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A história que se conta é esta: A Eram tratamentos,
disseram-lhe. Aquelas O episódio deve ter algum fundamento de verdade, pois todos o contam da
mesma forma. Nas datas é que há oscilação: para uns 1485, para outros 1487.
A divergência não altera a história. D. Leonor mandou logo levantar ali um
grande padrão de alvenaria, provavelmente para lhe não esquecer o lugar. Diz o
inevitável Pinho Leal que ainda viu restos desse primeiro e tosco monumento.
Logo no ano seguinte iniciou a construção de um hospital para que todos ali se
pudessem tratar com algum conforto. A capela do estabelecimento foi consagrada a
Nossa Senhora do Pópulo, curiosa invocação que permite mais de uma interpretação;
pópulo significa povo, e era ao povo que a Rainha destinava o hospital. Também
é certo, porém, que Santa Maria do Pópulo era a invocação de uma igreja
romana muito da predilecção do cardeal de Alpedrinha, D. Jorge da Costa, que
nela mandou construir o seu túmulo. D. Jorge devia a sua formação aos frades
loios, e protegeu-os muito. Ora, a Rainha D. Leonor manteve sempre relações
muito cordiais com o cardeal, e entregou a administração do hospital das
Caldas precisamente aos loios. A povoação nasceu em torno do hospital. A terra ali não é fértil (são
areias de um solo só ganho ao mar mas em eras geológicas quase nossas
contemporâneas) mas o clima é de uma grande doçura, sem neves nem calmas
excessivas, e, sobretudo, havia fartura de tudo: de legumes nas pequenas aldeias
e pequenos lugares das antigas granjas de Alcobaça, peixe fresco trazido todos
os dias pelos pescadores da Nazaré e Peniche, galinhas, ovos e todos os mimos
inventados pelos agricultores de um amplo aro de aldeias. Em todo o caso,
durante os séculos XVI e XVII, a vila era Óbidos. Nas Caldas existia apenas um
arrabalde feliz. A mudança vai começar com Óbidos começa então a despovoar-se. Há muita gente que gosta mais de
viver lá em baixo, terra desafogada e sem aquele colete de forças das
muralhas. Mas os golpes decisivos vêm no século XIX, com a revolução liberal
e a estrada. Os conventos foram fechados. As rainhas já não se deslocam a Óbidos
e a gente grada constrói as moradas perto da vila nova, que, pela diligência e
a seguir pelo comboio, fica perto de tudo. Ao entrar no século XX, Óbidos é uma povoação quase deserta, mas intacta. Muralhas, postigos, quintais, telhados, o interior das igrejas, tudo parece ter adormecido e acordado muito tempo depois, como num sonho mágico. Por volta de 1930 o turismo faz a descoberta dessa terra surpreendente, e Óbidos torna-se rapidamente um grande cartaz turístico nacional, com todo o bem e mal que daí lhe vêm. Adaptado de um texto de José Hermano Saraiva Este texto foi retirado do
trabalho efectuado pelos alunos do Colégio Valsassina do 8º Ano Turma A em
setembro 1999 : António Tavares , Bernardo Capinha , João Henrique Silva ,
Pedro Lima e Tiago Silva. VOLTAR A MINHA CIDADE
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