bonecos de papel

ela abre a janela do quarto

corre pela casa leve e solta

chama por mim ao entardecer

ou quando chove lá fora

 

desenha palavras no caderno

sossega o mundo no travesseiro

segreda o meu nome num beijo

ou quando a flor colhe o peito

 

somos bonecos de papel

lemos romances de cordel

velhas feiticeiras num bordel

afogadas em santo mel

 

ele estende a janela da sala

voa como um pássaro doce e saudoso

chama por mim ao amanhecer

ou quando faz sol lá fora

 

escreve poemas no papel

desperta o mundo no travesseiro

grita o meu nome num beijo

ou quando a flor despe-me o peito

 

somos bonecos de papel

lemos romances de cordel

velhas feiticeiras num bordel

afogadas em santo mel.

 

 

 

. rui malheiro

 

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