|
|
|
|
|
|
|
Com os acontecimentos do passado
dia 26 de Dezembro no sudeste asiático, o mundo ficou mais
atento e alerta para as catástrofes naturais. O que aconteceu
na Ásia foi um violento sismo, que por sua vez deu origem
a um tsunami, ou onda gigante.
A Terra é composta por camadas, das quais a mais superficial
(crosta terrestre) se encontra fracturada, como se fosse um gigante
puzzle, e assenta sobre uma camada viscosa (manto). As peças
desse enorme puzzle chamam-se placas tectónicas. Por consequência
dos movimentos internos da Terra e como resultado de a crosta
estar assente numa camada viscosa, as placas tectónicas
movimentam-se, originando sismos. No caso do sudeste asiático,
o sismo foi originado num lugar onde duas placas têm um
movimento convergente. Devido a essa convergência, uma das
placas "mergulha" debaixo da outra, num movimento denominado
subducção. A violência do movimento causou
um dos sismos mais fortes alguma vez registados (9 graus de magnitude
na escala de Richter de acordo com os serviços geológicos
americanos - USGS). Como este sismo ocorreu no mar (maremoto),
o movimento das placas tectónicas abanou o fundo do mar
e deu origem a uma enorme onda que devastou as terras mais próximas.
Embora a onda não tivesse atingido alturas muito grandes,
o maior perigo esteve sobretudo na velocidade das águas,
que, nalguns locais, ultrapassou os 700Km/h. E tendo em conta
que as áreas atingidas tinham muito baixas altitudes, a
onda inundou enormes áreas destruindo praias, construções
e matando dezenas de milhares de pessoas.
A área afectada pelo sismo de 26 de Dezembro de 2004 encontra-se
numa área onde a probabilidade de acontecerem sismos de
grande intensidade é muito grande. O anel de fogo, como
é denominada a área, é uma área de
subducção onde ocorrem frequentemente muitos e violentos
sismos.
Comparativamente a Portugal,
o anel de fogo tem muito maior probabilidade de sofrer abalos
sísmicos. Não quer isto dizer que não possamos
estar sujeitos a sismos e a tsunamis. O sismo de 1755, sentido
com grande intensidade em Lisboa, mas sentido também por
vários países da Europa, é prova disso. Supõe-se
que a sua magnitude tenha ultrapassado os 8 graus na escala de
Richter e que o seu epicentro tenha sido no oceano Atlântico,
a cerca de 200Km a sudoeste do Cabo de São Vicente. Se
assim foi, terá ocorrido no encontro entre as placas europeia
e africana (esse encontro de placas vem desde os Açores
e atravessa todo o mar Mediterrâneo, e é denominado
falha Açores-Gibraltar). O sismo de 1755 provocou também
um tsunami que inundou não só Lisboa, mas também
áreas ao longo do Mar Mediterrâneo. Há registos
de mortos pela onda gigante não só em Lisboa, como
no sul de Espanha e norte de África.
É importante saber, se ocorrer um sismo, o que devemos
fazer (para obter informações completas sobre o
que fazer antes, durante e após um sismo, consulte a página
da protecção civil em http://www.snbpc.pt). Mas
mais importante do que isso, é estarmos cientes de que
estamos sujeitos, com muito maior probabilidade, a outro tipo
de catástrofes. Até porque algumas podem ser evitadas,
ou pelo menos diminuídas as suas consequências. Se
não fossem permitidas construções demasiado
próximas do litoral (como por exemplo no Algarve) podiam
evitar-se perdas devido à rápida erosão do
litoral ou até catástrofes como a que ocorreu na
Ásia. Não se evita a erosão marinha, nem
as ondas gigantes nem os sismos, mas evitam-se as tragédias
humanas e a destruição de casas e campos que estão
demasiado próximos da costa.
As cheias são outro exemplo de catástrofe que ocorrem
frequentemente em Portugal. Estas desenvolvem-se quando um curso
de água aumenta repentinamente o seu caudal. Quando tal
sucede, o leito inunda, para além das margens, ocupando
a área denominada "leito de cheia". Há
estudos que identificam os leitos de cheia, ou seja, sabe-se exactamente
até que ponto um rio pode encher, inundando as suas margens.
Apesar disso, muitas vezes permite-se que se construa nestas áreas,
colocando em perigo todas essas construções e a
vida de quem lá reside. No caso concreto da grande Lisboa,
onde o concelho de Sintra se insere, existem muitos exemplos de
mau planeamento. Com o argumento da probabilidade de cheias ser
diminuta, aprovam-se projectos (e noutros casos constrói-se
clandestinamente, neste caso muitas vezes com falta de conhecimento)
em áreas potencialmente perigosas. Mesmo que a probabilidade
de ocorrer uma cheia seja ínfima, ninguém gostaria
de morar numa casa que pode ser inundada ou até destruída
de um momento para o outro. Daí a importância do
planeamento, da aprovação de projectos de construção,
da delimitação de áreas onde não devia
ser possível construir (como os leitos de cheia, ou o litoral).
|
|
|
|
|
|
|