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atrás da porta fechada
esconde-se um poeta
sem nome, em dor,
pousa, repousa perdido,
adormece no rabisco
do tempo, lento.
figuras estranhas
de um mundo
no fim do mundo
onde o doutor
fode a puta virgem
numa esquina
semi-obscura.
passos descompassados,
espera eterna,
fantasmas flamejam
para além da porta fechada.
estrelas dançam,
num cacilheiro vazio,
outrora clandestino.
vozes roucas
evocam a solidão
nos copos empoeirados
do bordel vazio
no regresso
ao cais.
não posso dormir, não quero chorar
deixa-me acordar
sobre as tuas lágrimas ao luar
e agora, choro
não me abras a porta,
não te quero ver sorrir
e choro,
choro, choro
choro sem ti.
num baloiço abandonado
sinto medo do escuro
sem cor, nódoas de horror,
penso, repenso submerso,
esquivo-me no ondular
do mar, intenso.
cartoons decapitados
de um mundo
no fim do mundo
onde o chui
bate, bate, bate
bate sem dó
no puto da rua.
jogos macabros,
velhos abandonados,
silhuetas desventradas
sentadas no baloiço abandonado.
mendigos sorriem,
para uma milena
sem abrigo.
luas mortas
desfazem o amor
na imagem intemporal
do sexo hirto
no regresso
ao cais.
não posso dormir, não quero chorar
deixa-me acordar
sobre as tuas lágrimas ao luar
e agora, choro
não me abras a porta,
não te quero ver sorrir
e choro,
choro, choro
choro sem ti.
. rui malheiro
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