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 Jornal do Fundão  

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         "Café-teatro em espaço memória"

Durante uma semana, o Café Aliança, no Fundão tornou-se num palco de teatro. Tudo por obra e graça dos mais jovens da tribo. Os "histéricos" da Escola Secundária  

 

"TEATRO Histérico" é assim que se chama o grupo de teatro da Escola Secundária do Fundão. Um Grupo giro, que gosta de fazer da cultura uma festa, que transporta a sua fecunda inquietação para fora dos muros da escola e a semeia como fonte de futuro  e alegria pelo quotidiano da cidade. Um dia destes mudaram-se para o Café Aliança -- também esta opção não foi casual -- e aqui a interpretaram a sua mais recente criação: "O papel é + paciente do que os Homens". Ora, o espectáculo  é uma viagem à literatura naquilo que ela tem de compromisso essencial com os homens, questionadora  do tempo, desafiadora das circunstâncias, denunciadora dos absurdos que ofendem a humanidade. Quer dizer, naqueles textos, ditos sem rede (praticamente sem artifícios cénicos), o que se questionava como questão essencial era o destino do Homem. No fundo, um espectáculo em louvor da memória, escolhendo precisamente um lugar privilegiado da memória fundanense, o Café Aliança, que ainda respira o ambiente dos tempos idos. É um espectáculo comprometido? Respondem eles: " Hoje, onde a mais feroz guerra é vista por todos, onde a maior injustiça vem noticiada muitas vezes após assuntos banais, nesta sociedade onde os preconceitos e os fundamentalismos parecem querer emergi como se um curto "ciclo de horrores" se tratasse, quisemos gritar: Respeite-se o ser humano. o que ele é no seu ser e na sua substância individual. O café, uma vez mais, o local de encontro..." Público não faltou. O roteiro era constituído por textos de C. Virgil Gheorgiu, Álvaro de Campos, Bernardo Soares, José Gomes Ferreiro, Margueritte Duras, Anne Frank. Poesias ditas por por Mário Viegas e João Villaret . Aforça do do espectáculo, coordenado por António Pereira, vale pelo colectivo a que deram voz e rosto Ana Amaral, Ângela Duarte, Clara Amaral, Francisco Elias, Joana Costa e Juliana Gamas. Uma nota final sobre as virtualidades pedagógicas da iniciativa. Quantas discussões sobre a selecção dos textos, quantas leituras, quantas descobertas fizeram os jovens na preparação do espectáculo? Tantas horas ganhas!

 

                                                                        Fernando Paulouro Neves - JF 

26 junho 2002

                                                      

 

Urbi et Orbi  Jornal On-line da U.B.I.

 

   O Grupo de Teatro Histérico da escola secundária do Fundão, apresentou nos dias 16, 18, 19 e 20, a sua mais recente produção. "O papel é mais paciente do que os homens", é o resultado de um ano lectivo de trabalho. Com textos deVirgil Gheorgin, Pedro Paixão, Margueritte Duras, Anne Frank, entre outros, os actores vão "desfilando", um a um, num espaço comum a todos. Com música de fundo de Bjork, Yale K. Lezner Band e muitos mais, a peça vai reflectindo as vivências destes escritores, contando os seus desabafos, angústias e conflitos pessoais.
        O local escolhido para a apresentação foi um café na cidade fundanense. Com coordenação de António Pereira, os seis actores dividem o espaço com os "habitués" do dito café e com os espectadores, que durante estes quatro dias de espectáculo ali acolheram.
No final do último dia de apresentação, o local escolhido acabou por acolher mais espectadores que o habitual, ultrapassando a lotação do referido estabelecimento. António Pereira evidenciava uma grande satisfação pelo trabalho conseguido, não parando de elogiar os "seus" actores. "Estou muito satisfeito com os resultados obtidos. Portaram-se todos muito bem. Há que salientar a disponibilidade e paciência dos alunos, que mesmo estando com provas globais e exames de acesso ao ensino superior, nunca deixaram de acreditar que era possível de realizar este trabalho. De futuro espero que eles continuem a acreditar que é possível, que continuem a acreditar que todos os sonhos são possíveis de realizar."

                                                                                                              Rui Pires