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acordo numa manhã de frio
acendo as luzes do amor vazio
um pássaro chora a saudade
perdido na bruma depois da tempestade
caminho pela cidade esquecida
tenho fome, quero guarida
a dor golpeia o corpo que se arrasta
o medo é a minha primavera nefasta
o nosso abrigo é
uma choupana minimal
virada para o mar
o nosso frio é
um mar esquecido
na saudade
da noite sobre a choupana .
. rui malheiro
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