Madalena Mota

 Curriculum vitae

 Publicações

 Congressos

 Actividades nas escolas 

 Sites de interesse

Contacte-me (mail)

Materiais didácticos para o ensino com SIG

Comunicação apresentada no II Congresso Ibérico de didáctica da Geografia, Abril de 2005 (Lisboa) e publicada nas actas do mesmo congresso

Esta comunicação foi acompanhada por um POSTER elaborado pelos ALUNOS

Resumo

Pretende-se desenvolver um projecto que incluirá a publicação on-line e a divulgação de materiais didácticos, como mapas, fichas de trabalho, grelhas e guiões de trabalhos feitos com recurso a Sistemas de Informação Geográfica (SIG). O projecto inclui ainda a preparação e planificação de cursos de formação de professores para que os materiais didácticos possam efectivamente ser postos em prática. O objectivo prende-se com a necessidade de alteração das metodologias didácticas, de maneira a fomentar o ensino experimental da Geografia, o uso de tecnologias de informação e comunicação (nas quais se incluem os SIG) e desenvolver nos alunos competências que lhes permitam ser capazes de lidar com informação espacial. Para tal, é fundamental formar professores no manuseamento de técnicas de Sistemas de Informação Geográfia. Torna-se também imperativo disponibilizar gratuitamente materiais que os professores possam usar e que visam fomentar o uso dos SIG nos ensinos básico e secundário. Estudos efectuados nos EUA e na Europa mostram que há vantagens e desvantagens no uso destas tecnologias. As vantagens estão relacionadas, na sua maioria, com as melhorias ao nível da aprendizagem e do desenvolvimento de competências por parte dos alunos. As desvantagens apontadas referem-se sobretudo às dificuldades que os professores têm em aplicar estas técnicas devido a deficiente formação na área dos SIG e ainda pelos escassos recursos que se encontram à sua disposição. Foram ainda referenciadas dificuldades ao nível de tempo para preparação de materiais.

Enquadramento
O projecto enquadra-se na sequência de uma tese cujo tema ("Concepção de curricula em análise espacial e modelação geográfica para o ensino básico) é de grande relevância e um contributo valioso para o ensino da Geografia (e não só) em geral. Pretende-se desenvolver um trabalho que, com base no uso de novas tecnologias (como os Sistemas de Informação Geográfica - SIG), venha permitir alterações nas metodologias de ensino.

A tese e o presente projecto privilegiam o ensino experimental, o uso das novas tecnologias, a transversalidade e a interdisciplinaridade. Enquadra-se, assim, na filosofia de base da reforma curricular do ensino básico em curso (podendo ainda ser adaptada ao ensino secundário) e pretende ser um contributo valioso que poderá mesmo resultar em propostas de projectos de formação de professores.

O ensino básico é a formação inicial de todos os jovens e considera-se fundamental que todos terminem esta formação com a capacidade de perceber o espaço e as relações entre os vários elementos e fenómenos que nele co-existem. A reorganização curricular foi concebida com base em vários princípios orientadores e estruturantes como a diversificação, a flexibilidade, a articulação, a interdisciplinaridade, entre outros. Desta forma, os materiais didácticos e as metodologias adoptadas pelos professores devem ser múltiplos para que se possam gerir solicitações diversas. As maneiras de ensinar e os recursos devem ser diversificados, para que se adequem a diferentes situações, a diferentes ritmos de aprendizagem, a diferentes motivações, a diferentes interesses. Os princípios orientadores do Decreto-Lei nº 6/2001 mencionam a necessidade de diversificar "metodologias e estratégias de ensino e de aprendizagem, em particular com recurso a tecnologias de informação e comunicação".

O curriculum é um conjunto articulado entre várias áreas disciplinares. A concretização do curriculum pressupõe que se estabeleçam diferentes caminhos para que as aprendizagens sejam bem sucedidas. A articulação horizontal de conceitos, temas e conteúdos deve estar presente numa abordagem geral do curriculum. A aprendizagem é mais consistente quando os conteúdos estão integrados em aspectos significativos para o aluno. É também importante ligar os conteúdos a situações concretas e mostrar a relevância e pertinência daquilo que se está a ensinar.
A análise espacial pode ser, à primeira vista, uma disciplina associada à Geografia. No entanto, corresponde também ao estudo da distribuição espacial de qualquer fenómeno, à procura de padrões espaciais. Neste sentido, pode ser um método de estudo usado em qualquer área disciplinar. Neste contexto é importante que se perceba que os SIG podem desempenhar um papel muito importante, por várias razões. Por um lado a motivação que o uso de computadores produz, frequentemente, nos jovens. Esta motivação ocorre pelo facto de muitos jovens gostarem de trabalhar com computadores, mas também pela facilidade que normalmente têm. Esta facilidade é favorecida também pela falta de medo em usar o computador. Os jovens tendem a experimentar para ver o que acontece, mais do que aprender a teoria e tentar aplicá-la posteriormente. Esta capacidade deve ser aproveitada no ensino.
Por outro lado, a sociedade actual está cada vez mais voltada para o uso das tecnologias e dos computadores. São cada vez mais as áreas e as situações em que os SIG são usados. Em planeamento urbano, em trabalhos de análise de risco, em florestação, em meteorologia, etc. Assim sendo, considera-se que é importante que os alunos comecem a ter consciência de que podem identificar problemas e criar maneiras de os tentar resolver (ou apresentar soluções possíveis). Esta metodologia, que se enquadra nos métodos de trabalho de projecto, pode ser feito em SIG.

Nos Estados Unidos da América há referências ao uso de SIG desde o 4º ano até ao 12º ano, portanto desde a Elementary School (equivalente ao 1º ciclo do ensino básico português) até ao High School (ensino secundário) passando pelo Middle School (2º e 3º ciclos do ensino básico). Em Portugal, as reformas educativas apontam para um ensino cada vez mais experimental e mais centrado na construção do saber pelos alunos. Procura-se que nas escolas, os alunos desenvolvam competências, ou seja procura-se "promover o desenvolvimento integrado de capacidades e atitudes que viabilizam a utilização dos conhecimentos em situações diversas (...)" (in Currículo Nacional do Ensino Básico - Competências Essenciais - Introdução, DEB, 2001). As competências específicas definidas nas orientações curriculares da geografia, no currículo nacional do ensino básico português, correspondem, em certa medida ao National Geography Standards americanos. Isto é: procurar que no final do ensino básico os jovens tenham uma cultura geográfica que se traduza pela capacidade de visualizar factos especialmente, de os relacionar entre si, que possua destrezas espaciais e seja capaz de interpretar informação geográfica.
Questiona-se o modelo tradicional em que o professor se limita a ser o veículo transmissor e divulgador de informação. Dá-se cada vez mais importância também às tecnologias de comunicação e informação (TIC). Neste sentido, os novos programas e as orientações curriculares incentivam o uso das TIC e abordagens pedagógicas orientadas para o ensino pela experiência, em que os alunos são responsáveis pela construção dos seus conhecimentos. As competências ligadas ao "saber fazer" assumem grande importância, o que deveria levar os professores a adoptarem estratégias de ensino diferentes das tradicionais. O papel do professor deverá ser cada vez mais um papel de orientador, de alguém que ajuda os alunos a escolher e organizar a informação.
Os SIG permitem passar de uma geografia descritiva a uma geografia problemática fundamentada na construção e domínio de noções geográficas.
Em qualquer dos casos, há a referir que a formação de professores nesta área é necessária para que estes sistemas possam ser implementados no ensino. As empresas como a ESRI que fornecem material às empresas e às escola (apoiando projectos como o Geolab, ou fazendo preços especiais para escolas), devem investir na formação específica para professores e na realização de materiais e fichas de trabalho preparadas para serem usadas nas aulas. Caso contrário arrisca-se a que estas tecnologias não sejam aplicadas nas escolas, uma vez que a falta de tempo e de formação têm sido as principais razões que levam os professores a não a adoptarem.

Objectivos
O objectivo principal deste projecto prende-se com a vontade de ver postas em prática as metodologias que são defendidas e propostas na dissertação. Em toda a bibliografia consultada aquando da preparação da dissertação, são mencionadas vantagens e desvantages na aplicação das tecnologias SIG ao ensino. Verificam-se ainda dificuldades e constrangimentos a vários níveis.

 

Também são mencionadas dificuldades referentes aos apoios técnicos e económicos.
No que respeita às vantagens apontadas, salientam-se sobretudo vantagens para os alunos, entre elas:

Mas são também referidas outras vantagens:

Passos a dar
1- Contactar entidades e indivíduos no sentido de obter apoios técnicos e eventuais parcerias (ex: ISEGI, Associação Portuguesa de Geógrafos, Associação de Professores de Geografia, Faculdades onde o cusro de Geografia via de ensino seja leccionado, empresas fabricantes de programas informáticso, como a ESRI, etc). Alguns destes contactos foram já efectuados de maneira informal;
2- Preparar uma página de internet onde os materiais didácticos e outros elementos estejam acessíveis, gratuitamente, à comunidade educativa;
3- Publicar, na página, um manual de consulta fácil que conduza os docentes e os alunos à introdução dos Sistemas de Informação Geográfica, bem como a conceitos de Análise Espacial e Modelação Geográfica;
4- Publicar, na página, materiais didácticos, utilizáveis e fotocopiáveis (mapas, fichas, grelhas, etc);
5- Preparar e apresentar em vários centros de formação, acções de formação que permitam dotar os docentes das ferramentas necessárias ao uso destes materiais, bem como de os preparar para a utilização dos Sistemas de Informação Geográfica;
6- Divulgar as acções de formação e a página com os materiais (congressos, palestras, idas às escolas e aos centros de formação...);

Exemplos de sites americanos com aulas e materiais para aulas com SIG:
https://sharepoint.cisat.jmu.edu/isat/kolvoora/Spatial%20Thinking/Forms/AllItems.aspx
http://kangis.org/
http://rockyweb.cr.usgs.gov/public/outreach/quakegis/main.html
http://rockyweb.cr.usgs.gov/public/outreach/mapmys.html
http://rockyweb.cr.usgs.gov/public/outreach/topoteach.html
http://www.remc11.k12.mi.us/bcisd/classres/gis.htm
http://www.usgs.gov/education

 

Madalena Mota

 Curriculum vitae

 Publicações

 Congressos

 Actividades nas escolas 

 Sites de interesse