A História de Bruce Lee

brucelee10.jpg (21395 bytes)      Nome:                     Lee Jun Fan        

      Nome Artístico:       Bruce Lee

     Nascimento:            27 de Novembro de 1940

     Local nascimento:   San Francisco - EUA

     Local criação:         Hong- Kong - China

    Falecido:                 20 de Julho de 1973

              

          Quando falamos em arte marcial qualquer que seja, um nome nos vem a memória rapidamente. Esse nome é Bruce Lee.

          Bruce Lee sem dúvida nenhuma é o maior nome do Kung Fu e também um grande símbolo das artes marciais em geral. Aliás, fica mais correcto dizer que Bruce Lee é o grande mito do Kung Fu de todos os tempos. Quando afirmo isso, estou-me a referir ao grande trabalho e empenho de Bruce, para tornar a arte marcial chinesa bem conhecida nos quatro cantos do mundo.

          Bruce Lee foi uma pessoa extremamente famosa. Para se ter uma ideia da grande popularidade que Bruce conserva até os dias de hoje, recentemente foi feita uma pesquisa nos Estados Unidos sobre os nomes de pessoas que mais vendem produtos. Elvis Presley, Beatles e Bruce Lee são os campeões nessa área. Levando-se em conta o total geral desde o inicio de a suas carreiras. Para comprovarmos a veracidade dessa pesquisa, como exemplo, basta ir até a banca de jornal mais próxima, com certeza encontraremos muito material sobre essas personalidades.

          Um outro facto interessante, é que uma grande empresa de computação gráfica, tinha um projecto para realizar um filme totalmente computorizado sem a utilização de actores reais e com técnicas jamais vistas nessa área. Fizeram então uma pesquisa para ver quem o publico escolheria para estrelar esse novo filme. Essa pessoa teria que ser alguém que já estivesse morto. Mais uma vez Bruce Lee ganhou na preferência do grande público, ficando na frente de outras grandes personalidades como: Elvis Presley, Marylin Monroe, James Dean e tantos outros.

          Bruce Lee nasceu em 27 de Novembro de 1940 no San Francisco's Chinese Hospital (Hospital Chinês de San Francisco),  EUA. A sua mãe a Sra. Grace Lee, baptizou-o com o nome de "LEE JUN FAN", significando "Retorno a San Francisco ".

brucelee13.jpg (11883 bytes)   (O Bebé Bruce)

            Mais tarde Bruce chamar-se-ia LEE YUEN KAN. Alguns fãs costumavam chama-lo de SIU LOONG, que significa  "O pequeno Dragão" devido ao facto de Bruce ter nascido no ano e hora do dragão. Segundo as tradições chinesas. Por fim veio  o último e definitivo nome, BRUCE LEE, que o consagraria  em todo o mundo. A a sua família, alguns meses depois do nascimento de Bruce e tendo terminada a tournée que faziam nos EUA ( eles eram artistas da Cantonese Opera Company), resolveu voltar definitivamente para Hong Kong.      

          Ainda em fase de amamentação, Bruce enfrentou uma câmara de cinema pela primeira vez. A sua mãe conta que esse filme foi realizado em 1941 e se chamava "GOLDEN GATE GIRL'S". A mãe de Bruce, a Sra. Grace Lee, conta no seu livro "The Untold Story", que Bruce, ainda garoto, sempre foi um misto de criança generosa, extrovertida, peralta, inquieta e que muitas vezes canalizava a sua grande energia natural para brigar com outros garotos que o provocassem de alguma maneira.                                      brucefami.jpg (13402 bytes)

                                 (Bruce, recém nascido com os pais)   

          Um facto engraçado relatado, é que Bruce certa vez trocou toda a mobília de lugar do quarto da empregada. Nesse quarto o interruptor ficava no lado oposto ao da porta de entrada. Quando a empregada entrou e dirigiu-se como de costume para ascender a luz do quarto, foi tropeçando e caindo por cima de tudo que era mobília. Somente após ascender a luz ela percebeu que os móveis estavam todos fora do lugar de costume. Ficou furiosa raciocinando logo que aquilo só poderia ser trabalho do travesso Bruce. A sua irmã Phoebe, vitima também das travessuras de Bruce, conta que certa vez ele lhe deu um livro dizendo-lhe que era um livro muito bom e que ela   deveria lê-lo com bastante atenção. Ao abrir o livro levou um tremendo choque e Bruce caiu na gargalhada correndo pela casa.

brucefami1.jpg (22631 bytes)   (No destaque,  a esquerda ,o jovem Bruce com a mãe e  os  irmãos)

          Na puberdade de Bruce, existiam em Hong Kong centenas de gangs formadas por adolescentes e que disputavam seu espaço, tentando colocar a suas ideias. Muitas desses gangs eram criminosas e a grande preocupação do governo era manter a ordem pública. Bruce Lee pertencia a um grupo chamado "The Junction Street Figth Tigers" (Os Oito Tigres da Rua Junction). O grupo tinha um lema: "Lutar pela justiça, pelos fracos, vencer os desordeiros, um por todos e todos por um". 

          A fama de valente de Bruce crescia na mesma proporção que ele próprio crescia. E as brigas de rua passaram a ser inevitáveis. Certa vez dando uma entrevista para a "Black Belt Magazine" sobre essa época de a sua vida, ele confessou que brigava mais por vontade de lutar mesmo, do que por ideais. Disse ele: "- Eu era um Punk e vivia procurando brigas. Muitas vezes usei correntes e canetas que traziam lâminas ocultas".

          Por volta dos 13 anos de idade, Bruce começou a se interessar pelo Kung Fu. Seu pai passou então a ensiná-lo na arte do Tai Chi Chuan. Ainda na entrevista para a Black Belt Magazine, Bruce declarou que começou a pensar como seria a situação dele em uma briga com algum grupo rival sem a cobertura do pessoal de seu grupo. Ou seja, ele iria apanhar muito.

          Isso foi de facto o grande motivo que o levou a procurar o Kung Fu. Resolveu aprender o estilo Wing Chung, com o Mestre Yip Man.

          Logo Bruce começou a perceber que o Kung Fu era muito mais do que ele imaginava que poderia ser e começou a dedicar-se de corpo e alma a essa arte. Como muitos amigos de Bruce declararam: "Ele comia, bebia e respirava Kung Fu 24 horas por dia".

          Aos 15 anos Bruce já tinha um óptimo preparo físico e já impunha aos outros a a sua forte personalidade. Ele próprio contou que certa vez já cansado de ver o exibicionismo de um instrutor de Tai Chi, que sempre pedia para voluntários o golpear no abdómen para depois os ironizar, uma vez que ninguém conseguia sequer mexê-lo do lugar. Chamando então outro voluntário, Bruce ofereceu-se. Quando o instrutor travou o abdómen e pediu para Bruce o socar com toda a a sua força, Bruce deu-lhe um potente soco nas costelas. Imediatamente, o homem caiu ao chão dando um estridente grito de dor, para espanto de todas as pessoas ali presentes. Bruce, ironicamente baixou-se para ajudar o pobre homem, pedindo desculpas e alegando que tinha errado o alvo.

           Durante praticamente toda a a sua adolescência, o jovem Bruce meteu-se em muitas encrencas e brigas, chegando ao ponto de ir para em uma delegacia e causando muito constrangimento para a a sua família. Eles resolveram então que Bruce deveria mudar radicalmente de ambiente. Da forma que estava, não poderia ficar. Qualquer hora mataria alguém ou acabaria morto. O jovem Bruce foi então enviado para os Estados Unidos como forma de se acabar definitivamente com o problema. Com 100,00$ no bolso e uma passagem de 3.ª classe num navio brucelee11.jpg (11959 bytes) cargueiro, Bruce partiu para o novo mundo, sem saber ao certo o que o esperava.                                                                                                                    

( O Jovem  Bruce, recém chegado aos Estados Unidos )

            Bruce Lee tinha uma aptidão natural também para dança e, segundo dizem, era um excelente dançarino. Dominava bem os estilos mais populares da época. Logo que chegou na América, Bruce  sustentava-se dando aulas de Cha-Cha-Cha, a dança da moda . Pouco tempo depois ele aceitou um convite para trabalhar em um restaurante (O Ruzy Chow's Restaurant), como ajudante e lavador de pratos. Foram dias difíceis, tendo que trabalhar durante o dia e estudando à noite. O pouco tempo livre era totalmente dedicado a prática do Kung Fu. Nesse período em que era estudante, Bruce conheceu Linda Emery, que mais tarde seria a sua aluna e posteriormente a sua esposa.  

brucelee.jpg (9180 bytes)             Nessa época conheceu também James Lee, um praticante de Kung Fu e tornaram-se grandes amigos. Resolveram então abrir uma escola para ensino do Kung Fu localizada na Broadway. Acontece que Bruce assim como seu amigo James, tinham uma visão de que o Kung Fu poderia ser ensinado a qualquer pessoa independente de raça. Isso contrariava frontalmente a comunidade marcial chinesa, que achava que esses conhecimentos não poderiam de forma nenhuma serem ensinados aos não Chineses. Bruce pensava que ao criar seu próprio método poderia evitar problemas com a comunidade chinesa tradicionalista. Mas ele estava enganado.

            Certo dia, um renomeado mestre de Kung Fu, de nome Wong Jack Man visitou a escola de Bruce, junto com alguns de seus seguidores que diziam serem representantes da comunidade de artistas marciais da região. Não era bem uma visita. Ele trazia um ultimato para que Bruce parasse de ensinar Kung Fu aos não-chineses. Se Bruce não aceitasse eles resolveriam o caso com um combate homem a homem e o vencedor teria a palavra final.

            Linda Lee (esposa de Bruce) conta que o homem era realmente forte e impunha muito medo e respeito. Mas isso não intimidou Bruce que rapidamente decidiu lutar por aquilo que acreditava. A princípio, o que era para ser uma luta simplesmente técnica passou a ser uma luta bastante violenta, onde tanto Bruce como Wong davam o máximo de si para vencer um ao outro. Depois de muito sacrifício, Bruce conseguiu vencer Wong.

            Ele confessou que aprendeu muito com essa luta, pois Wong tinha uma técnica bastante sofisticada e difícil de se lidar. Alem do mais, o seu condicionamento físico não se mostrou eficaz, e ele chegou até pensar em desistir. brucelee2.jpg (23152 bytes)

            A partir desse acontecimento, Bruce refez todo o seu conceito sobre a arte de lutar. Isso seria a base inicial para o desenvolvimento do Jeet Kune Do (o estilo desenvolvido por Bruce Lee). Nesse ano também, ele escreveria o seu primeiro livro: "Chinese Kung Fu - The Philosophic Art of Self Defense". 

(Bruce no Torneio Internacional - 1964)

            As fotos da capa foram tiradas em frente à cerca do restaurante "Ruby Chow", e mostravam Bruce, James Lee e outros praticante demonstrando vários estilos de Kung Fu. Treinando muitas horas por dia, Bruce passou a dedicar-se como nunca aos treinos dando ênfase a parte de condicionamento onde fazia muitos exercícios aeróbicos e trabalho com pesos. Começou a apresentar-se em diversos eventos ligados a artes marciais pela costa oeste dos Estados Unidos. Mas nada que tivesse realmente grande repercussão. No ano de 1964 Bruce conseguiria finalmente mostrar ao mundo a sua arte, quando apresentou-se na inauguração do Torneio Internacional de Karaté, deixando milhares de espectadores impressionados com a sua espantosa habilidade. brucelee12.jpg (15162 bytes)

            Ed Parker (apelidado de pai do Karaté americano), assistia o evento e filmou tudo. Um ano depois Ed, conversava com seu amigo, o estilista (cabeleireiro dos astros) famoso em Hollywood, Jay Sabring, que também havia visto aquele evento. Entre outros assuntos surgiu o comentário de que Willian Dozier (grande responsável pelo enorme sucesso da série "BATMAN") procurava alguém para representar o filho número 1 de Charlie Chan (um projecto de uma nova série para TV). Um nome lhes veio a memória rapidamente foi Bruce Lee. o jovem que os havia impressionado a algum tempo atrás.

brucelee20.jpg (20035 bytes) (Bruce demonstrando seu famoso soco)

            Fizeram com que Bruce fizesse um teste cinematográfico na 20th Century Fox. Logo após o teste, Bruce viajou com a sua mulher Linda Lee e o pequeno Brandon Lee (1º  filho de Bruce, recém nascido) para Hong-Kong, para que a sua família conhecesse a sua esposa  e o seu filho.         

            Ao voltar soube que o projecto "Charlie Chan" havia sido cancelado. No entanto Willian Dozier, ainda a viver o enorme sucesso da série Batman, resolveu investir em um outro projecto bastante parecido.

Baseado na antiga novela radiofónica "The Green Hornet" foi criada a série de mesmo nome para TV.

            Aqui em Portugal esta série foi exibida com o título de "O Besouro Verde". Dozier, ao assistir ao filme onde Bruce dava demonstrações de Kung Fu, não pensou duas vezes e logo pensou:" Esse é o homem de quem precisamos". Assim Bruce assinou contrato para viver a personagem "Kato", um tipo de herói assistente nos moldes de Batman e Robin. A série foi lançada em todo o território dos Estados Unidos e foi considerada medíocre por muitas pessoas e críticos da época. No entanto a personagem Kato, vivido por Bruce Lee, chamava muita atenção e todas as pessoas que assistiam à serie ficavam ansiosas pela hora em que Bruce lutava com os bandidos. kato.gif (48877 bytes)

            Além do mais Bruce acabou virando um ídolo das crianças da época, e isso causava um certo ciúme no actor principal da série ao ver que a popularidade de Bruce era bem maior do que a dele. Apesar do aparente sucesso, Bruce não se sentia bem porque lhe davam poucas oportunidades para demonstrar a totalidade de a sua arte. Como ele próprio declarou: "Eu sentia-me com um robot, não estava sendo natural e não tinha liberdade de expressão. Tinha que fazer exactamente o que me pediam. Mesmo eu tendo condições de fazer muito melhor; não me deixavam". Com o sucesso alcançado com Kato, Bruce recebeu inúmeros convites de homens de negócios para abrir academias com o nome de "Kato - Defesa Pessoal". Bruce poderia ter ficado muito rico com essa comercialização; no entanto recusou todos os convites por achar que não teria controlo pessoal e total sobre as escolas e consequentemente o nível cairia bastante.

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 (Bruce Lee como Kato, O herói mascarado)

            Quando "The Green Hornet" estreou no oriente bateu todos os recordes de audiência, tornando Bruce Lee um grande herói para o publico oriental. Rapidamente começou-se a comercializar vários produtos com a marca Kato, como Nunchakus de plástico, mascaras e bonés característicos da personagem. Aproveitando a grande popularidade de Bruce no oriente, a 20th Century Fox fez uma grande campanha publicitária a titulo de promoção da série.  

            Da noite para o dia Bruce viu-se dando inúmeras entrevistas e apresentando-se em diversos lugares. Numa dessa apresentações no programa de TV "Enjoy Yorself Tonight" ele fez a célebre demonstração da técnica de seu soco, quebrando 5 tábuas de uma polegada cada numa curta distancia.      

            Bruce decidiu então que voltaria para os EUA. Quando lá chegou teve uma grande decepção, pois não lhe davam a chance que ele precisava para mostrar todo o seu potencial. O máximo que conseguiu fora algumas pontas em filmes de pouco sucesso e trabalhos como coreógrafo de lutas. Embora desanimado levantou a cabeça, ele voltou a fazer algo que sempre gostara, ou seja, ensinar Kung Fu.             Muitos nomes famosos do cinema começaram a treinar com ele: Steve Mc Queen, James Corburn, James Garner, entre outros. Com o passar dos tempos esses actores tornaram-se grandes amigos de Bruce e deram-lhe uma mãozinha para que ele voltasse às telas em filmes de melhor nível. A série "Long Street", com James Franciscus , foi a sua primeira grande oportunidade para actuar num filme. E seriam 4 episódios de participação. Bruce saiu-se tão bem, que todos os críticos americanos falavam muito bem da sua actuação. O "New York Times", chegou mesmo a sugerir que Bruce deveria ter a sua própria série. Aproveitando-se de seu reconhecimento, Bruce enviou a Warner Bros um projecto para fazer uma série sobre os monges shaolins e deu várias dicas de como seria esse projecto.         Recebeu uma promessa de que eles produziriam a série e Bruce seria o actor principal, assim como consultor geral do filme. Enrolaram Bruce o máximo que puderam. Linda Lee, conta que Bruce quase teve um ataque do coração ao ver o anuncio na TV sobre a série que estrearia em breve naquele canal. Estrelada então pelo desconhecido David Carradine. Este, sem duvida foi um dos piores dias na vida de Bruce. Ele se sentiu traído, usado, descriminado, revoltado com tudo e todos. Mas ele jurou que um dia todos iriam saber quem era Bruce Lee . E ele iria ter o reconhecimento que merecia. brucelee9.jpg (31658 bytes)

            Apesar de no ocidente as coisas não estarem de acordo como Bruce queria que estivessem, no oriente ele ainda era um grande ídolo. E esse facto fez com que muitos produtores de lá começassem a assediá-lo para que aceitasse trabalhar nos seus filmes. Bruce decidiu então em fazer um filme com Raymond Chow, cabeça da produtora "Golden Harvest". Antes mesmo de assinar contrato com Raymond, Bruce sempre dizia que um dia seria um super-astro de cinema a nível internacional a exemplo de seus ídolos, Clint Eastwood e Charles Bronson. Certa vez declarou isso a um produtor cinematográfico norte-americano que se riu em na sua, cara dizendo:"-Eu acho muito difícil um chinês ser um grande astro internacional. O público ocidental não esta acostumado com isso". Convictamente, Bruce  respondeu: " - É o que veremos meu amigo".

            Bruce viajou então para uma pequena aldeia no exterior de Bangkok, Tailândia onde seria filmado "The Big Boss" ("O Dragão Chinês ", aqui em Portugal). O enredo do filme era considerado medíocre para os padrões ocidentais e também para Bruce que teve que fazer uma série de modificações no roteiro original para que o filme chegasse mais próximo desses padrões.

            Lee sofreu muito durante as filmagens. Havia muita humidade, o clima era sufocante, sem falar na falta de alimentos. A alimentação da equipa se resumia a arroz e vegetais. Baratas, mosquitos e lagartos perturbavam quase que 24 horas por dia. Não havia nem um tipo de comunicação com o resto do mundo.   Era deprimente para Bruce ver toda aquela situação muito diferente do que ele conhecera em Hollywood. Ele chegou a perder 4 quilos devido a todos esses problemas. Terminado o filme, tanto Bruce quanto Chow acharam que o filme tinha ficado razoável pelo menos os gastos seriam recuperados.

brucelee21.jpg (15106 bytes)  (Cena do Filme "The Big Boss)

            O facto é que "The Big Boss" foi um estrondoso sucesso no mundo oriental. Em Hong-Kong chegou até superar "A Noviça Rebelde" em bilheteira. O filme continuou a quebrar recordes em vários países do oriente. Mais de 1 milhão e meio de pessoas o assistiram em seu primeiro lançamento. É claro que todo esse sucesso deve-se unicamente a Bruce Lee, que com seu carisma e profissionalismo trabalhou muito para que o filme ficasse pelo menos um pouquinho parecido com as produções ocidentais.

            Paralelamente a esses acontecimentos, nos EUA a série "Long Street" continuava em alta e os produtores procuravam Bruce para participar de mais alguns episódios. Voltando então para Hollywood, ele participou de mais 3 episódios. Pouco tempo depois a série sairia definitivamente do ar por problemas diversos. Bruce cansado então de esperar pelas indefinições dos produtores Americanos que não se decidiam se iriam ou não contratá-lo para novos projectos, retornou para Hong-Kong para fazer seu segundo filme pela "Golden Harvest" originalmente intitulado "The School for Chilvary". Posteriormente durante as filmagens, o titulo foi trocado para "Fist of Fury", (Em Portugal foi exibido com o titulo de "A Fúria do Dragão").

brucelee23.jpg (24199 bytes) (Bruce Lee na cena final de Fist of Fury)  

          Com uma produção bem mais cuidada e Bruce tendo total liberdade para fazer e desfazer o que ele quisesse no filme, Fist of Fury superaria em muito o filme anterior (The Big Boss). Com um roteiro considerado bom até para os exigentes padrões ocidentais e o talento marcante de Bruce Lee, Fist of Fury quebraria novamente todos os recordes nas bilheteiras do oriente. Segundo depoimentos de amigos de Bruce, ele se entregou de corpo e alma na realização desse filme. A história tinha muito a ver com ele e o preconceito racial que sempre sofrera nos EUA. O roteiro tem um lado político social que propositadamente faz pensar sobre esse tipo de preconceito. Nas Filipinas o filme ficou em cartaz por 6 meses sempre com casa lotada. Na estreia em Singapura, causou um verdadeiro rebuliço na região com enormes congestionamentos e ingressos que eram vendidos no mercado negro por até 20 vezes o valor da bilheteira. A fama e popularidade de Bruce subiram às alturas. Ele tornou-se o maior astro oriental de todos os tempos. Choviam ofertas de todos os tipos para que Bruce aceitasse fazer algum tipo de trabalho. Ele confessou que nessa época ficou meio que desorientado e não sabia mais em quem confiar. Dava-lhe a impressão que todos queriam somente tirar vantagens dele. Chegou até a desconfiar de velhos amigos. Várias vezes estranhos lhe entregaram cheques de grande valor que diziam ser presentes e logo depois desapareciam. Bruce destruía todos esses cheques. No entanto ele sempre confiou em Raymond Chow que por a sua vez torcia muito para que Bruce continuasse sempre no topo.

(Bruce Lee em cena de The Way of the Dragon - O Vôo do Dragão)

          Chow confessou que gostava muito dele, mas que também não estava mais conseguindo lidar com toda aquela situação. Afinal de contas ele recebia ofertas milionárias que certamente Chow não tinha condições de cobrir. Os dois encontraram então uma solução para resolver toda essa situação. Resolveram formar uma companhia; a "Concord Films", cujos lucros seriam divididos entre os dois. Bruce ficou satisfeitíssimo. Além de lucros maiores ele poderia actuar plenamente como roteirista, bem como director e actor. Ou seja; liberdade completa para desenvolver a suas ideias. Iniciou-se então as filmagens de "The Way of the Dragon", (" O Vôo do Dragão ", aqui em Portugal) .

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            Esse filme foi rodado em Roma e apesar de ter um enredo bastante simples, agrada bastante. Bruce misturou bem ingredientes como humor, ingenuidade, lutas bem coreografadas, filosofia e claro seu grande carisma pessoal. Para esse filme ele convidou seu amigo Chuck Norris. Reparem, nas cenas em que luta com Norris, rodadas no Coliseu, a grande lição que Bruce como um grande lutador mostra no filme. Adaptando-se ao adversário num momento de dificuldade e o respeito com que ele trata seu oponente independente de que arte seja. Em determinada cena, Norris com o braço e perna quebrados já não tem mais condição de continuar a lutar. Bruce olha-o e faz sinal com a cabeça para que Norris desista. Demonstrando o nobre sentimento da misericórdia. Norris no entanto, se atira em cima de Bruce numa última tentativa, pois ele também é um grande guerreiro e quer ir até ao final. Bruce estão dá o último golpe e a luta termina nesse momento. Bruce presta então seus respeitos ao grande lutador que esta ali caído aos seus pés. Essas cenas tinham muito a ver com a sua própria personalidade como lutador real. É realmente uma sequência memorável.

            Terminadas as filmagens, Bruce declarou que o filme tinha grande potencial e com certeza chegaria a  5 milhões de dólares em bilheteira. Os críticos julgaram-no louco, achando que jamais "The Way of the Dragon", dobraria a renda de "A Noviça Rebelde". Novamente ele estava certo. Logo nas primeiras semanas o filme chegou a 5,4 milhões calando a boca de muita gente.

            Na visão de Chow, o mundo agora estava pronto para conhecer Bruce Lee. Ele havia chegado a conclusão de que o momento era esse. No entanto Bruce não queria que seus filmes fossem lançados no ocidente por achar que tinham uma linguagem exclusiva para o público oriental. Na a sua opinião, eles não agradariam ao exigente público do outro lado do mundo. Mas desta vez ele estava errado. Lançaram "The Fist of Fury" na Europa, EUA e Canada. Para a total surpresa de Lee, o filme foi um enorme sucesso batendo todos os recordes de filmes orientais anteriormente exibidos. Em seguida foi a vez de "The Big Boss" e logo depois "The Way of the Dragon", repetindo a dose e quebrando novamente recordes de bilheteira. Bruce Lee estava-se a tornar um grande ídolo internacional e cada vez mais pessoas em todo o mundo estavam a reconhecer o pequeno Dragão e seu carisma envolvente.

            Aparecendo em praticamente todas as revistas de cinema e artes marciais, em grandes programas de televisão e sempre dando muitas entrevistas a jornalista e críticos de cinema, o nome Bruce Lee estava mais conhecido do que nunca pelos quatro cantos do mundo. Em Hong-Kong assim como nos EUA, iniciava-se a onda de produtos relacionados ao nome Bruce Lee e que eram vendidos em larga escala. Como: Camisetas, emblemas, chaveiros, bonés, revistas, etc.

brucelee17.jpg (30350 bytes)             Entretanto, Chow já tinha planos para o próximo filme da "Concord Films"; chamado de "The Game of Death" ("Bruce Lee no Jogo da Morte"). Bruce resolveu filmar algumas sequências que tinha na cabeça, e convidou seu amigo e aluno Kareem Abdul Jabbar (grande astro do basquetebol americano na época), para participar nessas filmagem de teste. Jabbar estava em visita social em Hong-Kong e resolveu aceitar o convite do amigo. Quem não gostou muito foi o empresário de Jabbar, que quase teve um ataque ao saber que um dos jogadores mais caros do mundo estava trocando socos e pontapés simplesmente com o "Rei do Kung Fu". Ele sabia que eram amigos e era apenas um trabalho cinematográfico, mas qualquer acidente com Jabbar resultaria num enorme prejuízo por quebra de contrato. Jabbar não tinha autorização para fazer esse tipo de coisas, expondo-se dessa maneira.

            Nesse ano as ofertas chegavam aos montes. Produtores de todo o mundo queriam o pequeno dragão. Bruce Lee já valia 1 milhão de dólares no mercado cinematográfico. O que era uma alta soma para os padrões da época. Muito feliz ,ele curtia cada momento dessa nova fase em a sua vida.

brucelee18.jpg (26221 bytes)             Mas nada lhe deu mais prazer do que saber que muitos produtores americanos também o queriam.

            Os mesmos que sempre o discriminaram e duvidavam de seu sucesso, estavam todos ali, agora, batendo à sua porta. Entre eles, a problemática "Warner Bros", que havia causado tanto tristeza em Bruce.                                                          

            O Produtor executivo da Warner Bros,"Fred Weintraub", foi a Hong-Kong exclusivamente para mostrar a Bruce o projecto de "Enter the Dragon" ("Operação Dragão"), que seria até então o filme mais caro sobre artes marciais nunca jamais realizado. Uma grande produção para o género. Bruce e Chow adoraram o projecto e voaram para os EUA para assinarem o contrato adiando assim a realização de "The Game of Death". brucelee5.jpg (30737 bytes)

(Cartaz promocional de Operação Dragão)                                                        

            Bruce Lee atirou-se de corpo e alma na realização desse novo projecto, e estava absolutamente certo de que esse filme o consagraria definitivamente como grande astro internacional de primeira grandeza. O filme teve um orçamento inicial de  600.000,00 dólares,  o que era uma boa quantia para a época, se levarmos em conta que um filme de James Bond tinha uma média de 1 milhão de dólares de orçamento inicial por filme. Bruce sugeriu e indicou os nomes de pessoas com quem gostaria de trabalhar. Entre eles estavam: John Saxon ( Conhecido actor e estudioso de artes marciais), Jim Kelly (Campeão internacional de Karaté 1971), Bob Wall (Campeão profissional de Karaté norte-americano 1970), Peter Archer (Campeão de Karaté amador), Yang Sze, várias vezes campeão de Shotokan do Sudeste Asiático e Angela Mao (faixa preta de Hapkido, campeã de Okinawa) que fez o papel da irmã de Lee no filme. Foram contratados mais de 200 extras e Bruce era também o principal responsável pelas coreografias e sequências de lutas. O enredo do filme é muito parecido com as histórias de James Bond. Lee, como agente secreto infiltrado, tenta arranjar provas para acabar com o maldoso e poderoso Hans. brucelee6.jpg (25668 bytes)

            Dono de uma ilha fortaleza localizada próxima a Hong-Kong e usada como fachada para seus negócios ilícitos. Hans, como apreciador de artes marciais, promove um grande torneio na sua ilha e convida vários artistas marciais de todo o mundo. Bruce é então infiltrado como agente especial do governo americano. O filme realmente é muito bom. Um verdadeiro clássico do cinema de artes marciais. Após o termino das filmagens, Bruce muito orgulhoso de seu trabalho teria dito: "Realmente foi o melhor filme da minha vida. Tenho a certeza de que chegara fácil aos U$$ 20 milhões". O Pessoal da Warner concordava plenamente com ele. Muitos homens de cinema já diziam que Bruce tinha muito potencial a exemplo de Clint Eastwod e John Wayne valendo seu peso em ouro. Infelizmente Bruce não viveu para ver o enorme sucesso que conseguiria em todo o mundo. Somente nos EUA, nas primeiras semanas "Enter the Dragon "chegou a U$$ 3 milhões. Na Inglaterra ficou várias semanas nas principais salas de cinema, sempre com casa cheia. O sucesso também se repetiu em vários países da Europa. Batendo recordes principalmente na Itália, Espanha e Alemanha. Actualmente estima-se que esse filme tenha ultrapassado 200 milhões de dólares, entre lançamentos, direitos para a TV, fitas de vídeo e, DVDs, desde o seu lançamento no início dos anos 70. brucelee3.jpg (27600 bytes)

            O interessante é que "Enter the Dragon", na época, não conseguiu no oriente superar "The Fist of Fury". Talvez pelo facto de que o publico oriental ainda não estivesse acostumado com uma visão ocidentalizada de filmes de arte marcial.

          De qualquer forma chegou a 4 milhões de dólares em Hong-Kong e nas Filipinas foi proibido por julgarem o filme violento de mais e com forte apelo a cultura ocidental. Coisas da época!

brucelee16.jpg (21936 bytes)  (Cena de operação Dragão - Onde Bruce Lee utiliza tão habilmente os Kalis - Arma Filipina)

            Pouco antes e mesmo durante as filmagens de " Enter the Dragon", a pressão sobre Bruce já estava chegando a níveis insuportáveis; segundo a sua própria visão. A sua privacidade deixara de existir. Era frequente o assédio por parte de fãs, jornalistas, pessoas que queriam desafiá-lo para uma luta, produtores e gente do cinema sempre querendo a sua presença em eventos e festas de todos os tipos. Bruce declarou certa vez, que não gostava muito dessas festas. Ele sentia-se mal, tinha que usar roupas que não gostava , tinha que responder sempre as mesmas perguntas aos jornalistas , tinha que estar a sorrir para tudo e todos, sem falar nas intermináveis sessões de fotos. O que ele gostava mesmo era de reunir seus amigos e ficar bem à vontade discutindo sobre filosofia, cinema, música , desporto e artes marciais. Somando-se o facto de que Bruce já era uma personalidade bastante famosa e que tinha um temperamento bastante explosivo, a imprensa sensacionalista da época passou a persegui-lo praticamente em todos os lugares em que ia. Sempre haviam fotógrafos (tipo os actuais paparazzis) a esperar por acontecimentos que certamente seriam manchetes nos jornais, principalmente em Hong-Kong.

brucelee7.jpg (27445 bytes)             Bruce certamente colaborava bastante para toda essa situação. Muitas vezes demonstrou em público ser uma pessoa muito temperamental e agressiva.      Segundo relatos que encontrei, certa vez Bruce participava  num programa de TV em Hong-Kong onde estavam também muitos artistas marciais. Um velho mestre desafiava a todos os presentes para que tentassem desequilibrá-lo da posição de luta em que estava. Depois que todos tentaram sem sucesso chegou a vez de Bruce, que simplesmente chegou perto do homem e lhe deu um soco que o fez cair rapidamente no chão, arfando de dor. Quando lhe perguntaram o porque de toda aquela agressividade, Lee respondeu: “Bruce Lee não empurra. Bruce Lee soca!”

           Durante as filmagens de " Enter the Dragon", ele armou confusão com o produtor Fred Weintraub , o escritor Michael Allen e Bob Wall (Campeão de Karaté profissional americano) , que foi o responsável pelo ferimento que Lee recebeu na mão durante uma cena,na qual Wall partiu para cima dele com cacos de garrafas quebradas. Esse incidente, intencional ou não, interrompeu as filmagens por vários dias, até que Bruce se recuperasse. É claro que não podemos julgar Bruce como sempre sendo o culpado por tudo. Mas com certeza não era uma pessoa muito fácil para se lidar. Mas se pensarmos bem, todos nós temos nossos defeitos e ele tinha os dele também. brucefundo.jpg (27931 bytes)

            Nos meses que antecederam a sua morte, Bruce estava a viver uma fase que misturava ansiedade, stress e agitação.

            Segundo Linda Lee, ele queria abraçar o mundo com as mãos e não queria deixar escapar nada. Treinava duramente várias horas por dia. Passava noites em claro, trabalhando em projectos de filmes. Muitas vezes Bruce acordava à noite com insónias e ia para a sua sala de treino, onde ficava a exercitar-se até ao amanhecer do dia.

             Alguns dos seus amigos contaram que ele tinha uma espécie de mania de perseguição. A coisa piorou mesmo quando no aeroporto de San Francisco uma bala perdida passou bem próximo a Bruce. Essa história ficou muito mal contada. E até hoje não se sabe o que aconteceu de facto. Depois desse acontecimento ele passou a carregar uma arma de fogo onde quer que fosse. Bruce vivia preocupado e começou a perder bastante peso. Qual seria o motivo de toda essa agitação e preocupação? É de se pensar! Um homem que tinha tudo para ser um super-astro internacional. Estava (como costumamos dizer): "Com a faca e o queijo nas mãos". Desde cedo aprendeu a cuidar muito bem de a sua mente e corpo. Ele sabia que um atleta tem que se alimentar, dormir bastante e estar sempre com a mente tranquila. Aparentemente estava vivendo cada dia como se fosse o último. Um outro facto muito interessante é que Bruce fez um seguro de vida milionário também nessa época. Uma das perguntas mais frequentes que fazem é : "Como morreu Bruce Lee?". É até certo ponto engraçado as muitas versões que existem, de como teria morrido o lendário rei dos filmes de Kung Fu. Existem histórias absurdas como: morte por drogas, envolvimento com a máfia, suicídio, pacto com o demónio, marido traído, acerto de contas e tantas outras.

brucefami2.jpg (24808 bytes)  (Bruce ao lado de Linda e seus filhos, durante filmagens de o Voo do Dragão)

            Fantasias à parte, vamos então aos factos plausíveis e comprovados. Em Maio de 1973 , Bruce estava em uma sala de duplos quando teve um ataque e caiu no chão. Com acessos de vómitos e convulsões, ele mau conseguia respirar. Foi levado à pressa para o hospital. Os especialistas constataram que havia alguma coisa errada com seu cérebro. Medicado, Bruce recuperou-se e foi orientado a fazer exames mais detalhados. Decidiu fazer esses exames com os maiores médicos dos EUA. Formou-se então uma junta médica com grandes especialistas para um check-up completo, mas nada encontraram. Chegaram a conclusão de que Bruce tinha uma excepcional forma física de causar inveja a qualquer jovem de 18 anos. Associaram o problema a uma simples estafa física e mental.

            Bruce retornou então as a suas actividades normais . Cerca de dois meses depois, precisamente no dia 20 de Julho de 1973, Bruce tinha ido ao apartamento da actriz Betty Ting Pei, para acertar detalhes sobre a participação dela no filme " The Game of Death" (Bruce Lee no Jogo da Morte).

            Por volta das 19:30h queixou-se de fortes dores de cabeça. Betty resolveu lhe dar uma espécie de aspirina chamada de “ Equagesic” e pediu para que Bruce a ingerisse, que logo a dor pararia. Cerca de 2 horas depois, Betty foi acordá-lo, pois o seu amigo produtor Raymond Chow tinha chegado, e eles tinham um compromisso marcado. Perceberam logo que algo de grave tinha acontecido, pois não conseguiam acordar Bruce de maneira nenhuma, mesmo molhando-o ou dando-lhe bofetadas no seu rosto. Chamaram imediatamente um médico e logo em seguida Bruce foi removido para o Hospital Rainha Elizabeth, onde morreu. A causa da morte foi edema cerebral. Mas o que causou esse edema não se sabe ao certo. As duas autópsias feitas, uma em Hong-Kong e a outra em Los Angeles, contaram com a participação de grandes médicos de renome internacional que estudaram cuidadosamente o caso. Chegaram a conclusão de que a "Causa Mortis" aparentemente foi devido a uma hipersensibilidade aos meprobamatos ou aspirina. Quando a noticia se espalhou, ninguém queria acreditar e pensavam que era algum tipo de boato ou brincadeira de mau gosto. Era difícil de acreditar que um homem como Bruce Lee estivesse morto devido a uma enfermidade qualquer. Mas era verdade. O pequeno dragão havia partido. Para sempre.

            Até hoje a sua morte é discutida: muitos dizem que foi algum tipo de vingança entre as gangs de Hong Kong, ou até mesmo uma maldição dos mestres chineses por passar as artes marciais aos não-asiáticos. Muitos também pensam que foi vingança por ter feito muito sucesso. Mas a sua morte foi comprovada por uma autópsia e resultou num edema cerebral, um inchaço no cérebro causado por uma reacção alérgica ao remédio tomado na casa de Betty. brucelee15.jpg (29433 bytes)

            Em Hong-Kong, o corpo foi exposto para visitação publica em caixão aberto.   Posteriormente seguiu para Seattle (EUA), onde foi enterrado. Cerca de 120 policiais trabalharam para manter a ordem durante a cerimónia fúnebre . Milhares e milhares de pessoas esperavam pacientemente para dar o último adeus ao grande ídolo. No filme The Game of Death (Bruce Lee no jogo da Morte), muitas daquelas cenas de cerimónia fúnebre são verdadeiras. Dá para ver ligeiramente o rosto de Bruce Lee dentro do caixão. Linda Lee vestiu-o com as calças e o fato usado no filme "A Fúria do Dragão"( Fist of Fury). Os grandes astros do cinema americano na época , Steve McQueen e James Coburn prestaram a sua ultima homenagem ao ajudar a carregar o caixão do amigo morto. Juntamente com eles, um humilde dono de mercearia e também grande amigo de Bruce , chamado Taky Kimura. Bruce tinha apenas 32 anos de idade. Até os dias de hoje o túmulo de Bruce já foi visitado por milhares e milhares de pessoas e provavelmente continuará sendo por muito e muito tempo.

bruceleetumul.jpg (22172 bytes)  (O tumulo de Bruce Lee nos EUA)

            Alguns anos depois da morte de Bruce, o produtor Raymond Chow resolveu terminar " The Game of Death" (Bruce Lee no Jogo da Morte), criando uma história na qual seria adaptada as cenas que Bruce tinha rodado como testes. Se o leitor observar nesse filme, na parte em que Bruce enfrenta Kareen Abdul (O jogador de basquetebol), durante praticamente toda a luta Kareen Abdul permanece sempre de óculos escuros. O facto é que ele sempre teve problemas visuais e luzes fortes incomodavam-no muito. E como eram simples cenas de testes para análises, Bruce permitiu que ele ficasse com os óculos na maior parte do tempo. Quem não conhece os factos, logo fica a pensar que a cena ficou mal feita, pois Kareen leva um monte de golpes no rosto e os óculos nunca caem. Fizeram muitas montagens nesse filme utilizando imagens verdadeiras de Bruce, mais algumas não ficaram tão boas. O verdadeiro Bruce Lee realmente só aparece nos minutos finais do filme, onde ele luta com Bob Wall (o Karateca) brucelee22.jpg (22800 bytes)   

(Bruce e seu amigo Kareen Abdul no "Jogo da Morte")                                                          

            Devido ao enorme sucesso de " The Game of Death", foi feito " The Game of Death II". Novamente utilizaram muitas imagens de Bruce de outros filmes e também cenas inéditas não utilizadas. Infelizmente Bruce não aparece a lutar em nenhuma delas.