Historial do Rancho
 
O Rancho Folclórico Etnográfico da Casa do Povo de Poiares, como o próprio nome indica, pertence à freguesia de Poiares, concelho de Ponte de Lima, da região do Alto Minho, e foi fundado em 18 de Agosto de 1984.
Presidiu ao acto fundador deste Rancho Folclórico a vontade firme de uma comunidade em redescobrir as suas tradições culturais, de forma a preservá-las para os vindouros. Assim, desde o início, os promotores e os membros que participaram nos primeiros ensaios, fizeram uma pesquisa entre os habitantes mais velhos e mais conhecedores das tradições ligadas ao canto, à dança e ao traje, para fornecer as raízes culturais e as marcas identitárias que constituiriam as características deste grupo. Da tradição oral recolhida e dos trajes ainda pertença de alguns habitantes, concluiu-se que a imagem e a arte a manifestar nas futuras representações estavam inseridas profundamente nas raízes do subgrupo cultural do Vale do Neiva. À exuberância de cores de outras regiões do Alto Minho contrapõe-se o rigor e fino trabalho dos trajes desta freguesia. Apesar de imperar a estopa, a lã de ovelha tingida nos tons castanho e preto, muito linho fino, mesmo tendo em conta a sua raridade, sobressaem também o cotim e a sarja. É na variedade dos materiais, da diversidade dos seus trabalhos e das ocasiões a que se destinavam na vida quotidiana, que está a riqueza dos trajes deste Rancho Folclórico, e que tanto tem impressionado aqueles que têm a felicidade de presenciar as suas actuações.
A freguesia de Poiares, tradicionalmente agrícola, tem uma já longa história, existindo evidências da sua ocupação desde as primeiras manifestações humanas megalíticas, como seja uma mamoa aí existente, bem como restos de ocupação romana, evidentes na "vila de Arosendis" e no lugar de Paços. As duas veigas onde se situam as principais terras agrícolas são extremamente férteis e marcaram as vivências dos habitantes ao longo dos tempos. Dos costumes e práticas que ao longo da história definiram a identidade desta comunidade, alguns deles encontram na arte do folclore a sua expressão máxima. Nas danças, canto e trajes do Rancho Folclórico Etnográfico da Casa do Povo de Poiares podemos encontrar a variedade das ocupações do camponês, tanto na vida quotidiana como nos dias de excepção, ou seja os dias de feira, de domingo e de festa do padroeiro, S. Tiago Maior, celebrado em 25 de Julho. Se no passado as ocasiões a provocar o passo de dança se multiplicavam ao longo do ano – o fim dos trabalhos do campo, as esfolhadas, as tardes que seguiam as orações de domingo -, actualmente só em momentos especiais nos podemos maravilhar com o património folclórico. Na terra que o viu nascer, Poiares, o rancho apresenta-se com o máximo esplendor nas festas anuais de S. Tiago e S. Roque, ocasião em que organiza um Festival Folclórico, convidando para essa manifestação popular outros ranchos nacionais.
Desde o ano de fundação até ao presente, o Rancho Etnográfico de Poiares tem exibido a sua arte por muitos palcos nacionais e internacionais. De norte a sul do país, a expectativa de um rancho folclórico do Minho resulta, no início, em alguma estranheza, na medida em que os trajes diferem da imagem comum referente aos trajes minhotos. Mas logo os presentes descobrem uma riqueza e qualidade que a todos conquista e surpreende. É na autenticidade de uma herança que os responsáveis apostam e é nela que projectam um futuro sempre aliciante.
Devido a esta tipicidade, muitos são os convites para representações, a fim de que a riqueza e variedade do folclore nacional sejam acessíveis aos espectadores. Entre os convites, saliente-se o realizado pela Associação dos Jovens Agricultores Portugueses para uma ida a Paris, em Junho de 1990, a fim de participar no Encontro Europeu de Agricultores. Entre grupos folclóricos de outros países da Comunidade Económica Europeia (hoje União Europeia), o Rancho Etnográfico de Poiares destacou-se nos Campos Elísios, fazendo primeira página nos jornais franceses, nomeadamente no France-Soir e no Fígaro (25 de Junho), onde se podem ver fotografias a meia página de membros do rancho, e uma mais reduzida em que o antigo Presidente da CEE, Jacques Delors, confraterniza com esses membros, bebendo vinho verde por uma tigela. Alguns jornais nacionais fizeram eco deste acontecimento, assim o Jornal de Notícias de Junho desse ano. Também em momentos especiais, como os celebrados na Vila de Ponte de Lima, o Rancho Etnográfico de Poiares é convidado para ilustrar e abrilhantar as festividades. Veja-se o caso, por exemplo, da Inauguração do Museu Rural de Ponte de Lima, onde os governantes presentes foram brindados com a actuação deste grupo.
Da riqueza dos vinte anos de actuações deste grupo folclórico muito ainda poderia ser mencionado. A história saberá preservar e valorizar o esforço de uma pequena comunidade que tem orgulho no seu património e o quer transmitir aos vindouros. O que importa, no tempo presente, é o empenho e vontade de um grupo de jovens e menos jovens em continuarem a descobrir, preservar e comunicar um saber herdado, fazendo da comunidade nacional e internacional participantes dessa herança, através das suas actuações nos mais variados palcos e celebrações festivas.