Breve História das Caldas
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A história que se conta é esta: 

A Rainha DªLeonor  mulher de El-Rei D.João II  viajava da vila de Óbidos para a da Batalha quando viu, no meio dos campos, um grupo de gente humilde que se banhava em água enlameada e quente. Mandou parar o séquito e quis saber o que significava aquilo. 

Eram tratamentos, disseram-lhe. Aquelas águas  eram prodigiosas : acalmavam dores, saravam feridas, contavam-se até os casos de paralíticos que voltavam a andar como que por milagre. A Rainha, que então padecia de uma úlcera no peito que não havia maneira de fechar, quis fazer a experiência e viu que tudo o que lhe tinham dito era verdade: viu-se curada em poucos dias.

O episódio deve ter algum fundamento de verdade, pois todos o contam da mesma forma. Nas datas é que há oscilação: para uns 1485, para outros 1487. A divergência não altera a história. D. Leonor mandou logo levantar ali um grande padrão de alvenaria, provavelmente para lhe não esquecer o lugar. Diz o inevitável Pinho Leal que ainda viu restos desse primeiro e tosco monumento. Logo no ano seguinte iniciou a construção de um hospital para que todos ali se pudessem tratar com algum conforto. A capela do estabelecimento foi consagrada a Nossa Senhora do Pópulo, curiosa invocação que permite mais de uma interpretação; pópulo significa povo, e era ao povo que a Rainha destinava o hospital. Também é certo, porém, que Santa Maria do Pópulo era a invocação de uma igreja romana muito da predilecção do cardeal de Alpedrinha, D. Jorge da Costa, que nela mandou construir o seu túmulo. D. Jorge devia a sua formação aos frades loios, e protegeu-os muito. Ora, a Rainha D. Leonor manteve sempre relações muito cordiais com o cardeal, e entregou a administração do hospital das Caldas precisamente aos loios.

A povoação nasceu em torno do hospital. A terra ali não é fértil (são areias de um solo só ganho ao mar mas em eras geológicas quase nossas contemporâneas) mas o clima é de uma grande doçura, sem neves nem calmas excessivas, e, sobretudo, havia fartura de tudo: de legumes nas pequenas aldeias e pequenos lugares das antigas granjas de Alcobaça, peixe fresco trazido todos os dias pelos pescadores da Nazaré e Peniche, galinhas, ovos e todos os mimos inventados pelos agricultores de um amplo aro de aldeias. Em todo o caso, durante os séculos XVI e XVII, a vila era Óbidos. Nas Caldas existia apenas um arrabalde feliz.

A mudança vai começar com D.João V  . Tinha os ossos enferrujados e, com os anos, estava quase hemiplégico. Os médicos recomendaram-lhe os banhos das Caldas e, segundo os memorialistas locais, o Rei foi lá durante treze anos seguidos. Inicialmente instalava-se em Óbidos e descia depois, de carruagem, até ao local dos banhos. Acabou por concluir que era mais confortável ter casa nas Caldas, e mandou ali construir um pequeno palácio, que ainda hoje está de pé. Toda a corte o acompanhou nessa decisão, e o pequeno lugar ganhou foros de vila importante. É ainda D.João V  quem manda construir a Casa da Câmara e o Chafariz das Cinco Bicas, que assinalava o lugar onde a Rainha D. Leonor vira os pobres banhar-se. O chafariz ainda hoje existe, mas já não marca coisa nenhuma porque o mudaram de sítio.

Óbidos começa então a despovoar-se. Há muita gente que gosta mais de viver lá em baixo, terra desafogada e sem aquele colete de forças das muralhas. Mas os golpes decisivos vêm no século XIX, com a revolução liberal e a estrada. Os conventos foram fechados. As rainhas já não se deslocam a Óbidos e a gente grada constrói as moradas perto da vila nova, que, pela diligência e a seguir pelo comboio, fica perto de tudo.

Ao entrar no século XX, Óbidos é uma povoação quase deserta, mas intacta. Muralhas, postigos, quintais, telhados, o interior das igrejas, tudo parece ter adormecido e acordado muito tempo depois, como num sonho mágico. Por volta de 1930 o turismo faz a descoberta dessa terra surpreendente, e Óbidos torna-se rapidamente um grande cartaz turístico nacional, com todo o bem e mal que daí lhe vêm.

Adaptado de um texto de José Hermano Saraiva

Este texto foi retirado do trabalho efectuado pelos alunos do Colégio Valsassina do 8º Ano Turma A em setembro 1999 : António Tavares , Bernardo Capinha , João Henrique Silva , Pedro Lima e Tiago Silva.

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WebMaster Manuel Amaral

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