O IMPÉRIO DO ORIENTE

                                                 de Jorge de Sena                     

28 de Maio 2005, pelas 20:45h,no Anfiteatro ao ar livre da Escola Secundária do Fundão

 

SINOPSE DA PEÇA

Esta comédia de Jorge de Sena escrita a 25 e 26 de Março de 1964, em Araraquarana, no Brasil, trata segundo o Historiador que apresenta esta peça, de um dos episódios mais interessantes da História da Civilização - O Império Bizantino. No entanto a crítica ao poder instituído, político e religioso, é notória nesta peça bem como uma crítica à liberdade de expressão. Também são aqui retratados temas relacionados com o casamento e a (in)fidelidade. Para um melhor entendimento da peça é importante então recordar que o Império Romano se repartiu definitivamente em duas partes, no fim do século IV da nossa era de Cristo: o Império do Ocidente, predominantemente latino, com a capital em Roma, e o Império do Oriente, predominantemente grego, com a capital em Constantinopla, a cidade que havia sido, sob o nome de Bizâncio, uma antiga colónia grega e que hoje conhecemos pelos turcos pelo nome de Instambul. Mas o Império do Oriente foi um poderoso e civilizado país, que durou mil anos, até à conquista de Constantinopla pelos turcos em 1453, a data que marca o fim da Idade Média. Justiniano (Juju), o imperador, personagem da nossa peça, ascendeu ao trono em Bizâncio há mais de 1400 anos e pode dizer-se que ele foi o último grande imperador romano. Era um camponês macedónio no entanto era dono de um a personalidade dominadora e culta. Foi uma das grandes figuras da história europeia, como organizador, como legislador, como militar, e como chefe religioso. Teodora, a imperatriz, senhora de muito baixa extracção e juventude extremamente aventurosa, que por amor Justiniano sentou a seu lado no trono, era de origem oriental. Ela estava em condições de perceber melhor que o seu marido as dificuldades do Império, e possuía maior flexibilidade e muito mais tacto político do que ele. O imperador reinou trinta e oito anos, até à sua morte, em 565, há mais de mil e quatrocentos anos.

 

 

SOBRE O AUTOR - JORGE DE SENA

Poeta, ensaísta, ficcionista e dramaturgo, Jorge de Sena marcou a cultura portuguesa da segunda metade deste século. Faleceu há 27 anos e decidimos pela segunda vez no Grupo Histérico utilizar um texto de teatro seu. A afirmação literária de Jorge de Sena decorre a partir dos anos 40. Foi um dos fundadores dos Cadernos de Poesia juntamente com José Blanc de Portugal, Ruy Cinatti e José Augusto França. A sua obra poética influenciou as últimas gerações e foi objecto de inúmeros prémios nacionais e internacionais e outras distinções. Pouco antes de falecer teve oportunidade de verificar que era citado como um dos candidatos portugueses ao Prémio Nobel da Literatura. Abriu Jorge de Sena novas pistas com as suas interpretações críticas do Orpheu e da Presença. Os estudos acerca de Camões deram lugar a visões mais alargados de Os Lusíadas e da Lírica. Contribuiu, igualmente, para a projecção de Fernando Pessoa, dentro e fora do País. Como quase todos os intelectuais portugueses, Jorge de Sena sofreu os condicionalismos da Censura e outras repressões do salazarismo, tanto mais que se afirmou sempre na oposição frontal ao regime. Apesar disto, não deixou de ser editado, reeditado e homenageado. Personalidade visceralmente polémica, com irreprimíveis cóleras, contou, é evidente, com a oposição e crítica de poetas e escritores. Entre 1959 e 1965, Jorge de Sena residiu no Brasil. Leccionou teoria da literatura na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Assis, São Paulo (1959 a 1961), sendo titular da cadeira de literatura portuguesa em Araraquara (1961 a 1965) onde escreveu a peça que vos apresentamos. Desde 1965 e até à sua morte, em junho de 1978, Jorge de Sena radicou-se nos Estados Unidos. Deu aulas e orientou mestrados na Universidade de Wisconsin e, em seguida, na Universidade de Santa Barbara, na Califórnia. Ficou, todavia, profundamente ligado ao Brasil. De tal modo que optou, em 1963, pela nacionalidade brasileira. Durante esse período, um dos mais fecundos da sua trajectória, Jorge de Sena entregou-se ao ensino, interveio em actividades culturais, colaborando, entretanto, em vários jornais e revistas. Escreveu livros de poesia, ensaio, ficção e teatro. Jorge de Sena revelou-se, até hoje, o único poeta capaz de, torturadamente, "pensar sentindo".

 

 

 
 
 
 
 
FICHA TÉCNICA

COORDENADOR:

António Pereira

ACTORES:

 Carla Barrocas; Carlos Lourenço; Diogo Martins; Francisca Vidal; Igor Costa; Joana Atalaia; João Oliveira; Rodrigo Silva; Tânia Amaral e Vera Brás.

 TÉCNICOS DE LUZ/SOM:

 Filipe Casaca; Mariana Amaro.

WEBMASTER:

Francisco Elias

AGRADECIMENTOS:

Câmara Municipal do Fundão; Conselho Executivo da Escola Secundária C/ 3º Ciclo do Fundão; Jornal do Fundão; Santa Casa da Misericórdia; Professor Abel; Professora Estrela; Andreia; Laura; D. Zita; Sr. Zé Romão e todos aqueles que colaboraram connosco.