O apuro dinamico das berlinas familiares tem vindo a ser uma obsessão de construtores até agora indiferentes a esse (primordial) factor. Dentro desses, a Mazda (o construtor do MX-5...) sobressai pelo novo conceito Zoom Zoom, que resulta no admirável Mazda 6.
        Texto: Filipe Xavier * Fotos:lmagepress/Nuno Laranjeira

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Se propostas recentes como o Opel Vectra GTS e o Saab 9-3 Sport Sedan nasceram com o intuito de arrancar aplausos a Imprensa especializada no comportamento dinâmico, chegou uma outra que fará despertar outros bem mais ruidosos. E mais que o empenho, só o culto consegue estas coisas.

Uma plataforma construída exclusivamente para o novo Mazda 6, que reclama índices de rigidez quase imbativeis, suspensoes calculadas para satisfazer o mais exigente condutor no limite, comandos que comunicam bem entre si e corn quern os controla, e uma posição de condução baixa, que se consegue ideal pelas variadas regulações do banco e do volante são os primeiros indícios de um trabalho bem pensado e de raiz. Mas é a estrada o exame de todos os milhões de miIhões de ienes postos no projecto e aqui, pelos vistos, valem cada um deles.

A primeira impressão que se retira do Mazda 6 é a de um equilibrio espantoso entre estabilidade e agilidade, onde a direcção precisa, pouco desmultiplicada, de um peso na assistência quase magnético, joga um papel determinante na envolvência. Não é apenas a velocidade com que se conseguem derrotar as curvas de apoio mais exigentes que espanta, é a forma muito controlada de todos os movimentos, em que à compressão se segue uma suave e quase fiscalizada descompressão e um ponto final na animação vertical.

A frente segue a corda da curva com cega vontade e muito pouco volante, podendo o perfil da mesma ser ditado pelo acelerador - alivia-se, e todo o corpo cai numa suave e progressiva rotação, surtindo mais efeito corn quanto mais velocidade se transporta para a curva. Acelera-se de novo e dissipa-se esse efeito.

E esta agilidade não se paga em instabilidade, movimentos estranhos e aleatórios. Pelo contrario, o polimento, a consistência e a constância nas reacções ganham um grande sentido na dinâmica do Mazda 6.

E se no espectro das velocidades elevadas se apresenta altivo, no das baixas alinha também pelas mesmas virtudes, mantendo intactas as qualidades de civismo, agilidade e facilidade de condução para vencer terrenos sinuosos mais próprios de (algumas boas) maquinas de dimensões menos generosas. E não deixa de ser curioso que apesar da tonelada e meia, a inércia resultante dos movimentos mais bruscos é brilhantemente dissolvida pelas suspensões. Passemos agora à travagem. Inegavelmente potente, tern na capacidade de doseamento mais um ponto a favor da interactividade - a colocação do pedal é uma tentação para o exercicio do ponta-tacão - mas sofre de alguma fadiga, em parte pelo elevado peso. Bem posicionada, a caixa de velocidades revelou-se precisa, boa no manuseamento e suficientemente rápida, muito embora o rigor nas passagens seja um imperativo.

De facto, e bem, o Zoom Zoom é um conceito bem ampliado de familiar. Não queriamos encerrar este capítulo sem frisar um ponto desagradável. Em movimentos muito rápidos de direcção, a bomba de assistência mostrou insuficiência no débito de potência tornando a direcção imensamente pesada, o que é uma mancha desnecessária num conjunto dinamicamente soberbo. What a pitty!


O melhor aliado de um excelente chassis só pode ser um motor potente. O 2.0L MZR-CD é gerido por uma unidade da Denso, e mostra as unhas somente a partir das 1700/1800 rpm, de onde em diante prospera de forma contínua, pujante e rápida ate as 4500 rpm, produzindo ao largo dos regimes médios e altos um som abafado e nada condizente com as tipicas tristes notas dos motores Diesel. Mas falta-lhe capacidade de progressão abaixo da referida barreira, o que se deve à "turbodependencia" e, nomeadamente, ao elevado peso - os reforços da plataforma no sentido de conferir níveis de rigidez muito elevados pagaram-se na balança.

Ainda assim, e no banco de potência, rendeu 164 CV as 3863 rpm e 339 N.m as 2233rpm! E é precisamente pelos dados do gráfico de potência que melhor percebemos o seu temperamento e, em especial, a apatia do propulsor nos baixos regimes. Antes das 1750 rpm não vai além dos 45 CV e 180 N.m, e nas 500 rpm seguintes, ganha 60 CV e 160 N.m, o que se traduz numa entrega bem vigorosa e algo brusca.

Mas uma berlina familiar com acento desportivo deve antes de mais estabelecer-se como familiar. No espaco habitável ganha a praticamente todos os concorrentes directos, rivalizando no tocante a largura, ao comprimento e à mala com outros de indole mais familiar/dinamicamente inferiores, como o Renault Laguna e o VW Passat! No conforto tão pouco os inveja. E se as qualidades dinamicas pouco Ihe dizem, fique a saber que por 33.514 euros nao encontra nada com este tamanho e este nível de equipamento. Tentador, não?!

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