dos responsáveis “Celulose”, ao pretenderem dar o devido relevo, desde o início da construção da Fábrica, aos problemas de protecção contra tão grave risco. Considerou o Engº Cansado que a “Celulose”  foi uma das primeiras Empresas que, em Portugal, pensou neste importante assunto considerado de primordial interesse nos paises industrializados;

Da história da protecção contra incêndios, na “Celulose”, destacamos os seguintes aspectos:

    -   No final de 1951 foi solicitada a colaboração do Engº Cansado para a elaboração dum plano e projecto sobre a protecção das Instalações de Cacia que se encontravam na fase inicial da construção;

  -   Depois de contactos com alguns técnicos, dos quais se cita o Sr. Engº Amperla, o Engº Cansado elaborou, em 12 de Dezembro de 1951, um parecer técnico que se referia a instruções estabelecidas pelo então Grémio dos Seguradores, instalações a montar, considerações sobre as possiveis reduções de taxas de Seguros no caso da montagem de “sprinklers”, etc.

Aprovado o parecer técnico, o Engº Cansado apresentou, em 23 de Fevereiro de 1952, o Projecto de Segurança, o qual constava essencialmente, da implantação da rede de bocas de incêndio e de marcos de água, dos cálculos das canalizações, da estação de comando de válvulas e da bomba destinada ao Serviço de incêndios, dos depósitos de água, das torneiras de suspensão, etc. Este foi o plano-base, ao qual se seguiram as diferentes fases que são peculiares em projectos deste tipo (concursos,adjudicações, empreitadas, fiscalização, etc.);

Foi sobre este plano que assentaram todas as alterações que se têm vindo a verificar, ao longo dos anos, devido às ampliações sucessivas que tem sofrido a Fábrica desde a sua inauguração, em Julho de 1953;

Entre as alterações mais importantes, consideradas ainda antes da sua inauguração, mencionamos os projectos apresentados pelo Engº Cansado em 16 de Junho, 11 e 28 de Julho de 1952, referentes à rede complementar de bocas de incêndio, devido à construção dos refeitórios, balneários, lavabos, e escritórios; ampliação da zona destinada ao Parque  de Madeiras, de Nascente; libertação do tubo adutor de 600mm de todas as derivações que estavam previstas. Em 27 ou 28 de Janeiro de 1953 foi elaborada a proposta da instalação do grupo electro-bomba, junto do colector de comando e do sistema de alarme;

Com a conclusão destes trabalhos, considerou-se terminada a primeira fase da instalação dos meios de protecção contra o risco de incêndio da “Celulose”. Estes trabalhos nem sempre correram bem. Assim, tendo-se optado pelas canalizações de fibrocimento, (como medida económica) e não pelo ferro, como tinha sido perconizado, houve falhas técnicas com o primeiro empreiteiro, que não consegui que as canalizações suportassem as pressões hidráulicas exigidas no caderno de encargos. Um segundo empreiteiro tomou conta da obra e concluiu os trabalhos com novas canalizações. Verificou-se ainda que o grupo electro-bomba do Serviço de Protecção Contra Incêndios produzia uma pressão exagerada, pelo que houve necessidade de a corrigir. Depois destes pequenos precalços, o sistema funcionou sempre em condições satisfatórias até à altura em que se iniciou a substituição da rede subterrânea, de fibrocimento, por uma rede aérea, em tubo galvanizado. Esta substituição, iniciada em 1985, processou-se por fases (tratava-se de um investimento de custo muito elevado), tendo sido dada por concluída com êxito pleno, nos fins de Abril de 1989.

Com as Instalações Fabris a serem dadas como concluídas (26 de Maio de 1953), adquiriu-se o material de “1ª intervenção” destinado a guarnecer os três depósitos de material de Protecção Contra Incêndios (depósitos estrategicamente bem colocados em relação às zonas mais perigosas da fábrica) e iniciou-se a instrução do pessoal da “Brigada de Incêndios”. Para isso contratou-se um antigo profissional do Batalhão de Sapadores Bombeiros, de Lisboa, (Gaspar Santos), para que fosse o responsável permanente pela preparação da “Brigada” que estava em fomação. Encarregou-se ainda o Chefe do mesmo Batalhão de Sapadores Bombeiros, António Simões Carneiro, para dirigir a instrução, motivo pelo qual, desde então até hoje, o competente e dedicado Chefe Simões se desloca regurlamente a Cacia:

Dispondo-se de pessoal já em fase adiantada de treino, foi publicado, em 20 de Outubro de 1953, um “Plano de Instruções para a Protecção Contra o Risco de Incêndios”, o qual tratava dos seguintes pontos: Responsável; Brigada de Incêndios; responsáveis pelas secções; vigilância; sistemas de alarme; código de sinais; instrução normal do pessoal exercicios periódicos; revista do material e ensaios;

Durante o ano de 1954 fizeram-se várias palestras a todo o pessoal sobre a aplicação do material existente e deram-se instruções práticas (extintores e bocas de incêndio). Estas instruções foram repetidas algumas vezes, ainda que não tenham sido feitas com frequência que seria para desejar. Chegou-se ao ponto de se fazer um exercício com fogo real, do qual apenas teve conhecimento prévio o Comandante do então já existente Corpo Privativo de Bombeiros, o seu colaborador imediato e o Director das Instalações Fabris, além da Administração;

Outras ampliações continuaram a ser feitas, as quais foram sempre acompanhadas da implantação das respectivas medidas de protecção . São de recordar:

-          Medidas adoptadas na ex-Fábrica de Cartão Canelado e no Parque de Madeiras, norte (Novembro de 1954);

-          Montagem de botões de alarme, de detectores e das sirenes (Janeiro de 1959);

-          Parecer sobre a ampliação das Instalações Fabris (8 de Janeiro 1969);

-          Montagem de portas blindadas automáticas, anti-fogo, na zona de separação das caves da Fábrica de Embalagens (15 de Fevereiro de 1969) secção já não existente neste centro.

-          Foram instalados “sprinklers” na zona do sector da Kamyr IV, da Máquina de Papel, das casas dos Captadores de Madeira, Transportes da Biomassa desde o Pré-Descasque até à Caldeira CA5;

-          Em 1990 foi instalado um sistema de detecção e extinção por halon, 1311, na cave (“Arquivo morto”) dos Escritórios;

Quanto ao Corpo Privativo de Bombeiros que se seguiu à Brigada de Incêndios, criada ao mesmo tempo do arranque da Fábrica em 1953.07.23, como já dissemos, a sua existência legalizada, na Inspecção de Incêndios da Zona Norte, data de 01 de Abril de 1956. 

-     Os primeiros comandantes do Corpo Privativo foram os Eng. Barata da Rocha (período de 56.04.01 a 57.05.08) e José Luis Archer (de 57..08.05 até 62.08.03).

-      A partir de 03 de Agosto de 1962 o Comandante passou a ser o então chefe da Secretaria e Arquivo, Lúcio de Jesus Lemos, o qual, ao longo dos anos, sempre teve como especial preocupação melhorar tudo o que dissesse ( e diga) respeito à prevenção com especial incidência nas campanhas de sensibilização do pessoal do Centro face aos graves riscos de incêndio e outros sinistros que existem em Cacia. Tudo isto tem sido feito sem descurar, no esquema geral de protecção da Fábrica, as questões relacionadas com a detecção e alarme (mais botões, mais sirenes), e com o combate aos incêndios e principios de incêndios manifestados ao longo dos anos.  

Comandantes que se seguiram:

- de 18 de Janeiro de 1991 até 10 de Julho de 1992,  2º Comandante Eng. Augusto Costa

- de 1 de Abril de 1996 até 18 de Dezembro de 1999 , Comandante Dr. Oliveira e Sá

- de Abril de 2000 ate á data Comandante Luis Bairrada  

Continuando a falar, ainda que sucintamente, do Corpo Privativos de Bombeiros Voluntários do Centro de Cacia, convém referir que, em 1972, entrou em vigor o “Regulamento Interno” no qual se diz que “O Corpo Privativo, criado pela ex-Celulose” e mantido pela Portucel (a partir de 1975) tem como objectivo a protecção das pessoas e bens contra o grave riscos de incêndio e outros sinistros, dizendo-se ainda nesse Regulamento (actualizado a partir de Março de 1990) que a acção do Corpo pode ser ampliada e estendida à comunidade onde está inserido, situação importante que originou que, no decorrer do almoço de confraternização intregado no programa festivo do 34º aniversário do Corpo (1990) o representante da Câmara Municipal de Aveiro entregasse à Portucel e ao Centro a medalha de mérito, em prata;

Quanto a medalhas, a Liga dos Bombeiros Portugueses sempre tem galardoado os Bombeiros com 20, 15, 10 e 5 anos de bons efectivos serviços. No decorrer do almoço de confraternização integrado no programa festivo do 35º aniversário (07.04.91) o Ajudante de Comando será condecorado com a “medalha de ouro – 30 anos”

-     Em 18 de Maio de 1988 o Comandante do Corpo Privativo foi galardoado pela Liga com “medalha de ouro, de serviços distintos” (“relevantes serviços prestados”);

Extra-Fábrica, o Corpo tem colaborado, muito activamente, na “Federação dos Bombeiros do Distrito de Aveiro (BDA) e participado nos Congressos Nacionais dos Bombeiros Portugueses, desde 1968 (Lisboa). O Comandante Dr. Lúcio Lemos fez parte da “Comissão Central Organizadora” que levou a efeito o Congressso de Aveiro (9 a 13 de Setembro de 1970);

Quanto a viaturas, o corpo  dispõe de:

-          uma ambulância com 2 macas (Toyota Hiace RN-27-47), estreada em 31 de Março de 1985;

-          uma ambulância com 2 macas (Mercedes 208D 67-43-GL)

-          um pronto-socorro-ligeiro (Toyota Todo-terreno LG-07-14) estreado em 06 de Abril de 1986;

-          um pronto-socorro-ligeiro (LandCruiser 71-03-LS)

-          um pronto-socorro-especial (MAN – Pantera F2000)

 

O Corpo Privativo – arma fundamental de protecção a Fábrica, incluindo nela a sua decisiva participação no “PLANO DE EMERGÊNCIA INTERNO” (P.E.I) – está superiormente autorizado a dispor de 3 elementos no Quadro de Comando e 40 no quadro activo.

Convém finalmente, referir que , a popósito do apoio à comunidade local, regional e nacional, a nossa Corporação participou no combate ao pavoroso incêndio que, em 1976, se manifestou num camião-cisterna, em Salreu, e todas as épocas, no chamado “Período Crítico dos Incêndios Florestais” temos colaborado com o Comando da Zona Operacional em que estamos inseridos (Z01-AVEIRO).

Transcrito do texto "Historiando " elaborado por Dr. Lúcio Lemos em Março de 91

 

 

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