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DIVULGAÇÃO

 

 

 

 

 

Leitura e Autoformação

O hábito da leitura tem-se vindo a perder ao longo dos tempos. O ritual da escolha de um livro, o analisar da capa, do folhear atento, procurando ver alguns excertos e pormenores, um “passar de olhos” pela introdução, para daí retirar e descobrir o valor e a promessa de um tempo bem passado, é deveras frutificante.

A quimera de um livro deixou de ser aliciante para muitas pessoas, especialmente para os jovens, que possivelmente só os lê, porque a escola assim o exige.

Não é menos motivante ler um livro do que dar uma volta de bicicleta. Embora nos mantenhamos fisicamente no mesmo sítio, o livro reporta-nos para um local, um ambiente, melhor dizendo, um cenário pleno de novas experiências e conhecimentos.

O melhor canal, neste momento, responsável pela transmissão de informação é a televisão, embora a Internet não lhe fique muito atrás. É um meio que praticamente não exige nada de nós, apenas que estejamos a olhar para ela, que a informação acabará por se transmitir por si só.

Devemos estimular o nosso instinto adormecido da curiosidade e da descoberta. Deixar que estes ganhem asas e que nos façam ver que não chega aquilo que nós sabemos e aprendemos. É preciso que nos auto-formemos. É preciso investigar, descobrir, ir mais além, saber e conhecer tudo o que nos rodeia, o mundo em que vivemos, procurar descobrir o porquê das coisas, pois não nos devemos esquecer da lei de causa e efeito. Se algo aconteceu é porque algo fez com que isso sucedesse.

O livro não será mais do que um instrumento desta mesma vontade de querer saber mais, de nos disciplinarmos, de nos tornarmos conscientes de quem somos e o que fazemos. É neles que vamos “saciar” a nossa sede de conhecimento. Não te esqueças daquilo que Cristo nos disse:

- “Procura e acharás”;    

  -“Bate à porta e ela se abrirá”;

-“Conhece a verdade e ela te libertará”.

Se reflectires sobre estas palavras, verás que sempre que procurares, encontrarás. Ao procurares Cristo e os Seus ensinamentos, encontrarás gradualmente a resposta para todas as tuas questões.

" O trabalho é a lei da Natureza, por isso mesmo constitui uma necessidade; é uma expiação e, ao mesmo tempo, meio de aperfeiçoamento da sua inteligência. Sem o trabalho, o Homem permaneceria sempre na infância, quanto à inteligência. Por isso é que seu alimento, sua segurança e seu bem-estar dependem do seu trabalho e da sua actividade."

É, deste modo necessário agir, investir, pois este investimento na procura do conhecimento e da Verdade, será o “motor” para o nosso crescimento com e para Jesus Cristo.

Não devemos deste modo criar raízes no nosso sofá, a ver TV, com o comando na mão, devemos partir para a acção, na senda do auxílio ao próximo, da nossa autoformação, conscientes das dificuldades do caminho e das forças que irão remar contra nós, mas sempre com vontade de saldar as nossas dívidas, e sermos um pouco melhores. Não desesperes, pois Ele está sempre ao nosso lado.

“JUVENTUDE E CULTURA

A passagem do ser pelos vales da luta reencarnatória, dentre todos os valores que propicia, favorece a conquista de maior sabedoria.

Perante o quadro de aprendizados a fazer-se, nas ciências variadas, nas múltiplas expressões da arte, nas disciplinas de todos os matizes que, com toda a certeza, não se consegue deter de uma só vez, numa única existência corporal, a busca de maior domínio sobre as coisas ao derredor constitui aprimoramento corporal.

Atravessamos, na Terra, fase de dificuldades sem conta, nas áreas de cultura geral.

Desconhece-se a estrutura da própria linguagem que se fala. Usam-se gírias ou expressões chulas(*) que denunciam a pobreza dos falantes relativamente à formação cultural.

Ignoram-se os factos históricos que envolvem a sociedade em que se vive. Espalham-se torpes(*) pilhérias(*), inventam-se lendas sem beleza e sem sentido, reflectindo a pouca madureza social.

Não se cogita de penetrar as razões desse ou daquele monumento ou placa evolutiva, sentindo-se, tantos, impulsionados pelo instinto destruidor e vândalo(*), que, incapazes de compreender, por descaso, preferem pichar, destroçar ou poluir de modo drástico(*), o que encontram pela frente.

O gosto pelas bibliotecas, pelas salas de arte, por museus, por teatros e pela literatura excelente de todos os tempos, tudo tem ficado na retaguarda das preferências.

Os desportos nobres e educativos ainda contam com poucos adeptos.

Temos, ao revés, um quadro enorme dos que procuram os exercícios desportivos excitantes e violentos, que pouco ou nada acrescentam no âmbito das conquistas do Espírito.

Encontram-se, com maior frequência, muitos que se ajustam a espectáculos pornográficos, do palco ou da tela, em franco deboche à sensibilizante arte.

Moço, tu que anelas pelo crescimento para cima, que sonhas com mais amplos conhecimentos que constituem veraz felicidade para os seres humanos, medita sobre estas reflexões e analisa-te para que te situes na evolução.

Educa o teu falar para perfumar a vida em torno de ti.

Educa o teu sentir para iluminar nobremente a vida que pulsa em tuas possibilidades.

Educa o teu fazer, a fim de que engrandeças a vida que vibra em ti e que influenciará a outras tantas criaturas que te observam ou que, simplesmente, compartilham dos teus dias.

Melhora as tuas preferências, a princípio com disciplina, para a espontaneidade futura.

A cultura é eminente ensejo de cresceres para Deus, sem que discrepes(*) das realidades do teu tempo, para que não te faças pedante ou esnobe, trabalhando teu trato intelectual, porém, para não seres banal, pondo fora as oportunidades augustas(*) que se apresentem.

Confiando em Jesus e operando a tua parte, lograrás no amor e na instrução o teu encontro com as propostas benditas do excelente Espiritismo.

(*) Glossário

Augusto = respeitável

Chula = grosseira; baixa

Discrepar = diversificar; divergir

Pilhéria = troça; galhofa; zombaria

Torpe = desonesta; infame

Vândalo = aquele que destrói monumentos ou objectos respeitáveis; indivíduo que tudo destrói, quebra, rebenta...”[1]

“PROCUREMOS

  "Antes, vindo ele a Roma, com muito cuidado me procurou e me achou." - Paulo. (II TIMÓTEO, 1:17.)

 Todas as sentenças evangélicas permanecem assinaladas de beleza e sabedoria ocultas. Indispensável meditar, estabelecer comparações no silêncio e examinar experiências diárias para descobri-las.

Aquele gesto de Onesíforo, buscando o apóstolo dos gentios, com muito cuidado, na vida cosmopolita de Roma, representa ensinamento sobremaneira expressivo.

A anotação de Paulo designa ocorrência comum, entretanto o aprendiz aplicado ultrapassa a letra para recolher a lição.

Quantos amigos de Jesus e de seus seguidores directos lhes aguardam a visita, ansiosos e impacientes? Quantos se fixam, imóveis, nas atitudes inferiores, reclamando providências que não fizeram por merecer? Há crentes presunçosos que procuram impor-se aos Desígnios Divinos, formulando exigências ao Céu, em espinhosas bases de ingratidão e atrevimento. Outros se lamentam, amargurados, quais voluntariosas criancinhas, porque o Mestre não lhes satisfez os desejos absurdos e inconvenientes.

Raros os aprendizes que reflectem nos serviços imensos do Cristo.

Estaria Jesus, vagueante e desocupado, na Vida Superior? Respirariam seus colaboradores directos, cristalizados na ociosidade beatífica? Imprescindível é meditar na magnitude do trabalho e da responsabilidade dos obreiros divinos.

Lembremo-nos de que se Paulo era um prisioneiro aos olhos do mundo, era já, em si mesmo, uma luz viva e brilhante, na condição de apóstolo que o próprio Jesus glorificara. Não era, ante a visão do espírito, um encarcerado e sim um triunfador. Apesar disso, Onesíforo, a fim de vê-lo, foi constrangido a procurá-lo com muito cuidado.

Semelhante impositivo ainda é o mesmo nos dias que passam. Para encontrarmos Jesus e aqueles que o servem, faz-se mister buscá-los zelosamente. 

ABRE A PORTA

 "E havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo." - (JOÃO, 20:22.)

 Profundamente expressivas as palavras de Jesus aos discípulos, nas primeiras manifestações depois do Calvário.

Comparecendo à reunião dos companheiros, espalha sobre eles o seu espírito de amor e vida, exclamando: "Recebei o Espírito Santo." Por que não se ligaram as bênçãos do Senhor, automaticamente, aos aprendizes? Por que não transmitiu Jesus, pura e simplesmente, o seu poder divino aos sucessores? Ele, que distribuíra dádivas de saúde, bênçãos de paz, recomendava aos discípulos recebessem os divinos dons espirituais. Por que não impor semelhante obrigação? É que o Mestre não violentaria o santuário de cada filho de Deus, nem mesmo por amor.

Cada espírito guarda seu próprio tesouro e abrirá suas portas sagradas à comunhão com o Eterno Pai.

O Criador oferece à semente o sol e a chuva, o clima e o campo, a defesa e o adubo, o cuidado dos lavradores e a bênção das estações, mas a semente terá que germinar por si mesma, elevando-se para a luz solar.

O homem recebe, igualmente, o Sol da Providência e a chuva de dádivas, as facilidades da cooperação e o campo da oportunidade, a defesa do amor e o adubo do sofrimento, o carinho dos mensageiros de Jesus e a bênção das experiências diversas; todavia, somos constrangidos a romper por nós mesmos os envoltórios inferiores, elevando-nos para a Luz Divina.

As inspirações e os desígnios do Mestre permanecem à volta de nossa alma, sugerindo modificações úteis, induzindo-nos à legítima compreensão da vida, iluminando-nos através da consciência superior, entretanto, está em nós abrir-lhes ou não a porta interna.

Cessemos, pois, a guerra de nossas criações inferiores do passado e entreguemo-nos, cada dia, às realizações novas de Deus, instituídas a nosso favor, perseverando em receber, no caminho, os dons da renovação constante, em Cristo, para a vida eterna. 

EXAMINAI

 "Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa." - João. (II João, 10.)

 É razoável que ninguém impeça o próximo de falar o que melhor lhe pareça; é justo, porém, que o ouvinte apenas retenha o que reconheça útil e melhor. Em todos os sectores da actividade terrestre e no curso de todas as tarefas diárias, aproximam-se irmãos que vêm ter convosco, trazendo as suas mensagens pessoais.

Esse é portador de convite à insubmissão, aquele outro é um vaso de queixas enfermiças.

Indispensável é que a casa terrestre não se abra aos fantasmas.

Batem à porta? A prudência aconselha vigilância.

O coração é um recinto sagrado, onde não se deve amontoar resíduos inúteis.

É imprescindível examinar as solicitações que avançam.

Se o mensageiro não traz as características de Jesus, convém negar-lhe guarida, de carácter absoluto, na casa Intima, proporcionando-lhe, porém, algo das preciosas bênçãos que conseguimos recolher, em nosso benefício, no sector das utilidades essenciais.

Inúmeros curiosos que se aproximam dos discípulos sinceros nada possuem, além da presunção de bons faladores. São, quase sempre, grandes necessitados sob a veste falaciosa da teoria. Sem feri-los, nem escandalizá-los, é justo que o devotado aprendiz de Jesus lhes prodigalize algum motivo de reflexão séria. Desse modo, os que julgam conduzir um estandarte de suposta redenção passam a conduzir consigo a mensagem do bem, verdadeiramente salvadora.

O problema não é o de nos informarmos se alguém está falando em nome do Senhor; antes de tudo, importa saber se o portador possui algo do Cristo para dar. 

APLIQUEMO-NOS

 "E os nossos aprendam também a aplicar-se às boas obras, nas coisas necessárias, para que não sejam infrutuosos." - Paulo. (TITO, 3:14.)

 É preciso crer na bondade, todavia, é indispensável movimentarmo-nos com ela, no serviço de elevação.

É necessário guardar a fé, contudo, se não a testemunhamos, nos trabalhos de cada dia, permaneceremos na velha superfície do palavrório.

Claro que todos devemos aprender o caminho da iluminação, entretanto, se não nos dispomos a palmilhá-lo, não passaremos da atitude verbalista.

Há no Espiritismo cristão palpitantes problemas para os discípulos de todas as situações.

É muito importante o conhecimento do bem, mas que não esqueçamos as boas obras; é justo se nos dilate a esperança, diante do futuro, à frente da sublimidade dos outros mundos em glorioso porvir, mas não olvidemos os pequeninos deveres da hora que passa.

De outro modo, seríamos legiões de servidores, incapazes de trabalhar, belas figuras na vitrina das ideias, sem qualquer valor na vida prática.

A natureza costuma apresentar lindas árvores que se cobrem de flores e jamais frutificam; o céu, por vezes, mostra nuvens que prometem chuva e se desfazem sem qualquer benefício à terra sedenta.

As escolas religiosas, igualmente, revelam grande número de demonstrações dessa ordem. São os crentes promissores e infrutuosos, que a todos iludem pelo aspecto brilhante. Dia virá, porém, no qual se certificarão de que é sempre melhor fazer para ensinar depois, que ensinar sempre sem fazer nunca.  

SABER COMO CONVÉM

 "E se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber." -Paulo. (I CORÍNTIOS, 8:2.)

 A civilização sempre cuida saber excessivamente, mas, em tempo algum, soube como convém saber.

É por isto que, ainda agora, o avião bombardeia, o rádio transmite a mentira e a morte, e o combustível alimenta maquinaria de agressão.

Assim também, na esfera individual, o homem apenas cogita saber, esquecendo que é indispensável saber como convém.

Em nossas actividades evangélicas, toda a atenção é necessária ao êxito na tarefa que nos foi cometida.

Aprendizes do Evangelho existem que pretendem guardar toda a revelação do Céu, para impô-la aos vizinhos; que se presumem de posse da humildade, para tiranizarem os outros; que se declaram pacientes, irritando a quem os ouve; que se afirmam crentes, confundindo a fé alheia; que exibem títulos de benemerência, olvidando comezinhas obrigações domésticas.

Esses amigos, principalmente, são daqueles que cuidam saber sem saberem de fato.

Os que conhecem espiritualmente as situações ajudam sem ofender, melhoram sem ferir, esclarecem sem perturbar. Sabem como convém saber e aprenderam a ser úteis.

Usam o silêncio e a palavra, localizam o bem e o mal, identificam a sombra e a luz e distribuem com todos os dons do Cristo. Informam-se quanto à Fonte da Eterna Sabedoria e ligam-se a ela como lâmpadas perfeitas ao centro da força. Fracassos e triunfos, no plano das formas temporárias, não lhes modificam as energias. Esses sabem porque sabem e utilizam os próprios conhecimentos como convém saber.”[2]

 Grupo RAIO DE LUZ

[1] Teixeira, Raul – “Cântico da Juventude” pelo espírito Ivan de Albuquerque

[2] Xavier,  Francisco Cândido - "Vinha de Luz", pelo espírito Emmanuel

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