quem sabe (um dia)

são sempre os mesmos a vencer, a perder

são sempre as mesmas portas a fechar

contra o teu rosto ferido e cansado

ouves um não que magoa, que dói, que corrói

 

quem sabe um dia

lutar, correr, saltar e sofrer

quem sabe outro dia

dizer, cantar, escrever e gritar.

 

e tu não sabes o que procurar

onde passar, onde parar

continuas parado: a sofrer, a escrever

continuas amargurado: a lutar, a cantar

continuas sufocado: a esperar, a sonhar

 

quem sabe um dia

lutar, correr, saltar e sofrer

quem sabe outro dia

dizer, cantar, escrever e gritar.

 

desenhas bandeiras, derrubas fronteiras

escondes doçuras, caminhas distante (num instante)

só queres ser diferente e sabes quem mente

quando sangras um mundo doente e crente

 

quem sabe um dia

lutar, correr, saltar e sofrer

quem sabe outro dia

dizer, cantar, escrever e gritar.

 

tu lutas, tu cores, tu saltas, tu sofres, tu dizes, tu cantas

tu escreves, tu gritas.

quem sabe um dia,

talvez outro dia.

 

 

 

. rui malheiro

 

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