Brasil Ornitológico • nº 55
• Mai - Jun – Jul
Artigo
Frisados Parisienses para
Iniciados
A criação de Canários Frisados
Parisienses é apaixonante para todos aqueles que têm a oportunidade de avaliar
a beleza que eles podem proporcionar, levando os seus aficionados cada vez mais
a seleccionarem estes belos pássaros, na busca contínua de um canário que
esteja o mais próximo possível da perfeição.
Para aqueles que pretendem
iniciar na criação destes canários, há necessidade primordial de alguns
conhecimentos básicos em canaricultura, para depois iniciarem a criação dos
Frisados Parisienses, pois são pássaros que apresentam peculiaridades próprias
de criação, daí serem um dos canários mais valorizados no mundo dos
canaricultores.
Quanto às cores, os princípios
básicos para os acasalamentos dos frisados são os mesmos utilizados para os
canários de cor, devendo ser feito sempre utilizando uma ave de cor forte com uma
de cor fraca. A formação de casais com dois canários intensos leva à diminuição
do tamanho das penas e como consequência à diminuição do tamanho dos pássaros.
Pela mesma razão, a utilização de dois nevados, tem tendência a aumentar o
comprimento das penas, proporcionado a evolução de canários com penas muito
longas e frágeis, apresentando uma plumagem imperfeita, principalmente com
fachos caídos de um lado ou dos dois.
Os canários Frisados
Parisienses estão classificados quanto às cores em três categorias:
- Intensos - que podem ser
verdes, amarelos, canelas e mesclados;
- Nevados - que podem ser verdes,
amarelos, canelas e mesclados;
- Fundo branco - que podem ser
azul, mesclado de azul e branco, canela prateado e brancos.
Para os canários frisados, a
cor não é o factor mais importante, embora os amarelos, brancos e mesclados,
sejam mais comerciais que os verdes e azuis, mas o mais importante na aquisição
de um espécime é verificar se ele está dentro dos padrões exigidos para
comporem o padrão racial.
Os canários verdes embora
sejam menos comerciais, são indispensáveis para a criação, pois geram filhotes
grandes e mais resistentes. Hoje com a miscigenação dos cruzamentos, podemos tirar
de um canário verde, os amarelos, os verdes, os mesclados e os canelas e ainda
se acasalados com brancos, pode-se conseguir os azuis, mesclados de azul e
branco e os brancos.
Os acasalamentos para se tirar
canários brancos, com maior freqüência é feito entre brancos e amarelos, mas é
um método que tem tendência de levar à diminuição do tamanho das aves e
torná-las mais fracas. A melhor forma de obter canários brancos grandes e
resistentes é através do acasalamento entre um pássaro branco e um mesclado de
amarelo e verde. Neste cruzamento pode-se obter filhotes brancos, amarelos,
verdes, mesclados de amarelos e verdes, azuis e mesclados de azul e branco.
Para obtenção de canários
azuis e seus mesclados o acasalamento deverá ser feito entre uma ave verde e
uma branca ou mescladas de azul e branca, podendo nestas hipóteses de
cruzamentos conseguir exemplares brancos. Existem outras hipóteses de
acasalamentos que podem ser feitas, e que cada iniciante ira se familiarizando
com o evoluir de sua criação.
Indicaremos aqui alguns factores
importantes na escolha de um bom canário frisado parisiense:
1 - Tamanho – deve ter no
mínimo 18 cm de comprimento do bico à cauda, podendo atingir 23 centímetros nos
melhores exemplares.
2 - Plumagem – deve ser
sedosa, abundante mas não deve ser em excesso.
3 - Cabeça – grande, com
frisos em abundância, normalmente assimétricos, podendo ser em forma de
capacete.
4 – Capacete ou capucho - mas
muitos criadores valorizam mais os canários que apresentem o capucho ou
capacete, onde as penas da cabeça devem estar viradas para frente desde a nuca
até próximo ao bico.
5 - Gola, formado por penas
frisadas que circundam o pescoço, apresentando todas elas voltadas para a
cabeça, formando um nítido colar.
6 - Suíças - são penas que
nascem na face, sob os olhos, e se dirigem para a gola.
7 - Manto - constituído por
penas que nascem formando uma linha longitudinal no centro do dorso, caem
simetricamente sobre as asas e dorso.
Deve-se evitar os mantos
assimétricos.
8 - Bouquet - penas que formam
uma linha longitudinal no centro do dorso, caem simetricamente sobre asas e
dorso.
9 - Peito, formado por penas
que convergem para o externo formando um cesto.
10 - Ventre - penas que se
abrem do centro para os lados ou para cima, acompanhando as fissuras do peito.
11 - Fachos (Aletas) - penas
que nascem sob as asas, envolvendo-as, dirigindo-se para a cabeça, devendo,
ambos os lados serem simétricos e são responsáveis por parte da beleza destes
canários.
12 - Olivas - penas que nascem
logo após a cloaca e engrossam o início da cauda.
13 - Chorões - são penas que
nascem na parte superior da cauda, caindo para ambos os lados, devem ser longos
e em número aproximado de quatro para cada lado. Somente aparecem em canários
que apresentem óptima performance.
14 - Asas - devem ser longas,
assentadas sobre o dorso e não devem ser cruzadas.
15 - Cauda - deve ser longa,
larga e sua extremidade deve estar alinhada.
16 - Pernas - fortes, com
coxas cobertas de penas, de preferência frisadas, canelas e dedos fortes. Unhas
devem ser em forma de saca-rolha e compridas. Nos canários do primeiro ano de vida
estas unhas retorcidas ainda não são muito pronunciadas, com a idade elas
tornam-se mais evidenciadas.
17 - Posição - deve se
apresentar em posição de aproximadamente 60º em relação ao poleiro.
Estes pássaros têm uma melhor
apresentação em seu visual geral, que os espécimes que se apresentam agachados.
Deve-se rejeitar
sistematicamente os pássaros que apresentem o dedo posterior sem capacidade de
prender-se aos poleiros. São conhecidos entres os criadores, como canários com
os pés escorridos. Isto é um factor genético que pode ser transmitido para
futuras gerações. Embora muitos criadores de frisados dizem ser problema do
ninho, do poleiro, da colocação da anilha, mas há que duvidar disso tudo...
Um dos pontos mais difíceis
para o iniciante é a aquisição de bons exemplares para reprodução, que devem
ter como ponto principal uma saúde perfeita, vindo de criadores onde
sabidamente não existam pássaros doentes. Não basta que a ave escolhida esteja
aparentemente sadia, haja vista, que muitas vezes as doenças podem permanecer
em estado de incubação por longos períodos, esperando apenas uma oportunidade de
diminuição de resistência da ave, para se instalar e este momento pode ser o stress
causado pelo transporte feito por você mesmo, com a mudança de ambiente de um criador
para outro.
Não compre canários de pequeno
porte, por que o vendedor diz que é irmão, filho ou descendente próximo de um
campeão. Se é tão bom como um campeão, porque vender o pequeno e não o campeão?
Esperar que um pássaro pequeno e sem formas bem definidas, possa gerar filhotes
grandes e perfeitos é pura ilusão, significa investir sem possibilidade de retorno,
com perda de tempo e até mesmo desistir de continuar a criar, face as
frustrações vividas por muitos que assim o fizeram.
A partir de 2005 aqui no
Brasil, está previsto para serem julgados separadamente, os canários Frisados
Parisienses e os Gigantes Italianos. Embora existam criadores que fazem o cruzamento
entres estes canários, na tentativa de aumentar o tamanho de seus filhotes, o
que poderá leva-los à desclassificação nos julgamentos em seus próprios clubes,
bem como no Campeonato Brasileiro, por não apresentarem as características
morfológicas bem definidas para cada uma das duas raças.
A criação de frisados
geralmente é bem sucedida, quando o criador faz uso de ama-seca, em especial
quando os canários são bem seleccionados e grandes, embora alguns criadores prefiram
criar nos próprios frisados, sem a utilização de amas. No caso de usar
ama-seca, deve-se utilizar canários que tenha bastante disposição para tratar
dos filhotes, sendo preferidos os chamados canários belga comum, vermelhos,
gloster, asa-cinza, que são excelentes tratadores.
As amas devem ser saudáveis,
bem alimentadas e criar dois a três filhotes de frisado por ninhada e fazerem
no máximo três posturas no mesmo ano, não devendo ter mais de três anos de
idade, pois começam a ficar cansadas, diminuindo assim a capacidade de
alimentar os filhotes.
As gaiolas para as amas-secas
podem ser de qualquer modelo existente no mercado, desde que tenha uma
divisória no meio, para separar o casal de ama, logo que os filhotes frisados
saiam do ninho, pois muitas fêmeas arrancam as penas dos filhotes para fazer o
novo ninho. O poleiro do lado que ficarem os filhotes deverá estar a mais ou
menos cinco centímetros acima da grade de arame do fundo da gaiola, para eles
aprenderem a subir o mais rápido possível, evitando assim, deformações nos pés,
e a uma distância de seis a sete centímetros da divisória, para evitar os arrancamento
de penas do peito pela ama.
Já para os frisados
parisienses há necessidade de gaiolas maiores, apresentando as seguintes dimensões:
- comprimento 70 cm, altura 45 cm e largura 30 cm. O ninho deverá ficar de preferência
na mesma altura que os poleiros, que são em número de dois e a uma distância
máxima entre um e outro de vinte centímetros, para facilitar o acasalamento,
pois quando a fêmea frisada chama o macho, ele deve estar próximo a ela, haja
vista, que ele é um canário lento, demorando para efectuar a cópula, fazendo
com que a canária muitas vezes desista de se acasalar, gerando assim muitos
ovos brancos (sem embriões dentro).
Os ninhos para as frisadas
devem ser de plástico de tamanho normal, iguais aos existentes no mercado, que
são utilizados para os canários de cor ou para as amas, que devem ser forrados com
pano, carpete ou papel descartável. No caso de utilizar carpete eles devem ser
submetidos a uma pequena chama de fogo para queimar possíveis fios de carpete
soltos que podem enroscar nos dedos dos filhotes cortando-os, fazendo com que
eles fiquem sem dedos.
Os cuidados básicos de higiene
são os mesmos empregados por todos os canaricultores, tais como: limpeza diária
de gaiolas e instalações, desinfecções gerais, limpeza e desinfecção de bebedouros,
comedouros, ninhos e poleiros, empregando sempre produtos biodegradáveis e que
não sejam capazes de intoxicarem os canários, especialmente os filhotes, que
são mais sensíveis.
Pode-se utilizar a amônia
quaternária como desinfectante, pois no comércio existem diversos produtos com
esta finalidade, com baixo teor tóxico e de baixo poder de corrosão para as
gaiolas e prateleiras.
A alimentação poderá ser
composta de papa balanceada para canários, podendo ser adquiridas em casas da
especialidade.
Somado à papa balanceada
deverá ser oferecido também, sementes diversas, como alpiste, colza, niger,
nabão, aveia, painço, linhaça, pirila, que devem estar isentas de pó e receber
tratamento anti-fúngico e ainda verduras como almeirão, chicória, couve e
acelga. Tomar sempre cuidado com a origem destes produtos, por causa dos
agrotóxicos que podem trazer consequências desastrosas para a criação.
Para cada casal de frisado
deverá ser reservado de três a quatro casais de amas- -seca, por que há necessidade
de coincidir o período de postura da frisada com uma das amas. Cada ama ficará ocupada
por treze a catorze dias incubando os ovos e mais trinta e cinco dias no mínimo
alimentando os filhotes.
Deve-se fazer selecção e a
preparação dos casais e das amas com aplicação de tratamento igual tanto aos
reprodutores como às amas.
Aos frisados, deve-se ainda
cortar as unhas e fazer um corte das penas ao redor da cloaca, para facilitar a
fecundação.
Os casais de frisados devem
ser formados com machos do segundo ano de vida, pois geralmente no primeiro
ano, são poucos os que são capazes de encher os ovos, já as fêmeas podem ser do
primeiro ano de vida, pois efectuam boas posturas.
Com frisados de dois anos ou
mais de vida é possível fazer bigamia, utilizando-se um macho para duas ou até
três fêmeas, que devem ficar em gaiolas separadas e o macho é que será passado em
cada uma das fêmeas. Esta prática não é recomendada para criadores
principiantes, pois poderá levar ao fracasso da experiência se não for bem
conduzida. O ideal é que se formem casais fixos para toda a temporada de
criação.
Esperamos que nossas palavras
sirvam como orientação básica e estímulo para àqueles que pretendem iniciar
nesta deslumbrante tarefa de criar uma das mais belas mutações do canário ancestral
europeu ( serinus canarius).
Estaremos sempre à disposição
dos criadores e dos iniciantes, para quaisquer esclarecimentos sobre a
canaricultura frisada parisiense, resguardando sempre nossos limites de conhecimento
sobre estes canários.