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onde os passos se perdem
vejo a urbe cinzenta
circo de feras,
silêncios descompassados.
desespero gélido,
angústia esgotante.
cigarros pendentes,
dependente cidadão,
na podridão do asfalto.
há um medo que corrói
com o cão raivoso que morde
ou a agulha que te injectam
numa esquina homicida
onde o puto assalta
e uma faca aguçada
adormece-te o corpo.
gritos por gritar
memórias por perpetuar
ventos por mudar
beijos não dados
beijos esquecidos
medo
só medo.
onde os corpos se vendem
vejo a urbe decadente
inocência perdida,
fracturas expostas.
procura obsessiva,
becos sem saída.
vestidos transparentes,
demencial exclusão,
na podridão do asfalto.
há um medo que polui
com o cão raivoso que infecta
ou a agulha que te rompe
numa esquina ferida
onde o puto bate
e uma faca ensanguentada
repousa sobre o teu corpo... (morto).
gritos por gritar
memórias por perpetuar
ventos por mudar
beijos não dados
beijos esquecidos
medo
só medo.
. ana salomé, rui malheiro
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