teleférico

a ponte balança

em direcção ao farol.

 

a luz isola

estrelas sonâmbulas

memórias precoces de primaveras angustiadas

no ondular fusco, (fusco)

de jornadas crepusculares

solta-se o grito ácido

na revolta da criança

anjo desmamado

a caminho de casa

sem lençol e brandy-mel

 

e estala o chicote

o corpo arrefece

a-manhã renasce

o corpo bate

a tarde injecta

o dia perece

 

as unhas ruídas

imagens em ruínas

ratos na toca

gatos feridos

caça falhada

polícias à solta

véus escondidos

beijos na testa

 

e estala o chicote

o corpo arrefece

a-manhã renasce

o corpo bate

a tarde injecta

o dia perece

 

 

. andré santos, rui malheiro

<    >