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caminho cabisbaixo
olhos cansados
mãos vendadas
o prazer acabou
bulício de volutas
árvores descaídas
sinto-me tão fodido
falta-me um sentido
não sei onde está
a ausência apaga-me
palavras desconexas
silêncio desmesurado
revolta estridente
sinto-me aprisionado
junta a tua à minha dor.
sofro calmamente
sente o cão raivoso
a latejar no teu ombro
iluminação escassa
o teu corpo tenso
o meu sexo denso
e penso que penso
e alcanço horas gastas
vertigens de ti (e de mim)
acumular de agressões
lâminas golpeiam
o teu receio
junta a tua à minha dor.
e canta baixinho
afoga-me devagarinho
e mente
o desejo
de me ter
no teu quarto...
. andré santos, rui malheiro
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