Querido
Amigo:
James Russell Lowell no seu maravilhoso poema, “A
Visão de Sir Launfal”, usa as seguintes palavras que são as mais
apropriadas para a mensagem de Natal desta carta:
“A Santa Ceia realiza-se, na verdade,
Sempre
que partilhamos algo que o outro necessita
Não
se trata do que damos, mas do que compartilhamos,
Pois
a dádiva sem o dador é mesquinha;
O
que se dá a si próprio com o seu amor alimenta três,
A
si próprio, ao seu vizinho faminto e a Mim”
Quando analisamos a vida do ponto de vista do ser verdadeiramente
desenvolvido, frequentemente nos envergonhamos com o nosso egoísmo, porque já
começamos a compreender o que sempre temos recebido de Deus. As suas dádivas,
não podemos negar que foi Ele que nos deu a vida que temos neste mundo, toda a
beleza que podemos observar, todos os sons que podemos ouvir, todo o prazer que
experimentamos, todo o alimento que mantém corpo e alma unidos. Quando
realmente estudamos as nossas faculdades físicas e cada dom que as acompanha,
cada meio de existência e felicidade, cada comodidade e cada bênção da vida
que vem d’Ele, devemos começar a sentir a satisfação e o agradecimento de
Sir Launfal, o qual, depois de gastar a vida toda a percorrer o mundo à procura
do Santo Graal, encontrou-o ao compartilhar compassivamente o seu último pedaço
de pão. Desse modo conseguiu o verdadeiro objecto que durante tanto tempo
procurara em vão.
Nesta altura santa do Natal, sentimos gratidão pelas dádivas que nos
vieram de Deus? Oferecemos orações como forma de gratidão, cumprimos o dever
para com o nosso infeliz vizinho?
Presenteamos Deus com a oferenda de uma alma que vive uma vida de serviço
e auxílio? Se não for assim, então somos “Servidores indignos”.
Pois os Ensinamentos Rosacruzes ensinam-nos que na noite de 24 para 25 de
Dezembro o Sol começa a sua viagem do Sul para o Norte. Se o Sol permanecesse
sempre no Sul, o frio e a fome inevitavelmente exterminariam a raça humana. Por
esta razão, o Sol que é o veículo visível de Cristo se aclama como salvador
do mundo.
Nessa noite, o signo zodiacal de Virgem, a virgem celeste, está no
horizonte oriental à meia-noite, e, é por isso, falando astrologicamente, o
seu signo ascendente. O Sol, nessa altura está no ponto mais baixo da sua
latitude Sul, em Capricórnio, o signo que significa a prova da humanidade, onde
o mordomo Saturno (Satan), domina.
Na “Interpretação Mística do
Natal” Max Heindel diz-nos o seguinte:
“Consideremos válida a interpretação astronómica, e consideremos
também como verdade o seguinte, ao contemplarmos o mistério do nascimento
deste outro ponto de vista. O Sol nasce , ano após ano, na noite mais escura.
Os Cristos salvadores do mundo nascem igualmente quando a obscuridade espiritual
do género humano é mais profunda. Existe um terceiro aspecto, de suprema
importância, isto é, que não é uma suposição gratuita quando Paulo diz a
frase “Cristo formado em vós”.
É um facto sublime que todos somos Cristos em formação e quanto mais
depressa nos convencermos que podemos cultivar Cristo no NOSSO INTERIOR antes
que o possamos perceber externamente, mais apressaremos o dia da nossa iluminação
espiritual.”
Este mesmo nascimento Cósmico é um símbolo que representa no homem, o
nascimento do menino Jesus dentro da alma sob a forma de um despertar da Consciência
Crística.
Cristo nasce verdadeiramente no coração do homem logo que este responde
à vida superior e sente gratidão pelas bênçãos com que Deus o recompensa.
A consciência de Cristo será despertada na humanidade durante estes
tempos tristes, porque é sempre pela crucificação do ser carnal, pelo
sofrimento e o pesar, que o Ego superior é despertado.
Que o Cristo nasça no coração de cada um dos estudantes que leia esta
mensagem.
Seus
em serviço da humanidade,
The
Rosicrucian Fellowship,
Mrs.
Max Heindel
(cartas aos estudantes)