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            Versam amanhã 30 anos sobre o 25 de Abril de 1974. O que significa, como é do conhecimento de todos, que há 30 anos o povo português reconquistou a sua liberdade após 40 anos de opressão de uma ditadura com qual nós não nos revíamos, nem nos revemos. Porém, a JP celebra esta data de uma forma especial em relação às comemorações usualmente feitas. Celebra-a de uma forma que, a nosso ver, é a mais fiel à História. Sabemos reconhecer os benefícios da Revolução dos Cravos, inúmeros diga-se, mas sempre com uma posição consciente e crítica, porque somos uma organização de juventude e, por isso mesmo, não temos nem complexos da História, nem somos influenciáveis pelos complexos dos outros. Somos uma jota que olha os factos de forma imparcial e, desta forma, sabemos que se o 25 de Abril teve inúmeras coisas positivas, teve também muitos excessos evitáveis, que, possivelmente, condicionaram o desenvolvimento de Portugal de uma forma que não aconteceu na Alemanha com o fim do Nazismo, nem na Itália com o fim do Fascismo, nem em Espanha com o fim do Franquismo.

A Revolução de Abril projecta-se, portanto, no presente e influencia o futuro em tudo o que teve de bom, mas também em tudo o que teve de mau. Só quem tem uma cegueira profunda fundada em complexos injustificados e injustificáveis, numa devoção pouco evolutiva a um partido ou ideologia desactualizados ou num vício incorrigível de defesa infundamentada de pregões como “Abril é revolução” é que nega as evidências. A JP não esquece o período que decorre de 25 de Abril de 1974 a 25 de Novembro de 1975. A JP não esquece o Verão Quente. A JP não esquece a nacionalização da banca. A JP não esquece uma descolonização mal feita, cujas sequelas nas colónias foram catastróficas e em que se desrespeitaram os nossos militares, que só agora, 30 anos depois, com um governo de Direita e com um ministro do CDS vêem o seu valor reconhecido, evidenciando aquele mal demasiadas vezes presente na nossa política de que uns prometem, outros cumprem. O CDS prometeu. O CDS cumpriu. Porque como disse uma vez Adelino Amaro da Costa “Não basta apregoar a defesa de conquistas para se conhecer o projecto concreto de quem lança esse pregão. Defender conquistas ou aquilo que se considera conquistas não é uma proposta de avanço.”. Mas mais, a JP não esquece a acção de grupos terroristas como as FP 25 de Abril ou o PRP/BR (Partido Revolucionário do Proletariado/Brigadas Revolucionárias). A JP não esquece a ocupação grotesca de terras sem critério e a sua apropriação selvagem pela esquerda raivosa daquele tempo. A JP não esquece o horrível PREC (Processo Revolucionário em Curso), que não foi mais que um processo que conduziria seguramente Portugal a um ditadura de extrema-esquerda, não fosse a resistência do povo. A JP não esquece que o 25 de Abril desiludiu até Salgueiro Maia, porque viu a revolução entrar num rumo que ele não idealizara, porque viu o espírito inicial da revolução – o de libertar Portugal da ditadura – suplantado pelas aspirações de militantes de partidecos de esquina, que tantas vezes confundiram liberdade com libertinagem e que hoje estão concentrados na EQT (Esquerda Que Temos)… A JP simplesmente não esquece.

Por isso, temos a perfeita consciência de que se 25 de Abril foi Liberdade, 25 de Novembro foi Democracia.   25 de Abril foi Liberdade. E basta. Não precisa nem do ideário nem do rótulo de esquerda, que aliás é a sua pior mancha.

24 de Abril de 2004

 

Ricardo Martins Marcelo

Presidente da CPC de Castelo Branco da Juventude Popular

 
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