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Resultado de um inquérito a famílias com doentes de Perthes no R.U. e Irlanda.

A importância das informações e da opinião do doente e sua família, na análise da doença.

 

Nuno Craveiro Lopes, Serviço de Ortopedia, Hospital Garcia de Orta, Almada, Portugal

Sheila Trever, Parents of Perthes Support Group, Hull, Reino Unido

 

 

RESUMO

O estudo da doença de Perthes tem vindo a ser feita quase que exclusivamente com base em dados experimentais, clínicos e imagiológicos, não sendo geralmente valorizada a opinião do doente e seus familiares sobre as possíveis causas, evolução e resultado final da doença.

 

Com a colaboração da Parents of Perthes Support Group (PPSP), foram enviados questionários a 150 famílias do Reino Unido e Irlanda, de modo a compilar dados respeitantes a 3 etapas da doença:

1) A factores passíveis de estar na génese da doença.

2) Ao diagnóstico e tratamento da doença.

3) Ao resultado funcional final.

Foram recebidas 76 questionários, respeitantes a 91 episódios de DLCP, cujos dados foram sujeitos a análise estatística. 

Foi encontrada uma proporção masc/fem de 4,5/1 e a idade de início variou entre os 2 e os 12 anos de idade.

Da totalidade dos casos, 15 eram bilaterais (20%) e outros 27 casos (35%) apresentavam sintomas dolorosos antes ou durante a evolução da doença contralateral.

Entre as características mais significativas deste grupo de crianças, encontravam-se a hiperactividade (84,6%), o repouso nocturno predominante em decúbito ventral (47,2%) e a baixa estatura (27,5%) .

A percentagem de doentes que referiam queixas dolorosas intermitentes antes do diagnóstico foi muito elevado: 53 (70%), variando a sua antecedência entre 2 meses e 4 anos.

Desses 53 doentes, 40 (75%) referiram múltiplos episódios dolorosos, antes da declaração da doença.

 

Não foi encontrada relação estatisticamente significativa com eventual poluição ambiental ou por fumo de tabaco, com a hereditariedade, com a existência de alterações hematológicas, hormonais ou metabólicas.

A análise dos resultados finais com um seguimento médio de 6 anos (2 a 52 anos), não mostrou existirem diferenças significativas entre sexos, grupos etários, grau de actividade e entre tratamento conservador ou cirúrgico (osteotomia femoral).

O resultado deste trabalho vem, em primeiro lugar, confirmar alguns dados conhecidos, como a existência de baixa estatura e hiperactividade nestas crianças.

Vem juntar alguns dados novos, como a existência de repouso nocturno predominantemente em decúbito ventral, de episódios repetidos de queixas dolorosas e claudicação muito antes do aparecimento da doença, factos que apontam para a existência de uma situação premonitória que poderá permitir o seu despiste precoce e introdução de medidas preventivas.

Vem finalmente, pôr em duvida alguns dados sobre a doença, nomeadamente, a influência do fumo de tabaco, a existência de alterações sanguíneas, hormonais e metabólicas, o pior prognóstico no sexo feminino e na criança maior, e melhores resultados com o tratamento cirúrgico.