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neste entardecer pluvioso e ermo
busco-te e descubro-te numa cascata de poemas
algures num jardim de alvoroços e motins
por onde passeia a fina flor das artes
cenário ideal para a película que realizarás
congregando os pequenos e deliciosos fragmentos que nos ofereces
peças de um puzzle complexo e labirintico
que intento mentalmente decifrar e construir
ao mesmo tempo que contemplo a doçura do teu olhar
envolvido por gigantescas nuvens de fumo
provenientes dos teu cigarros, das nossas canetas e
de sessenta e oito pauzinhos de incenso inflamados
como o piano bi-secular que lança devaneios coloridos
correspondidos pela dança esquiva dos nossos corpos
e pelo ressuscitar dos queridos defuntos
no sótão do velho casario abandonado
de onde se vislumbra a praia que nos une
desde o dia que me sussuraste "mar" ao ouvido.
sorri,
descobri uma banda sonora de um filme francês,
beijei-te meigamente e
murmurei:
(a)mar(-te), maria... só.
. rui malheiro
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