O Jeanne D’Arc – Um Projecto Inovador

por: Miguel Ferreira


 

O porta-helicópteros francês Jeanne D’Arc (R-97) representa um dos primeiros navios vocacionados para a guerra anti-submarina em larga escala (a par do Andreia Dória italiano – fig.1), representando não apenas um desenho totalmente novo mas também uma clara inspiração para todo um conjunto de projectistas e artífices navais de todo o Mundo. Apesar de ambos os navios terem sido comissionados em 1964 o projecto francês era totalmente novo, ao contrário do seu conterrâneo italiano basicamente uma extensão da classe de destroyers Impávido. O Dória apresentava ainda dois grandes problemas: Um convés de voo demasiado pequeno, estreito e baixo (o que tornava praticamente impossível operações aéreas com o mar agitado), e um hangar reduzido e estreito, em boa parte ocupado pelo poço do elevador. Já o Jeanne D’Arc representa um projecto novo com a super estrutura à proa e o amplo convés de voo a ocuparem mais de dois terços do navio, representando não apenas um hangar extremamente amplo (servido por um elevador na sua extremidade de popa), mas também uma zona de pouso livre da ondulação marítima. Ironicamente uma embarcação com tamanho potencial na guerra anti-submarina e nas operações anfíbias continua a revelar-se bem mais útil como navio escola, embarcando cerca de 1800 cadetes por cada viagem de instrução, em sacrifício de parte do hangar e dos helicópteros originais (substituídos pelos pequenos Lynx ou Alouette III).

Fig.-1 Andreia Dória – A inspiração?

Fig. -2 Desenho do navio Jeanne D’Arc

Fig.-3 – O Jeanne D’Arc no Brasil 

 

Dimensões:

Comprimento Total -182 metros; Boca – 24m; Calado; 7,3m; Tripulação – 617 homens.(Fig.5 e 7)

Aeronaves – de 4 a 8 Super Frelon; Armamento; 6SSM Exocet e 4 canhões de 100mm (Fig. 3 e 9).

O Jeanne D’Arc em Kit 

A marca francesa Heller comercializa um excelente kit à escala 1/400, sendo que eu conheça a única que possui o modelo do navio francês.

Apesar da qualidade que se lhe reconhece tanto no modelo em questão como nos kit’s navais da Heller a 1/400, este peca pela configuração original, ou seja o navio para a guerra anti-submarina (Fig-4 – ainda com os S-58 e fig. 8, com o Super Frelon) papel no qual praticamente não foi utilizado. Para fazermos a versão do navio escola teremos sobretudo que recorrer aos Lynx ou Aloutte III de outros modelos da marca, se quisermos mostrar um convés de voo realista. Esteticamente o Jeanne D’Arc não sofreu grandes alterações desde a sua entrada ao serviço, facilitando assim a sua adaptação para a configuração actual.

Fig. – 4 – Inicio das Operações

Fig. – 4 – Inicio das Operações

Fig. – 6 – No ancoradouro

A Escala 1/400 não favorece a utilização das fotogravuras da Gold Medals (equipamento electrónico, tripulação, amuradas, etc. à escala 1/350), embora com algum cuidado e poder de adaptação seja possível o uso de uma parte deste material, principalmente se o objectivo for colocar o navio em situação de navegação (Fig. 5 e 7).

Um importante desafio é abrir e consequentemente construir parte ou a totalidade do hangar, apresentando os helicópteros recolhidos no seu interior e toda a manutenção a ter lugar.

Quanto à pintura o navio apresenta um esquema totalmente cinza, sendo que o tombadilho bem como o convés de voo exibem um cinzento consideravelmente mais escuro, enquanto que a cor utilizada abaixo da linha de água é o preto (Fig.7).       

No que diz respeito aos decalques, estes exibem uma qualidade razoável, embora não seja má ideia substituir alguns deles por produções e pinturas totalmente nossas, nomeadamente a bandeira e

algumas das marcas (sobretudo as mais longas) do convés de voo.

Relativamente ao envelhecimento e desgastes, o Jeanne D’Arc tem uma manutenção extremamente apurada pelo que é necessário ter cuidado na ferrugem aplicada (sobretudo junto à ancora, tombadilho e zonas que têm contacto corrente com a água). Aconselhamos o realce do cinza “queimado” pelo sol e a aplicação de óleos nas ranhuras dos painéis.

Por ultimo resta-nos referir que este modelo é actualmente uma das raras maravilhas do modelismo contemporâneo. A sua forma arrojada num desenho de linhas clássicas apresenta-nos uma rara beleza, tanto numa apresentação em navegação (na qual é preferível cortamos a base do casco), ou simplesmente sobre a base fornecida pelo kit.

A hipótese de podermos optar por diversas configurações de missão (desde a guerra anti-submarina à instrução de cadetes, passando pelo assalto anfíbio vertical) sem grandes modificações e adaptações fornece uma excelente base de trabalho para os modelistas intermédios, já capazes de concluir bons modelos mas numa fase ainda experimental no que diz respeito ás peças auto-produzidas e às fotogravuras. 

 

Fig. – 7 – Na companhia de um destroyer

Fig. -8 - O deck e controlo de voo

Fig. -9- A superestrutura e o armamento

Fig. -10 - Kit da Heller à escala 1/400