jardim botânico

o amor aparta

receios insondáveis

e acende

um mar de incertezas

 

são rostos fechados

os que se escondem

atrás de mim

 

são lágrimas amargas

as que se afundam

no túmulo de ti

 

e quero morrer aqui

sentir os teus braços

a chamar por mim

mas decidi

fugir de ti

talvez tenha sido

melhor assim.

 

há uma linha de luz

entre o amor e a perfeição

há uma faca ensanguentada

entre os nossos corpos nus

 

e hoje é cedo

demasiado cedo

para regressar

 

e amanhã é tarde

demasiado tarde

para sonhar

 

e quero morrer aqui

sentir os teus braços

a chamar por mim

mas decidi

fugir de ti

talvez tenha sido

melhor assim.

 

as gaivotas confundem-se com neóns

o rio dissipa-se

na obscura clandestinidade

os teus cabelos castanhos

enchem-me o peito de saudade

do calor dos teus braços

e de beijos salgados

 

são noites insones

cabanas chorosas

atrás de ti

 

são dias vazios

crimes insensatos

no túmulo de mim

 

e quero morrer aqui

sentir os teus braços

a chamar por mim

mas decidi

fugir de ti

talvez tenha sido

melhor assim.

 

 

 

. rui malheiro

 

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