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as
pinhas
timbradas
nos
rolos de papel
o
sopro
o
ar já azul
de
fitas iluminadas
pelo
calor
do
ventre
o
velho das barbas brancas
pendurado
numa árvore
qualquer
plásticos
recicláveis
o
retorno breve
às
cassetes
mais
as maçãs
sob
as plantas
que
fecundam
as
abelhas
e
uma madeira
qualquer
o
seu reflexo
no
vidro
dos
móveis
tecidos
por
um qualquer
carpinteiro
os
dias
são
mais longos
as
noites
são
tão breves
os
dias
são
mais longos
as
noites
são
tão breves
ouvia
um
sussurro longínquo
de
uma formiga poeta
o
poeta como o amor
como-o
como
o amor
cúmulo
movia
uma
asa trémula
de
um pássaro cantor
o
cantor como o amor
como-o
como
o amor
cúmulo
perguntava
a mais velha:
–
onde encontras tu o amor?
respondi-lhe:
–
em todas as coisas
basta
apalpá-las
com
cuidado
basta
tocá-las
com
cuidado
com
cuidado
(como
o amor)
(com
cuidado)
(como
o amor)
(com
cuidado)
.
iuri algarvio, rui malheiro
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