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há um poeta amordaçado
em cada esquina de praga
onde duas bailarinas
com vestidos cor de fogo
dançam ao som
do imperceptível nulo
numa floresta em sonho
desenhada com gotas de sangue
há um condenado à morte
que respira o silêncio
no arrefecer inquieto
do corpo atormentado
entre a angústia ao almoçar
e a busca da essência
uma história de desespero
escrita ao som
da marcha fúnebre
recita al berto
numa escada partida
dorme sossegado
com a angústia suicida
oh, atentados fratricidas
oh, olhos demoníacos
velhos marinheiros
em embarcações destruídas
oh, jogo da cabra cega
oh, o render dos heróis
numa cavalgada cinzenta.
cavalgada cinzenta
cavalgada cinzenta
cinzenta.
. rui malheiro
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