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os
meus limões
estampados
nas folhas
coladas
no tecto
no
recto gravitam
a
linha vertical
fodendo
com a horizontal
estandarte
que te pela
é
triste
mas
revela-te
revela-te
estou
tão contente
estou
tão contente
estou
tão contente
estou
tão contente
os
teus desenhos
sugam
a noite
memórias
de bosques
sombras
de frutos
a
linha turva
incendeia
o papel
imagem
que te pressente
é
duro
mas
despe-te
despe-te
estou
tão contente
estou
tão contente
estou
tão contente
estou
tão contente
os
meus sonhos
a
flutuar
as
tuas insónias
dissolvidas
no sofá
no
crepúsculo
dos
nossos corpos
está
a tua gata
que
abraçamos... dementes
(dementes)
estou
tão contente
estou
tão contente
estou
tão contente
estou
tão contente
os
teus poemas
no
frigorífico
as
minhas canções
embriagadas
ao luar
na
janela
do
teu quarto
estão
quatro corvos
que
beijamos ao acordar
estou
tão contente
estou
tão contente
estou
tão contente
que
te quero comigo.
.
iuri algarvio, rui malheiro
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