A palavra peixe é originária do latim piscis, "peixe", mas o estudo desses animais é a Ictiologia  que vem do grego ichthys (peixe), e logos, (tratado, estudo).  

Para começar-mos a falar desta espécie de animal, nada como apresentar a sua estrutura base, o esqueleto. 

O esqueleto

CONCEITO

São vertebrados inferiores, têm o corpo fusiforme, recoberto de escamas na maioria das vezes movimentando-se por nadadeiras pares ou ímpares.
Existem duas classes:
Condrichthyes - Peixes cartilaginosos ou seláquios ou ainda elasmobrânquios.
Osteichthyes - Peixes ósseos ou teleósteos.
Os cartilaginosos representam apenas 5% e os ósseos, 95% das 25000 espécies de peixes conhecidas. 60% das espécies são marinhas e 40% são de água doce (dulcícolas).
Exemplos de peixes ósseos: Salmão, Carpa, Moreia, Cavalo Marinho, Peixe-Borboleta.
Exemplos de peixes cartilaginosos: Arraia, Tubarão-martelo, Peixe-Serra, Quimera.

TIPOS DE NADADEIRAS
As nadadeiras, que actuam como remos, garantindo a rápida mudança de posição do corpo, são:
Pares - correspondem aos membros locomotores dos vertebrados, possuindo esqueleto.
Ímpares - simples expansão do tegumento.
Pares - Dorsal, Caudal e Anal.
Ímpares - Pélvicas ou abdominais e peitorais ou torácicas.

SISTEMA DIGESTIVO:


CARTILAGINOSOS
A boca é ventral, como uma fileira de dentes pontiagudos e fortes mandíbulas (nas espécies que possuem, como por exemplo tubarão). Há um estômago, intestino com válvula espiral, pâncreas e fígado como glândulas anexas. O intestino termina numa cloaca.
A válvula espiral intestinal destina-se a aumentar a superfície de absorção (compensando o pequeno comprimento do intestino) e também é encontrado nos ciclóstomos (lampreias). Não existe nos peixes ósseos (com excepção dos dipnóicos - pirambóia). É uma estrutura análoga ao tiflossole (minhocas, pelecípodes) ou às vilosidades intestinais do homem.

ÓSSEOS
A boca é anterior. Os quatro pares de brânquias se abrem, a cada lado, numa cavidade única recoberta pelo opérculo, espécie de tampa que se movimenta quando o animal respira. Não possuem cloaca, e sim, ânus e orifício urogenital.

A cabeça

 

 

Órgãos internos (fêmea) 


SISTEMA RESPIRATÓRIO:


CARTILAGINOSOS
Possuem de cinco a sete pares de fendas branquiais. Com excepção das quimeras, as fendas branquiais não estão cobertas pelo opérculo. Por isso, as fendas branquiais são visíveis externamente. Entre os olhos e as fendas branquiais, os peixes cartilaginosos possuem um par de fendas branquiais modificadas denominadas espiráculo, que permite a entrada de água para as brânquias verdadeiras.

ÓSSEOS
Possuem quatro pares de brânquias numa única câmara recoberta do opérculo. Sem fendas branquiais.

SISTEMA CIRCULATÓRIO
O sistema circulatório dos peixes e ciclóstomos (lampreias) é do tipo fechado e a circulação é do tipo simples. Isto é, para dar uma volta completa pelo corpo, o sangue só passa uma vez pelo coração. O coração dos peixes (e também dos ciclóstomos) possui apenas 2 cavidades: 1 átrio e 1 ventrículo. Pelo coração, só passa sangue venoso, pois ele provém do corpo e não das brânquias - sangue rico em CO2 - antes de atingir o coração.

SISTEMA EXCRETOR
O principal produto nitrogenado da excreção, tanto nos peixes cartilaginosos como nos ósseos, é a uréia (portanto ureotélicos). Já nas formas jovens (alevinos) dos peixes ósseos é a amónia (são amonotélicos).
Os peixes apresentam dois tipos de rins:
PRONEFROS - funciona nos peixes jovens (alevinos), desaparece nos adultos.
MESONEFROS - rins funcionais os adultos.

SISTEMA NERVOSO
Há 10 pares de nervos cranianos.
A medula é coberta pelos arcos neurais.
Não possuem condidos no occipital.
As bolsas olfactivas no focinho contêm células sensoriais.
Botões gustativos ocorrem dentro e ao redor da boca.
Os olhos focalizam apenas objectos próximos.
Ouvido interno com três canais semicirculares e otólitos servindo para o equilíbrio.
Linha lateral percebe modificações na pressão ou ondas lentas em movimento de correnteza (orientação táctil à distância).
Nos tubarões, há a ampola de Lorenzini contendo eletrorreceptores.

BEXIGA NATATÓRIA
A bexiga natatória não existe somente nos dipnóicos (pirambóia), esta presente em todos os peixes ósseos. Na maioria deles, seu papel não é respiratório, ela funciona como órgão hidrostático, que permite ao peixe ficar "estabilizado" em qualquer profundidade, sem precisar nadar e gastar energia. A estrutura fica cheia de gases (oxigénio, nitrogénio e gás carbónico) retirados ou reabsorvidos do sangue, através da intensa vascularização da parede da bexiga natatória, (rede mirabile) principalmente num ponto chamado "glândula de gás". Variando a quantidade de gases na bexiga, o animal modifica seu volume corporal e, portanto, sua densidade, podendo assim, manter-se "parado" em qualquer profundidade.
Em algumas espécies, o canal que liga o órgão ao esófago (pneumoduto) é atrofiado: diz-se então que o peixe é fisóclisto (maioria). Quando o pneumoduto permanece, o peixe é dito fisóstomo. Está claro que os peixes fisóstomos - peixes "pulmonados" dipnóicos - regulam mais rapidamente o conteúdo de gases da bexiga, já que podem expeli-los rapidamente pela boca ou por meio de ingestão de ar na superfície.
A bexiga natatória é reduzida ou ausente em muitos peixes que habitam o fundo (linguados e outros) e em espécies de rios rápidos, que precisam prender-se ao fundo para não serem carregados pela correnteza.