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Resumo
Pretende-se desenvolver um projecto que incluirá a publicação
on-line e a divulgação de materiais didácticos,
como mapas, fichas de trabalho, grelhas e guiões de trabalhos
feitos com recurso a Sistemas de Informação Geográfica
(SIG). O projecto inclui ainda a preparação e planificação
de cursos de formação de professores para que os
materiais didácticos possam efectivamente ser postos em
prática. O objectivo prende-se com a necessidade de alteração
das metodologias didácticas, de maneira a fomentar o ensino
experimental da Geografia, o uso de tecnologias de informação
e comunicação (nas quais se incluem os SIG) e desenvolver
nos alunos competências que lhes permitam ser capazes de
lidar com informação espacial. Para tal, é
fundamental formar professores no manuseamento de técnicas
de Sistemas de Informação Geográfia. Torna-se
também imperativo disponibilizar gratuitamente materiais
que os professores possam usar e que visam fomentar o uso dos
SIG nos ensinos básico e secundário. Estudos efectuados
nos EUA e na Europa mostram que há vantagens e desvantagens
no uso destas tecnologias. As vantagens estão relacionadas,
na sua maioria, com as melhorias ao nível da aprendizagem
e do desenvolvimento de competências por parte dos alunos.
As desvantagens apontadas referem-se sobretudo às dificuldades
que os professores têm em aplicar estas técnicas
devido a deficiente formação na área dos
SIG e ainda pelos escassos recursos que se encontram à
sua disposição. Foram ainda referenciadas dificuldades
ao nível de tempo para preparação de materiais.
Enquadramento
O projecto enquadra-se na sequência de uma tese cujo tema
("Concepção de curricula em análise
espacial e modelação geográfica para o ensino
básico) é de grande relevância e um contributo
valioso para o ensino da Geografia (e não só) em
geral. Pretende-se desenvolver um trabalho que, com base no uso
de novas tecnologias (como os Sistemas de Informação
Geográfica - SIG), venha permitir alterações
nas metodologias de ensino.
A tese e o presente projecto privilegiam o ensino experimental, o uso das novas tecnologias, a transversalidade e a interdisciplinaridade. Enquadra-se, assim, na filosofia de base da reforma curricular do ensino básico em curso (podendo ainda ser adaptada ao ensino secundário) e pretende ser um contributo valioso que poderá mesmo resultar em propostas de projectos de formação de professores.
O ensino básico é a formação inicial de todos os jovens e considera-se fundamental que todos terminem esta formação com a capacidade de perceber o espaço e as relações entre os vários elementos e fenómenos que nele co-existem. A reorganização curricular foi concebida com base em vários princípios orientadores e estruturantes como a diversificação, a flexibilidade, a articulação, a interdisciplinaridade, entre outros. Desta forma, os materiais didácticos e as metodologias adoptadas pelos professores devem ser múltiplos para que se possam gerir solicitações diversas. As maneiras de ensinar e os recursos devem ser diversificados, para que se adequem a diferentes situações, a diferentes ritmos de aprendizagem, a diferentes motivações, a diferentes interesses. Os princípios orientadores do Decreto-Lei nº 6/2001 mencionam a necessidade de diversificar "metodologias e estratégias de ensino e de aprendizagem, em particular com recurso a tecnologias de informação e comunicação".
O curriculum é um conjunto
articulado entre várias áreas disciplinares. A concretização
do curriculum pressupõe que se estabeleçam diferentes
caminhos para que as aprendizagens sejam bem sucedidas. A articulação
horizontal de conceitos, temas e conteúdos deve estar presente
numa abordagem geral do curriculum. A aprendizagem é mais
consistente quando os conteúdos estão integrados
em aspectos significativos para o aluno. É também
importante ligar os conteúdos a situações
concretas e mostrar a relevância e pertinência daquilo
que se está a ensinar.
A análise espacial pode ser, à primeira vista, uma
disciplina associada à Geografia. No entanto, corresponde
também ao estudo da distribuição espacial
de qualquer fenómeno, à procura de padrões
espaciais. Neste sentido, pode ser um método de estudo
usado em qualquer área disciplinar. Neste contexto é
importante que se perceba que os SIG podem desempenhar um papel
muito importante, por várias razões. Por um lado
a motivação que o uso de computadores produz, frequentemente,
nos jovens. Esta motivação ocorre pelo facto de
muitos jovens gostarem de trabalhar com computadores, mas também
pela facilidade que normalmente têm. Esta facilidade é
favorecida também pela falta de medo em usar o computador.
Os jovens tendem a experimentar para ver o que acontece, mais
do que aprender a teoria e tentar aplicá-la posteriormente.
Esta capacidade deve ser aproveitada no ensino.
Por outro lado, a sociedade actual está cada vez mais voltada
para o uso das tecnologias e dos computadores. São cada
vez mais as áreas e as situações em que os
SIG são usados. Em planeamento urbano, em trabalhos de
análise de risco, em florestação, em meteorologia,
etc. Assim sendo, considera-se que é importante que os
alunos comecem a ter consciência de que podem identificar
problemas e criar maneiras de os tentar resolver (ou apresentar
soluções possíveis). Esta metodologia, que
se enquadra nos métodos de trabalho de projecto, pode ser
feito em SIG.
Nos Estados Unidos da América
há referências ao uso de SIG desde o 4º ano
até ao 12º ano, portanto desde a Elementary School
(equivalente ao 1º ciclo do ensino básico português)
até ao High School (ensino secundário) passando
pelo Middle School (2º e 3º ciclos do ensino básico).
Em Portugal, as reformas educativas apontam para um ensino cada
vez mais experimental e mais centrado na construção
do saber pelos alunos. Procura-se que nas escolas, os alunos desenvolvam
competências, ou seja procura-se "promover o desenvolvimento
integrado de capacidades e atitudes que viabilizam a utilização
dos conhecimentos em situações diversas (...)"
(in Currículo Nacional do Ensino Básico - Competências
Essenciais - Introdução, DEB, 2001). As competências
específicas definidas nas orientações curriculares
da geografia, no currículo nacional do ensino básico
português, correspondem, em certa medida ao National Geography
Standards americanos. Isto é: procurar que no final do
ensino básico os jovens tenham uma cultura geográfica
que se traduza pela capacidade de visualizar factos especialmente,
de os relacionar entre si, que possua destrezas espaciais e seja
capaz de interpretar informação geográfica.
Questiona-se o modelo tradicional em que o professor se limita
a ser o veículo transmissor e divulgador de informação.
Dá-se cada vez mais importância também às
tecnologias de comunicação e informação
(TIC). Neste sentido, os novos programas e as orientações
curriculares incentivam o uso das TIC e abordagens pedagógicas
orientadas para o ensino pela experiência, em que os alunos
são responsáveis pela construção dos
seus conhecimentos. As competências ligadas ao "saber
fazer" assumem grande importância, o que deveria levar
os professores a adoptarem estratégias de ensino diferentes
das tradicionais. O papel do professor deverá ser cada
vez mais um papel de orientador, de alguém que ajuda os
alunos a escolher e organizar a informação.
Os SIG permitem passar de uma geografia descritiva a uma geografia
problemática fundamentada na construção e
domínio de noções geográficas.
Em qualquer dos casos, há a referir que a formação
de professores nesta área é necessária para
que estes sistemas possam ser implementados no ensino. As empresas
como a ESRI que fornecem material às empresas e às
escola (apoiando projectos como o Geolab, ou fazendo preços
especiais para escolas), devem investir na formação
específica para professores e na realização
de materiais e fichas de trabalho preparadas para serem usadas
nas aulas. Caso contrário arrisca-se a que estas tecnologias
não sejam aplicadas nas escolas, uma vez que a falta de
tempo e de formação têm sido as principais
razões que levam os professores a não a adoptarem.
Objectivos
O objectivo principal deste projecto prende-se com a vontade de
ver postas em prática as metodologias que são defendidas
e propostas na dissertação. Em toda a bibliografia
consultada aquando da preparação da dissertação,
são mencionadas vantagens e desvantages na aplicação
das tecnologias SIG ao ensino. Verificam-se ainda dificuldades
e constrangimentos a vários níveis.
Também são mencionadas
dificuldades referentes aos apoios técnicos e económicos.
No que respeita às vantagens apontadas, salientam-se sobretudo
vantagens para os alunos, entre elas:
Mas são também referidas outras vantagens:
Passos a dar
1- Contactar entidades e indivíduos no sentido de obter
apoios técnicos e eventuais parcerias (ex: ISEGI, Associação
Portuguesa de Geógrafos, Associação de Professores
de Geografia, Faculdades onde o cusro de Geografia via de ensino
seja leccionado, empresas fabricantes de programas informáticso,
como a ESRI, etc). Alguns destes contactos foram já efectuados
de maneira informal;
2- Preparar uma página de internet onde os materiais didácticos
e outros elementos estejam acessíveis, gratuitamente, à
comunidade educativa;
3- Publicar, na página, um manual de consulta fácil
que conduza os docentes e os alunos à introdução
dos Sistemas de Informação Geográfica, bem
como a conceitos de Análise Espacial e Modelação
Geográfica;
4- Publicar, na página, materiais didácticos, utilizáveis
e fotocopiáveis (mapas, fichas, grelhas, etc);
5- Preparar e apresentar em vários centros de formação,
acções de formação que permitam dotar
os docentes das ferramentas necessárias ao uso destes materiais,
bem como de os preparar para a utilização dos Sistemas
de Informação Geográfica;
6- Divulgar as acções de formação
e a página com os materiais (congressos, palestras, idas
às escolas e aos centros de formação...);
Exemplos de sites americanos com aulas e materiais para aulas com SIG: https://sharepoint.cisat.jmu.edu/isat/kolvoora/Spatial%20Thinking/Forms/AllItems.aspx http://kangis.org/ http://rockyweb.cr.usgs.gov/public/outreach/quakegis/main.html http://rockyweb.cr.usgs.gov/public/outreach/mapmys.html http://rockyweb.cr.usgs.gov/public/outreach/topoteach.html http://www.remc11.k12.mi.us/bcisd/classres/gis.htm http://www.usgs.gov/education