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Opiniões e críticas

 

Portal Phono e Forum Sons

 

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“O Monstro e a Sereia” é o nome do trabalho de estreia dos portugueses Miosótis, uma banda que, apesar de só agora enveredar pelas lides discográficas, têm já um passado de vários anos (embora nem sempre no activo). O núcleo duro desta banda, a saber, Álvaro Silveira, Paulo Chagas e Fernando Simões, são conhecidos de longa data que, num passado mais ou menos longínquo, formaram uma entidade musical chamada Miosótis. Esta entidade, embora artisticamente promissora, acabou por murchar sob o jugo implacável do destino… Mas não morreu! Terá apenas hibernado até este momento em que a mesma força que, outrora, se encarregou de dissolver o triunvirato, os junta novamente. Com efeito, estamos perante uma banda que é formada por três sócios da Portugal Progressivo – Associação Cultural (mais: o álbum em questão é o primeiro a sair com a chancela desta entidade).

 

Mas falemos da música que se pode ouvir nesta estreia (que, para além dos três intervenientes já mencionados, conta com a participação de vários músicos convidados). Antes de mais, há que avisar os mais incautos para a natureza absolutamente desconcertante deste disco. Trata-se efectivamente de um álbum que, não sendo excepcionalmente virtuosístico em termos de interpretação, nem particularmente complexo ou intrincado do ponto de vista da composição, consegue, ainda assim, exigir bastante do ouvinte. Isto acontece por estarmos perante um trabalho que nos reserva bastantes surpresas: umas que atacam o ouvinte logo à primeira audição, e outras que só se revelam nos regressos que se fazem a este disco. Grande parte da estranheza que povoa este disco resulta da diversidade de quadrantes musicais a partir dos quais aquilo que aqui pode ser ouvido é composto: partindo de uma base folk-prog (com efeito, o nome Banda do Casaco vem ocasionalmente à memória) há espaço para rock bastante simples e directo, improvisações jazz (a roçar o free), toques étnicos, apontamentos ambientais, uso ocasional electrónica, e pura bizarria. Ainda assim, toda esta variedade acaba formar um todo coeso que, mesmo surpreendendo o ouvinte, não traí uma certa lógica que rege este trabalho. Porque há aqui, de facto, uma lógica que simultaneamente dirige e unifica as vertentes lírica e instrumental. “O Monstro e a Sereia” é uma obra conceptual sobre a vida e as relações interpessoais. E se, liricamente, estamos perante um excelso trabalho poético, pleno de uma beleza banhada em melancolia que chega a ser, não raras vezes, tocante; do ponto de vista instrumental, este estado de alma é perfeitamente continuado e complementado. A base folclórica desta música pinta-se, fundamentalmente, em tons acústicos, quase sempre de grande contenção, nostálgicos e até mesmo um pouco tristes. Mas a este cerne, acrescenta-se uma grande riqueza em termos de arranjos muitíssimo trabalhados que enchem o som, contribuem decisivamente para o ambiente  e que (lá está) não param de oferecer novas sensações a cada audição. Apesar desta “predominância” do acústico, a audição deste disco não deixa de mostrar um certo dinamismo, potenciado pela ocasional irrupção súbita de momentos de quase caos sonoro, onde a calmaria melancólica dos acordes da guitarra é interrompida por atonalidades, dissonâncias, composição estranha e improvisação surreal.

 

Claro, haverão sempre aspectos menos positivos: poder-se-á apontar a produção, que nunca perde aquela feição caseira, ou as vozes algo limitadas (que não chega a ser um grande problema, uma vez que me parece que os próprios “cantores” conhecem as suas limitações, furtando-se, por isso, a grandes “avarias”, mantendo um estilo sóbrio e discreto que acaba por funcionar bem), ou até mesmo discutir pontuais passagens instrumentais. Mas nada disto chega a fazer grande mossa num trabalho que é indiscutivelmente meritório, original e enriquecedor do panorama musical português.

 

Confesso que demorei um pouco a “entrar” neste disco e que as primeiras impressões não foram as melhores… No entanto, vim a perceber que não é um trabalho de fácil audição, mas que, em contrapartida, se revela extremamente recompensador para quem estiver disposto a despender a paciência e o tempo que o mesmo exige e merece. Trata-se, diria, de um excelente trabalho de autêntico “Progressivo Português” – não só por ter sido feito em Portugal (isso será, porventura, o menos importante), mas por sentir que capta muito da vivência que, sendo seguramente comum a todo o humano, é sentida de forma muito particular por quem é de terras lusas. A melancolia, a saudade, o imaginário náutico de sereias, monstros e barcas; tudo isto faz parte da experiência de ser português e é impossível (sem querer cair num nacionalismo bacoco) não nos revermos, ao menos um pouco, nesta poética.

 

 

 

João Troviscal Costa

 

 

 

 

 

 

Jornal de Letras (15-28 Fevereiro 2006):

 

"TRANSMUSICALIDADES”

 

Os compartimentos são cada vez menos estanques, fruto da cultura

pós-moderna. Co-existem estilos quase puros com uma imensa gama de fusões.

Miosótis é o exemplo acabado de um projecto transmusical. É um monstro que

"percorre todos os jardins da cidade, numa volúpia de liberdade". Se o

prólogo nos coloca na costa do free jazz, logo o segundo tema, O Monstro,

deixa-nos entregues a um pop-rock, mas também ao rock mais duro, pelo peso

da guitarra. Volta a surpreender em Haxixe, perfeitamente ao estilo da

música declamada dos Mão Morta. E ainda mais em Um Papel Desenrolado, 17

minutos de uma suite para orquestra de câmara cibernética, dividido em seis

andamentos. Tudo isto com a maior panóplia de instrumentos, das guitarras

aos metais, da electrónica a instrumentos da música tradicional portuguesa e

do mundo, como o cavaquinho e o djambé. O Monstro e a Sereia é absolutamente

inclassificável. O objecto mais estranho e enigmático da história recente da

música portuguesa.

 

Manuel Halpern"

 

 

 

 

Portal internacional Proggnosis

 

http://www.proggnosis.com

 

MIOSÓTIS

 

Suite em prosa para Um Monstro e a sua Sereia...

 

Parte I – à Margem

 

     Para um trabalho que se espraia sem clichés, eu uso um: Primeiro estranha-se, depois entranha-se! É um contra-senso, estou ciente. Mas a música renova-se, cresce e é felizmente fecunda de contra-sensos. E esta é uma história que, tal como o conceito prosaico do próprio álbum, se escreve nas margens de um sonho. Um sonho antigo!

Há um sentimento latente. Um sentimento que, adormecido durante tanto tempo se aflora agora, pujante, alucinante, real. Nasce na capacidade de fazer renascer um Mundo adormecido por tanto tempo. É uma história que acompanha a própria essência do Progressivo, que desperta da sua latência, que se renova na imortalidade da sua génese, num conto em que se veste nas penas de Fénix, dando finalmente asas ao seu destino.

     Este trabalho tem uma vida. Tem uma alma que se apurou durante o seu tempo de espera, durante o período em que, dormente, sobreviveu nos recônditos subterfúgios de um pensamento. Este é, assim, um trabalho que revisita o passado, vestido com cores actuais. Quem o transmite, quem o deixou aflorar, fê-lo com e por Amor. E é humano! Tem os sentimentos à flor da pele, erra e é errante, acerta e é feliz. Vive de experiências, momentos e descobertas e é melancólico e sonhador, é palpável mas intangível, é sereno e revolta-se, é, no fundo, Real!

 

Parte II – A Sereia no Monstro

 

     Por calhar em conversa, foi-me transmitida uma ideia com que concordei. Este é um trabalho Impressionista. Desenha-se de tangentes e pormenores, e os seus inúmeros pormenores constroem um todo. A sua audição não é fácil e a opinião debilita-se se a análise não seguir um conceito periférico. Isto é, a experiência apenas se torna intensa e satisfatória se se adoptar uma posição algo distante, ouvindo a música como um todo que se faz de partes, numa perspectiva mais abrangente. No quadro global, são as profícuas pinceladas de tons e cores que só entendidas por ouvidos sábios conseguirão transformar-se em imagens de verdadeira nitidez. O álbum não é feito de momentos, ele é um momento!

A primeira audição não nos deixa felizes. Há a estranha sensação de que se passa qualquer coisa que não conseguimos atingir e muito menos descrever. E então percebemos, se a paciência o permitir, que a música nos pede para a observarmos, para procurarmos o ângulo certo de leitura e então sim, começarmos a viagem.

Analogia estranha talvez, mas é como uma mulher: sempre misteriosa mas disposta a que lentamente a descodifiquemos. De subtis curvas que se insinuam e que despertam em nós o apetite da procura e da subliminar descoberta.

 

 Parte III – O Monstro na Sereia - Conceito estético

 

Esteticamente, este álbum resulta de uma osmose de estilos muito diferentes. È a improvável mistura de duas formas essenciais que à partida se diriam diametralmente opostas. Talvez por isso mesmo se torne tão difícil acedermos ao seu âmago e compreendermos a sua filosofia.É sempre estranho falar de amigos. E torna-se um desafio maior quando os pensamos descobrir através da música que fazem...

O Álvaro é um romântico que se veste em roupas modernas e se disfarça de tecnologia. Tem um fascínio pela boa Musica Popular Portuguesa e pela vertente Sinfónica da música anglo-saxónica setentista. A destreza e profundidade das componentes folk e melancólica, por vezes bucólica, mas sempre romântica da música aqui presente tem o seu cunho pessoal. É dele o idealismo do “harmonicamente correcto” que amiúdes vezes aflora no decorrer deste álbum.

O Paulo tem um sentido melódico de extrema beleza e pureza, mas tem o inusitável hábito de distorcer esse sentido melódico e o retratar com dissonâncias e atonalidades. Fá-lo em género de desafio, para deturpar o fácil e o óbvio. E isso caracteriza-o como artista (Jazzista e/ou Zappista), pois nem sempre é fácil distorcer o belo, de forma a que continue belo mas disfarçado de Monstro... È inventivo e dinâmico na sua forma de abordar a música e, acima de tudo, não aceita as coisas fáceis ou que sejam dadas como certas. Por isso gosta de acrescentar um cunho muito pessoal nas suas intervenções.

 

No fundo, a estética do álbum desenha-se na fusão destas duas visões tão diferentes e tão improváveis de constituírem um bloco sólido... É um jogo de equilíbrios, de espelhos, de contradições. Uma procura constante do não convencional. O álbum é então feito de melodias suaves, de arremedos caóticos, de distorções experimentais em forma de abusos atonais da melodia. Procura o caminho difícil para ser feliz e constitui-se em caminhos tortuosos por uma paisagem que é bela e revigorante. Uma aproximação labiríntica e propositadamente disforme que se insinua tão próximo de uma estrada rectilínea...Um vanguardismo delirante, um psicadelismo alucinogénico!

É pois, um desafio sórdido que só deve ser aceite por quem realmente o deseje percorrer....o fácil está ali ao lado, por isso façam a vossa escolha! 

 

 Parte IV – O Monstro e a Sereia – O Álbum

 

Como disse anteriormente, este álbum é constituído de pormenores. Os instrumentos, à excepção da guitarra rítmica, não têm uma presença continua. Eles surgem do nada para acrescentar pinceladas. A flauta e o Saxofone fazem aparições mais constantes e longas, mas a guitarra solo, o trombone, o Clarinete, as percussões e toda a panóplia de outros instrumentos utilizados apenas acrescentam breves mas certeiras tonalidades às faixas. No entanto são essas pequenas aparições, quase fantasmagóricas, que polvilham o álbum de brilhantismo, devido à sua inesperada mas certeira e constante intromissão.  

O Monstro e a Sereia é um álbum que mistura, em doses iguais, o Psicadélico e o Avant-Garde. E é neste cenário que se incrustam todas as outras influências e tendências presentes no trabalho: o Folk Tuga na sua vertente intervencionista, o suave sinfonismo setentista, a melancólica soturnidade Van Der Graafiana. São muitas as reminiscências que se apresentam bem disfarçadas, espreitando aqui e ali, por trás da tal capa de dualidade vanguardista-psicadélica.   

O álbum abre com um Prólogo (ora bem, um pleonasmo!!) em que o simbolismo de uma “Noite mal dormida” do Monstro é perfeitamente coincidente com o âmago dos arranjos sonoros. Um dos tais momentos de arremedo caótico, em que todos os intervenientes se cruzam, dispares, solitários, perdidos na névoa de um sentimento de vertigem, de desorientação. Há o pequeno pormenor de o solo da flauta a fechar ser mais tarde replicado, num outro contexto, na faixa de 17 minutos.

Mas este é apenas o afinar da “orquestra”... O Monstro mostra-nos uns Miosótis mais acessíveis, numa faixa que funciona claramente em crescendo, partindo de uma base minimalista à qual se vão acrescentando instrumentos. A base vai-se compondo, o sentimento de desorientação compõe-se de novas formas. Passa a ser uma desorientação consciente, fruto de uma experiência real. A música parece retratar isso mesmo. Há um sentimento inicial de pureza e incerteza que se vai transformando lentamente em algo bem palpável, algo que cresce em tom de desafio, em tom de aventura...a busca do nada e do tudo, que algures no tempo todos experimentamos.   

A intrusão do Clarinete no início da faixa e a componente percussiva que se vai revelando ao longo da música são apenas felizes exemplos de uma composição imaginativa e original, que posteriormente será imensamente aprofundada, no decorrer do álbum.   

Rio é a faixa mais acessível e melódica do álbum, dois minutos e meio de contemplação e melodia, polvilhada pela guitarra de Manuel Cardoso (Tantra), que lhe dá um ligeiro toque espacial. O coro é propositadamente semi-desafinado...para manter a congruência do trabalho (?!), cortesia da voz “falsetto” de Pedro Chagas. Ainda assim, esta acaba por ser a música mais imediata do álbum.

Num virar de página radical, Haxixe traz-nos o lado mais Avant-Garde dos Miosótis. O Monstro fala na 1ª pessoa, teatralizando a música e dando-lhe uma emotividade semi-agressiva. Por baixo, a música desenrola-se num loop de guitarra rítmica, polvilhado de pequenos solos de saxofone e guitarra, que se vai lentamente transformando em algo mais complexo e cheio, em crescendo, com a entrada das percussões e o entrecruzar de solos quase subliminares. É o exemplo perfeito da componente Impressionista da musicalidade dos Miosótis, um conjunto de pinceladas que dá forma a um desenho complexo na tela.

O início de Flutuações traz o ouvinte de volta à vertente contemplativa. Há uma sensação de calma, de introspecção. Como sempre, os instrumentos flutuam como fantasmas em volta de uma arquitectura base, quase monótona, enriquecendo com psicadelismo o que, à partida, parece ser uma música quase minimalista. As participações de Pedro Salles (teclas) e Manuel Cardoso (guitarra) dos Tantra são, nesse aspecto, absolutamente essenciais para o resultado final...

Apesar do surrealismo da letra, Hoplocampas é uma das melhores faixas do álbum. Aqui o Álvaro consegue a sua melhor vocalização, especialmente no refrão.

Mais uma vez em tom calmo e contemplativo, a faixa passa por um interregno perfeitamente psicadélico em que um solo de saxofone vanguardista se transforma num dos melhores de todo o álbum, fazendo-me recordar David Jackson em Pioneers Over C. Aqui, em apenas 4 minutos, fica bem patente todo o espectro musical dos Miosótis: melodia, experimentalismo, psicadelismo e talento individual.       

No seguimento de Hoplocampas, o instrumental Terraço baseia-se exactamente nas características apontadas para a faixa anterior, apenas as levando a um extremo de experimentalismo e vanguardismo. Se a guitarra espacial que aparece no início e no fim me recorda Steve Howe em To Be Over, a música em si não se reporta a sons “Yessianos”. Sensivelmente a meio, há uma sequência quase anárquica de sopros que me faz lembrar a parte caótica dos instrumentos de sopro em Atom Heart Mother dos Pink Floyd. É o psicadelismo na sua roupagem mais evidente.

Corte No Real é uma faixa negra e emocional, quase encostada a uns “Van Der Graaf Generator”, pelo menos em termos de idealismo e na utilização dos teclados, já que a substância continua a reportar uma identidade muito própria. O Paulo consegue aqui momentos de pura sensualidade e melodia, em pequenos solos de saxofone que também se identificam como reminiscentes de um inspirado David Jackson.

Um Papel Desenrolado é a faixa mais longa do álbum. Mas não é só por essa razão que é um verdadeiro Opus... 

Todas as ambiências e trilhos traçados pelos Miosótis no seu álbum estão aqui presentes...e mais umas quantas surgem, para nossa surpresa: Após um início atmosférico há uma primeira transformação em que o perfil psicadélico da banda se mostra em toda a sua estranheza. Com a introdução da percussão, surge o 1º longo solo de flauta, primeiro melódico mas depois jazzístico e vanguardista, o qual é depois substituído (numa das mais bem feitas passagens do álbum) por um 2º solo de flauta (acompanhado de guitarra ritmo) que me soa a uma suave mistura de Traffic com Sinfónico Italiano. Este é o meu solo de flauta preferido de todo o álbum.

Surge então a primeira parte cantada da faixa, com um início claramente reminiscente de Zeca Afonso e raízes na música de intervenção. Melodicamente é uma sequência bastante rica, tanto em termos vocais como nos solos de saxofone que vão intervalando as partes cantadas.

Com um teor mais atmosférico, segue-se uma parte instrumental vanguardista que antecede o verdadeiro momento demencial da faixa: a parte vocal protagonizada por uma cantora lírica! Propositadamente atonal, a voz surge do nada e, com prosa novamente surrealista, acrescenta um ambiente alienígena e bizarro, devido ao tal consciente desarmonizar. Potente e ilógico, de todas as surpresas reservadas pelos Miosótis, esta é talvez a mais intrigante e inesperada. 

Para finalizar, a música torna-se novamente mais melódica, quase em ritmo de valsa, num dueto de vozes que soa quase angelical e sublime.   

Mesmo dentro da estranheza que nos consome durante todo o álbum, Um Papel Desenrolado vai ao extremo.......

É meu entender que, com Falésia, o álbum entra na sua curva descendente. Após uma faixa tão intensa e surpreendente, não mais (com uma excepção de que falarei mais adiante) o ouvinte é testado da mesma forma radical como até aqui...

Falésia tem um início quase gótico atmosférico, a roçar os This Mortal Coil, a música baseia-se em piano, flauta, guitarra e na voz feminina de Daniela Chagas, mas o elemento surpresa não surge e não há o intenso despertar do ouvinte para os pormenores. É apenas uma faixa normal, o que é perfeitamente anormal neste álbum específico.  

Sereia fecha a parte conceptual de O Monstro e a Sereia. Mais um exemplo da dualidade Vanguardista-Psicadélica da banda na 1ªparte, torna-se suavemente espacial na 2º parte, com solos de flauta a ecoar e vocalizações etéreas e quase “ausentes”. É o partir, o encerrar, o finalizar de uma história...

Bom, depois há Coda!!!   Impertinente, descoordenada com todo o resto do álbum, Coda dá-nos uma irresponsável dinâmica alegre e embriagada, algo que não havíamos sentido no decorrer do álbum. È como se Kusturika se propusesse a tocar Frank Zappa no Carnaval do Rio....e mais não digo!! 

Apesar de se poder concluir, por tudo o atrás descrito, que estamos na presença de uma obra-prima, isso não é verdade. O Monstro e a Sereia não é perfeito: as vocalizações nem sempre resultam completamente e a produção, embora satisfatória, é claramente caseira. O resultado global apenas será bem digerido por uma estreita faixa dos fans do Progressivo, já que este é um álbum de difícil digestão e que nos pede várias audições para ser compreendido. É ainda um álbum que depende demasiado dos pormenores (brilhantes, quero salientar) mas que padece um pouco de inacessibilidade. Tem sempre que ser analisado e ouvido numa perspectiva muito peculiar, fazendo jus à sua própria filosofia...a do Impressionismo!

Há, enfim, ainda uma viagem a percorrer para se atingir a perfeição quase absoluta. Mas o conceito aqui demonstrado é tão fascinante que, acima de tudo, me faz querer acompanhar de muito perto o percurso!

 

Nuno Lourenço

 

 

 

 

 

The Dutch Progressive Rock Page

 

http://www.dprp.net/reviews/200559.html#miosotis

 

Miosótis is a Portuguese band that exists for several years but just released their first "professional" album. The music can best be described as an ambitious mix between avant-garde, ambient and prog-rock, with a little finishing touch of folk or popular. What comes to mind is Premiata Forneria Marconi and Genesis, especially due to guitar fills and flute here and there, but also Eyeless In Gaza and Tuxedomoon. The singing is done entirely in Portuguese, and the big amount of lyrics is thus unavoidably not taken into account-at least for those of us out there that do not speak Portuguese.

 

The beginning of the album is quite indicative of what will follow, since after the ambient Prólogo comes the song O Monstro which is a good mix of all their styles. Unfortunately the track ends very roughly for my taste. The prog influences become more evident in Rio and quite surprisingly give way to track Haxixe, whose end really reminds me of the experimental avant-garde band's Eyeless In Gaza darkest epics. Flutuações is the first great track of the album, again belonging to the "prog" family, beautifully painted with the help of a lot of instruments (trombone, acoustic & electric guitars and keys). The next track goes on at the same high standards, with a jazzy David Sylvian-like ambience and brings us to the instrumental Terraço, which starts in a very ambient way, has a Tuxedomoon-like sax+piano interlude and ends very lyrically, ode to the 70's prog again here (long live the flute!).

 

The eighth track Corte No Real has quite a neo-prog feel, as it is built on more poppy-tunes, but still retains a fair amount of experimentation as the track comes to its end. The longest track of the album is Um Papel Desenrolado. Once again an ambient start with a lot of soundscapes and some noises that wake up memories of listening to those "lost" parts of Thick As A Brick, an avant-garde phase that slowly fades into a more Canterbury-oriented part and a "poppy" rhythmic middle part (Portuguese pop effect? I can't claim to be the expert!) with a cute vocal line. The track finishes with a classic part containing opera vocals, that I do not find really necessary since it makes the track a bit too long and finally, disconnected. Although the spooky acoustic guitar that "haunts" the album opens the following track Falésia, the rest of the song is quite different and I come to realize one of the drawbacks of the album: some tracks fail to find their way soon enough. Same goes for the next track, which starts ambient and finishes off folk.

 

Christos Ampatzis

 

 

 

 

Portal Movimenti-Prog

 

http://movimentiprog.net

http://www.movimentiprog.net/modules.php?op=modload&name=Recensioni&file=view&id=1798

 

Interessante folk dal Portogallo

 

Album di debutto per questa band portoghese prodotta dall'Associazione Culturale Portugal Progressivo, la stessa che organizza il Gouveia Art Rock Festival ogni anno. Cio che c'è di progressivo in questo album sono le sonorità di intrecci di chitarre con dissonanze legate ai tempi antichi, miscelate con un po' di assoli di chitarra elettrica floydiana che si sentono in lontananza.

 

Un disco calmo, quieto, senza alcun suono veloce, urgente e con spunti etnici caratteristici di strumenti indigeni. In apertura troviamo avanguardia rumoristica e pattern strumentali caotici con cori evocativi: è “Prològo”, una delle prove migliori dell'album. Si va avanti con con strani e interessanti intrecci di chitarra e rumori elettronici, ma in un calmo oceano di atmosfere folk bucoliche portoghesi fino all'esplosione di chitarre rock blueseggianti: “O Monstro” è un'altra grande prova.

 

E' quasi come ascoltare qualcosa dal suono “toquinesco” di una torçida brasiliana, dovuta al linguaggio portoghese del cantato. Ma la traccia più sperimentale e suggestiva è la suite di 17 minuti “Un Papel Desenrolado”, ricca di linee di flauto aleggianti nell'aria su dissonanze strumentali e sentieri melodici di chitarre acustiche.

Un album molto forte nella sua delicatezza folkeggiante.

 

Daniele Cutali 

 

 

 

 

Prog-Régiste - revista belga de música progressiva

 

Miosotis est une nouvelle formation issue du Portugal qui nous propose

ici sa première production. Celle-ci me semble être un concept mais tous

les renseignements de Ia pochette sont en Portugais et je n'ai pas compris

grand-chose. Avec un noyau de quatre musiciens, ils sont une petite

dizaine à avoir prêté leur concours. De plus un grand nombre

d'instruments, électriques et classiques, ont été utilisés, ce qui offre

une large palette de sons qui concourent à faire de cet álbum une grande

réussite. La première plage est constituée de bruitages et de courtes

successions de notes quelque peu free jazz. Puis O Monstro introduit le

sujet du disque. C’est une belle ballade acoustique agrémentée par

instant d interventions plus complexes et dissonantes. Le thème chanté

reste le même, mais l'accompagnement évolue sans cesse et devient de

plus en plus rock. Finalement le chant est repris par un choeur qui

rappelle David Bowie. Par Ia suite les morceaux se succèdent, tantôt

très doux, tantôt complètement déjantés (voire RIO), mais toujours

passionnants et loin des sentiers battus. La musique est à dominante

acoustique, mais les interventions électriques sont légion. Évidemment,

ce disque ne s'écoute pas en musique de fond car il nécessite une

attention soutenue qui est récompensée par le plaisir de découvrir les

trouvailles dont il est émaillé. Le point culminant de cette oeuvre est

Um Papel Desenrolado, une suite de plus de 17 minutes, divisée en

plusieurs parties. Au début cela sonne un  peu comme de Ia world music

venue des Andes mais très vite 1'aspect free jazz expérimental reprend

le dessus. Puis arrive un thème de pur progressif latin domine par Ia

flúte qui devient presque un blues, et ainsi de suite. Malgré cette

variété, l'ensemble est très cohérent et réellement enthousiasmant.

Au bout du compte, voici un álbum de très grande qualité. Même si la

production actuelle est importante, il serait vraiment dommage de passer

à côté car il apporte vraiment quelque chose. II suffit d'oser.

 

Michel Nicolas 

 

 

 

 

iO Pages - revista holandesa dedicada ao rock progressivo

 

"MIOSÓTIS

O Monstro E A Sereia

 

(GAITA DE SONHOS GDS CD 001)

 

From Portugal comes Miosótis, formed around multi-instrumentalist Paulo Chagas, that made their bizarre debut with O Monstro E A Sereia. The bizarre aspect lies especially in the almost avant-garde sound-sculptures which surround most of the acoustic, introvert singer-songwriter material based compositions. Combined with the creepy cover-paintings one can conclude that this company has had the wish to create a soundtrack for a suspense-like story, an ambition in which they succeeded in a great way. The friendly sung fragments seem to give the listener an apparent safety; this air bubble though is often being destroyed by those melodic, but very suspenseful flute-melodies, creepy percussion-effects, Robert Fripp-like whining guitars, disorientating voices and alienating trombone- and saxophone-contributions. Furthermore the thus painted total-product has without any doubt a progressive touch, partly through the prominent use of symphonic sounding keyboards (in Corte No Real for instance) and fluid electric and introspective strumming acoustic guitars. The structure is also typical for this genre: the first eight relatively short tracks lead the monstrous story to the more than 17 minutes lasting, Um Papel Desenrolado, which consists of 11 parts in which all elements which were mentioned before come together and work with effective, opera-like vocals towards a gruesome climax. It’s too bad there isn’t a translation added, but even without the understanding of the lyrics you’ve been warned!

 

René Yedema