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DIVULGAÇÃO

 

 

 

 

 

Drogas

As drogas instalaram-se na nossa vida de todos os dias. A tal ponto que alguns querem fazer-nos acreditar que se trata de uma fatalidade em relação à qual não temos qualquer controlo, e que apenas nos resta viver com ela, rezando para que não nos atinja.

São sintomas de uma incapacidade em ultrapassar enormes dificuldades em termos de relações humanas e sociais.

A realidade pode ser completamente diferente.

As toxicodependências não são uma doença e, muito menos uma doença crónica. Sem se esperar 100% de êxito, pode muito bem ser tratada, ajudando os toxicodependentes a abordar e a ultrapassar os problemas, compreendendo as razões da sua existência.

Tarefa difícil, mas realizável, que assenta antes de mais, em retomar a confiança em si mesmo, a estima por si próprio e permitindo a ajuda externa, para que o amor que lhe possamos dar, seja o bálsamo da sua dor.

Não esquecendo que a fé deve ser racional, que os bons frutos são provenientes de boas árvores, mesmo não compreendendo bem os mecanismos da mediunidade que fazem chegar até nós as vozes do além, medita sobre os conselhos e o exemplo, a seguir expostos.

 “O ADOLESCENTE E O PROBLEMA DAS DROGAS

Entre os impedimentos para a auto-identificação, no período da adolescência, destaca-se a rejeição.

Caracterizado pelo abandono a que se sente relegado o jovem no lar, esse estigma o acompanha na escola, no grupo social, em toda parte, tornando-o tão amargurado quão infeliz.

Sentindo-se impossibilitado de auto-realizar-se, o adolescente, que vem de uma infância de desprezo, foge para dentro de si, rebelando-se contra a vida, que é a projecção inconsciente da família destruturada, contra todos, o que é uma verdadeira desdita. Daí ao desequilíbrio, na desarmonia psicológica em que se encontra, é um passo.

Os exemplos domésticos, decorrentes de pais que se habituaram a usar medicamentos sob qualquer pretexto, especialmente Valium e Librium, como buscas de equilíbrio, de repouso, oferecem aos filhos estímulos negativos de resistência para enfrentar desafios e dificuldades de toda natureza. Demonstrando incapacidade para suportar esses problemas sem a ajuda de mecanismos químicos ingeridos, abrem espaço na mente da prole, para que, ante dificuldades, fuja para os recantos da cultura das drogas que permanecem em voga..

Por outro lado, a exuberante propaganda, a respeito dos indivíduos que vivem buscando remédios para quaisquer pequenos achaques, sem o menor esforço para vencê-los através dos recursos mentais e actividades diferenciadas, produz estímulos nas mentes jovens para que façam o mesmo, e se utilizem de outro tipo de drogas, aquelas que se transformaram em epidemia que avassala a sociedade e a ameaça de violência e loucura.

O alcoolismo desenfreado, sob disfarce de bebidas sociais, levando os indivíduos a estados degenerativos, a perturbações de vária ordem, torna-se factor predisponente para as famílias seguirem o mesmo exemplo, particularmente os filhos, sem estrutura de comportamento saudável.

O tabagismo destruidor, inveterado, responde pelas enfermidades graves do aparelho respiratório, criando dependência irrefreável, transformando-se em estímulo nas mentes juvenis para a usança de tais bengalas psicológicas, que são porta de acesso a outras substâncias químicas mais perturbadoras.

A utilização da maconha, sob a justificativa de não ser aditiva, apresentada como de consequências suaves e sem perigo de maiores prejuízos, com muita propriedade também denominada erva do diabo, cria, no organismo, estados de dependência, que facultarão a utilização de outras substâncias mais pesadas, que dão acesso à loucura, ao crime, em desesperadas deserções da realidade, na busca de alívio para a pressão angustiante e devoradora da paz.

Todas essas drogas tornam-se convites-soluções para os jovens desequipados de discernimento, que se lhes entregam inermes, tombando, quase irremissivelmente, nos seus vapores venenosos e destruidores, que só a muito custo conseguem superar, após exaustivos tratamentos e esforço hercúleo.

Os conflitos, de qualquer natureza, constituem os motivos de apresentação falsa para que o indivíduo se atire ao uso e abuso de substâncias perturbadoras, hoje ampliadas com os barbitúricos, a heroína, a cocaína, o crack e outros opiáceos.

E não faltam conflitos na criatura humana, principalmente no jovem que, além dos factores de perturbação referidos, sofre a pressão dos companheiros e dos traficantes ¾ que se encontram nos seus grupos sociais com o fim de os aliciar; a rebelião contra os pais, como forma de vingança e de liberdade; a fuga das pressões da vida, que lhe parece insuportável; o distúrbio emocional, entre os quais se destacam os de natureza sexual...

A educação no lar e na escola constitui o valioso recurso psicoterapêutico preventivo em relação a todos os tipos de drogas e substâncias aditivas, desvios comportamentais e sociais, bengalas psicológicas e outros derivativos.

A estruturação psicológica do ser é-lhe o recurso de segurança para o enfrentamento de todos os problemas que constituem a existência terrena, realizando-se em plenitude, na busca dos objectivos essenciais da vida e aqueloutros que são consequências dos primeiros.

Quando se está desperto para as finalidades existenciais que conduzem à auto-realização, à auto-identificação, todos os problemas são enfrentados com naturalidade e paz, porquanto ninguém amadurece psicologicamente sem as lutas que fortalecem os valores aceitos e propõem novas metas a conquistar.

Os mecanismos de fuga pelas drogas, normalmente produzem esquecimento, fugas temporárias ou sentimento de maior apreciação da simples beleza do mundo, o que é de duração efémera, deixando pesadas marcas na emoção e na conduta, no psiquismo e no soma, fazendo desmoronar todas as construções da fantasia e do desequilíbrio.

É indispensável oferecer ao jovem valores que resistam aos desafios do quotidiano, preparando-o para os saudáveis relacionamentos sociais, evitando que permaneça em isolamento que o empurrará para as fugas, quase sem volta, do uso das drogas de todo tipo, pois que essas fugas são viagens para lugar nenhum.

Sempre se desperta desse pesadelo com mais cansaço, mais tédio, mais amargura e saudade do que se haja experimentado, buscando-se retornar a qualquer preço, destruindo a vida sob os aspectos mais variados.

Por fim, deve-se considerar que a facilidade com que o jovem adquire a droga que lhe aprouver, tal a abundância que se lhe encontra ao alcance, constitui-lhe provocação e estímulo, com o objectivo de fazer a própria avaliação de resultados pela experiência pessoal. Como se, para algum conhecer-se a gravidade, o perigo de qualquer enfermidade, fosse necessário sofrê-la, buscando-lhe a contaminação e deixando-se infectar.

A curiosidade que elege determinados comportamentos desequilibradores já é sintoma de surgimento da distonia psicológica, que deve ser corrigida no começo, a fim de que se seja poupado de maiores conflitos ou de viagens assinaladas por perturbações de vária ordem.

Em todo esse conflito e fuga pelas drogas, o amor desempenha papel fundamental, seja no lar, na escola, no grupo social, no trabalho, em toda a parte, para evitar ou corrigir o seu uso e o comprometimento negativo.

O amor possui o miraculoso condão de dar segurança e resistência a todos os indivíduos, particularmente os jovens, que mais necessitam de atenção, de orientação e de assistência emocional com naturalidade e ternura.

Diante, portanto, do desafio das drogas, a terapia do amor, ao lado das demais especializadas, constitui recurso de urgência, que não deve ser postergado a pretexto algum, sob pena de agravar-se o problema, tornando-se irreversível e de efeitos destruidores.[1]

“O ESPÍRITO DE UM DROGADO

Evocação do Espírito de um drogado.

 “- Poderíamos conversar com um Espírito que teve experiência com drogas?

Resposta: Cá estou, pois esta visita já estava na programação da casa para esta noite.

- Disseste que já estavas aqui ou vieste pela evocação?

Resposta: Já estava aqui, trazido pelos amigos espirituais responsáveis pelo trabalho.

- Poderias nos falar sobre tua experiência com as drogas?

Resposta: Perguntem e responderei dentro do possível e do que me for permitido.

- Vivestes muito tempo na Terra?

Resposta: Dezoito anos.

- Tão jovem e já tinhas envolvimento sério com a droga?

Resposta: Desde os quatorze anos.

- Moravas onde?

Resposta: Rio de Janeiro.

- Como foi teu envolvimento?

Resposta: Iniciei, na verdade, aos onze anos, com consumo de cigarros de maconha, no bairro onde morava, como brincadeira entre meus amigos.

- Onde conseguias a maconha?

Resposta: Nas mãos dos pequenos traficantes do bairro, nos vendedores de quinquilharias das calçadas. Era muito fácil.

- E seus pais? Sabiam dessa sua experiência?

Resposta: No início não sabiam. Quando tomaram conhecimento encararam como coisa normal dos tempos da adolescência moderna. Só mais tarde perceberam a gravidade da situação.

- Com quais tipos de drogas tiveste envolvimento?

Resposta: Com as piores. Aos quatorze anos entrei em contacto com a cocaína e daí para o crack foi um pulo.

- Foi o crack que o levou à morte?

Resposta: Não. Fui assassinado.

- Como foi?

Resposta: Em briga de rua, por ponto de venda da droga, pois tornei-me um traficante para sustentar meu vício.

- E a família?

Resposta: Depois de muitas tentativas de me retirar das ruas, deixaram-me jogado à própria sorte.

- Lamentas esta atitude deles?

Resposta: Não. Lamento minha cegueira. Eles nada podiam fazer por mim, além do que fizeram. Não tinham os recursos necessários para dar-me o que necessitava.

- E do que necessitavas?

Resposta: Compreensão maior dos mecanismos da vida.

- Foi isso que o levou a procurar as drogas?

Resposta: No início não. Mas depois, em minha adolescência, quando já me envolvera com as drogas mais pesadas, fazia “viagens” incríveis pelo meu mundo íntimo e buscava uma paz interior que não encontrara em casa, nem nas ruas. Em minha falta de lucidez, achava que encontraria nas drogas e na condição mental que elas me favoreciam.

- Que condição?

Resposta: A total inconsciência dos meus actos, o mergulho em um mundo de ilusões e desespero, a entrega total aos devaneios insanos do desequilíbrio.

- Algumas vezes reflectias sobre isso? Quiseste deixar as ruas?

Resposta: Muitas vezes, mas em nenhuma delas encontrei compreensão e condições favoráveis para livrar-me daquilo.

- Tiveste outras experiências?

Resposta: Em que sentido perguntam?

- Outras experiências que poderiam servir para o aprendizado de todos?

Resposta: Sim. Quando se entra no mundo das drogas perde-se a noção de limites. Tudo passa a ser permitido. Prostitui-me muitas vezes para conseguir dinheiro e isso talvez tenha sido muito pior que o próprio vício, pois injectar um veneno em suas veias não traz consequências morais tão graves quanto vender seu próprio corpo, por livre vontade, sabendo do ato imoral e insano que se está praticando. Claro, não estou dizendo que se drogar é melhor que se prostituir, mas que o vício às vezes é irresistível e foge às nossas frágeis forças de resistência física e espiritual, e que o outro ato, neste caso, é perfeitamente evitável se assim o quisermos.

- Como foi sua morte?

Resposta: Já falei que foi por motivo fútil. Um companheiro de infortúnio (que também já está deste lado), atirou em minha cabeça, em uma tola disputa de “ponto”. Ele mesmo se arrependeu logo em seguida, pois um dia tínhamos sido amigos inseparáveis. Mas a droga nos faz enfrentar uma lei que é desconhecida dos homens das leis comuns. É selvagem e destruidora. Para os drogados não existem barreiras que possam contê-los no momento em que dela necessitam.

- Tua desencarnação foi dolorosa?

Resposta: Nada senti. Continuei vivo e não compreendia como as pessoas não me viam. Convivi com os “amigos” por um tempo para depois tomar consciência de minha condição de “morto”. E foi aí que sofri os horrores decorrentes da falta de responsabilidade com a vida.

- Foste amparado?

Resposta: Sim, depois de certo tempo, por familiares.

- E teus pais?

Resposta: Só tomaram conhecimento pelos jornais locais, que alardeiam a miséria e desgraça humanas.

- Que sentimento os animou?

Resposta: Depois eu soube que foi de grande alívio. E assim deveria ser mesmo, pois só trouxe a eles a desilusão e a dor.

- Tiveste uma infância agradável?

Resposta: Tive tudo o que quis. Meus menores desejos eram satisfeitos. Fui rico até a idade de 10 anos, quando houve uma reviravolta na vida dos meus pais. Eles separaram-se e eu fui morar com meus avós. Depois aproximei-me mais de minha mãe, no início de meu martírio pelo mundo das drogas.

- E hoje? Visita-os?

Resposta: Não. Estou já bem recuperado, mas não tenho notícias deles. Acho que cuidam de suas vidas e rogo a Deus que cuidem bem, para que não sofram tanto, quando para cá vierem.

- Sofreste aí?

Resposta. Muito. Principalmente ao saber do desperdício que havia sido minha vida.

- Porquê? Tinhas outra programação de vida?

Resposta: Sim. Poderia permanecer até a sexta década de vida, com tarefa séria e edificante na área da saúde, oportunidade que me foi dada pelo Alto para redenção de meus débitos. Mas desperdicei no exercício do livre arbítrio, auxiliado pelas características familiares onde me encontrava. Sequer terminei o curso básico. A escola foi para mim um palco de minhas farras com outros colegas igualmente dementes.

- Então és um suicida?

Resposta: Sim, no sentido que se empresta a essa palavra, pois fui em parte o artífice de minha morte, mas não com a conotação e a gravidade de um suicida comum. Os drogados são vistos aqui de outra forma.

- De que forma? Vítimas?

Resposta: Sim, em parte, pois na verdade alguns são vítimas da degradação social pela qual passa a humanidade, sem deixar de considerar o livre arbítrio de cada um. A droga é a grande arma destruidora das esperanças dos jovens do mundo inteiro.

- Poderias explicar um pouco mais essa parte?

Resposta: Muitos lançam-se cedo no mundo dos vícios pela falta de base moral familiar, cujos pais não preparam. Cedo, entregam-se a atitudes inadequadas e não são devidamente orientados. A permissividade existente no mundo actual é mostra de que os pais não estão preparados para construir o homem do futuro. A droga, sendo uma das formas de escravizar o homem, na verdade é um resultado da ganância desenfreada do próprio homem que destrói seus próprios filhos e assim sucessivamente. Os grandes donos do esquema arrecadam montanhas de dinheiro que amanhã deixarão para seus filhos, netos e bisnetos, não percebendo que construem o material e destruem o essencial. Essas próprias criaturas, para as quais construem seus impérios, são vítimas e escravos de seu próprio veneno. Assim é na cidade onde vivi.

- Vives em colónia ou estás em hospital?

Resposta: Encontro-me em colónia próxima à Terra, de acordo com meu grau evolutivo.

- Existem colónias específicas para atender vítimas de vícios?

Resposta: Não tenho conhecimento disso, mas meu instrutor diz que aqui são atendidos todos os necessitados da alma, quaisquer que sejam os vícios. É uma colónia muito grande e onde se encontram muitos jovens. Naturalmente ainda estamos nessa condição pela nossa pouca compreensão. A forma física não importa, mas a maturidade de Espírito.

- Ainda podemos perguntar mais coisas?

Resposta: Necessito afastar-me por orientação do amigo que me dirige as acções e pensamentos neste trabalho. Deixo aqui minha gratidão pela oportunidade e que os bons Espíritos amparem todos os homens que um dia pensaram em envenenar-se por desconhecer as leis que regem a vida”. - Um Espírito sofredor, agradecido.” [2]

 Grupo RAIO DE LUZ

[1] Franco, Divaldo Pereira -  «Adolescência e Vida» pelo Espírito Joanna de Ângelis.

[2] Sociedade de Estudos Espíritas Allan Kardec  -   Mensagem mediúnica        Data: 24.11.98     Classificação: Instrutiva  

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