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a noite neste dia veio cedo demais.
durmo,
adormeci sem um sentido para este sono
que cegou já tantos
a noite deste dia chegou para mim
sem que pedisse um retorno dela.
veio porque quis, veio porque a chamei
sem ter voz, nem forças, nem rubros.
a noite neste dia veio cedo demais.
sonho,
e sem esperanças embalo o sonho
dos tempos fulvos
em que as memórias ainda eram divididas
nas nossas mãos.
nas mãos de chuva e lágrimas em botão
no tempo em que embaciava a tua boca
com um sorriso apenas
uno e tão pueril.
a noite neste dia veio tão cedo e tão tardia.
desmaio,
fico inerte na minha cama feita de papel
e com escritos rasgados a flores
quem me dera escrevê-los de novo
só para ter as memórias vivas
no sussurrar de cada palavra por ti
mas a noite é só uma ilusão
do acordar cego e mudo.
a noite neste dia veio cedo demais.
cedo demais.
. ana salomé
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