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no velho livro
está desenhada
a maca cinzenta
onde está deitada
a menina
de olhos de desespero
tão terno
fuma dois cigarros
o velho louco
senta-se ao meu lado
conta-me
como se fumam dois cigarros
junto ao ombro
que ela beija
sussurra-me ao ouvido
- tenho os bolsos rasgados
não vejo
o meu ser vivo
não me estranhes
não me olhes
beija-me de novo.
a menina duplicou-se
e o velho abraçou-me
implorava-te:
olha-me nos olhos...
olha-me nos olhos...
olha-me nos olhos...
olha-me nos olhos... (olhos, oh!...)
na velha estante
está esmagado
um tumor maligno
que há-de levar
o menino
de rosto desfigurado
tão belo
fuma dois cigarros
a velha vidente
deita-se ao meu lado
conta-me
como se fumam dois cigarros
grudada ao pescoço
que ela morde
murmura-me ao ouvido
- tenho o corpo dilacerado
não vejo
o meu ser vivo
não me estranhes
não me olhes
morde-me de novo.
o menino desintegrou-se
e a velha masturbou-se
implorava-te:
olha-me nos olhos...
olha-me nos olhos...
olha-me nos olhos...
olha-me nos olhos... (olhos, oh!...)
. iuri algarvio, rui malheiro
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