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os
putos saem à rua
e
beijam os rostos deles
sonham
com estrelas caídas
deslocadas
entre eles
os
putos fogem para a rua
em
busca do sonho perdido
encontram
filhos da puta
que
prometem sorte fingida
os
putos abraçam a rua
e
descobrem o ventre
despenham-se
na penumbra
morrem
na floresta muda
os
putos dormem na rua
bem
no meio da merda
enfiados
em grades
deste
mundo de lixo
os
putos procuram na rua
abraços
fraternos
mas
só encontram muralhas
dura
rejeição eterna
os
putos desenham na rua
jogos
de palavras
atiram-se
de cabeça
para
fogueiras de água
e
eles carregam
as
suas trouxas
repletas
de nada
caminham
feridos, descalços
snifam
cola nas esquinas.
descobrem
nas putas
as
suas mães
os
putos correm pela rua
mutantes
embriagados
desfiam
o cais do sodré
sorriem
no cais de veludo.
. andré santos, iuri algarvio, rui malheiro
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