Aldeia da Ponte

Capeias   Chat   Festas   Fotos Antigas   Links   Mensagens   Nostalgia   Novidades Fórum

 

 

 

Home
Up
Next

Historial

 

 

 

 

Historial

 

A PRAÇA DE TOUROS DE 

ALDEIA DA PONTE

 

Remonta há muitos anos a tradição da capeia arraiana na zona do Sabugal, sendo sempre efectuada no largo principal de cada povoação, isto é, a Praça da Aldeia.

Com mais ou melhores histórias, as capeias sempre tiveram uma motivação profunda e uma importância primordial para cada Aldeia, pois para além das festas religiosas, a Capeia culminava o encerramento das festas, sendo considerado o ponto alto de cada Aldeia, o mesmo se passando nos nossos dias.

Antigamente, as capeias eram um pouco mais vibrantes, pois os touros eram valentes e corpulentos, para além de se apresentarem de pontas afiadas, o que equivalia por dizer, que, ou se arriscava menos no “afoliar” os bois, ou corria-se o risco, de vez em quando, de surgir uma cornada e até morte de algum mais afoito, nas diferentes Aldeias. Diziam os antigos de tempos de outrora, por incrível que pareça, capeia onde não houvesse uma morte ou “perigasse” alguém, a capeia não valia nada. Por aqui se pode aquilatar da braveza das capeias antigas.

Aldeia da Ponte também não fugia à regra, sendo as suas Corridas famosas pela corpulência e fogosidade dos touros, contratados aos Espanhóis, bem próximo da fronteira.

Há imensos episódios das nossas Capeias e Encerros, que pelo seu brilhantismo e percurso do encerro, proporcionavam impressionantes caminhadas e correrias atrás dos touros, sendo estas já do nosso conhecimento e acompanhamento dos touros, desde os currais do “Natcho” até à entrada da Praça Velha, que tantas saudades deixou, com inúmeras tardes e algumas noites ali vividas por tantos conterrâneos, acrescido de algumas dores sofridas, no “esperar e afoliar” as bastas centenas de touros.

Este pequeno intróito, embora sintético, simboliza a importância da Praça Velha nas corridas, que ao longo do tempo ali se efectuaram e a passagem de testemunho para a actual, apenas uma abordagem superficial, sem entrar nas inúmeras histórias das Capeias, bem como a origem da Praça de Touros, cujos pormenores e acompanhamentos mais aprofundados, poderão surgir naturalmente, depois de convenientemente apurados, contribuindo para um melhor conhecimento e história da Praça e seus intervenientes, não esquecendo todos os que contribuíram com o que puderam na época, para esta grande realização de Aldeia da Ponte.

Antigamente as capeias efectuavam-se em Junho, sempre no Domingo a seguir á festa de Santo António. Com a forte emigração, muitos dos conterrâneos pouca oportunidade tinham de assistir e viver as capeias, pois as suas férias eram em Agosto. Os “Emigrantes” na ânsia, justificadíssima, de também eles viverem as emoções do “Encerro e da Corrida”, a que estavam habituados, iniciaram as capeias do mês de Agosto, já que em Junho, para eles era bem mais difícil, devido aos seus afazeres profissionais e à distância da terra mãe.

Aldeia da Ponte foi pioneira neste tipo de festa em Agosto, durante alguns anos, foi a única Aldeia que teve duas capeias por ano na região da raia. Capeia e festa de Santo António em Junho, só capeia em Agosto.

As conversas e pressões surgiam de todos os lados, até que em finais da década de sessenta, os Mordomos da época, inevitavelmente, mudaram as festas para Agosto, afim de melhor puderem servir, deixando para Junho, apenas a festa religiosa de Santo António. De vez  em quando, os Mordomos decidem fazer uma capeia mais leve em Junho, efectuando a mais forte no mês de Agosto, como é da tradição há mais de trinta anos a esta parte.

Com o passar dos tempos, a evolução da vida e o crescimento da população, chegou-se a um tempo que há-de ficar na história da nossa Aldeia em letras douradas, com o arranque da Praça de Touros actual, embora nesta altura retirasse algum salero às Capeias antigas e ao Encerro, sendo este um dos mais espectaculares da raia, o que é facto, é que proporciona outra comodidade e conforto, tanto a quem assiste, como a quem ciranda pelo redondel ou dentro da Praça na faena. Quanto aos Encerros actuais, não deixam de ter uma espectacularidade, bem condizente com o trajecto dos bois.

As opiniões intensificam-se sobre a necessidade da construção de uma Praça de Touros em finais dos anos setenta. Em 13 de Agosto de 1979, a Associação dos Amigos de Aldeia da Ponte, com um grupo de conterrâneos, espalhados por esse mundo fora, mete mãos à obra com os primeiros peditórios a todo o pessoal de Aldeia, acrescido de alguns contributos de outros amigos e empresas de fora, angariando-se em dois dias a importância de 200 contos, assistindo-se á germinação da actual Praça de Touros, construída em granito, sendo a estreia em capeias no ano de 1980, ainda sem bancadas e paredes exteriores, ver foto, com a realização da primeira capeia, apenas com o redondel e os curros. Neste ano não houve Encerro, pois não havia condições para tal. Para se ter uma pequena ideia, a terraplanagem, o redondel e os curros foram efectuados entre Junho e Agosto de 1980, sendo ali efectuada a primeira capeia, conforme referimos. Posteriormente, e até ao Verão de 1981, construíram-se as paredes de fora, permitindo as primeiras Touradas de cartel, ficando as bancadas para os anos seguintes.

A inauguração oficial da Praça de Touros decorreria neste ano de 1981, com duas touradas a condizer. Um cartel de consagrados toureiros para a primeira tourada e um cartel de jovens promessas do toureio nacional para a segunda tourada, para além da tradicional capeia.

Também a ida de uma praça desmontável em dois anos seguidos a Aldeia da Ponte, montada no Vale em 1977 e 1978, com os primeiros cartéis de toureiros, mais entusiasmo fez crescer a todos, com o retumbante êxito entretanto alcançado.

Acresce aqui recordar, para além do êxito conseguido com as touradas no Vale, o ano de 1978 ficou marcado pela colhida do Fredo Margarido, ver fotos do touro, e pelo acidente automóvel que vitimou os nossos amigos Abel Farinha, Augusto José Casalta e António Alfredo Paixão, sobrevivendo o Emílio Barroso ao aparatoso acidente, tendo os Mordomos de cancelar algumas realizações, em homenagem a estes conterrâneos, tragicamente e prematuramente desaparecidos da nossa companhia, enlutando a nossa Aldeia.

 “Abandonámos” desde 1980 a velhinha Praça da Aldeia, que tantas emoções fortes deixou,  acolhendo esta os bailes e exibições de artistas e conjuntos, mas a modernidade e o conforto de todos, assim o exigiram. Não foi um processo fácil, pois na época, havia algumas opiniões divergentes, como sempre acontece, sobre se a Praça seria prioritária, dado que Aldeia estava necessitada de outros melhoramentos, acabando por prevalecer a forte vontade dos que iniciaram mais esta empreitada, levando bem longe o nome da nossa  Aldeia, conforme hoje pode ser constatado por toda a gente.

Com inúmeros sacrifícios e canseiras, principalmente de todos os que lideraram este processo, juntando muita vontade e empenho de todos os conterrâneos, assim nasceu a imponente Praça de Touros, verdadeiro cartaz de apresentação de Aldeia da Ponte, juntamente com a Ponte Romana e o Colégio.

Já se passaram mais de vinte anos desde o início do processo da Praça de Touros, tendo esta contribuído com as suas receitas, nos múltiplos espectáculos efectuados, para vários melhoramentos em Aldeia da Ponte, isto é indesmentível. Sendo um sentimento partilhado por muitos conterrâneos, é a altura da Praça de Touros colher mais alguns benefícios de  receitas futuras, pois está necessitada de algumas obras de beneficiação, que tanto carece.

Para os que ainda não eram nascidos e para os que se lembram da Praça nesta fase, aqui fica o testemunho e a recordação.

 

ESTEVES CARREIRINHA

 

Home ] Up ] [ Historial ] Capeias Antigas ]

    última actualização: Junho 18, 2003

Gentilmente autorizado pelo Cuts