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se as luzes se apagarem
eu não vou falar
quero desenhar
a tua aurora a nascer
no brilho de um cigarro
por acender
a luta prossegue,
os passos trocados
olhares desviados,
sombras mutantes
nada nos consola
nada nos desvenda
a voz quebrada
o pano azul
a tristeza no corpo
que viaja sem rumo
no murmúrio latejante
dos nossos dedos
se os sons adormecerem
tu não vais deixar
queres sonhar
com as palavras sem nexo
e a mancha de vinho
cúmplice na carícia
a dor inacessível
as memórias suspensas
gotas de chuva
na nossa saliva
nada nos consola
nada nos desvenda
arranhas-me o sono
despes-me ao respirar
acordas-me com uma frase
sem pontos finais
no silêncio cúmplice
das nossas chamas.
nada nos consola
nada nos desvenda
nada nos consome
nada nos segura
nada nos desmama
nada,
nada,
nada
nada (em mim).
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rui malheiro
(* manuel afonso costa em "ultimos lugares")
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