Terça-feira, Agosto 19, 2003

Morreu Sérgio Vieira de Melo

Não vale a pena dizer nada mais a não ser lamentar profundamente. Pelo que pude acompanhar do seu percurso, pelo que vi em Timor, apostava nele para próximo Secretário Geral da ONU. Não vai ser, porque a violência matou um homem que representava no Iraque a ONU e os seus serviços de paz! Estranha ironia. Triste. Muito triste.
Mande vir!
Ainda Maggiolo Gouveia, sem comentários.

ver LUSA
Mande vir!
Sobre as palavras II

A propósito das palavras vale a pena ler este texto em Blog de Esquerda.

E já agora o bonito texto sobre biblioteca de Fernando Pessoa.

E já agora o texto sobre o Algarve, que mostra muito do que se passa por esse país fora! (não, não é a tal propensão nacional para o hipercriticismo)

E vejam Portugal, então no Aviz e a recente polémica com o Cruzes, Canhoto -- é bom pensar sobre isto, numa dinâmica discussão sobre a nossa identidade colectiva.

E vejam ainda o magnífico texto de Cristovao-de-Moura.

Abraço.
Mande vir!
Hoje o Abrupto inicia uma série de:

"NOTAS CHEKOVIANAS" que, pelo que deixam antever as primeiras, serão um prazer ler. Não percam!


Mande vir!

Segunda-feira, Agosto 18, 2003

Tenente-Coronel Maggiolo Gouveia, a polémica que não interessa nada! Haja decência!


A recente polémica sobre as honras militares ao Tenente-Coronel Maggiolo Gouveia, que morreu em Aileu (Timor) fuzilado pela Fretilin em 1975, não faz sentido algum. Era bom que, de vez em quando, os políticos deixassem de lado certos assuntos do combate políico-partidário, pelo menos em certas alturas... Todos os assuntos devem ser discutidos, é óbvio, mas há um tempo certo. Neste caso estou em crer que se está a tocar na privacidade das pessoas e na tranquilidade da família numa altura extremamente sensível. Não se devia. É uma questão de ética política (?). É uma questão de classe. E, às vezes (?), falta classe à nossa classe política.

Bem, mas não vale a pena falar muito disso. As responsabilidades repartem-se pelos vários quadrantes políticos. Até parece que não há assuntos urgentes para o país político discutir e resolver!

Era bom que se discutisse o comportamento de Portugal nas antigas colónias (desde o início da colonização, e não apenas no período quente de 61 a 74/75) e que implementasse uma verdadeira política de ligação fraternal a esses Estados, sem descurar a emergente questão dos investimentos económicos face aos recentes cenários de paz (Ex. de Angola) e consolidação de sistemas democráticos. E é preciso deixar cair um certo atavismo preconceituoso dominante. Senão serão outros (França, Inglaterra, Espanha e outros) a fazê-lo de forma bem mais agressiva -- no que isso tem de pior -- e sem qualquer sentido fraternal (estarei a exagerar?). Nem a língua sobrevive. E não há aqui qualquer saudosismo ou sentimento colonialista, acreditem. Há apenas uma vontade de ver todos melhor: Angola, Moçambique, Guiné Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor e Portugal.

Portugal continua com o "complexo da colonialite" e com medo de actuar na ligação às antigas colónias, seja para ajudar (podemos não podemos?), seja para buscar benefícios económicos (onde está o mal?). Ou então, o que é tão mau, é mesmo por falta de vontade ou incapacidade.

Abraço.


Mande vir!
Bloguista versus blog

JPP tem um apontamento matinal muito interessante sobre o regresso de férias dos bloGuistas (não confundir). Diz JPP que "O blogue X é o blogue X", independentemente da identidade do autor... vale a pena ler. Totalmente de acordo.
Mande vir!
Sono

Sono. É tarde. Gostava de poder continuar por aqui, por aí. De continuar ler. Mas a vida com os outros não se compadece com estas loucuras. Há um mundo que vive de dia. Boa noite.
Mande vir!
Solidão

Ao Domingo, normalmente, não costumo fazer grande jantar. Às vezes vou mesmo comer uma daquelas coisas horríveis que não se devem comer: hamburgers. Isto não é conselho para ninguém, digo-o apenas porque me parece que não é muito saudável e porque gosto da comidinha portuguesa.
De vez em quando, e agora menos vezes porque não costumo estar cá (só de férias), vou a um centro comercial onde posso comer rápido e posso dar uma espreitadela a uma livraria da Notícias, que acaba por se prolongar sempre mais do que o previsto. É que gosto de ler de pé e no meio de pessoas. Perder-me assim como se o tempo não contasse. Esquecer-me por entre aqueles mundos intemporais que são os livros.

Hoje, quando fui comer a esse centro comercial àquilo a que chamam a Praça da Alimentação, aconteceu-me um desses momentos especiais de convívo inesperado com desconhecidos. As mesas estavam quase todas ocupadas quando me sentei e passado algum tempo estavam mesmo todas ocupadas. Mais uns minutos e um homem dos seus sessenta anos aproximou-se com um tabuleiro com a sua refeição e pediu licença para se sentar à "minha" mesa. Acedi, claro, num gesto de irrecusável simpatia, até pela maneira educada, clara e cordial com que fez o pedido, o que já não é tão frequente nos dias que correm. As pessoas andam tão apressadas que já nem têm empo para falar as palavras todas, muito menos para gestos educados.

A pessoa não era de grandes falas, mas disse-me a certa altura, ou melhor, disse para o ar a certa altura que costumava ir jantar ali porque era sózinho e assim sempre tinha companhia ao jantar! Eu anui com um sorriso discreto, como se entendesse bem o que sentia. Depois não disse mais nada.

Fez-me pensar. Eu até julgava aqueles sítios pavorosamente impessoais, frios e desumanos.
Mande vir!
Sobre as palavras


"As nossas palavras mestras estão doentes. Estão degradadas, obsessionalilizadas, brotam a torto e a direito, pretendem tudo conhecer e tudo explicar. Perderam virtude operacional e adquiriram virtude mágica de exaltação ou exorcismo. Estão substancializadas, reificadas; e tomaram o lugar das coisas que tinham por função designar. Adquiriram mesmo o lugar das coisas que tinham por função designar."

Edgar Morin

Ao rever um caderninho onde registava as minhas notas diárias há uns anos atrás, encontrei escrito este texto de Edgar Morin que na altura me marcou. Vale a pena reflectir sobre isto. Um abraço.
Mande vir!
Sobre os afectos

"3.
A Peregrinação destruidora

Lourdinhas nasceu sem jeito para a vida. Não tinha beleza, nem graça. Falava baixinho, os olhos no chão.
-- Olha para mim quando te falo, estafermo -- dizia colérica, a mãe, os dedos agarrados aos cabelos escuros, de pontas maltratadas -- Estafermo, que és um estafermo, nem o comer sabes fazer aos teus irmãos.
E os manos a rirem-se maliciosos e contentes de verem partir a ira noutra direcção.
-- Hás-de aprender -- e os dedos de ferro a projectarem-lhe a cara contra a parede. E uma e duas. As vezesque fossem precisas.
-- Só serves para comer o pão dos outros -- e o canudo de assoprar a quebrar-lhe o corpo magro. E o sangue a espirrar, a espirrar.
-- Ai Mãezinha que me mata...
Até que aprendesse: Que a fome deixa as pessoas malucas; que o pai era um traste encharcado em vinho eque não se lhe podia dar atenção; que qualquer dos irmãos tinha mais valor porque eram mais bonitos, mais inteligentes e ganhavam mais dinheiro. E, finalmente, porque à Mãe só lhe falavam da filha começando por, "Coitadinha".
Batida e sangrada, a rapariga volta a pôr a mesa. Os irmãos, indispostos com tanto sangue, desviam-se para que não lhes pingue a camisa nova. E Lourdinhas, que nunca haveria de ser Lourdes, alinha os pratos, o melhor que sabe, erejeita a sua parte no jantar, para engordar os irmãos."

Possidónio Cachapa, em Segura-te ao Meu Peito em Chamas (Oficina do Livro)

Partilho aqui este excerto do livro de Possidónio Cachapa porque hoje me lembrei que há todos os dias situações destas, aqui, em Portugal, e noutros lugares certamente. A vida anda com ausência de afectos. Às vezes é tão simples melhorar a cor dos dias, mas como levar a todos outras cores, certas cores?
Mande vir!

Sábado, Agosto 16, 2003

"As mãos dos poetas são como flores que de noite encerram o pó das estrelas fazendo-o seu."
Lido algures num livrinho de poesia
Mande vir!
A Capital


Para qualquer português (ou estrangeiro) que visite a capital -- acredito que o mesmo se verifique por esse país fora -- a dificuldade em encontrar indicações para os locais que procura (e para aqueles que não procurando poderia visitar) é enorme! Porquê?

É chocante verificar que a sinalética é exageradamente omissa. Não há sinalização clara nas vias que permitam entrar na cidade de forma esclarecida quanto à zona que se pretende visitar, não há indicações claras das zonas históricas e monumentos, não há indicações claras quanto aos organismos essenciais da administração pública (nem da Assembleia da República!), não há quanto aos museus, bibliotecas, enfim, basta escolher um leque de eventuais locais de importância nacional e ver como é... Se juntarmos a isto a confusão no trânsito e a desmotivação que são os transportes públicos...
Porquê esta desorganização? Porque na capital todos conhecem os sítios para onde querem ir e os caminhos que os levam lá? Porque pensam que todos os outros os conhecem também?

Já agora, valia a pena pensar nisto!

O mal não será só da capital, é certo. Contudo, a capital é a capital! Devia ser o exemplo, o ex-libris do país! Ao menos que se comece por aí.

E em todo o lado devia haver essa preocupação. Os cidadãos têm o direito de lhes ser facilitado o acesso ao SEU património. Depois vêm falar de cultura e de um país ignorante!

Abraço.
Mande vir!

Sexta-feira, Agosto 15, 2003

Meia Idade de VGM

O artigo de VGM sobre a Meia Idade omite muita coisa e não explica tudo. Afinal, a classe política (mesmo os que não estão na política activa partidária) que promoveu o 25 de Abril (e fala dele com sentimento de posse exacerbado, o que explica muito), que conduziu os destinos do país desde então (e ainda hoje são eles que comandam a banda, salvo raras excepções), que governa a comunicação social, que deu ao país ministros da educação, cultura, etc., que construiu os partidos como eles são, que constituem com a sua acção o exemplo de todos os dias, afinal, esses têm que idade? Que formação tiveram? Que sistema de ensino frequentaram? Que universidades?

Concordo com VGM quando diz que o sistema facilitou, que se perdeu na balda e na ausência de rigor e exigência. Talvez isso tenha acontecido sobretudo por ter havido a democratização do sistema de ensino. Sim, porque no tempo em que o VGM frequentou o Bom Ensino poucos o podiam fazer e só meninos com "alguns meios" chegavam à universidade (raras seriam as excepções, estou em crer). O crescimento do sistema pós-abril foi grande e muitos mais puderam estudar, o que foi óptimo para o país. O que tem dado frutos fantásticos! (há excelência em muito jovens das mais diferentes idades) Mas o crescimento exponencial tem destas coisas. A liberdade tem destas coisas. Entrou-se numa linha orientadora em que "estudar é prazer" em vez de "estudar é um trabalho que dá prazer", mas que foi desenvolvida por pessoas que agora, segundo o conceito de VGM, já passaram da Meia Idade.

Antes as coisas eram bem piores. A formação das pessoas bem mais baixa e tudo era bem mais triste. Claro que tudo baixava a cabecinha a certos pilares da ordem aparente e dos bons costumes (supostamente o contrário do que temos agora): ao regime e seus senhores, à igreja e seus senhores e aos senhores doutores. Tudo parecia então muito melhor. Mas tudo não passava de falsidade, de aparência, de cinzentismo, de tristeza e de ignorância onde alguns eleitos podiam brilhar. As coisas estão seguramente melhores. Claro que não estão boas, isso é óbvio.

O que acontece agora é que o ruído é maior que a música. Dá-se voz demais ao que é triste e sem valor (mesmo sem querer, como VGM acabou de fazer) e esquece-se o que há de bom nessa tal Meia Idade e noutras idades. Em Portugal só se fala da miséria intelectual, geralmente continuando a promovê-la. Em Portugal, geralmente, os senhores de Lisboa (que estão em Lisboa) só conhecem Lisboa e confundem Lisboa com o país todo. Esquecem o país, esquecendo os portugueses, esquecendo a sua diversidade. A classe política dominante é bem antiga e bem responsável por este estado de coisas que o sr. VGM descreve , e eles são da sua geração (Meia Idade?). Teimam em não deixar de herança o 25 de Abril, um outro 25 de Abril.
Não vejo aqui nenhum problema de gerações. Vejo sobretudo um problema transversal às diferentes gerações. Um problema nacional que diz respeito a melhorar bastante mais a consciência da necessidade de uma cidadania activa, responsável, honesta e menos egocêntrica.

O problema não está apenas no sistema de ensino. Está em todas as áreas de intervenção social. Está na política e nos seus mais activos intérpretes. Está sobretudo nos partidos políticos. Está nos intelectuais que passam a maior parte do tempo a lamber-se e num discurso de surdos mudos esotérico (até nos blogs), mais preocupados em defender os seus tachos, a proximidade a subsídios, a recolha de medalhas e honras.

O problema está nos exemplos!

E a propósito do sistema educativo devo dizer que pior do que o facilitismo é mesmo o facto de a Escola em Portugal ser trituradora de inteligências! O estudante português é geralmente desconsiderado, logo à partida, pelo professor. Não lhe são apontados objectivos, ambições. Não lhe é dada auto-confiança promotora de capacidade de iniciativa. Se erra é porque é fraco, é burro.

Muito mais há para dizer sobre isto.

Um abraço.
Mande vir!

Quinta-feira, Agosto 14, 2003

Vício! - 1

Estou a ficar maluco com o vício do blog. Dos blogs. A sorte é que estou de férias senão daria em doido!
Isto é bastante interessante, contudo, para principiantes, torna-se uma tarefa árdua. Ainda por cima ando a tentar meter aqui ums imagens e não está fácil.
É a primeira vez que me meto a tentar mexer nestas coisas (html e etc.), o que não está a ser nada fácil! Mas enfim, quem corre por gosto não cansa. Agradecem-se ajudas. Será que é totalmente impossível colocar images? Mesmo direccionado para um outro local na net onde estejam alojadas?
Ne meio de alguma frustação vou saltando aos blogs dos outros e ganhando esperança em melhores dias: altura em que só tenha de me preocupar com o que vou "postar"! Que me desculpe quem aqui vier entretanto.
Mande vir!

Terça-feira, Agosto 12, 2003

Que tal um blog que junte a comunidade portuguesa por esse mundo?

Talvez um seja pouco. Talvez seja muito (exagero, excessivo, despropositado) falar de comunidade portuguesa. Talvez seja melhor falar de comunidade de língua. Não sei. Talvez fosse melhor outra coisa. Talvez isso se faça de maneira diferente. Talvez. Talvez não seja mau se houver quem queira falar das coisas nesta língua numa lógica de laços na língua. Não sei.
Porém, julgo ser necessário pôr gente para aí a trocar mais ideias. E isto já está muito bom. Já é uma dor de cabeça calcorrear todo os blogs, ou será blogues? (não sei se o dicionário da Academia já traz esta)

(agradeço comentários. colocarei aqueles que julgar pertinentes aqui neste espaço, claro! mas agradeço, mesmo assim, todos os outros. como não percebo muito destas coisas, só mandando mail para o purgosto@hotmail.com. obrigado)
Mande vir!
El Paí­s (?) - 2

Portugal tem uma pátria grande de saberes, de sabores, de paisagens, de lí­ngua.

Até para contrariar aquilo que escrevi no post anterior, ou não, atrevo-me a dizer que não percebo o cinzentismo do discurso nacional. Ou melhor, não o entendo isolado e num contexto de maledicência estéril!

Perturba-me verificar que não sabemos quem somos, quantos somos (salvo seja!), o que queremos ser. E que temos pernas para andar (se quisermos). Perturba-me que a crí­tica seja trituradora em vez de promotora de qualidade e avanço. Temos muita gente boa, do melhor. É preciso aprender com quem sabe. É preciso saber que não sabemos tudo. É preciso valorizar as experiências positivas e aprender com elas.

Porque não se mostra o que de melhor temos? Nem que seja lá fora (não é mania! é que temos muitos lá fora! algum problema com isso?). Onde estão esses portugueses que continuam a navegar? Quem se lembra deles? Mesmo dos que navegam cá dentro? (não falo de medalhas!) Quem partilha saberes? Precisamos de nos dar mais!

Através de blogs ou de outra coisa qualquer é preciso partilhar! É preciso colocar toda a gente (quem quiser) a falar, a saber dos outros. Falta muito saber dos outros. Só assim saberemos de nós próprios.

Eu, novato e pouco esclarecido, quero aprender. Quero admirar. Quero saber de todos os outros que têm coisas para dizer.

Parabéns aos que têm "perdido" tempo com isto, isto dos blogs. Mesmo que, como alguém disse, fiquem a perder algumas coroas dos comentários pagos (ser que ficam?).
Mande vir!

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