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A aldeia de Sobral de Baixo, pertence ao concelho e à Freguesia de Pampilhosa da Serra. A Vila da Pampilhosa da Serra é sede de concelho do distrito de Coimbra (Beira Baixa) a 45 Km a sueste desta cidade e 175 Km a nordeste de Lisboa. Esta Vila está situada num vale entre as serras da Lousã e da Gardunha, junto do rio Unhais afluente do rio Zêzere. Povoação muito antiga, foi elevada à categoria de Vila em 1308 por D. Dinis; porém, não conserva monumentos antigos dignos de nota. O concelho, que cobre 396 Km2, está situado numa região pobre e pouco povoada, tradicionalmente ocupada por matas de carvalhos e castanheiros espécies que, no entanto, foram substituídas já no nosso século pelo pinheiro. A população rural produz batata e milho. A indústria é pouco expressiva, reduzindo-se ao tratamento da resina, a lacticínios, lagares, serrações e fabrico de objectos de madeira.
MONUMENTOS DA PAMPILHOSA DA SERRA Igreja Paroquial. Dedicada A Nossa Senhora do Pranto foi reconstruída nos séculos XVIII e XIX e é um edifício de traçado modesto. Retábulo renascentista em Pedra de Ançã, que se denota influências da arte de João de Ruão. Retábulo do Sacramento, da Segunda metade do séc. XVI com esculturas de Santa Catarina e Santa Luzia. Edifícios de Interesse: Casa antigas, oitocentistas de fachada simples. Capela de Stº António, modesto edifício alpendurado. Capela da Misericórdia , construção do séc. XVII, possui um retábulo do princípio de seiscentos. Capela de S. Sebastião, datada do séc. XVII. Locais de Interesse. O concelho de Pampilhosa da Serra possui uma beleza paisagística invulgar, o que se deve não só à sua localização geográfica, como sobretudo a uma natureza quase intacta. A Barragem de Stª Luzia dá-lhe um enorme Lago Azul e as inúmeras aldeias de xisto, permitem a descoberta de algumas tradições seculares. O RELEVO A Península Ibérica é atravessada por uma cordilheira montanhosa, orientada segundo ENE-WSW, que a divide em duas. Esta cordilheira chama-se "Cordilheira Central", inicia-se a Este, em Espanha, na Serra de Guadarrama (2430 m), segue pelas serras de Gredos (2592 m) e Gata (1363 m), entra em Portugal através da Serra da Malcata (1142 m) e finaliza nas serras da Gardunha (1227 m) e de Alvelos (1084 m). Paralelamente a estas Serras portuguesas estendem-se altaneiras, a norte, as serras da Estrela (1991 m), Açor (1349 m) e Lousã (1204 m).
MAPA DAS SERRAS CIRCUNDANTES
LOCALIZAÇÃO DA ALDEIA Os terrenos onde está inserida a aldeia do Sobral de Baixo, têm altitudes na ordem dos 553 a 563 m (ao nível das águas do mar). As serranias são xistentas e os planaltos são raros, mas podem-se encontrar nomeadamente, na Serra da Lousã ou Cabeço da Rainha. O posicionamento da aldeia do Sobral de Baixo, relativamente às serranias de menor altitude, é a seguinte: A norte o cabeço do Muro, a sul cabeço da Urra. Nas proximidades da aldeia a norte o Cimo da Eira, a sul Boguelas e Algar. A este temos a Ribeira do Sobral e a oeste o Porto da Pereira.
PROVENIÊNCIA DO NOME A aldeia no passado chamava-se "Sobreiral", devido à predominância de Sobreiros nas suas imediações. Actualmente, encontram-se em alguns sítios, isoladamente, muito poucos Sobreiros de grande porte, que os habitantes chamam de "Sobreiras". Os Sobreiros, ao longo dos anos, foram diminuindo, devido aos incêndios que futigaram severamente esta zona. Comenta-se que, a floresta era de tal ordem, que os habitantes percorriam vários Km sempre na sombra das árvores. No passado, a aldeia encontrava-se muito isolada, apesar, de geograficamente ser a povoação mais próxima da sede de concelho (Pampilhosa da Serra), nunca foi beneficiada, relativamente às outras aldeias vizinhas.
MEIOS DE SUBSISTÊNCIA A população "subsistia" da agricultura. Esta era efectuada em pequenas parcelas, entre os vales e as encostas das serras circundantes. O árduo trabalho do campo, apenas chegava para a subsistência das famílias, que habitavam a aldeia. Para colmatarem os fracos recursos provenientes da agricultura, estes exploravam o "carvão", que era transformado da torga - de - moita e que existia em grande quantidade nas serras vizinhas.
PRIMEIROS HABITANTES Não se sabe a que ano remonta o aparecimento deste lugar (Sobral de Baixo), enclausurado na serra; presume-se que há muito, e foram pessoas que numa tentativa de fugir a uma vida de infortúnio se fixaram neste lugar. Contam os antigos, que os primeiros habitantes, foram os denominados "desertores" ou os "condenados", que eram deixados neste lugar para morrerem à míngua. Acontece que, devido à coragem e à força de vontade de lutar contra as condições desumanas da época, esta gente, conseguiu sobreviver, com os meios que a natureza lhe reservava. Aos poucos, foram sobrevivendo, construindo habitações e conquistando terras para cultivo à floresta. Actualmente, podem ver-se nos vales e nas encostas das serras, paredes de pedra de xisto erguidas com alturas consideráveis (Açudes), que serviam para a retenção das terras de cultivo. São dignas de se ver, as paredes, pois representam o esforço de muitas gerações, que por aqui passaram.
"Vista de Açudes na Horta do Sr. José Firmino e Sra. Zulmira, no vale da Pendôa"
"Vista em pormenor de um Açude na Horta do vale da Pendôa" ISOLAMENTO Durante alguns séculos, a aldeia do Sobral de Baixo, e apesar de se encontrar mais perto da sua sede de concelho (como já referi, anteriormente), viveu sempre isolada; os caminhos que existiam eram "caminho de cabras". Quando os habitantes faleciam, eram transportados em caixões de madeira de pinho (feitos na noite da ocorrência, pelo único carpinteiro da povoação ( José Maria Pedro), para o cemitério da vila, seguindo um trajecto muito penoso pelos ditos caminhos de cabras. O percurso que faziam, era desde a aldeia, passavam pelo lugar designado "Almas", "Embirrão" (de grande declive) e Pampilhosa da Serra.
"Embirrão" Actualmente, ainda existem alguns destes caminhos nas serras circundantes, nomeadamente no percurso do Sobral de Baixo, Figueiró, Fraga e Foz do Sobral. Outro trajecto, que se recomenda: Sobral de Baixo, Sobral de Cima e Ribeira do Sobral, entre outros. No entanto, a aldeia está servida com estrada alcatroada; esta provém do Sobral de Cima e termina no Sobral de Baixo, não tendo seguimento, finalizando na "Eira".
FONTE VELHA A população utilizava a única fonte denominada hoje de "Fonte Velha", que fica situada num vale (Porto da Pereira). O transporte da água era penoso, e normalmente era efectuado pelas mulheres com cântaros à cabeça.
"Transporte da água"
ENCANTO Todos nós ansiamos por dias de sossego, pelo encanto deste lugar e momentos passados na serra, onde se pode conciliar o corpo e a alma e desfrutar a natureza, mergulhando na Ribeira do Sobral ou no rio Unhais, deambular pela vegetação das serranias e admirar a beleza da vida.
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