estranhos amores

se ainda fosse um dia de abril

a trazer a vontade de lutar

se ainda fossem águas mil

a fingir o medo de navegar

 

preso entre quatro paredes

na lenta agonia dos compassos

engano os dias de chuva

com a rosa-dos-ventos

dos teus passos

 

esses estranhos amores

que não nos levam a lado nenhum

no lento rufar dos tambores

que clamam a vontade

de sermos

parecermos um

 

no miradouro das estrelas caídas

os sonhos sabem a mel

lembram as almas perdidas

e o amor escrito

em pedaços de papel

 

o coração esconde o cansaço

e as máscaras desfeitas

nos dedos na areia

desvendamos o fumo no regaço

com os cotovelos pousados

numa teia

 

esses estranhos amores

que não nos levam a lado nenhum

no lento rufar dos tambores

que clamam a vontade

de sermos

parecermos um

 

as memórias do último beijo

numa melodia enfadonha

as sombras do amor no desejo

enquanto minh'alma sonha.

 

 

 

. rui malheiro

 

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