soldados de veludo

há partidas,

há chegadas

os silêncios e os gritos

lágrimas e trovoadas

(incontestadas)

 

num instante

 

as palavras

enrolam sorrisos

 

os olhares

fecundam a paisagem

 

gestos

enganam a morte

 

somos soldados

numa guerra de escravos

perfilados no medo

de um oceano de saudades.

 

há partidas,

há chegadas

os ventos e as marés

rostos e silhuetas

(inacabadas)

 

nú (mo)vimento

 

os cigarros

declamam poesia

 

as carícias

abraçam a noite

 

beijos

com sabor a veludo

 

somos soldados

numa guerra de escravos

perfilados no medo

de um oceano de saudades.

 

 

 

. rui malheiro

 

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